Comentários de Cinema - Parte 33


Filmes abordados:

Ao Cair da Noite (It Comes at Night, EUA, 2017)
Ataque do Tubarão de 5 Cabeças, O (5-Headed Shark Attack, EUA, 2017)
Condenadas, As (L´ultima Orgia Del III Reich / The Gestapo´s Last Orgy, Itália, 1977)
El Caminante (The Traveller, Espanha, 1979)
Maciste no Inferno (Maciste all´inferno, Itália, 1962)
Mortos Falam, Os (The Devil Commands, EUA, 1941, PB)

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* Ao Cair da Noite (2017)

O triunfo da Morte

O fã de cinema de horror que está procurando diversão escapista, barulheira, correrias desenfreadas, tiroteios, sustos fáceis, sangue em profusão, tripas expostas, monstros em CGI, não irá encontrar no filme “Ao Cair da Noite” (It Comes at Night, 2017), que estreou em circuito comercial restrito nos cinemas brasileiros em 22/06/17, com cópias originais legendadas. Porém, quem aprecia e procura uma história tensa, com constante atmosfera sombria e perturbadora, carregada de paranoia, mistério, pessimismo, com narrativa mais cadenciada onde toda esperança está abandonada, num ambiente de grande pressão psicológica, além de um final depressivo, então esse é o filme indicado.
Com direção e roteiro de Trey Edward Shults, temos uma família morando isolada numa casa no meio da floresta, formada pelo pai protetor, Paul (o australiano Joel Edgerton), a esposa Sarah (a inglesa Carmen Ejogo), e o filho adolescente de 17 anos, Travis (Kelvin Harrison Jr.), que tem pesadelos terríveis frequentemente. O clima é de tensão constante, numa luta pela sobrevivência contra uma contaminação misteriosa que aparentemente mergulhou o mundo no caos. Eles precisam eliminar a ameaça que tomou o corpo do avô, Bud (David Pendleton), enterrado com o cadáver cheio de feridas pestilentas e carbonizado por segurança. Porém, as coisas se complicam mais ainda após a chegada de outra família pedindo refúgio, formada pelo jovem casal Will (Christopher Abbott) e Kim (Riley Keough), e o filho pequeno Andrew (Griffin Robert Faulkner).
Distanciando-se da fantasia tradicional do cinema, “Ao Cair da Noite” se aproxima mais de uma possível realidade com o mundo mergulhando numa contaminação devastadora não explicada, onde os sobreviventes precisam lutar ferozmente por suas vidas fragilizadas. Trazendo à tona seus instintos mais selvagens de sobrevivência, utilizando-se de violência e desconfiança para a autopreservação, eliminando gradativamente os sentimentos e emoções que caracterizam a humanidade, dando lugar à frieza e indiferença.  
Indo na contra mão do cinema que prioriza o entretenimento com pipoca e refrigerante, “Ao Cair da Noite” aposta no mistério, na falta de informação sobre os trágicos acontecimentos externos, no clima de tensão devido à luta selvagem pela sobrevivência, no desespero crescente do fim aparentemente inevitável da humanidade, dizimada por uma doença sem nome.
Após ver o filme e com o sentimento perturbador e desconfortável que invade o espectador, temos a sensação de que seriam pessoas de sorte todas aquelas que fossem carregadas pela Morte logo no início do apocalipse, caso um dia uma pandemia devastasse a Terra.
(RR – 03/07/17)

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* Ataque do Tubarão de 5 Cabeças, O (2017)

Fazendo parte da moda de filmes com tubarões mutantes patéticos, temos um com tantas cabeças que nem cabem no corpo 

A produtora americana “The Asylum” é conhecida pelos seus filmes ruins. Porém, na maioria das vezes tão ruins que não divertem, sempre com histórias rasas, elenco amador e efeitos toscos com CGI vagabundo e inconvincente. Eles sempre estão contribuindo com a moda de filmes ridículos com tubarões assassinos, intensificada principalmente após o sucesso popular da franquia “Sharknado”, iniciada em 2013. São tantos filmes absurdos com essa temática que nem vale a pena um esforço para catalogação de tanta tranqueira lançada sem o mínimo de controle de qualidade. Em 30/07/2017, em parceria com o canal de TV a cabo “SyFy”, foi lançada mais uma bagaceira: “O Ataque do Tubarão de 5 Cabeças” (5-Headed Shark Attack), com direção do estreante Nico De Leon..
Uma ilha em Porto Rico tem sua rotina paradisíaca alterada após a ocorrência de várias mortes violentas no mar, que são creditadas para um imenso tubarão mutante com cinco cabeças, uma anomalia da natureza ávida pela carne humana. O dono inescrupuloso de um aquário, Thaddeus Marshall (Jeffrey Holsman) decide pressionar a bióloga marinha Dra. Angie Yost (Nikki Howard) junto com alguns jovens estagiários, para tentarem capturar o tubarão vivo, com o objetivo de exposição ao público e com isso alavancar os negócios com o aquário decadente, nem que signifique algumas perdas de vidas na caçada. Eles contam com a ajuda de um caçador experiente e mercenário, Red (Chris Bruno), e também com os esforços de salvamento da polícia local, representada pelo Capitão Sterling (Nicholas Nene).
A história é superficial, com conversas banais e tentativas mal sucedidas de piadas em meio às cenas de ataques do tubarão. Tudo apenas para preencher o tempo e que não funcionam, contribuindo ainda mais para nossa torcida pelo monstro. Os roteiristas não estão interessados em gastar energia com qualquer tipo de criatividade, utilizando clichês exaustivos de dezenas de filmes similares com tubarões comedores de gente. Para se ter uma ideia da bizarrice desse filme e da total falta de vontade dos realizadores em tentar inovar, nem que seja apenas um pouco, já tivemos anteriormente outros filmes praticamente iguais, apresentando tubarões de duas e três cabeças. São eles: “Ataque do Tubarão Mutante” (2-Headed Shark Attack, 2012) e “O Ataque do Tubarão de 3 Cabeças” (3-Headed Shark Attack, 2015), este último contando no elenco com o cultuado e veterano ator especialista em bagaceiras Danny Trejo, sendo ambos também produzidos pela “The Asylum”. Como não existe espaço físico suficiente para a colocação de mais cabeças no tubarão, talvez as 5 do monstro desse filme sejam o limite.
O filme é tão bagaceiro e seus realizadores tão desinteressados com o espectador, que o tubarão mostrado em boa parte do filme tem “apenas” 4 cabeças, provavelmente pela dificuldade de espaço físico, e somente depois de muitos ataques e mortes, veio a revelação do nascimento de uma quinta cabeça na cauda. A criatura mutante que estampa o pôster de divulgação não existe.
Em minha resenha do filme do tubarão com 3 cabeças, publicada tanto no blog “Almanaque da Arte Fantástica Brasileira” http://almanaqueafb.blogspot.com.br/2015/08/o-ataque-do-tubarao-de-3-cabecas-3.html, como  no site “Boca do Inferno” http://bocadoinferno.com.br/criticas/2015/09/o-ataque-do-tubarao-de-3-cabecas-2015/), conclui o texto de forma tolerante com os produtores, que estavam entregando uma porcaria descompromissada com a coerência e talvez até certo ponto honesta com o público, que sabia o que iria consumir. Mas, depois de lançarem um tubarão com 5 cabeças, fica difícil manter qualquer tolerância. Existe uma competição entre os roteiristas sobre a mais ridícula, bizarra e absurda história de tubarão assassino, com os mesmos exageros de sempre e efeitos falsos de computação gráfica nas cenas supostamente sangrentas. Esse tema já está desgastante e cansativo.
Curiosamente, como homenagem ou simples brincadeira, tem uma citação da bióloga Dra. Yost sobre a cultuada série de filmes “Sharknado”, quando ela diz que os grandes tubarões brancos não atacam pessoas em barcos e ironizando se eles voassem através de tornados.
(RR – 07/08/17)

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* As Condenadas (1977)

Obscuro nazisploitation com sadismo, torturas e violência contra mulheres prisioneiras de guerra 

Lançado em fita VHS no Brasil pela “Century Video”, “As Condenadas” é um filme italiano de 1977 que tem o sonoro título internacional “The Gestapo´s Last Orgy”, tradução literal em inglês do original “L´ultima Orgia Del III Reich”. É um obscuro “nazisploitation” repleto de sadismo e violência contra mulheres judias num campo de concentração alemão na Segunda Guerra Mundial, um local especial para receber as prisioneiras com o intuito de entreter os oficiais e soldados nazistas.
Com direção de Cesare Canevari (1927 / 2012), a história apresenta uma bela e jovem mulher, Lisa Cohen (Daniela Poggi, creditada como Daniela Levy), que se encontra com o antigo amante num campo de concentração abandonado em ruínas, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele era o líder do presídio, Comandante Conrad von Starker (Adriano Micantroni, creditado como Marc Loud), que dirigia o lugar com crueldade, sendo responsável por torturá-la até que se tornasse sua amante.
Primeiramente, como ela sentia-se culpada pela morte dos pais, perdeu o interesse pela vida e reagia com frieza e sem emoções diante das torturas físicas e psicológicas. Depois, recuperou o desejo de viver e cedeu às imposições do comandante alemão. Porém, depois de engravidar e ver o destino terrível de seu filho com sangue judeu, Lisa espera o fim da guerra para reencontrar seu algoz, reviver o passado tenebroso e terminar o pesadelo.

