As Condenadas (L´ultima Orgia Del III Reich / The Gestapo´s Last Orgy, Itália, 1977)
Bloodlust! (EUA, 1961, PB)
“Fui estudioso toda a minha vida. Fui curador
de um grande museu. E a guerra começou. Eu, que nunca havia matado nada em
minha vida, fui designado para trabalhar como franco-atirador, por causa de
minha mão firme e visão aguçada. Me diverte agora que achei isso desagradável
no começo. E com o passar do tempo, ajustei minha nova atividade. Pois o que
havia sido um dever desagradável se tornou um prazer, depois se transformou em
paixão e depois em luxúria. Um desejo por sangue! Uma luxúria que cresceu com
os anos! E que passei minha vida inteira tentando satisfazer.”
– Dr. Albert Balleau
O
conto “The Most Dangerous Game” (1924), de Richard Connell, serviu de
inspiração para vários filmes com elementos de suspense e horror e temática de
“caçada humana”. O mais conhecido deles é o clássico “Zaroff, o Caçador de
Vidas” (1932), com Joel McCrea e Fay Wray. Outra versão muito menos conhecida
que está em domínio público com a história não creditada é “Bloodlust!”
(1961), uma produção de orçamento minúsculo de Ralph Brooke, que também dirigiu
e escreveu o roteiro. Com fotografia original em preto e branco, metragem curta
de apenas 68 minutos, o filme não foi lançado oficialmente no Brasil, mas está
disponível no “Youtube” em inglês com a opção de legendas automáticas em
português, e pode ser encontrado tanto em preto e branco quanto numa versão
remasterizada e colorida.
Os
jovens Johnny Randall (Robert Reed) e Pete Garwood (Gene Persson), com suas
respectivas namoradas Betty Scott (June Kenny) e Jeane Perry (Joan Lora), estão
passeando em alto mar a bordo do barco do Capitão Tony (Troy Patterson), quando
avistam uma ilha misteriosa escondida pela névoa. Em busca de aventura, eles
decidem explorar o local indo de bote, aproveitando um cochilo do capitão
embriagado.
Lá
chegando, eles encontram o rico e excêntrico Dr. Albert Balleau (Wilton Graff),
um veterano de guerra, atirador de elite e caçador esportivo que vive com seus
capangas numa bela casa na ilha, entre eles o maluco Jondor (Bobby Hall).
Primeiramente, os jovens são bem recebidos pelo anfitrião, mas depois são alertados
de perigos reais que ameaçam suas vidas, através de informações da esposa
infiel do caçador, Sandra (Lilyan Chauvin), e de seu amante Dean Gerrard
(Walter Brooke, irmão do diretor).
Eles
revelam serem prisioneiros tentando fugir da ilha sem sucesso, sempre
perseguidos por Balleau, cujo discurso reproduzido no início desse texto revela
ser um insano colecionador de troféus de animais e pessoas empalhadas, vítimas
de brutal perseguição na floresta da ilha, com posterior exposição numa caverna
com entrada secreta pela casa, restando aos jovens agora lutarem pela
sobrevivência num ambiente hostil de caçada humana.
A
produção de “Bloodlust!” é paupérrima, é um daqueles filmes obscuros com
elementos de horror geralmente encostados e esquecidos. Apesar de
multifuncional, Ralph Brooke (1920 / 1963) teve uma carreira com poucos
trabalhos, valendo citar como curiosidade apenas a tranqueira “O Gigante do
Outro Mundo” (Giant From the Unknown, 1958), em que ele teve algum envolvimento
no roteiro e produção.
O
filme até tem alguns momentos divertidos com o caçador sádico atrás de suas
vítimas na ilha tropical e cenas com efeitos práticos bagaceiros como a cuba
com ácido para dissolver cadáveres ou a areia movediça com sanguessugas, mas de
uma maneira geral é apenas mais um filme sem grandes atrativos, talvez
merecendo o seu lugar no limbo.
Entre
as curiosidades, temos a mocinha Betty treinada em judô mostrando suas
habilidades no confronto com os capangas do caçador, algo meio incomum nos
filmes bagaceiros do período. E sobre o ator Robert Reed (1932 / 1992), ele
ficou famoso mais tarde pela série de TV de comédia “A Família Brady” (The
Brady Bunch, 1969 / 1974), onde esteve em todos os 117 episódios.
