“...
Sou um ser composto, uma manifestação das muitas mentes que são os últimos
habitantes desta última cidade deste mundo. Somos o fim da evolução de uma
raça. Sua alma, sua idade, não tem equivalente em seus conceitos de tempo. Que
basta saber que nossa raça testemunhou durante o período de nossa evolução, o
nascimento e a morte de filhos e mundos...” – “O Mágico de Marte”
O
grande ator John Carradine (1906 / 1988), dono de um currículo com mais de 350
participações em filmes e séries, e com o nome fortemente associado ao gênero fantástico,
interpretou “O Mágico de Marte” na divertida bagaceira de Ficção Científica com
elementos de Horror “The Wizard of Mars”
(EUA, 1965), dirigido, escrito e produzido por David L. Hewitt, com duração de
77 minutos e que está disponível no “Youtube” com a opção de legendas
automáticas em português.
Ambientado
em 1975, dez anos no futuro da época da produção e um passado já bem longe dos
nossos tempos contemporâneos, uma nave de exploração espacial tripulada por
três homens e uma mulher tem como destino o planeta Marte. São eles, Steve
(Roger Gentry), Doc (Vic McGee) e Charlie (Jerry Rannow), que seria a tentativa
de alívio cômico, além da estática Dorothy (Eve Bernhardt).
Após
enfrentarem problemas, a nave (com os tradicionais painéis cheios de luzes piscando
e medidores analógicos) faz um pouso forçado no planeta vermelho e o grupo de
astronautas inicia uma jornada pela sobrevivência com poucos dias de
suprimentos.
A
aventura dramática começa em balsas num lago com névoa noturna, onde são
atacados por criaturas bizarras aquáticas parecidas com lesmas gigantes, que
lembram similares do anterior “Força Diabólica” (The Tingler, 1959). Depois,
eles entram numa caverna imensa, continuam explorando um ambiente ameaçador com
erupções vulcânicas e fogo, deserto árido, ventos fortes, tempestades de raios,
até encontrarem as ruínas soterradas na areia de uma antiga civilização
aparentemente extinta, e em seguida uma cidade de pedra no alto de um penhasco.
O
grupo de astronautas descobre que a cidade possui uma arquitetura bizarra e
está abandonada há muito tempo, encontrando um ser humanoide com um cérebro
imenso em animação suspensa numa cápsula, que desperta e revela uma evolução
mental de milhares de anos de sua raça e que sua civilização está aprisionada
no tempo.
Eles
encontram também o “Mágico de Marte” do título, uma imagem holográfica de um
ser composto dos últimos habitantes do planeta (interpretado por John
Carradine), que solicita ajuda física para acionar um mecanismo que poderia
libertar a cidade suspensa no tempo.
O
filme é bem divertido para aqueles que apreciam o cinema fantástico bagaceiro e
que não se importam com roteiros simples, atuações ruins do pequeno elenco e
efeitos toscos da nave espacial, dos bichos alienígenas que atacam os
astronautas nas balsas e do marciano de cabeça enorme preso num tubo, além dos
cenários bizarros da superfície de Marte e da cidade no topo da montanha.
Aliás, são justamente essas questões todas que garantem o entretenimento.
Apesar
de ter seu nome estampado em destaque nos posters de divulgação, John Carradine
aparece pouco e apenas seu rosto dialogando com os astronautas, além de somente
entrar em cena próximo do desfecho.
Foi
a estreia como diretor do multifuncional David L. Hewitt (1939 / 2014), que
também dirigiu a antologia de horror “Gallery of Horror” (1967) e a aventura de
ficção científica “Jornada ao Centro do Tempo” (1967).
Curiosamente,
o famoso fã e colecionador de memorabílias do cinema fantástico, Forrest J.
Ackerman (1916 / 2008), também editor da lendária revista “Famous Monsters of
Filmland”, está creditado como consultor do filme.
“The
Wizard of Mars” recebeu outros títulos alternativos sonoros e chamativos quando
lançado em vídeo, sendo também conhecido como “Horrors of the Red Planet” e
“Alien Massacre”.
Algumas
cenas do filme foram reaproveitadas em “Horror of the Blood Monsters” (1970),
de Al Adamson, e “Doomsday Machine” (1972).
(RR – 12/04/26)
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