“Vou destruir seu corpo e sua mente. E o único modo, o único de temer a morte, é ficando viva. E quando aquele momento, só quando aquele momento chegar, você morrerá.” – Comandante Conrad von Starker

O filme fez parte da lista de “vídeos nasty” por causa do conteúdo violento, sendo banido na Inglaterra, tanto que essa informação está estampada num dos cartazes originais, como forma de chamar a atenção do público. O fato pode ser explicado pelas inúmeras cenas perturbadoras de horror bizarro e violência contras as mulheres prisioneiras. Elas são espancadas e utilizadas como escravas sexuais para os soldados alemães estressados com os conflitos nos campos de batalha, e para satisfazer os sádicos oficiais que sentem prazer em infligir castigos dolorosos.
Entre as bizarrices incompatíveis com qualquer senso de racionalidade, temos uma mulher oferecida viva como alimento para cães raivosos, atos de coprofagia, estupros coletivos, execuções em câmera de gás e reservatório de ácido, mulheres penduradas de cabeça para baixo próximas de ratos famintos aguardando a refeição. Ou, podendo servir como um ápice para esse conjunto de atrocidades, uma mulher é embriagada e depois queimada no meio de um jantar de gala dos oficiais, onde o prato principal é carne humana de judeus executados e bebês recém-nascidos.
A violência apresentada nem é tão gráfica, existindo uma infinidade de outros filmes mais extremos e sangrentos. Porém, o que o aproxima de ser considerado perturbador são as várias cenas de conteúdo transgressor e que chocam pela crueldade.
Curiosamente, “As Condenadas” também possui outro título original igualmente estranho e incomum, “Calígula Reincarnated as Hitler”, numa referência ao cruel tirano e imperador romano Calígula, retornando dos mortos e reencarnando no ditador alemão Adolf Hitler.
     
“Quando o super-homem deseja se divertir, ele deve fazê-lo com o preço da vida dos outros.” – introdução do filme – palavras de Friedrich Niezsche (1844 / 1900), filósofo e poeta alemão conhecido pelos textos recheados de metáforas, ironias e aforismo. 

(RR – 03/08/17)

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* El Caminante (1979)

Mais uma preciosidade do multifuncional Paul Naschy, que dirige, escreve e atua num filme obscuro de horror com elementos de crítica social 

O espanhol Paul Naschy (1934 / 2009) é um dos grandes nomes do cinema de horror bagaceiro europeu, com uma carreira imensa como ator, roteirista e diretor. “El Caminante” (1979, também conhecido pelo título em inglês “The Traveller”) é mais uma pérola obscura de seu produtivo currículo, dirigindo e escrevendo a história sob o pseudônimo Jacinto Molina, além de atuar liderando o elenco repleto de belíssimas mulheres em várias cenas de nudez.
Ele interpreta Leonardo, um viajante que caminha sem destino, enfatizando um discurso que defende a ideia que a humanidade é uma raça corrompida de natureza ruim e mesquinha. E que a religião, os escrúpulos e a consciência são bobagens para fracassados. Segundo ele, a vida apenas vale a pena com dinheiro e prazer, e que para obtê-los não se deve medir esforços, sendo permitido matar se necessário, e até vender a alma ao diabo.
O andarilho encontra em seu caminho e resgata o jovem Tomás (David Rocha), que era um servo maltratado por seu mestre, um velho cego. A partir daí, eles andam juntos e Leonardo decide mostrar como eles poderiam melhorar de vida rapidamente enganando e roubando as pessoas que cruzassem seu caminho. Para ele, soberba, malícia, ira, gula, inveja e preguiça são características humanas que facilmente condenam uma alma ao diabo. Debochando o tempo todo da honestidade e da religião, ele é o próprio demônio caminhando na Terra, se divertindo com os homens fracos que matam, roubam, fraudam, invejam e odeiam, terminando sempre nas mãos do diabo.
Entre as peripécias do obscuro caminhante, com a eventual ajuda do jovem aprendiz, temos vários momentos onde enganam e roubam tanto ricos como pobres, se escondem num convento, assumem identidades falsas de religiosos, se aproveitam das freiras, e se envolvem com prostitutas de um bordel. Entre as vítimas, uma mãe deprimida e com tendências suicidas depois que é enganada pelo viajante na tentativa de salvar sua filha doente. Porém, a ganância e falta de caráter os coloca inevitavelmente um contra o outro, tornando-se inimigos, numa reviravolta que apenas valida a ideologia de uma humanidade caracterizada essencialmente pela desonestidade.
“El Caminante” é um passeio do diabo na forma humana pela Terra, com uma história interessante e divertida, focada na crítica social denunciando a natureza pervertida da humanidade. Com elementos de humor negro impagáveis como a freira obesa que está sempre dormindo e soltando gases, ou as conversas hilárias entre Leonardo e Tomás sobre um incidente no bordel onde o mais jovem foi vítima de uma conspiração do experiente andarilho.
Curiosamente, Leonardo utiliza seu poder sobrenatural com o intuito de mostrar para Tomás em imagens de pesadelos, o futuro da humanidade numa sucessão de cenas perturbadoras e depressivas de guerras, mortes em campos de concentração e destruição com bombas atômicas.
(RR – 26/08/17)

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* Maciste no Inferno (1962)

Uma mistura de horror gótico com herói justiceiro, numa aventura literalmente pelo inferno para salvar um vilarejo da maldição de uma bruxa

Maciste é um herói justiceiro similar ao popular Hércules, que defende os pobres, fracos e oprimidos contra as forças do mal. Extremamente forte e musculoso, ele é interpretado pelo ator italiano Adriano Bellini (creditado com o manjado pseudônimo americano Kirk Morris) em vários filmes com o mesmo personagem. Em “Maciste no Inferno” (Maciste all´inferno), produção italiana de 1962, sua aventura para salvar os aldeões de um pequeno vilarejo, livrando-os de uma maldição lançada por uma bruxa executada na fogueira, o leva literalmente para um passeio no inferno. Combatendo animais violentos como um leão, uma cobra enorme, uma águia carniceira e uma manada de bois ferozes, além de um homem gigante, em efeitos extremamente toscos e bizarros.
Com direção de Riccardo Freda (com o pseudônimo Robert Hampton), a história mistura elementos de horror gótico com filmes épicos de fantasia. Um jovem casal formado por Charley Law (Angelo Zanolli) e Martha Gaunt (Vira Silenti) muda-se para um castelo sinistro na Escócia, e são mal recebidos pelos aldeões do vilarejo próximo, que decidem hostilizá-la com tochas e ferramentas cortantes acusando-na de ser uma descendente de uma bruxa queimada na fogueira da inquisição em 1515, e que havia prometido vingança e maldição aos seus executores, sob o comando do juiz Edgar Parris (Andrea Bosic). 
Maciste aparece do nada e salva a mulher do linchamento, mas não consegue impedir que ela seja julgada por um tribunal inquisidor e condenada à morte na fogueira por suposta bruxaria. Para tentar impedir a execução, Maciste vai para o inferno em busca da bruxa. No caminho, enfrenta animais ferozes, encontra pessoas sofrendo torturas infindáveis de monstros e demônios, remove pedras gigantescas com as mãos, nunca usa armas e ao atravessar uma porta de fogo encontra uma bela e misteriosa mulher, Fania (Hélène Chanel), que tenta ajudá-lo em sua missão.
O filme desperta algum interesse em seu primeiro ato, ao explorar elementos sempre atraentes do horror gótico, com um castelo sombrio repleto de morcegos, aldeões supersticiosos e uma bruxa queimada na fogueira, amaldiçoando seus executores. Depois, quando surge o herói justiceiro sem camisa, com suas boas intenções de mocinho, numa improvável viagem ao inferno, a história mudou de rumo e inevitavelmente seguiu em direção ao tédio. Nem os efeitos toscos de um filme bagaceiro, nas lutas com animais falsos (ou grandes bichos de pelúcia), ou as pedras de isopor do inferno, conseguiram minimizar a sensação de sonolência no espectador. Seguem as palavras do próprio Maciste, que fala pouco e fica o tempo todo demonstrando ações de força bruta: “Meu destino é ajudar as pessoas que sofrem pela opressão e crueldade ao redor do mundo”. Dessa forma, os elementos de horror gótico do início do filme deram lugar para uma aventura simples e patética de um herói fazedor de justiça.
Entre as curiosidades, vale citar:
* enquanto Maciste está no inferno, temos várias cenas simulando imagens do passado, reproduzindo suas aventuras anteriores como uma luta contra um ciclope e contra um exército tirano chinês.
* Nos Estados Unidos o filme recebeu o título “The Witch´s Curse”.
* As cenas ambientadas no inferno foram filmadas numa região de cavernas na cidade italiana de Bari, e são bem interessantes, independente da história trivial do filme.
* Em 1961 teve outro filme italiano similar, “Hércules no Centro da Terra” (Hercules in the Haunted World), dirigido por Mario Bava e com Christopher Lee, sobre a aventura do fortão Hércules no submundo, um lugar que podemos chamar de inferno.
* Outros filmes do ator Kirk Morris creditado como Maciste: “O Triunfo de Maciste” (1961), “Hercules in the Valley of Woe” (1961), “Colossus and the Headhunters” (1963), “Atlas Against the Czar” (1964) e “Hércules, o Invencível” (1964).
(RR – 23/07/17)

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* Os Mortos Falam (1941)

Quando o diabo manda, Karloff obedece...!

