O Castelo Maldito (House of the Damned, EUA, 1963, PB)

 


A “Mansão Winchester” (Winchester Mystery House) está localizada na Califórnia (EUA), construída pela principal herdeira, Sarah Winchester, da fortuna obtida pela venda das famosas armas Winchester, os rifles de repetição que fizeram história no Velho Oeste na segunda metade do século 19. Considerada louca, ela construiu a imensa casa por dezenas de anos até a sua morte, sempre aumentando os cômodos indefinidamente, e pelas lendas o motivo seria para acalmar as almas atormentadas das pessoas mortas pelas armas Winchester. Atualmente é um ponto turístico com visitação e com a fama de assombrada, inspirando filmes como “A Maldição da Casa Winchester” (2018).

Essa história real também serviu de base para o filme “O Castelo Maldito” (House of the Damned, EUA, 1963), dirigido e produzido por Maury Dexter, com roteiro de Harry Spalding e fotografia em preto e branco. A dupla Dexter e Spalding também foi a responsável por outro filme bagaceiro do cinema fantástico do mesmo período, “O Dia Em Que Marte Invadiu a Terra” (1963).

 

O arquiteto Scott Campbell (Ron Foster) é contratado pelo advogado Joseph Schiller (Richard Crane) para verificar as condições de uma mansão conhecida como “Castelo de Rochester”, localizada isolada numa região próxima de um lago. Ele viaja até o local para realizar o serviço, acompanhado de sua esposa Nancy (Merry Anders).

A mansão tem uma história sinistra, construída por uma herdeira excêntrica de uma grande fortuna, Priscilla Rochester (Georgia Schmidt), que é considerada louca e está internada num hospital psiquiátrico. Sendo que a enorme casa estava alugada para um empresário do ramo de circo de exploração de aberrações, que morreu deixando o imóvel vazio, necessitando de uma vistoria para futuras locações.

Ao chegar lá, o casal encontra um cenário estranho com atmosfera misteriosa, e mais tarde eles se juntam com o advogado Schiller e sua esposa Loy (Erika Peters), em crise de casamento. O grupo passa a explorar os muitos cômodos e enfrentar situações desconfortáveis com um sentimento que a imensa casa pode não estar vazia e que algo se esconde à espreita nos cantos escuros.

 

“O Castelo Maldito” é uma produção de baixo orçamento com apenas pouco mais de uma hora de duração, mas mesmo assim tem vários momentos arrastados, com tentativa de criar alguma atmosfera sinistra com a mansão e que não funcionou. A enorme casa tem potencial para explorar situações de horror sobrenatural, porém o roteiro entediante, com ritmo lento, não conseguiu transformar o cenário naturalmente sombrio e misterioso em oportunidades de tensão e desconforto, exceto talvez por raras cenas com o “ataque do gigante misterioso”, a “aparição fantasmagórica da mulher sem cabeça”, e o surto da idosa louca do hospício.   

 

O filme está disponível no “Youtube” com opção de legendas automáticas em português e entre as curiosidades, foi um dos primeiros trabalhos do ator grandalhão Richard Kiel (1939 / 2014), que teve apenas uma pequena ponta. Ele, que estrelou a ficção científica “O Humanoide” (1979), cópia barata italiana de “Star Wars”, e que ficou conhecido como o vilão “Dentes de Aço” em dois filmes da franquia “007” com Roger Moore.

Tem também outro filme que recebeu o mesmo título quando foi lançado no Brasil. Trata-se de “Castle Freak” (1995), de Stuart Gordon e inspirado em história de H. P. Lovecraft, que foi lançado primeiramente em vídeo VHS como “Herança Maldita” e depois em DVD pelo selo “Works” como “O Castelo Maldito”, e ainda mais tarde pela “Versátil” como “Herança Maldita”, tornando sempre árdua a tarefa de catalogar os títulos nacionais dos filmes que chegam por aqui.

 

(RR – 10/04/26)