Uma Noite de Horror / A Matilha da Maldição (Monster Dog, EUA / Porto Rico / Espanha, 1984)

 


Bagaceira oitentista de horror para promover o cantor de rock Alice Cooper

 

(OBS.: Texto datado e descompromissado, publicado originalmente dentro do editorial do fanzine “Juvenatrix” # 53, de Agosto de 2001, e reproduzido sem atualização, servindo como um registro de quase duas décadas atrás, e que pode até ser considerado como uma breve resenha do filme.)

 

Vale registrar um comentário sobre um filme de horror obscuro que assisti pela primeira vez em vídeo VHS em 1988 com o manjado nome de “Uma Noite de Horror” (Monster Dog, 1984), e que não dei muita importância na época. Depois e mais recentemente, vi novamente o filme no Cine Sinistro da TV Bandeirantes em 16/06/01 com um novo título nacional, igualmente ridículo, “A Matilha da Maldição” (sou da opinião que certos títulos originais deveriam ser mantidos principalmente quando a tradução literal soa estranho, e nesse caso poderia ficar simplesmente como “Monster Dog”).

Esse filme não tem nada de diferente, muito pelo contrário, é uma história óbvia no estilo “lobisomem”, repleta de clichês e falhas no roteiro, com atores ruins e totalmente desconhecidos e com efeitos especiais tão fracos que beiram à paródia. A direção e roteiro são do italiano Claudio Fragasso, utilizando o pseudônimo Clyde Anderson. A única novidade é a presença do cantor de rock Alice Cooper como o protagonista, interpretando um personagem idêntico à sua vida real, um astro do rock que vai junto com sua equipe de produção até a velha mansão abandonada e isolada de sua família numa pequena cidade americana, gravar um vídeo clipe. A história do local é repleta de lendas sobre lobisomens e com participação direta dos descendentes do cantor. Fica fácil imaginar o destino fatal dos membros da equipe de produção e do próprio astro de rock, amaldiçoado pelas lendas locais.

“Monster Dog” serve como um veículo de promoção do cantor Alice Cooper, um filme de horror que mostra um astro do rock envolvido com um lobisomem, numa clara referência à proximidade entre o horror e o rock. É uma fita igual a dezenas de outras convencionais produzidas no mesmo período como “Noite dos Arrepios” (Night of the Creeps, 1986, sobre zumbis), “A Noite das Brincadeiras Mortais” (April Fool’s Day, 1986, sobre psicopata), “Visão do Terror” (Terrorvision, 1986, sobre alienígena), “A Noite do Medo” (The Being, 1983, sobre monstro de lixo tóxico), “O Monstro Canibal” (Cellar Dweller, 1987, sobre criatura sobrenatural), só para citar alguns poucos entre tantos.

Mas é curioso que na época em que foram produzidos, estes filmes eram comuns e raramente despertavam algum interesse adicional, porém agora já passados quase duas décadas, eles acabaram tornando-se uma referência de um período que tem suas características próprias, e de certa forma despertam um interesse, principalmente por ser uma fonte de comparação com o cinema atual. E no caso de “Monster Dog”, com produção de baixo orçamento e ruim de forma não proposital, que poderia ser classificada como “trash”, acaba despertando um interesse mesmo que por curiosidade. Foi exatamente isso que ocorreu quando vi esse filme pela segunda vez em junho de 2001. Talvez também por isso, os filmes “ruins” exercem tanto fascínio no público. Resumindo, todo e qualquer filme, seja um clássico, uma mega produção com fantásticos efeitos especiais, ou mesmo uma produção paupérrima, todos tem seu espaço e interesse, e principalmente sua parcela de participação na construção da história do gênero fantástico.    

 (RR – Agosto 2001)


O Monstro Sinistro (The Mad Monster, EUA, 1942, PB)

 


“... Descobri que certos elementos extremamente voláteis no sangue, pouco mais do que partículas de energia elétrica, são a fonte de todo o crescimento físico e mental. Estimulando as diversas glândulas e células cerebrais, aprendi a extrair e concentrar esses elementos do sangue de diversos animais. Eu posso controlar a evolução! Descobri a fonte da vida!...” – “cientista louco” Dr. Lorenzo Cameron

 

“O Monstro Sinistro” (The Mad Monster, EUA, 1942) é uma produção de baixo orçamento com fotografia em preto e branco e três detalhes que podem garantir alguma diversão para os fãs de tranqueiras antigas de Horror e Ficção Científica: a presença do ator inglês George Zucco (1886 / 1960), nome associado ao gênero com participação em diversos filmes similares; a exploração do sempre interessante tema do “cientista louco” obcecado por seu trabalho supostamente para o bem da humanidade, abandonando a razão e sanidade e com resultados catastróficos; e as ações violentas de um assassino na figura de um “homem transformado em monstro” criado numa experiência científica desastrosa.