O ícone do cinema de horror Boris Karloff (1887 / 1969) ficou eternizado na história por seu papel do “monstro de Frankenstein”. Mas, em sua carreira produtiva com mais de 200 créditos, também se destacam suas performances como o tradicional “cientista louco” que trabalha incansavelmente em descobertas científicas para o bem da humanidade, e que se sente incompreendido pela sociedade com suas criações transformando-se em tragédias. É o caso de “Os Mortos Falam”, filme do distante ano de 1941, dirigido por Edward Dmytryk, produzida pela “Columbia” com fotografia em preto e branco e duração curta de apenas 65 minutos. Uma das taglines promocionais do filme (reproduzida acima) brinca com seu nome original “The Devil Commands” e o apelo comercial do nome de Boris Karloff como astro do Horror, imortalizado para sempre junto com Bela Lugosi, Vincent Price, Peter Cushing, Christopher Lee e outros. 

Karloff é o “cientista louco” Dr. Julian Blair, que faz experiências com ondas cerebrais humanas, e acredita que mesmo após a morte, elas continuam vivas e podem ter seus impulsos gravados numa máquina especial criada por ele, estabelecendo dessa forma um tipo de comunicação com os mortos (dessa ideia deve ter vindo a escolha do título nacional). Ele é auxiliado pelo também cientista Dr. Richard Sayles (Richard Fiske), e juntos trabalham num laboratório repleto de aparelhos elétricos enormes, com botões medidores e alavancas de acionamento para todos os lados. Porém, tudo começa a mudar para pior depois que a amável esposa do Dr. Blair, Helen (Shirley Warde), é vítima fatal de um bizarro acidente de carro nas proximidades do laboratório. Muito perturbado e desorientado por causa da morte repentina da esposa, e com seu trabalho científico desacreditado pelos colegas, o cientista decide se mudar para uma mansão isolada no alto de um penhasco na costa da Nova Inglaterra.
Nesse local sinistro, em meio a tempestades constantes, ele continua suas experiências macabras, influenciado por uma vidente de caráter duvidoso, Sra. Blanche Walters (Anne Revere), que tem interesses obscuros no sucesso dos testes com os cérebros humanos. Também conta com os serviços braçais de Karl (o ator Cy Schindell, creditado como Ralph Penney), um homem bruto e desajeitado que teve o cérebro torrado numa das experiências mal sucedidas do cientista.
Uma vez preocupada com o bem estar e ações misteriosas do pai, a jovem filha do cientista, Anne Blair (Amanda Duff), tenta localizá-lo com a ajuda do Dr. Sayles, para persuadi-lo a interromper seu trabalho suspeito. Enquanto paralelamente o xerife local, Ed Willis (Kenneth MacDonald), está investigando o desaparecimento de cadáveres do cemitério próximo ao laboratório do Dr. Blair, desconfiado de alguma conexão com as bizarras experiências do cientista, cada vez mais temido e indesejável pelos moradores do vilarejo vizinho da mansão.

“Este mago louco mata à vontade a serviço de Satã!” – uma das taglines promocionais do filme

“Os Mortos Falam” é mais uma bagaceira divertida que pertence ao sub-gênero “cientista louco”, com a participação do lendário Boris Karloff, motivo mais que suficiente para o filme se destacar entre a incontável quantidade de produções similares. Temos todos os principais elementos característicos como o laboratório científico exagerado, muito bizarro para a época (quase 80 anos atrás), a mansão no alto de um penhasco à beira do mar, um ambiente extremamente sinistro e apropriado para uma história de horror, e o cientista com boas intenções que foi vítima de uma tragédia pessoal, sendo corrompido pela descrença e obcecado por um objetivo científico com resultados catastróficos. Suas ações suspeitas, resultado da obsessão em se comunicar com a esposa falecida, despertaram a desconfiança das autoridades e a ira cega dos vizinhos, que por temerem o desconhecido, desejavam sua destruição.
O maior destaque, além da atuação convincente de Boris Karloff como o cientista de boas intenções distorcido para “louco”, são as cenas das experiências com os mortos, vestindo armaduras de aço parecidas com trajes espaciais toscos, com seus cérebros conectados uns aos outros, simulando uma única grande rede de ondas cerebrais. Remetendo-nos totalmente ao cinema fantástico bagaceiro, onde o horror e a ficção científica caminham juntos para um resultado bizarro de puro entretenimento.  

“Se a Ciência puder abrir a mente humana, poderá descobrir os segredos de cada cérebro humano.” – Dr. Julian Blair


(RR – 26/06/17)

Comentários de Cinema - Parte 32



Filmes abordados:

Bebê Maldito II, O (The Unborn II, EUA, 1994)
Despertar do Demônio / Cidade das Bruxas, A (Bay Cove, EUA, 1987)
Filha de Sarah, A (Sarah´s Child, EUA, 1994)
Ghoulies IV – Eles Estão Próximos! (Ghoulies IV, EUA, 1994)
Maldição dos Brinquedos, A (Curse of the Puppet Master, EUA, 1998)
Noiva Assassina, A (Praying Mantis, EUA, 1993)

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* O Bebê Maldito II (1994)

Criado da ciência. Vazio de alma. Nascido para comandar – tagline promocional do segundo filme do bebê maldito

Lançado em VHS no Brasil pela “California” e com produção do “Rei dos Filmes B” Roger Corman, “O Bebê Maldito II” (The Unborn II, 1994) é o típico exemplo do cinema bagaceiro de horror dos anos 90 do século passado, com história tranqueira onde o destaque é o bebê do título, deformado e assassino, um boneco animatrônico que diverte justamente por ser extremamente tosco.
A direção é de Rick Jacobson e a história sucede um original lançado em 1991. Dessa vez, acompanhamos os passos de uma misteriosa mulher, Linda Holt (Robin Curtis), que possui uma lista com vários nomes de crianças, as quais são procuradas por ela e brutalmente assassinadas quando localizadas. Em seu rastro temos um detetive da polícia incompetente, Tenente Briggs (Leonard O. Turner), que não consegue impedir as ações violentas da mulher, mesmo matando crianças em locais improváveis como um parque movimentado e ensolarado, ou dentro de um berçário numa maternidade.
Uma das crianças procuradas é Joey, um bebê de seis meses cabeçudo e deformado, que está sendo protegido pela mãe, Catherine Moore (Michele Greene), uma escritora de livros infantis que está sempre se mudando de casa e escondendo o filho esquisito de todos a sua volta. O que não impede de ter que enfrentar uma dupla de assistentes sociais que querem investigar sua conduta como mãe, depois de uma denúncia de mais tratos dos novos vizinhos intrometidos, Artie e Marge Philips (Darryl Henriques e Caroline White, respectivamente), pais da adolescente Sally Anne (a alemã Brittney Powell). Para ajudá-la a esconder o bebê maldito, surge um misterioso homem inicialmente amigável, John Edson (Scott Valentine), que tem objetivos sinistros e é a principal ligação com o filme original. 
A história não é original, lembrando elementos de outra franquia, “Nasce Um Monstro” (It´s Alive), que teve 3 filmes. Não desperta muita atenção e têm diversas situações exageradas, principalmente os tiroteios intermináveis e barulhentos, que não soam convincentes. O que realmente vale a pena no filme é o bebê maldito em cena, tosco ao extremo, que come carne crua e arranca pedaços de suas vítimas com os dentes afiados, além dos grunhidos animalescos para se comunicar. Ele é o resultado de testes genéticos de fertilização mal sucedidos, os quais geraram crianças demoníacas, deformadas e agressivas, que ainda tem o poder de controlar a mente das pessoas para seu benefício (reforçando a ideia da tagline promocional reproduzida no início do texto). Tudo obra de um “cientista louco”, Dr. Richard Meyerling, do original, e que é citado rapidamente nessa continuação para reforçar a conexão entre os filmes.
O desfecho em aberto, como sempre acontece nas franquias intermináveis em busca de lucros, mesmo que pequenos, possibilita uma eventual sequência, um truque comum dos produtores caso decidam a viabilidade de continuar a história. Porém, isso não aconteceu, e o bebê maldito parou nessa segunda parte.  
(RR – 22/06/17)