(RR – 07/10/26)
A Ilha Desconhecida (The Unknown Island, EUA, 1948)
Filmes
antigos de horror e ficção científica produzidos com orçamentos pequenos
geralmente tinham fotografia original em preto e branco, e o primeiro filme
colorido com história envolvendo dinossauros foi “A Ilha Desconhecida”
(The Unknown Island, EUA, 1948), dirigido por Jack Bernhard e com Richard
Denning no elenco, um ator com várias participações em divertidos filmes
bagaceiros do gênero fantástico. Foi também um dos primeiros a utilizar atores
fantasiados de monstros pré-históricos, com roupas desconfortáveis de borracha
para simular dinossauros.
Com
influências em similares como “King Kong” (1933) e “O Despertar do Mundo”
(1940), e inspiração em ideias do livro “O Mundo Perdido” de Arthur Conan
Doyle, o filme é uma aventura com elementos fantásticos típica da saudosa
“Sessão da Tarde” da TV Globo.
Curto
com apenas 75 minutos e com os sempre divertidos efeitos práticos toscos de
“retroprojeção” (atores e monstros na mesma cena), “stop motion” (miniaturas em
movimento para dar vida a dinossauros gigantes) e “suitmation” (atores vestindo
trajes de ceratossauros e um monstro deformado parecido com um enorme gorila),
o filme está disponível no “Youtube” com opção de legendas automáticas em
português.
Na
história, o aventureiro Ted Osborne (Phillip Reed) convence sua noiva Carole
Lane (Virginia Grey) a financiar uma expedição de exploração numa “ilha
desconhecida” supostamente habitada por dinossauros. Seu objetivo seria obter filmagens
e fotografias da prova da existência dos monstros e lucrar com fama e dinheiro
pela descoberta.
Para
isso, eles contratam o inescrupuloso Capitão Tarnowski (Barton MacLane),
auxiliado pelo imediato Sanderson (Dick Wessel), para levá-los de barco até a
perigosa ilha no Oceano Pacífico. Eles também convencem a fazer parte da equipe
um ex-soldado instável psicologicamente, o capitão dos fuzileiros navais John
Fairbanks (Richard Denning), que lutou na Segunda Guerra Mundial e teve
experiências traumáticas na mesma ilha.
Chegando
ao local e após um motim da tripulação de nativos amedrontados, o grupo se
instala num acampamento e enfrenta os perigos mortais de vários dinossauros,
além de tensões e brigas entre os próprios membros da expedição por diferenças
nos objetivos da missão e interesses pessoais, numa luta pela sobrevivência num
ambiente hostil.
“A
Ilha Desconhecida” tem um roteiro com os tradicionais clichês de filmes com um
grupo de exploração numa região povoada por monstros pré-históricos ameaçadores,
com direito aos inevitáveis confrontos por interesses e um entediante triângulo
amoroso com dois homens disputando a atenção da única e indefesa mulher do
grupo, cujo noivo obcecado parece estar mais interessado em conseguir fotos dos
dinossauros, e com isso perdendo espaço para o rival, um veterano de guerra
galante, porém perturbado com os perigos da ilha selvagem.
O
maior destaque, como na grande maioria dos filmes similares, são os efeitos
práticos toscos, que apesar de estarem longe de ser convincentes, divertem
justamente pela precariedade e o esforço honesto em simular os dinossauros,
numa época distante com as dificuldades técnicas daquele período e recursos
escassos pelo baixo orçamento.
O
ator Richard Denning (1914 / 1998) esteve em diversas preciosidades como “O
Monstro da Lagoa Negra” (1954), “Invasão do Mundo” (1954), “O Cadáver Atômico” (1955),
“O Dia do Fim do Mundo” (1955) e “O Escorpião Negro” (1957), entre outros.
Curiosamente,
na cena com um grupo de ceratossauros, um dos atores no traje de borracha
desmaiou devido ao forte calor e o momento de sua queda acabou sendo mantido no
filme, parecendo que foi abatido com disparos de arma de fogo num confronto com
a equipe da expedição.