Com direção de Sam Newfield, produção da pequena “PRC” (Producers Releasing Corporation) e duração de 77 minutos, o filme está disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português.

 

O Dr. Lorenzo Cameron (George Zucco) é um “cientista louco” ridicularizado pelos colegas de ofício por causa de suas ideias em transformar homens em seres mais fortes e selvagens para contribuir no esforço de guerra, como soldados invencíveis nos campos de batalha (o filme foi produzido no conturbado período da Segunda Guerra Mundial).

Isolado numa casa próxima de um pântano com névoas sinistras, em seu laboratório cheio de equipamentos bizarros e líquidos borbulhantes, ele criou um soro (e o antídoto) injetando no pacato jardineiro Petro (Glenn Strange) como cobaia, transformando-o numa criatura mista de homem e lobo, com selvageria assassina, capacidade de matar e destruir sem provocação e um instinto animal de violência.

Ou seja, um “milagre científico” desaprovado pelos outros cientistas, Prof. Fitzgerald (Gordon De Main), Prof. Blaine (Robert Strange), Prof. Hatfield (John Elliott) e Prof. Warwick (Reginald Barlow), despertando a ira do Dr. Cameron e o desejo de vingança utilizando sua criatura “lobisomem” contra os detratores.

Mortes violentas começam a ocorrer despertando a atenção de um jornalista investigativo, Tom Gregory (Johnny Downs), que é o interesse amoroso da jovem Lenora Cameron (Anne Nagel), filha do “cientista louco”, e que também está desconfiada do trabalho científico nefasto do pai.  

 

Em “O Monstro Sinistro” o apreciador de bagaceiras antigas com orçamentos reduzidos até consegue encontrar alguma atmosfera sombria característica de histórias escapistas com cientista inescrupuloso, laboratório bizarro, experiências extravagantes, monstro assassino e crimes violentos (para as plateias da época), apesar de uma narrativa mais lenta típica dos filmes dos anos 40 do século passado.

Curiosamente, o “homem transformado em monstro” Glenn Strange (1899 / 1973), com 1,93 metros de altura e centenas de créditos na carreira, interpretou um dos famosos monstros clássicos do Horror, a “criatura de Frankenstein”, nos filmes “A Mansão de Frankenstein” (também conhecido como “A Casa de Frankenstein”, 1944), “O Retiro de Drácula” (também conhecido como “A Casa de Drácula”, 1945) e “Às Voltas com Fantasmas” (também conhecido como “Abbot e Costello Encontram Frankenstein”, 1948).

No caso de George Zucco, ele tem um currículo repleto de filmes bagaceiros divertidos, principalmente da década de 1940, como “A Mão da Múmia” (1940), “A Tumba da Múmia” (1942), “O Abutre Humano” (1943), “Vingança do Túmulo” (1943), “A Sombra da Múmia” (1944), “A Mansão de Frankenstein” (1944), “Nevoeiro” (1945), entre outros.

 

(RR – 14/04/26)




13 Fantasmas (13 Ghosts, EUA, 1960, PB)

 



"13 Fantasmas" (13 Ghosts, EUA, 1960) foi produzido e dirigido por William Castle (1914 / 1977), o mesmo  responsável por outras preciosidades como “A Casa dos Maus Espíritos” e “Força Diabólica”, ambos do final dos anos 50 e com o ícone Vincent Price.
O filme tem fotografia em preto e branco e recebeu uma refilmagem sangrenta em 2001, com produção da “Dark Castle”. 