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* Despertar do Demônio (1987)
O mercado brasileiro de vídeo VHS foi bastante movimentado entre os anos 80 e 90 do século passado, com muitos lançamentos de filmes de horror. “Despertar do Demônio” (Bay Cove) é de 1987 e foi lançado por aqui pela “Globo Vídeo”, sendo uma produção especialmente para a televisão dirigida por Carl Schenkel, e com a curiosidade da participação no elenco de um jovem Woody Harrelson, em início de carreira. Dentre uma infinidade de atores e atrizes que aparecem em centenas de filmes de todos os estilos e para todos os lados, apenas alguns poucos conseguem sucesso efetivo na carreira. Harrelson é um deles, sempre atuante e participando de grandes projetos como a franquia “Jogos Vorazes”. 
Um jovem casal sem filhos, Jerry Lebon (Tim Matheson) e a esposa Linda (Pamela Sue Martin), decide se mudar e sair do aluguel, comprando uma casa afastada da cidade, localizada num pequeno vilarejo de uma ilha pouco habitada. O lugar é chamado de “Bay Cove” (do título original) e a comunidade local tem mais de 300 anos de história. Eles primeiramente são recebidos com entusiasmo e cordialidade pelos novos vizinhos, como a idosa Beatrice Gower (Barbara Billingsley), antiga proprietária da casa vendida para eles, e pelos casais Josh (Jeff Conaway) e Debbi McGwin (Susan Ruttan), e os misteriosos Nicholas (James Sikking) e Matty Kline (Inga Swanson).
Porém, uma série de acontecimentos bizarros e sinistros transforma seus novos vizinhos em pessoas extremamente estranhas. Como a ocorrência de acidentes misteriosos e trágicos envolvendo um amigo de Linda, Slater (Woody Harrelson), que veio à ilha para visitá-la, e também o cachorro de estimação da moça, passando pelo comportamento nada infantil das poucas crianças do lugar, e pelos avisos de alerta para o perigo de um velho recluso numa cadeira sempre observando os movimentos de uma janela num sótão. Além de um cântico assustador ecoando pela ilha e a descoberta de uma caverna escondendo um ambiente preparado para a realização de cultos demoníacos, com um enorme pentagrama no chão e iluminação por tochas de fogo.  
O nome nacional “Despertar do Demônio” é oportunista e já entrega a temática do roteiro com uma conspiração satânica, e o filme também foi exibido na televisão com o título "A Cidade das Bruxas". Uma vez sendo uma produção para a televisão, quase não há violência e sangue, e o foco está na construção de uma atmosfera de suspense e mistério que lembra situação similar do clássico “O Bebê de Rosemary” (1968, de Roman Polanski). Apesar dos velhos clichês de filmes com seitas demoníacas e covil de feiticeiros, e da presença inevitável de previsibilidade nos eventos, temos aqui uma história que ainda consegue envolver o espectador com um clima de tensão crescente. Que ocorre na medida em que Linda desconfia do comportamento estranho dos habitantes da ilha, e decide investigar a história sinistra do lugar, descobrindo aos poucos a obscura verdade e reais intenções de seus moradores envolvidos com bruxaria.
“Se um mortal vir o local, deve ser sacrificado na primeira noite de lua cheia. Se o sacrifício não ocorrer à meia-noite, então qualquer pacto com Satanás será destruído.”
(RR –22/05/17)

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* A Filha de Sarah (1994)
Entre 1996 e 1997 foi exibida na TV Bandeirantes a lendária sessão de cinema de horror “Cine Trash”, apresentada por “Zé do Caixão”. Entre as dezenas de filmes, “A Filha de Sarah” (Sarah´s Child, 1994), com direção de Ron Beckstrom, é um thriller sonolento que conta a história de uma mulher infértil e obcecada para ser mãe. Também foi lançado em vídeo VHS por aqui pela “Company”.
Sarah LaMere (Mary Parker Williams) é casada com Michael (Michael Berger) e eles decidem se mudar de uma cidade grande para uma pequena, morando de aluguel numa bela casa de arquitetura antiga, de propriedade da Sra. Margareth Franklin (Ruth Hale). Sarah é pintora de aquarelas e seu marido é um agente de seguros de carros, que abre um escritório na cidade representando uma grande empresa. O casal vive bem e é relativamente feliz, porém Sarah deseja ter filhos para aumentar a família e uma vez não tendo sucesso em seus planos, fica desesperada ao descobrir que sofre de infertilidade.
Seu relacionamento com o marido começa a se desgastar pela dificuldade em aceitar a impossibilidade de gerar filhos e as coisas complicam ainda mais depois que surge entre eles uma misteriosa criança chamada Melissa (Meagen Addie), que tem um comportamento estranho, não fala, não se sabe de onde veio e freqüenta a casa conturbando o ambiente, principalmente depois da ocorrência de acidentes mal explicados com o cachorro de estimação e com a Sra. Franklin. Sarah foi educada de forma rígida e religiosa aprendendo que a missão da mulher é procriar, e sua condição de infertilidade interfere em sua percepção da realidade mergulhando num pesadelo de insanidade, mesmo com as tentativas de ajuda do marido e apoio médico do psiquiatra Dr. Perry (Bryce Chamberlain).
“A Filha de Sarah” tem uma hora e meia de duração que se arrasta num ritmo lento e história pouco inspirada que não consegue manter o interesse do espectador. Os elementos de horror são muito sutis, representados pela figura misteriosa da criança que surge para influenciar no clima de tensão crescente entre o casal sem filhos. As poucas coisas que poderiam gerar algum interesse, na exploração de um mistério, demoram tanto para acontecer e ainda mais com um resultado tão trivial, que qualquer tentativa de apresentar elementos supostamente sobrenaturais perde seu efeito. E não poderíamos deixar de citar uma tentativa de humor forçado totalmente fora de contexto, envolvendo um enfermeiro patético que dança e faz palhaçadas no hospital onde Sarah fica internada. A cena tem um resultado estranho que não se encaixa na história.
(RR –29/05/17)

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* Ghoulies IV – Eles Estão Próximos! (1994)

Um pouco de magia negra, um pouco de couro preto... e muito humor negro – tagline promocional do quarto filme da franquia “Ghoulies”

Os ghoulies são pequenas criaturas bizarras oriundas de um universo sombrio paralelo e que acidentalmente entraram em nosso mundo. Remetendo-nos diretamente aos filmes das saudosas décadas de 80 e 90 do século passado, a ideia de criação desses pequenos demônios utilizou elementos similares de outros monstrinhos de divertidas franquias como “Gremlins” (que teve 3 filmes) ou “Critters” (com 4 filmes).
“Ghoulies” por sua vez teve 4 partes, sendo a primeira lançada em 1984 pela extinta produtora “Empire”, de Charles Band, seguida em 1988 por “Ghoulies 2” e em 1991 por “Os Ghoulies Vão Ao Colégio” (Ghoulies III: Ghoulies Go To College). Em 1994 foi lançado diretamente para o mercado de vídeo VHS o quarto episódio, que recebeu o nome nacional “Ghoulies IV – Eles Estão Próximos!” (distribuído pela “Warner” com um subtítulo totalmente desnecessário), dirigido pelo especialista em bagaceiras Jim Wynorski, dono de um currículo produtivo com mais de 100 filmes.
Nessa comédia com elementos de fantasia e horror, um ex-praticante de magia negra e agora detetive da polícia, Jonathan Graves (Peter Liapis), é o elo de ligação com o universo ficcional da franquia, sendo o mesmo personagem e ator do filme original de 1984. Ele tem em seu poder uma pedra vermelha mágica, a “joia do conhecimento”, procurada desesperadamente pela entidade maligna Fausto, que na verdade é a manifestação de seu lado negro, para poder entrar em nosso mundo.
Para alcançar seu objetivo, a criatura demoníaca utiliza os serviços da bela Alexandra (Stacie Randall), uma antiga namorada do policial que está vestindo roupas sensuais de couro preto, além de ter habilidades especiais em lutas e manuseio de armas, e que fugiu de um manicômio para roubar a pedra mágica. Ela enfrenta em seu caminho uma dupla de ghoulies trapalhões, interpretados pelos anões Tony Cox e Arturo Gil, que entraram acidentalmente em nosso mundo através da abertura de um portal dimensional. Para ajudar o policial e antigo ocultista surge também outra ex-namorada e parceira na polícia, a bela capitã Kate (Barbara Alyn Woods), e juntos eles tentam combater Alexandra e os planos maquiavélicos de seu mestre Fausto. Além de salvar a atual amante do policial, a prostituta Jeanine (Raquel Krelle), que tem a pedra mágica num colar pendurado no pescoço e por isso corre perigo de vida como vítima de um ritual satânico de sacrifício humano, e resgatar do limbo o também policial Scotty (Bobby Di Cicco), atual parceiro de Graves e que foi possuído pelas forças do além.
O roteiro de Mark Sevi é uma salada indigesta com tanta bobagem misturada que inevitavelmente contribui para o desinteresse e afastamento do espectador de qualquer tipo de entretenimento. Existem os filmes bagaceiros que divertem e tem também aquelas tranqueiras que entediam, sendo que essa quarta parte de “Ghoulies” se enquadra no segundo caso. Tem muitos momentos de comédia pastelão e não é todo mundo que aprecia isso, mesmo sendo um filme com elementos propositais de humor negro (reforçado na tagline promocional do filme, reproduzida no início desse texto). Principalmente nas cenas com os ghoulies patetas, que de bonecos com comportamentos malignos nos filmes anteriores, passaram para criaturas de boas condutas interpretadas por atores anões com máscaras extremamente toscas (eles falam, mas suas bocas praticamente não se mexem). Aliás, eles também andam tranquilamente pelas ruas de Los Angeles sem serem notados ou importunados, simulando de forma inverossímil que se escondem das pessoas, ou não despertando estranheza quando descobertos. Apenas nesse filme da franquia os ghoulies foram interpretados por atores, porque a produtora “Cinetel” não conseguiu utilizar os bonecos originais dos filmes anteriores.
Curiosamente, existem algumas cenas do filme original de 1984 apresentadas em flashback, e o desfecho de “Ghoulies IV” apresenta um gancho proposital onde as criaturas convidam o espectador para conferir a próxima aventura deles, mas o anunciado quinto filme da franquia nunca foi filmado.
(RR – 19/06/17)