(RR – 24/09/26)
A Galeria de Horrores do Dr. Terror (Gallery of Horror, EUA, 1967, antologia)
“A Galeria de Horrores do
Dr. Terror” (Gallery of Horror, EUA, 1967), também conhecido como “Dr.
Terror´s Gallery of Horrors”, é uma antologia com cinco histórias independentes
apresentadas pelo lendário ator John Carradine. Ele também atua no primeiro
conto e junto com o igualmente icônico Lon Chaney Jr., nomes eternamente
associados ao cinema de Horror, estampam os cartazes promocionais para garantir
maior visibilidade e chamar a atenção do público para o filme.
Com direção de David L. Hewitt,
que tem no currículo “The Wizard of Mars” (1965) e “Jornada ao Centro do Tempo”
(1967), o filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas
automáticas em português. Sendo uma produção de orçamento pequeno, e apesar de contar
com nomes importantes do Horror no projeto, para baratear os custos alguns
atores do elenco interpretaram vários papéis diferentes nas histórias, que são
curtas, rápidas e previsíveis, abordando temas clichês dentro do gênero, como
bruxaria, vampirismo, cientista louco, zumbi e criatura de Frankenstein.
A primeira história chama-se “The
Witches Clock”, com um casal formado pelo escritor de mistérios Bob Farrell (Roger
Gentry) e sua esposa Julie (Karen Joy), que se muda para uma antiga mansão
sombria construída no século XVI, para servir de inspiração com sua atmosfera
sinistra para a criação de histórias. Ao chegarem eles conhecem o suspeito
empregado Tristan Halby (John Carradine) e exploram a casa encontrando um
misterioso relógio de parede no porão, onde descobrem através do médico do
vilarejo Dr. Barnaby Finchley (Vic McGee), que é um objeto amaldiçoado que
pertenceu a uma bruxa, Lucy Maylor, que faleceu em 1673 e tinha poderes
mágicos.
Em seguida vem “King Vampire”,
com um assassino em série em Londres matando suas vítimas e deixando marcas no
pescoço sugerindo a ação de um vampiro. A investigação policial é do inspetor
Marsch (Ron Brogan) e principalmente do detetive John Brenner (Ron Doyle). Eles
não conseguem desvendar o caso, mesmo com a ajuda da idosa Sra. O´Shea
(Margaret Moore), que teve um rápido contato com o assassino e revela que o
autor dos crimes é alguém com rosto de cadáver.
O terceiro episódio é “Monster
Raid”, com o cientista Dr. Charles Spalding (Ron Doyle, de novo) sendo enganado
pela esposa infiel Helen (Rochelle Hudson) e assassinado pelo amante Dr. Sevard
(Roger Gentry, novamente), que se apossa de sua descoberta científica. O
cientista tinha decidido ser cobaia de suas próprias experiências, mas morreu
numa overdose criminosa ficando em animação suspensa e transformando-se num
zumbi com o cérebro preservado e corpo apodrecido, e uma vez ajudado pelo
serviçal Desmond (novamente Vic McGee), abandona sua tumba para se vingar.
O penúltimo capítulo é “Spark
of Life”, ambientado na Escócia de meados de 1800 com o “cientista louco” Dr.
Mendell (Lon Chaney Jr.), que alega que a eletricidade é a principal força da
vida, capaz de rejuvenescer células mortas, com ideias inspiradas nos estudos
do Barão Eric Von Frankenstein. Ele é persuadido pelos estudantes de medicina
Dr. Cushing (uma homenagem ao lendário ator Peter Cushing, e interpretado aqui
novamente por Ron Doyle) e Dr. Sedgewick (Joey Benson) a realizar uma experiência
para reanimar o cadáver de um criminoso condenado à morte por assassinato, Amos
Duncan (Vic McGee, em seu terceiro papel), com um resultado catastrófico.