Na história, o professor de paleontologia, Cyrus Zorba (Donald Woods) está falido quando recebe a notícia que seu tio ocultista e recluso morreu, deixando como herança uma imensa e tétrica mansão. O advogado do falecido, Benjamen Rush (Maltin Milner, da série de TV “Rota 66”), está tratando dos documentos e informa que a casa é assombrada por fantasmas. Mas, o herdeiro ignora e se muda com a família, a esposa Hilda (Rosemary De Camp) e os filhos, a jovem Medea (Jo Morrow) e o pequeno Buck (Charles Herbert, que esteve em outros filmes bagaceiros do período como “A Mosca da Cabeça Branca”). Uma vez na casa, eles encontram uma sinistra governanta médium, Elaine Zacharides (Margaret Hamilton), e são testemunhas de objetos que se movem sozinhos e aparições de fantasmas que só podem ser visualizados através de óculos especial criado pelo falecido tio, que estudava as ciências ocultas e o mundo sobrenatural. 

Filme bastante ingênuo quando comparado aos tempos modernos, com produções recheadas de CGI e histórias barulhentas com sangue em profusão. Pois em “13 Fantasmas” temos apenas um roteiro sem sangue e violência, com uma mansão assombrada por fantasmas e uma nova família de moradores que enfrenta a ameaça, além de uma trama paralela envolvendo uma grande quantidade em dinheiro misteriosamente escondido e despertando cobiça. Serviu muito bem para assustar as plateias da época, com as habituais jogadas de marketing providas por William Castle, e atualmente serve como diversão pela ingenuidade involuntária e para quem aprecia as características gerais de filmes bagaceiros de baixo orçamento. 

Curiosamente, temos uma tradicional sessão espírita e uma brincadeira com o famoso tabuleiro ouija, na tentativa de comunicação com os mortos. E os efeitos que apresentavam os fantasmas eram conhecidos pela técnica “Illusion-O”, com os espectadores recebendo nos cinemas óculos apropriado para a visualização. Numa versão mais completa do filme, o próprio diretor e produtor William Castle explica como funciona o processo através de um prólogo e epílogo. 

(RR – 24/12/14)



Foto dos bastidores

The Wizard of Mars (EUA, 1965)

 


“... Sou um ser composto, uma manifestação das muitas mentes que são os últimos habitantes desta última cidade deste mundo. Somos o fim da evolução de uma raça. Sua alma, sua idade, não tem equivalente em seus conceitos de tempo. Que basta saber que nossa raça testemunhou durante o período de nossa evolução, o nascimento e a morte de filhos e mundos...” – “O Mágico de Marte”

 

O grande ator John Carradine (1906 / 1988), dono de um currículo com mais de 350 participações em filmes e séries, e com o nome fortemente associado ao gênero fantástico, interpretou “O Mágico de Marte” na divertida bagaceira de Ficção Científica com elementos de Horror “The Wizard of Mars” (EUA, 1965), dirigido, escrito e produzido por David L. Hewitt, com duração de 77 minutos e que está disponível no “Youtube” com a opção de legendas automáticas em português.

 

Ambientado em 1975, dez anos no futuro da época da produção e um passado já bem longe dos nossos tempos contemporâneos, uma nave de exploração espacial tripulada por três homens e uma mulher tem como destino o planeta Marte. São eles, Steve (Roger Gentry), Doc (Vic McGee) e Charlie (Jerry Rannow), que seria a tentativa de alívio cômico, além da estática Dorothy (Eve Bernhardt).

Após enfrentarem problemas, a nave (com os tradicionais painéis cheios de luzes piscando e medidores analógicos) faz um pouso forçado no planeta vermelho e o grupo de astronautas inicia uma jornada pela sobrevivência com poucos dias de suprimentos.

A aventura dramática começa em balsas num lago com névoa noturna, onde são atacados por criaturas bizarras aquáticas parecidas com lesmas gigantes, que lembram similares do anterior “Força Diabólica” (The Tingler, 1959). Depois, eles entram numa caverna imensa, continuam explorando um ambiente ameaçador com erupções vulcânicas e fogo, deserto árido, ventos fortes, tempestades de raios, até encontrarem as ruínas soterradas na areia de uma antiga civilização aparentemente extinta, e em seguida uma cidade de pedra no alto de um penhasco.

O grupo de astronautas descobre que a cidade possui uma arquitetura bizarra e está abandonada há muito tempo, encontrando um ser humanoide com um cérebro imenso em animação suspensa numa cápsula, que desperta e revela uma evolução mental de milhares de anos de sua raça e que sua civilização está aprisionada no tempo.

Eles encontram também o “Mágico de Marte” do título, uma imagem holográfica de um ser composto dos últimos habitantes do planeta (interpretado por John Carradine), que solicita ajuda física para acionar um mecanismo que poderia libertar a cidade suspensa no tempo.