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* A Maldição dos Brinquedos (1998)
Charles Band nasceu em 1951 nos Estados Unidos. Roteirista, diretor e produtor, ele fez parte, junto com seu pai Albert Band, da extinta produtora “Empire Pictures”, que foi a responsável por várias preciosidades como “A Hora dos Mortos-Vivos” (Re-Animator, 1985) e “Do Além” / “Possuídos Pelo Mal” (From Beyond, 1986), ambos baseados em histórias de H. P. Lovecraft. Após o encerramento das atividades da “Empire”, ele fundou a produtora “Full Moon Entertainment” e continuou lançando suas pérolas de horror e ficção científica como a imensa franquia “Puppet Master”.
“A Maldição dos Brinquedos” (Curse of the Puppet Master, 1998) é o sexto filme da franquia e foi lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Play Time”. Com direção de David DeCoteau, creditado como Victoria Sloan, a história é sobre o “cientista louco” Dr. Magrew (George Peck), que utiliza os conhecimentos de Andre Toulon, o famoso “mestre dos brinquedos” dos filmes anteriores, e mantém em cativeiro um grupo de bonecos vivos assassinos, apresentando-os num show bizarro como se fossem marionetes que se movimentam sozinhas misteriosamente.
Ele é obcecado em fazer experiências tentando transferir a alma das pessoas para dentro de bonecos, criando “brinquedos humanos” (daí a ideia da tagline “...A Experiência Humana”). Para isso, ele encontra o jovem Robert “Tank” Winsley (Josh Green), um rapaz tímido e sem família, que viveu num orfanato e trabalha num posto de gasolina. Ele sempre tem pesadelos e é constantemente ridicularizado por seus colegas, até ser convidado para trabalhar com o cientista depois de revelar que é um talentoso escultor de bonecos em madeira. Tank logo se apaixona pela bela filha do cientista, Jane Magrew (Emily Harrison), não imaginando os planos maquiavélicos de seu novo patrão. Enquanto isso, em paralelo o xerife Garvey (Robert Donavan) e seu assistente Wayburn (Jason-Shane Scott), estão desconfiados do trabalho sinistro do cientista e investigam o desaparecimento suspeito de seu antigo empregado.
O filme até diverte um pouco justamente pelos bonecos toscos e as cenas de mortes sangrentas, mas eles e os assassinatos somente entram em cena para valer a partir da metade da projeção. O roteiro tem muitos furos que podem ser notados sem esforço, validando o fato de que os realizadores não estão se importando muito com os espectadores e a qualidade da história. Quando Tank é apresentado para os bonecos vivos, ele não parece admirado com algo tão incomum. E o desfecho abrupto gera um inevitável desconforto, onde não esperávamos o corte brusco para os créditos finais. “A Maldição dos Brinquedos” foi filmado às pressas em apenas 8 dias e com a grande maioria das cenas dos fantoches sobrenaturais aproveitadas dos filmes anteriores, fazendo desse sexto capítulo da franquia apenas mais um produto comum e de fácil esquecimento.
Curiosamente, entre os bonecos assassinos que aparecem nesse capítulo da franquia, temos “Blade” (dublado no Brasil como “Lâmina”, que tem uma faca e um gancho no lugar das mãos) e “Six-Shooter” (“Seis Tiros”, um pistoleiro do velho oeste habilidoso com os revólveres). Além de “Pinhead” (“Cabeça de Alfinete”, que tem uma cabeça muito pequena e desproporcional ao tamanho do corpo, com sua força concentrada nas mãos enormes), “Tunneler” (“Tonelada”, que tem uma broca na cabeça e gosta de furar suas vítimas em imensos banhos de sangue), “Jester” (um comediante fantasiado como “o bobo da corte”), e “Sugismunda” (“Leech Woman”, uma mulher que tem sanguessugas na boca).    
A imensa franquia começou em 1989 com “Bonecos da Morte” (Puppetmaster) e teve mais dez filmes. Alguns foram lançados no Brasil e os títulos nacionais ruins contribuíram para uma enorme confusão e dificuldade num trabalho de catalogação. São eles: “O Mestre dos Brinquedos” (Puppet Master II, 1990), “A Volta do Mestre dos Brinquedos” (Puppet Master III: Toulon´s Revenge, 1991), “Bonecos em Guerra” (Puppet Master 4, 1993) e “Bonecos em Guerra – O Capítulo Final” (Puppet Master 5, 1994). Depois de 4 anos veio o filme analisado rapidamente nesse texto, seguido de “Retro Puppet Master” (1999), “Puppet Master: The Legacy” (2003), “Puppet Master: Axis of Evil” (2010), “Puppet Master X: Axis Rising” (2012), e “Puppet Master: Axis Termination” (2017).  
 (RR – 08/06/17)

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* A Noiva Assassina (1993)
Existe uma infinidade de filmes com histórias tão banais e comuns que assisti-los é um desgastante exercício de paciência. “A Noiva Assassina” (Praying Mantis, 1993) é uma produção para a televisão apenas recomendada para aqueles que estão dispostos a ver filmes ruins de suspense como simples curiosidade ou para conhecer tudo dentro do gênero, mesmo as porcarias que não divertem.
Com direção de James Keach, é um thriller básico, com história clichê e entediante, que foi lançado no Brasil em vídeo VHS pela “CIC” e lembra os tipos de filmes ruins exibidos na sessão “Supercine” da TV Globo. Uma suposta escritora, Linda Crandell (Jane Seymour), conhece um homem viúvo, Don McAndrews (Barry Bostwick), dono de uma rede de livrarias, e pai do adolescente Bobby (Chad Allen). Eles se apaixonam e decidem inicialmente morar juntos, e depois se casar, para o descontentamento da cunhada Betty (Frances Fisher), que desconfia do caráter da nova mulher.
Paralelamente, uma dupla de detetives do FBI, Johnson (Colby Chester) e Broderick (Michael MacRae), estão investigando uma série de assassinatos de homens logo após seus casamentos, e suspeitam que a autora dos crimes é sempre a mesma mulher, conhecida como “A Noiva Assassina” (do título nacional). Ou “Praying Mantis” (do título original), cuja tradução do inglês é o inseto “louva-a-deus”, que tem o hábito incomum das fêmeas matarem e devorarem os machos logo após o acasalamento. Enquanto os agentes da polícia tentam encontrar o rastro da assassina, a família de Don recebe sua nova namorada não imaginando o perigo e a ameaça mortal que se instalaria em sua casa.
O filme, carregado de clichês e situações previsíveis, não apresenta nada que já não se tenha visto antes em filmes de suspense com mulheres assassinas que demonstram perturbação, agressividade, ciúme exagerado e poder de manipulação, com um passado trágico na infância que influenciaria em sua personalidade doentia. Enganando todos a sua volta com falsas impressões de educação e bom caráter, e eliminando as pessoas inocentes que tiveram o infortúnio de cruzarem seu caminho, atrapalhando seus planos de vingança pessoal contra os homens. Dispensável.
Curiosamente, os atores Jane Seymour, Barry Bostwick e Frances Fisher são agora veteranos com extensas filmografias e carreiras bem sucedidas no cinema.
(RR – 04/06/17)

Comentários de Cinema - Parte 31


Filmes abordados:

Demônio, O Rei das Trevas (Prime Evil, EUA, 1988)
Espíritos do Demônio (Evil Spirits, EUA, 1990)
Hora do Terror, A (Witchcraft 7: Judgement Hour, EUA, 1995)
Maldição da Casa do Diabo, A (The Fall of the House of Usher, EUA, 1979)
Maldição de El Diablo, A (The Evil Below, EUA, 1989)
Maldição dos Espíritos, A (Spirits, EUA, 1990)
Marca do Vampiro, A (Pale Blood, EUA / Hong Kong, 1990)
Morada do Terror, A (Grandmother´s House, EUA, 1988)
Morte Veste Vermelho, A (I´m Dangerous Tonight, EUA, 1990)