A última história foi anunciada
pelo narrador interpretado por John Carradine como “Count Alucard”, mas foi
creditada como “Count Dracula”. Apesar dos avisos dos aldeões supersticiosos de
um pequeno vilarejo com frases como “Quando o relógio bate meia-noite ninguém
se atreve a sair”, Jonathan Harker (Roger Gentry, ele de novo) vai visitar um
castelo no alto de um penhasco à beira do mar, habitado pelo sinistro Conde
Alucard (Mitch Evans) e a vampira Medina (novamente Karen Joy). Após mortes
misteriosas na região, os aldeões liderados pelo burgomestre (novamente Vic
McGee), decidem atacar o castelo com a ajuda de Harker, que por sua vez,
esconde um terrível segredo de todos.
Com apenas cinco dias de
filmagens (fato que ajuda a evidenciar a escassez de recursos da produção e explicar
a curta metragem dos episódios e suas histórias rasas), “A Galeria de Horrores
do Dr. Terror” (um título exageradamente sonoro para chamar a atenção do
público) foi lançado na mesma época de antologias similares produzidas pelo
estúdio inglês “Amicus” (rival da “Hammer”), como “As Profecias do Dr. Terror”
(1965), “As Torturas do Dr. Diabolo” (1967), “A Casa Que Pingava Sangue” (1971),
“Contos do Além” (1972), “O Asilo do Terror” (1972), “A Cripta dos Sonhos”
(1973) e “Vozes do Além” (1974).
De uma maneira geral, todos os
episódios são fracos, com histórias que apostam unicamente nos velhos clichês,
e por serem muito curtos tudo é contado rapidamente e sem profundidade. O que
garante alguma diversão para os apreciadores dos filmes bagaceiros de horror,
além da sempre bem-vinda presença de ícones como John Carradine e Lon Chaney
Jr., são os efeitos práticos toscos com as maquiagens e cenários, e a
tradicional atmosfera gótica do último episódio com um cemitério envolto em
névoa espessa, uma cripta com túmulos gelados e um grupo de aldeões furiosos
com tochas de fogo nas mãos, ávidos por encontrar e punir o responsável por uma
ameaça sobrenatural.
(RR – 01/09/26)
A Criação dos Humanoides (The Creation of the Humanoids, EUA, 1962)
“A Criação dos Humanoides”
(The Creation of the Humanoids, EUA, 1962), com direção de Wesley Barry e roteiro
de Jay Simms, baseado em livro de Jack Williamson (não creditado), é um filme
de Ficção Científica que explora as consequências de uma hipotética terceira
guerra mundial com bombas atômicas de destruição em massa, produzido durante o
conturbado período de guerra fria entre os Estados Unidos da América e a antiga
União Soviética, uma época ameaçadora para a continuidade da raça humana.
Disponível no “Youtube” com a
opção de legendas automáticas em português, a história futurística é ambientada
no século XXIII e após o holocausto nuclear que quase acabou com o planeta,
surgiu uma nova sociedade com os humanos convivendo com robôs humanoides de
pele azulada e olhos metálicos que foram criados para servir, e que
periodicamente precisam de recarga em estações chamadas de “templos”, onde também
interagem com um computador central.
Um grupo de homens liderados
pelo Capitão Kenneth Cragis (Don Megowan), insatisfeitos com os robôs por cada
vez mais serem parecidos com os humanos, se reúne numa organização chamada
“Ordem da Carne e do Sangue”. Eles não gostam dos androides por serem máquinas
de lógica infalível, memória perfeita, incansáveis e condicionados para evitar
raiva e violência, temendo que eles possam dominar o mundo.
A posição de liderança do
Capitão Cragis passou a ser questionada depois que sua irmã Esme (Francis
McCann) assumiu um relacionamento com o humanoide Pax (David Cross), e também após
segredos obscuros virem à tona sobre a sua vida e a de Maxine Megan (Erica
Elliott), amiga de Esme que trabalha com Ciências Políticas e a mulher por quem
ele se apaixonou.
Por fim, as coisas complicam
ainda mais depois que os membros da organização descobrem que o cientista Dr.
Raven (Don Doolittle) desenvolveu uma forma de transferir as memórias e
personalidades de pessoas falecidas para réplicas robóticas com aparência
humana perfeita, e que uma dessas réplicas provou o “gosto por sangue” após cometer
assassinato, quebrando a Primeira Lei da Robótica (criada pelo escritor Isaac
Asimov), onde robôs não poderiam ferir os humanos.