 

O filme é bem divertido para aqueles que apreciam o cinema fantástico bagaceiro e que não se importam com roteiros simples, atuações ruins do pequeno elenco e efeitos toscos da nave espacial, dos bichos alienígenas que atacam os astronautas nas balsas e do marciano de cabeça enorme preso num tubo, além dos cenários bizarros da superfície de Marte e da cidade no topo da montanha. Aliás, são justamente essas questões todas que garantem o entretenimento.

Apesar de ter seu nome estampado em destaque nos posters de divulgação, John Carradine aparece pouco e apenas seu rosto dialogando com os astronautas, além de somente entrar em cena próximo do desfecho.

Foi a estreia como diretor do multifuncional David L. Hewitt (1939 / 2014), que também dirigiu a antologia de horror “Gallery of Horror” (1967) e a aventura de ficção científica “Jornada ao Centro do Tempo” (1967).

Curiosamente, o famoso fã e colecionador de memorabílias do cinema fantástico, Forrest J. Ackerman (1916 / 2008), também editor da lendária revista “Famous Monsters of Filmland”, está creditado como consultor do filme.

“The Wizard of Mars” recebeu outros títulos alternativos sonoros e chamativos quando lançado em vídeo, sendo também conhecido como “Horrors of the Red Planet” e “Alien Massacre”.

Algumas cenas do filme foram reaproveitadas em “Horror of the Blood Monsters” (1970), de Al Adamson, e “Doomsday Machine” (1972).   

 

(RR – 12/04/26)




O Castelo Maldito (House of the Damned, EUA, 1963, PB)

 


A “Mansão Winchester” (Winchester Mystery House) está localizada na Califórnia (EUA), construída pela principal herdeira, Sarah Winchester, da fortuna obtida pela venda das famosas armas Winchester, os rifles de repetição que fizeram história no Velho Oeste na segunda metade do século 19. Considerada louca, ela construiu a imensa casa por dezenas de anos até a sua morte, sempre aumentando os cômodos indefinidamente, e pelas lendas o motivo seria para acalmar as almas atormentadas das pessoas mortas pelas armas Winchester. Atualmente é um ponto turístico com visitação e com a fama de assombrada, inspirando filmes como “A Maldição da Casa Winchester” (2018).

Essa história real também serviu de base para o filme “O Castelo Maldito” (House of the Damned, EUA, 1963), dirigido e produzido por Maury Dexter, com roteiro de Harry Spalding e fotografia em preto e branco. A dupla Dexter e Spalding também foi a responsável por outro filme bagaceiro do cinema fantástico do mesmo período, “O Dia Em Que Marte Invadiu a Terra” (1963).

 

O arquiteto Scott Campbell (Ron Foster) é contratado pelo advogado Joseph Schiller (Richard Crane) para verificar as condições de uma mansão conhecida como “Castelo de Rochester”, localizada isolada numa região próxima de um lago. Ele viaja até o local para realizar o serviço, acompanhado de sua esposa Nancy (Merry Anders).

A mansão tem uma história sinistra, construída por uma herdeira excêntrica de uma grande fortuna, Priscilla Rochester (Georgia Schmidt), que é considerada louca e está internada num hospital psiquiátrico. Sendo que a enorme casa estava alugada para um empresário do ramo de circo de exploração de aberrações, que morreu deixando o imóvel vazio, necessitando de uma vistoria para futuras locações.

Ao chegar lá, o casal encontra um cenário estranho com atmosfera misteriosa, e mais tarde eles se juntam com o advogado Schiller e sua esposa Loy (Erika Peters), em crise de casamento. O grupo passa a explorar os muitos cômodos e enfrentar situações desconfortáveis com um sentimento que a imensa casa pode não estar vazia e que algo se esconde à espreita nos cantos escuros.

 

“O Castelo Maldito” é uma produção de baixo orçamento com apenas pouco mais de uma hora de duração, mas mesmo assim tem vários momentos arrastados, com tentativa de criar alguma atmosfera sinistra com a mansão e que não funcionou. A enorme casa tem potencial para explorar situações de horror sobrenatural, porém o roteiro entediante, com ritmo lento, não conseguiu transformar o cenário naturalmente sombrio e misterioso em oportunidades de tensão e desconforto, exceto talvez por raras cenas com o “ataque do gigante misterioso”, a “aparição fantasmagórica da mulher sem cabeça”, e o surto da idosa louca do hospício.   