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* Demônio, O Rei das Trevas (1988)
Tranqueira americana que recebeu o manjado e totalmente sem criatividade título nacional “Demônio, O Rei das Trevas” (Prime Evil, 1988), esse filme obscuro dirigido por Roberta Findlay foi lançado no Brasil em VHS pela “Alvorada”, numa época que nossas locadoras de vídeo eram infestadas de inúmeras bagaceiras descartáveis realizadas por desconhecidos e com elencos inexpressivos.
Durante a peste negra que arrasou a humanidade no século XIV, uma ordem medieval de monges renegados da Igreja Católica, uma vez revoltados contra Deus, criou uma seita satânica que realizava rituais de sacrifícios humanos de parentes de sangue em troca de longevidade e bens materiais. O culto demoníaco se manteve por séculos e as ações se voltam para o tempo presente (final da década de 80, época de produção do filme) na cidade de Nova York, liderado pelo sinistro padre Thomas Seaton (William Beckwith).
Um dos membros da seita é George Parkman (Max Jacobs), que precisa manter seu pacto com o diabo de longevidade e riquezas, além de interesses pessoais no controle do poder no culto. Ele planeja oferecer em sacrifício sua neta Alexandra (Christine Moore), que trabalha num abrigo para jovens delinquentes. Porém, mortes violentas de pessoas próximas dela despertam a atenção da polícia, sob a investigação do detetive Dann Carr (Gary Warner), e também de seu noivo Bill King (Tim Gail), que tenta protegê-la da conspiração demoníaca. Em paralelo, uma jovem freira, Irmã Angela (Mavis Harris), se oferece para ajudar a igreja se infiltrando na seita para tentar destruí-la.
O filme é uma tranqueira produzida diretamente para o limbo dos esquecidos. O roteiro é ruim, com uma história óbvia de seita satânica e sacrifícios humanos, apostando unicamente em velhos clichês do gênero. Como todo filme de horror bagaceiro, temos elementos que merecem citação como a presença de belas mulheres nuas oferecidas ao “rei das trevas” (do patético título nacional), algumas mortes com discretas doses de sangue (numa época sem os efeitos vagabundos de computação gráfica dos tempos modernos), e ainda a aparição rápida do próprio demônio em efeitos extremamente toscos, e por isso garantindo algum divertimento rápido. Tem também aquela atmosfera característica dos saudosos anos 80 que inevitavelmente torna o filme datado. De resto, o excesso de clichês, os atores medíocres e a história desinteressante fazem de “Demônio, O Rei das Trevas” apenas mais um filme descartável, que curiosamente foi lançado por aqui na saudosa época do mercado de home vídeo.
(RR – 19/02/17)