Com um roteiro exagerado em
diálogos filosóficos, “A Criação dos Humanoides” tem efeitos práticos e
cenários coloridos típicos de uma produção de baixo orçamento de Ficção
Científica dos anos 50 e 60 do século passado, e para quem aprecia esses filmes
bagaceiros divertidos o destaque são os interessantes robôs parecidos com
humanos, com pele azul e olhos prateados.
Entre as curiosidades, quando é
mostrado o design dos primeiros robôs desenvolvidos, um deles é o mesmo que foi
utilizado como o invasor alienígena no filme “A Invasão dos Discos Voadores”
(Earth vs. The Flying Saucers, 1956). E a maquiagem dos humanoides foi criada
por Jack Pierce, mais conhecido por seu trabalho com monstros em vários filmes
da produtora “Universal”, especialmente a criatura de Frankenstein, interpretada
pelo lendário Boris Karloff.
(RR – 20/08/26)
Cara de Mármore (The Face of Marble, EUA, 1946, PB)
A quantidade de filmes
bagaceiros antigos de horror e ficção científica com o tema de “cientista
louco” é imensa, principalmente durante as décadas de 1940 a 1960. As histórias
abordam sempre os mesmos clichês com um homem da ciência envolvido de forma
abnegada, porém sem escrúpulos, num trabalho de pesquisas antinaturais para o
suposto “bem da humanidade”, e com resultados trágicos.
São tantos filmes iguais que ao
escrevermos uma breve análise crítica sobre eles é inevitável não falarmos a
mesma coisa. “Cara de Mármore” (The Face of Marble, EUA, 1946) é mais um
filme com “cientista louco” cuja experiência malsucedida teve como consequência
a criação de monstros, com um laboratório sinistro cheio de equipamentos
elétricos bizarros, numa mansão isolada no alto de um penhasco à beira do mar.
O único diferencial aqui é a presença de John Carradine, nome eternamente
associado ao cinema de gênero, com uma filmografia colossal principalmente
voltada para o fantástico.
Dirigido por William Beaudine,
com fotografia original em preto e branco e metragem de apenas 72 minutos, o
filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em
português.
O Dr. Charles Randolph (John
Carradine) é um cientista que está trabalhando incansavelmente num projeto de
reanimação de animais e pessoas mortas, com a assistência do Dr. David Cochran
(Robert Shayne). Suas cobaias até conseguem vencer a morte, mas os animais ressurgem
ferozes e violentos (como o imenso cachorro Brutus), e os humanos retornam à
vida com o rosto pálido e frio como mármore (do título), na condição de zumbis
fantasmas.
A esposa do cientista, Elaine
(Claudia Drake), que sobreviveu após um grave acidente na cabeça graças à sua
interferência como especialista em cérebros, está desiludida com o casamento
pelo distanciamento do marido focado em suas experiências. Ela acaba tendo um
interesse amoroso com o assistente Dr. Cochran e as coisas complicam ainda mais
depois da chegada da namorada dele, Linda Sinclair (Maris Wrixon), e com a
interferência da empregada praticante de vodu, Maria (Rosa Rey), que quer a
felicidade de Elaine a todo custo, agindo com maldade e cometendo erros fatais.
Como em muitos filmes de horror
da década de 1940, “Cara de Mármore” possui um ritmo narrativo mais cadenciado,
com poucas situações de ação e suspense que prendam a atenção do espectador,
com um clima apenas moderado de atmosfera sombria com as experiências do
“cientista louco” e as criaturas com características de mortos-vivos fantasmas
desorientados, que surgem do processo bizarro de reanimação de cadáveres
recentes, e que tem a capacidade de atravessar paredes e portas, além de uma
obsessão por sangue.
Entre os clichês, temos o
tradicional policial responsável pela investigação das mortes suspeitas,
Inspetor Norton (Thomas E. Jackson), e um empregado medroso responsável pelas
tentativas de alívio cômico, Shadrach (Willie Best), que talvez até pudessem
funcionar ou eram esperadas pelas plateias da época, mas que são tão banais que
não combinam com um filme de horror de “cientista louco” e mortos reanimados.