 

O filme está disponível no “Youtube” com opção de legendas automáticas em português e entre as curiosidades, foi um dos primeiros trabalhos do ator grandalhão Richard Kiel (1939 / 2014), que teve apenas uma pequena ponta. Ele, que estrelou a ficção científica “O Humanoide” (1979), cópia barata italiana de “Star Wars”, e que ficou conhecido como o vilão “Dentes de Aço” em dois filmes da franquia “007” com Roger Moore.

Tem também outro filme que recebeu o mesmo título quando foi lançado no Brasil. Trata-se de “Castle Freak” (1995), de Stuart Gordon e inspirado em história de H. P. Lovecraft, que foi lançado primeiramente em vídeo VHS como “Herança Maldita” e depois em DVD pelo selo “Works” como “O Castelo Maldito”, e ainda mais tarde pela “Versátil” como “Herança Maldita”, tornando sempre árdua a tarefa de catalogar os títulos nacionais dos filmes que chegam por aqui.

 

(RR – 10/04/26)



Viagem ao Fundo do Mar - O Abominável Homem das Neves (Voyage to the Bottom of the Sea - The Abominable Snowman, E18T4, EUA, 1968, série de TV)

 


“Fox Filmes do Brasil apresenta: Viagem ao Fundo do Mar. Versão brasileira AIC, São Paulo”.

 

Um sentimento de pura nostalgia sempre vem à tona quando ouvimos essa narração de abertura dos episódios dublados da série de TV “Viagem ao Fundo do Mar” (Voyage to the Bottom of the Sea, 1964 / 1968), criada pelo lendário produtor Irwin Allen.

Uma série de aventura com elementos de horror, suspense, fantasia e ficção científica, que principalmente a partir da segunda temporada mostrava a tripulação do submarino atômico “Seaview” enfrentando “cientistas loucos” e monstros (das profundezas dos oceanos ao desconhecido espaço sideral), e que foi lançada em DVD por aqui, além de muitos episódios dublados pela AIC (Arte Industrial Cinematográfica) estarem disponíveis no “Youtube”.

“O Abominável Homem das Neves” (The Abominable Snowman) é o episódio 18 da quarta temporada, lançado em 1968, dirigido por Robert Sparr e escrito por Robert Hamner, com o “monstro da semana” sendo um tradicional personagem da cultura pop, um enorme “homem transformado em monstro”, coberto por uma pelagem branca típica de regiões de baixas temperaturas, que tem a mente distorcida e intenções hostis de tirania e conquista.

 

Ambientado em 1980 (um futuro para a época da produção e já longo passado para os nossos tempos atuais de século 21), a história é sobre a missão do submarino “Seaview” na Antártida, para descobrir o que aconteceu com uma base experimental de pesquisas sem comunicação, onde cientistas estavam trabalhando com um projeto para alterar a temperatura. Eles encontram um oásis no meio do polo sul, uma espécie de paraíso tropical com árvores e temperaturas quentes, e resgatam dois cientistas desacordados, o Dr. Paulsen (Bart La Rue, não creditado) e Rayburn (Dusty Cadis).

Porém, uma criatura enorme e peluda (voz de Ron Gans, não creditado) também vem a bordo e espalha o horror com mortes violentas entre os marujos, restando à tripulação do submarino, através do Almirante Harriman Nelson (Richard Basehart), do Capitão Lee Crane (David Hedison), do Tenente Chip Morton (Bob Dowdell), do Chefe Francis Ethelbert Sharkey (Terry Becker) e do marujo Kowalski (Del Monroe), combaterem o monstro mutante invasor e destruírem o projeto científico que estaria ameaçando a segurança da humanidade com o controle da temperatura.

 

A quarta e última temporada da série é considerada a mais fraca pelas histórias repetitivas e exageradas na fantasia escapista. Tanto que os atores principais do elenco fixo, Richard Basehart e David Hedison, fizeram questão de expressar descontentamento com a qualidade dos roteiros e demonstravam cansaço e desinteresse progressivo pelos rumos da série, com as mesmas ideias rasas de confrontos previsíveis com “cientistas loucos” e monstros ameaçando nosso planeta.