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* Espíritos do Demônio (1990)
Lançado no Brasil em VHS pela “NCA”, “Espíritos do Demônio” (Evil Spirits, 1990) é um típico filme do saudoso período entre as décadas de 80 e 90 do século passado, uma época infestada de produções situadas no sub-gênero “slasher”, com mortes violentas creditadas às ações de um assassino misterioso.
Com direção de Gary Graver, é apenas mais um filme mediano perdido numa imensidão de similares e esquecido no limbo, mas que tem uma vantagem significativa através de uma homenagem ao gênero na escolha de um elenco repleto de nomes nostálgicos como Karen Black, Michael Berryman, Virginia Mayo, Martine Beswick, Robert Quarry e Yvette Vickers, entre outros, que foram rostos conhecidos em diversas pérolas do cinema fantástico bagaceiro.
A misteriosa Sra. Ella Purdy (Karen Black, de “A Mansão Macabra”, 1976), é proprietária de uma pensão onde vivem beneficiários da Previdência Social, cujos cheques pagos pelo governo americano são depositados mensalmente em sua conta bancária. Entre os pensionistas estranhos, temos o escritor Sr. Balzac (Michael Berryman, de “Quadrilha de Sádicos”, 1977), um homem bizarro que gosta de observar os quartos vizinhos por orifícios secretos nas paredes; a sensitiva Vanya (Martine Beswick, de “Mulheres Pré-Históricas”, 1967), que gosta de realizar sessões espíritas; e o bêbado inveterado Willie (Mikel Angel, que também é o roteirista do filme), que é o responsável por algumas situações cômicas por causa do excesso de consumo de álcool. Temos ainda a bela jovem Tina (Debra Lamb), que é muda e fica dançando o tempo todo mostrando seu corpo escultural, e o casal de idosos recém chegados, John e Janet Wilson (Bert Remsen e Virginia Mayo, respectivamente), que logo se sentem desconfortáveis na nova moradia.
Os problemas se iniciam na ocorrência de assassinatos sangrentos na pensão, com os cadáveres sendo enterrados no quintal, exalando um odor pútrido que desperta a atenção de uma vizinha interpretada pela veterana Yvette Vickers (de bagaceiras divertidas dos anos 50 como “A Mulher de 15 Metros” e “O Ataque das Sanguessugas Gigantes”). O desaparecimento dos pensionistas também intriga o fiscal da previdência social Lester Potts (Arte Johnson), que decide fazer uma investigação particular.
“Espíritos do Demônio” é somente outro filme comum com mortes misteriosas e razoáveis doses de sangue com olhos perfurados, gargantas dilaceradas e golpes de machado na cabeça. A história não tem novidades e pelo contrário, está repleta de clichês e previsibilidade, características que inevitavelmente condenam o filme ao esquecimento. Porém, existe um diferencial que é o elenco de veteranos, pois além dos já citados na sinopse, ainda conta com nomes como Robert Quarry, que esteve em vários filmes preciosos como “Conde Yorga, Vampiro” (1970), “A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes” (1972) e “A Casa do Terror” (1974). E Anthony Eisley, que fez apenas uma ponta como um detetive da polícia, e esteve nas divertidas tranqueiras “A Mulher Vespa” (1959), “Os Monstros da Noite” (1966), “Jornada ao Centro do Tempo” (1967) e “Dracula vs. Frankenstein” (1971).        
(RR – 18/02/17)
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* A Hora do Terror (1995)
Na época do mercado de vídeo VHS no Brasil foram lançadas muitas porcarias em nossas locadoras. Uma delas foi o sétimo filme de uma extensa série de tranqueiras cujo nome nos Estados Unidos é “Witchcraft”. Com o subtítulo original de “Judgement Hour”, aqui recebeu o título de “A Hora do Terror” (1995), um fato que apenas reforça a incrível a falta de criatividade dos responsáveis pela escolha dos nomes para distribuição no Brasil, contribuindo para confundir e dificultar um trabalho de catalogação ou a pesquisa dos colecionadores de filmes de horror. Cuidado para não se enganar com outro filme lançado por aqui com o mesmo nome, “The Midnight Hour” (1985).
Dirigido por Michael Paul Girard, que também fez a parte 9 da série (1997), temos uma história básica sobre vampirismo, totalmente inexpressiva, com clichês cansativos, previsibilidade, piadas idiotas, efeitos toscos e muitas cenas com mulheres peladas, que é a principal característica da imensa série. Poderíamos até interpretar que “Witchcraft” é uma série de filmes eróticos com elementos de horror.
Um obscuro empresário romeno tem a intenção de tomar o controle dos bancos de sangue nos Estados Unidos, enquanto belas mulheres são assassinadas apresentando estranhas marcas no pescoço. As misteriosas mortes despertam a atenção de um advogado, Will Spanner (David Byrnes) e de uma dupla de policiais de Los Angeles, os detetives Lutz (Alisa Christensen) e Garner (John Cragen), que partem para uma investigação, descobrindo as atividades de um antigo vampiro.
Nada se salva nesse filme, que é o exemplo típico de tranqueira descartável que não diverte e somente consegue depreciar ainda mais o gênero. O cinema de horror é tão maltratado com filmes ruins e a série “Witchcraft” contribui significativamente para denegrir essa imagem. O mais importante para uma chance mínima de sucesso num filme é a existência de um bom roteiro. Em “A Hora do Terror”, a história é péssima e os atores são inexpressivos. É apenas um filme com belas mulheres sem roupas. E talvez, citaríamos o vampiro transformado numa criatura tosca no ato final, devido exclusivamente aos efeitos extremamente bagaceiros.
Curiosamente, a série “Witchcraft” tem treze filmes produzidos pela “Vista Street Entertainment” e foi anunciado o lançamento de mais outros três. Alguns deles foram distribuídos pela “Troma”. O personagem Will Spanner aparece em quase todos eles, interpretado por vários atores diferentes. A parte 5 foi lançada em DVD no Brasil com o título “Dançando Com o Mal” (Witchcraft V: Dance With the Devil, 1993), que saiu em 2004 num DVD lançado em bancas de jornais e revistas num mesmo disco, junto com outro filme, “A Lenda da Múmia” (The Legend of the Mummy, 1997).
(RR – 26/02/17)
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* A Maldição da Casa do Diabo (1979)
O cultuado escritor americano Edgar Allan Poe (1809 / 1849) teve uma grande quantidade de seus contos transformados em filmes. “A Queda da Casa de Usher” é uma das histórias mais filmadas, com diversas versões. Entre as principais temos a produção francesa muda em preto e branco “La chute de la maison Usher”, dirigida por Jean Epstein em 1928, e a preciosidade “A Casa de Usher”, também conhecido por aqui como “O Solar Maldito” (1960), dirigido por Roger Corman e com o lendário Vincent Price. Porém, temos também outra versão, produzida especialmente para a televisão em 1979, fazendo parte do programa “Classics Illustrated”, sobre grandes obras literárias adaptadas para filmes, que recebeu o sonoro nome no Brasil de “A Maldição da Casa do Diabo” (The Fall of the House of Usher) quando lançado em vídeo VHS pela “Alvorada”.
Com direção de James L. Conway, essa versão televisiva apresentava o grande ator Martin Landau, dono de um currículo imenso com quase 180 filmes, no papel de Roderick Usher, um dos últimos remanescentes de uma antiga família proprietária de uma mansão gótica amaldiçoada, localizada numa região inóspita e evitada por todos chamada “Ravenshead Lake”, com um lago de águas podres, sem vida, cercado por uma floresta morta envolta em névoa espessa, transmitindo medo e insegurança constantes.
Com história ambientada em 1839, Roderick Usher é um homem portador de uma doença misteriosa hereditária e incurável que o torna extremamente sensível nos cinco sentidos, enfrentando dolorosas torturas por causa de ruídos e claridades, vivendo a maior parte do tempo enclausurado em seu quarto. Ele vive com sua irmã Madeleine (Dimitra Arliss), também terrivelmente doente e sofrendo de insanidade. A mansão centenária esconde segredos obscuros do passado da família Usher, envolvendo práticas de magia negra, bruxaria, idolatria satânica, rituais demoníacos, torturas e sacrifícios humanos, e suas imensas estruturas de pedra e madeira estão decadentes, mal conservadas, cheias de enormes rachaduras e em constante movimentação, ameaçando cair o tempo todo (daí o título do filme). Além deles, também é morador o mordomo Thaddeus (Ray Walston), que faz de tudo no mausoléu macabro, desde cozinhar até inspecionar as diversas salas e quartos imensos, com direito a passagens e túneis secretos para todos os lados. Seus antepassados sempre serviram a obscura família Usher, e ele sente-se preso ao sinistro lugar.
Para tentar ajudá-lo a impedir a queda da casa, Roderick chama seu único amigo de infância e que se formou em arquitetura e engenharia, Jonathan Cresswell (Robert Hays), que decide visitá-lo juntamente com sua recém esposa Jennifer (Charlene Tilton). Porém, após a chegada do casal as coisas sem complicam, a saúde dos irmãos amaldiçoados piora, a loucura se instaura no ambiente, passando uma atmosfera de horror, e mesmo com as tentativas de reforçar as estruturas da casa, suas paredes tremem assustadoramente, ameaçando a vida de todos.
Só pela história inspirada na obra de Edgar Allan Poe (mesmo já filmada várias vezes) e pela presença do ator Martin Landau, já vale a conferida desse filme que é especialmente indicado para os fãs do cinema de horror gótico, com o clima característico das produções inglesas da “Hammer”. Essa versão de “A Queda da Casa de Usher”, com esse título nacional oportunista envolvendo as palavras “maldição” e “diabo” no nome, não é tão famosa e cultuada quanto principalmente a versão da dupla dinâmica formada pelo cineasta Roger Corman e o ator Vincent Price. Porém, a diversão está garantida com todos os elementos típicos do horror gótico, e pela interessante história de loucura e maldição familiar. Com carruagens, floresta fantasmagórica, aldeões supersticiosos, mansão assombrada, ambientes escuros iluminados por velas, vultos ameaçadores ocultos nas sombras, gemidos agonizantes, mortos que levantam do caixão, instrumentos medievais de tortura usados para matar, e atmosfera sufocante do poder das trevas. 
“Todo ato abominável de degradação e horror, aconteceu aqui neste vil abismo do pecado” – Roderick Usher, sobre uma sala secreta para a prática de magia negra.       
 (RR – 27/02/17)
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* A Maldição de El Diablo (1989)
Algumas coisas são melhores deixadas sozinhas
A frase acima é uma tradução literal de uma tagline promocional do filme “A Maldição de El Diablo” (The Evil Below, 1989), e podemos alterar para algo como “Alguns filmes são tão descartáveis que não valem a pena assistir”. Lançado em vídeo VHS em nosso mercado pela “Top Tape”, o filme foi dirigido por Jean-Claude Dubois, em seu único trabalho.
Max Cash (Wayne Crawford) tem um barco e leva turistas para pescar em alto mar, auxiliado pela jovem assistente Tracy (Sheri Able). Endividado, ele aceita o convite de uma bela mulher, a professora de Arte Sarah Livingstone (June Chadwick), para alugar seu barco por uma semana na tentativa de localizar um suposto tesouro perdido num navio espanhol que naufragou em 1683. O navio carregava artefatos religiosos roubados por um grupo de padres hereges renegados do catolicismo, inspirados por Lucifer. Por causa disso, o navio afundado, conhecido por “El Diablo” (do título nacional), tinha fama de amaldiçoado e seu paradeiro no fundo do mar era desconhecido e protegido por um misterioso guardião sobrenatural, Adrian Barlow (Ted Le Platt). 
A ideia central do roteiro nem é tão ruim, com potencial para uma boa história. Porém, não é o que acontece com “A Maldição de El Diablo”, cujo título original numa tradução literal seria algo como “O Mal Abaixo”. O filme é arrastado e quase sem elementos de horror, perdendo a oportunidade de explorar melhor a lenda de um navio satânico maldito e as conseqüências para todos que se atreviam a tentar roubar seus tesouros. Tem poucas mortes e sangue, quase sempre fora da tela, e a parte “mistério sobrenatural” não consegue empolgar, num inevitável convite ao sono.
Curiosamente, no mesmo período foram lançados vários filmes com temática sub-aquática como por exemplo “Abismo do Terror” (Deep Star Six), de Sean S. Cunningham, e “Leviathan”, de George P. Cosmatos, que pelo menos divertem muito mais que a bagaceira analisada nesse breve texto.   