(RR – 12/08/26)
O Monstro do Dr. Orloff (The Invisible Dead, França / Espanha, 1970)
Parecendo um filme de horror
gótico do cultuado cineasta espanhol Jesús Franco (1930 / 2013) pelas mesmas
características de produção de baixo orçamento, roteiro divertido repleto de
clichês do estilo e estética geral “exploitation”, mas sendo dirigido pelo
diretor francês Pierre Chevalier, “O Monstro do Dr. Orloff” (The
Invisible Dead, França / Espanha, 1970) foi lançado em mídia física DVD no
Brasil em 2011 pela “Vinny Filmes” na coleção “Clássicos do Terror”, e também
está disponível no “Youtube” com áudio em inglês e opção de legendas em
português.
O elenco é liderado pelo ator
suíço Howard Vernon (1908 / 1996) no papel do tradicional “cientista louco” do
título, ele que tem um currículo imenso e é conhecido pelos filmes de horror
com pequenos orçamentos. Produzido pela “Eurociné”, o filme faz parte de uma
imensa safra de similares conhecidos como “Eurotrash”, filmes europeus de
exploração, principalmente das décadas de 1960 e 70, com produções menores e
histórias com elementos de horror.
O novo médico de um vilarejo,
Dr. Garondet (Francis Valladares), é chamado para o castelo do cientista Prof.
Orloff (Howard Vernon), por sua filha Cécile (Brigitte Carva), que acredita que
seu pai está doente mentalmente devido seu trabalho antinatural e obscuro.
Ele está sempre recluso em seu
laboratório, alegando que criou um ser invisível, uma nova raça, uma criatura
mista de homem e macaco, superior e com potencial desconhecido que poderia
governar a humanidade e dominar a Terra. E que iria utilizar o seu monstro
peludo para se vingar dos colegas cientistas que desaprovaram seu trabalho e o
humilharam.
O médico é inicialmente mal
recebido no castelo por um velho e rude criado (Eugène Berthier) e pela
empregada assustada (Evane Hanska), que tem medo e quer fugir do castelo. E
depois é recepcionado por Cécile que o apresenta ao pai. O misterioso e frio cientista
conta a história de suas pesquisas e um problema de saúde com sua filha que foi
considerada morta prematuramente e lacrada num caixão com várias joias da
família, despertando a cobiça criminosa do guarda-caça Roland (Fernando Sancho)
e seu interesse amoroso Marie (Isabelle del Rio), que enfrentaram a fúria do
cientista e de seu monstro invisível, que precisa de sangue humano para
sobreviver.
A cópia que tive acesso no
“Youtube” tem todas as cenas aleatórias de exploração de nudez das mulheres
(Cécile, Marie e a empregada) cobertas com tarjas para não ter problemas com
censura.
O roteiro de “O Monstro do Dr.
Orloff” é muito simples e despreocupado com lógica, continuidade ou maiores
explicações, com os clichês típicos dos filmes bagaceiros de horror gótico. Entre
eles, os aldeões assustados que não querem se aproximar do castelo sinistro; um
laboratório cheio de equipamentos bizarros e líquidos coloridos borbulhantes;
um “cientista louco” ridicularizado pelos colegas e ávido por vingança, com
ideias mirabolantes de criação de uma raça superior invisível (aliás, o roteiro
nem tenta explicar o processo, o monstro foi apenas criado e fica para o
espectador imaginar os detalhes); uma atmosfera sombria nas masmorras e
calabouços subterrâneos do castelo; e um monstro com efeitos práticos toscos
que é invisível para facilitar nos custos para os produtores, mas que também aparece
rapidamente em alguns momentos graças à exposição de um pó branco em seu corpo.
O personagem Dr. Orloff foi
criado pelo diretor Jesús Franco e apareceu em vários outros filmes ou nos
títulos como “O Terrível Dr. Orloff” (Gritos en la Noche, 1962), “As Amantes do
Dr. Jekyll” (El Secreto del Dr. Orloff, 1964), “Les Orgies du Docteur Orloff” (El
Enigma del Ataúd, 1967), “Los Ojos Siniestros del Dr. Orloff” (1973) e “El
Siniestro Dr. Orloff” (1984).
(RR – 07/08/26)

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