É compreensível esse posicionamento pela necessidade de boas histórias, mas independente disso, os monstros disformes de todos os tipos e os cientistas que perderam a sanidade e razão perdidos em suas experiências bizarras, sempre conseguiam garantir a diversão justamente pelas histórias absurdas e efeitos práticos precários e toscos de orçamentos reduzidos.

O “Homem das Neves” do título é uma referência à lendária criatura que habitaria as regiões geladas da Cordilheira do Himalaia, na Ásia, um monstro misto de homem e macaco que também tem similares na América do Norte, conhecido como “Pé Grande” ou “Yeti”.

Curiosamente, esse episódio tem a participação do ator Richard Bull como um oficial médico, um rosto conhecido pela série de TV “Os Pioneiros” (Little House on the Prairie, 1974 / 1983).    

Irwin Allen também produziu outras séries divertidas do mesmo período como “Perdidos no Espaço” (Lost in Space, 1965 / 1968), “Túnel do Tempo” (The Time Tunnel, 1966) e “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1969).

 

(RR – 25/03/26)



Viagem ao Fundo do Mar - O Homem Sombra (Voyage to the Bottom of the Sea - Shadowman, E21T3, EUA, 1967, série de TV)

 


“Viagem ao Fundo do Mar” (Voyage to the Bottom of the Sea, 1964 / 1968) é uma série de TV criada por Irwin Allen recheada de elementos de horror, suspense, fantasia e ficção científica, explorando as aventuras do submarino atômico “Seaview”, cujas histórias bizarras povoaram a imaginação de quem teve o privilégio de assistir nas telinhas. Principalmente por causa de seus incontáveis monstros vindos das profundezas abissais e desconhecidas dos oceanos e do longínquo espaço sideral, com suas intenções hostis que ameaçavam a segurança da humanidade.

“O Homem Sombra” (Shadowman) é o episódio 21 da terceira temporada, lançado em 1967, dirigido por Justus Addiss e escrito por Hendrick Vollaerts, com o “monstro da semana” sendo um alienígena humanoide invasor que é visível apenas como a silhueta de uma sombra sinistra, cujo objetivo é impedir que uma sonda espacial experimental seja lançada em direção ao seu planeta.

A série foi lançada em DVD no Brasil e esse episódio também pode ser encontrado com a dublagem clássica no “Youtube”, numa sessão de nostalgia impagável.

 

O quartel general do Comando Espacial é responsável por um projeto científico de lançamento ao espaço de uma sonda de exploração e reconhecimento, que incomoda um alienígena (voz de Jim Mills, não creditado) parecido com uma sombra, que representa uma raça que está observando as ações da humanidade com relação à exploração espacial. Com intenções hostis de sabotagem da sonda, ele invade o submarino “Seaview” e se apossa do Tenente Chip Morton (Bob Dowdell), do Capitão Lee Crane (David Hedison) e do Chefe Francis Sharkey (Terry Becker), controlando seus corpos e mergulhando o submarino num limbo escuro.

Resta agora ao Almirante Harriman Nelson (Richard Basehart), acompanhado dos marujos Kowalski (Del Monroe) e Patterson (Paul Trinka), combater a ameaça do “Homem Sombra”, libertando seus companheiros de tripulação da sua influência maligna e tentar impedir a destruição da sonda.

 

A primeira temporada da série foi produzida com fotografia em preto e branco e tinha histórias mais “sérias” explorando temas como espionagem, sabotagem e dramas com conflitos e tensões psicológicas envolvendo governos inimigos durante o momento turbulento de “guerra fria” da época. Somente depois nas temporadas seguintes os roteiros mudaram as temáticas apostando em fantasia exagerada com monstros e efeitos práticos toscos, que mesmo sendo repetitivo, sempre garantiam a diversão justamente pelos excessos e bizarrices escapistas do gênero fantástico bagaceiro.

Esse episódio “O Homem Sombra” situa-se nesse contexto com sua ideia básica previsível de “monstro que ameaça a humanidade”, o alienígena sombra com suas ações de tirania.

Vale a pena sempre citar a importância do produtor Irwin Allen, que deixou um legado precioso com diversas séries de TV do mesmo período e estilo similar com elementos do gênero fantástico como “Perdidos no Espaço” (Lost in Space, 1965 / 1968), “Túnel do Tempo” (The Time Tunnel, 1966) e “Terra de Gigantes” (Land of the Giants, 1968 / 1969).

 

(RR – 18/03/26)