“Convém não mexer em certas coisas, senão você morre misteriosamente” – tagline promocional da fita VHS lançada no Brasil. Acho que ficaria melhor assim: “Convém não ver esse filme, senão você pode dormir de tédio.”
(RR –01/04/17)
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* A Maldição dos Espíritos (1990)
A frase acima é uma junção de duas taglines originais promocionais do filme “A Maldição dos Espíritos” (Spirits, 1990), lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Carat Home Video”. A direção é do veterano Fred Olen Ray, dono de um currículo imenso repleto de bagaceiras, e o elenco é liderado por Erik Estrada, da cultuada série de TV “CHiPs” (1977 / 1983), e por Robert Quarry, conhecido por vários filmes preciosos de horror como “Conde Yorga, Vampiro” (1970), “A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes” (1972) e “A Casa do Terror” (1974).   
A história é manjada e já vista várias vezes em outros filmes. Um grupo de estudiosos de fenômenos paranormais vai investigar uma casa assombrada que tem um passado sinistro de mortes violentas. A equipe de investigação é formada pelo cientista Dr. Richard Wicks (Robert Quarry), a psicóloga descrente Beth Armstead (Kathrin Middleton), a médium sensitiva Amy Goldwin (Brinke Stevens, veterana atriz com carreira de mais de 150 créditos de tranqueiras diversas), e pelo membro da “Sociedade de Preservação Histórica” Harry Matthias (Oliver Darrow). O objetivo do grupo é obter provas da existência de espíritos (daí o título original), de vida após a morte, baseando-se em relatos sobre atividades psíquicas misteriosas no local e que resultaram em assassinatos.
A casa existe desde 1901 e seu morador original foi um expatriado francês místico e ocultista, que realizava rituais satânicos com sacrifícios de jovens virgens. Enquanto eles enfrentam a ira dos espíritos malignos que assombram a casa, um padre católico, Anthony Vicci (Erik Estrada), está atormentado pela perda da fé e por ter cometido pecados com uma bela mulher que viveu na casa maldita, sendo constantemente perturbado com visitas de demônios femininos, obrigando-o a se juntar ao grupo de investigadores para tentar combater o mal que habita a casa.
Primeiramente, não dá para deixar de citar a escolha do nome nacional do filme, apelando para o manjado “Maldição” no título, somando-se às dezenas de outros filmes que também tem essa palavra clichê em seus nomes, numa falta de criatividade imensa dos responsáveis por essa tarefa, os preguiçosos distribuidores dos filmes de horror que chegam ao Brasil.
“A Maldição dos Espíritos” é certamente um filme datado, nos remetendo imediatamente para os anos 80 e início de 90. Uma época sem a artificialidade da moderna computação gráfica, tanto que os efeitos das pessoas possuídas pelos espíritos malignos e demônios são tão toscos que divertem pela precariedade, com os atores maquiados e transformados em monstros. O filme tem um diretor de cinema bagaceiro, um nome associado ao gênero, e tem um elenco de atores cultuados pelos apreciadores de filmes de orçamentos menores. Apesar de que parece bem apelativa a exploração do nome de Erik Estrada, inclusive com um dos cartazes do filme estampando seu rosto, sendo que na verdade ele nem aparece tanto em cena, com o foco de boa parte das atenções para o grupo de estudiosos da casa assombrada.
O roteiro é um grande clichê, já explorado à exaustão pelo cinema de horror, onde podemos citar apenas por curiosidade os clássicos “Desafio ao Além” (The Haunting, 1963) e “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of Hell House, 1973), com histórias muito similares, também apresentando um grupo de pesquisadores que investiga as atividades sobrenaturais de uma casa com fama de maligna.
Depois dessa breve análise, o que podemos dizer é que o filme é indicado para quem aprecia bagaceiras oitentistas e se diverte com efeitos toscos, histórias rasas, clichês comuns e atores com imagens associadas às produções de orçamentos reduzidos.
(RR –26/03/17)
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* A Marca do Vampiro (1990)
Lançado em VHS no Brasil pela “Sato Comunicações”, “A Marca do Vampiro” (Pale Blood, 1990) é um obscuro filme de vampirismo totalmente datado, nos remetendo ao período de transição entre as décadas de 80 e 90 do século passado, uma época sem as facilidades do celular, da internet e dos efeitos artificiais de computação gráfica. Tudo é datado, desde a atmosfera, figurinos e trilha sonora, com várias músicas da banda americana de punk rock “Agent Orange”.
Numa co-produção entre EUA e Hong Kong e com direção de V. V. Dachin Hsu e Michael W. Leighton, a história é sobre a chegada aos Estados Unidos de um misterioso homem vindo da Europa, Michael Fury (George Chakiris), atraído pela ocorrência de estranhos assassinatos em série de mulheres, que apresentavam sinais de mordidas no corpo e com o sangue drenado, como se fossem atacadas por um vampiro. Ele solicita ajuda para investigar os casos, contratando uma bela jovem, Lory (Pamela Ludwig), representando uma agência de detetives. Ela é aficionada pelo tema do vampirismo, consumindo filmes e livros sobre o assunto. Em paralelo, um videomaker esquisito, Van Vandameer (Wings Hauser), contrata duas dançarinas de boate, Jenny (Diana Frank) e Cherry (Darcy DeMoss) para participarem de um filme erótico, e misteriosamente ele sempre aparecia nas cenas dos crimes para captar imagens. Com os principais personagens apresentados, a ideia é descobrir a autoria das mortes sangrentas e a possível relação com as ações de um vampiro.
Primeiramente, vale registrar uma crítica na escolha do nome nacional, que poderia ser uma tradução literal do original, algo como “Sangue Pálido”, uma vez que já existia um filme chamado “A Marca do Vampiro” (Mark of the Vampire), de 1935 e com o ícone Bela Lugosi, confundindo os colecionadores e apreciadores do cinema fantástico, e dificultando ainda mais um trabalho de catalogação.
Esse “A Marca do Vampiro” de 1990 não apresenta nada que já não tenha sido visto à exaustão em filmes de vampirismo, e sua existência praticamente significa apenas mais um produto dentro do tema e que foi criado para permanecer no limbo do esquecimento. A presença do ator canastrão Wings Hauser, um rosto conhecido em uma infinidade de produções bagaceiras, pode até ser um convite para conhecer o filme, mas a narrativa arrastada e os clichês por outro lado tendem a afastar o espectador.
Curiosamente, no quarto da jovem investigadora Lori, consumidora de produtos relacionados ao vampirismo, podemos notar a exibição do clássico “Nosferatu” (1922) na televisão, além de posters de cinema nas paredes, com destaque para uma foto do ator Bela Lugosi caracterizado como “Drácula” e o cartaz francês do filme “O Beijo do Vampiro” (Kiss of the Vampire, 1963) da lendária produtora inglesa “Hammer”. 
(RR –03/04/17)
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* A Morada do Terror (1988)
Com direção de Peter Rader, “A Morada do Terror” (outro título nacional oportunista e sem relação com o original) é de 1988 e foi lançado por aqui em VHS pela “Transvídeo”. A produção é do grego Nico Mastorakis, que também é conhecido pela direção de outras bagaceiras dos anos 1970 e 80 como “A Ilha da Morte” (1976),  “A Próxima Dimensão” (1984) e “The Zero Boys” (1986).
Depois da morte do pai dos irmãos adolescentes David (Eric Foster) e Lynn (a bela Kim Valentine), eles vão morar com seus avós numa casa de campo (daí o nome original “A Casa da Vovó”). São bem recebidos pelo avô (Len Lesser) e a avó (Linda Lee), mas depois que o garoto David testemunha um movimento suspeito deles com uma misteriosa e estranha mulher (a “scream queen” Brinke Stevens), ele passa a se sentir inseguro e desconfia que seus parentes mais velhos possam estar envolvidos em assassinatos.
Qualquer informação adicional pode ser considerada “spoiler” e comprometer a diversão do espectador, pois o filme é cheio de reviravoltas e revelações importantes ao longo da história. Temos um clima constante de suspense que consegue manter a atenção, apesar de que algumas situações inverossímeis ocasionalmente atrapalham o resultado final. Alguns personagens desaparecem por um tempo e reaparecem depois, numa manobra propícia para facilitar o trabalho do roteirista, porém prejudicando a coerência da história.
O filme tem pouco sangue, as mortes são discretas e as cenas de golpes com faca e machado não evidenciam o líquido vermelho, com as lâminas limpas mesmo após penetrarem repetidas vezes nos corpos das vítimas, numa falha grosseira que minimiza o grau de violência. Mas, ainda assim, “A Morada do Terror” consegue despertar o interesse com as reviravoltas na descoberta da verdade. A dupla de atores adolescentes cumpre bem o papel, principalmente o garoto Eric Foster, assumindo uma posição importante na história tentando entender a postura sinistra de seus avós e a real identidade da mulher misteriosa que surge para aterrorizar a casa. E o veterano ator Len Lesser (1922 / 2011) também se destaca no papel do avô com segredos obscuros do passado, numa interpretação assustadora e convincente.       
(RR –09/04/17)
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* A Morte Veste Vermelho (1990)
 “A Morte Veste Vermelho” é um filme que tem direção de Tobe Hooper, um cineasta com nome reconhecido no gênero principalmente pelo eterno clássico “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). O elenco é formado, entre outros, por Anthony Perkins, o psicopata Norman Bates de “Psicose”, e Dee Wallace-Stone, atriz veterana e um rosto conhecido por preciosidades dos anos 80 como “Grito de Horror”, “E.T. – O Extraterrestre”, “Cujo” e “Criaturas”. Lançado em nosso mercado de vídeo VHS pela “CIC”, o filme realmente desperta a atenção por essas credenciais e só por esses nomes no projeto já valeria uma conferida. Mas, fora isso, não deixa de ser apenas mais um filme mediano de horror, produzido diretamente para a televisão, que diverte ligeiramente sem muita exigência.
Um caixão misterioso que era utilizado em rituais de sacrifícios humanos pelos antigos astecas é comprado ilegalmente por um museu. Em seu interior repousa a múmia de um sacerdote maligno, vestindo um manto cerimonial vermelho com poderes sobrenaturais. Após um incidente com morte, o manto vermelho vai parar dentro de um baú que foi comprado numa venda de garagem pela bela estudante Amy O´Neill (Madchen Amick), namorada do colega de escola Eddie (Corey Parker). Depois de transformado num belo vestido, aos poucos a jovem vai descobrindo que o estranho tecido vermelho exerce forte influência na personalidade das pessoas que o vestem, despertando agressividade e tendências assassinas em seus usuários.
Entre as vítimas gananciosas do manto estão Gloria (Daisy Hall), prima de Amy, e Wanda Thatcher (Dee Wallace-Stone), uma mulher envolvida com bebidas, drogas e prostituição e que se aproveita do vestido sobrenatural para se afundar ainda mais na criminalidade. Os assassinatos misteriosos despertam a atenção da polícia, sob a investigação do Capitão Ackman (R. Lee Ermey), que sempre está fumando, e também a curiosidade do sinistro Prof. Gordon Buchanan (Anthony Perkins), que está interessado no “Animismo” (a crença que objetos inanimados possuem uma essência espiritual), e consequentemente nos eventuais poderes do misterioso manto vermelho, com sua história sobre violência e mortes sangrentas.
“Quem combate monstros deve se cuidar para não virar monstro. Quando você olha um abismo, o abismo também olha para você.” – Friedrich Nietzsche (1844 / 1900)
Dessa vez parece que o título nacional escolhido é até melhor que o original. “A Morte Veste Vermelho” soa bem e tem relações coerentes com a história, funcionando bem melhor que “I´m Dangerous Tonight”, que numa tradução literal seria “Eu Estou Perigoso(a) Esta Noite”, um título mais comum e sem impacto. O filme tem o diferencial pela direção de Tobe Hooper e elenco com Dee Wallace-Stone e Anthony Perkins, mas isso não é suficiente para torná-lo especial. A história, baseada num conto de Cornell Woolrich, até tem seus interesses, mas o resultado final é mediano, principalmente pelas doses discretas de violência. O desfecho apresenta um gancho que até poderia ser explorado para uma sequência, mas a ideia foi descartada.
(RR –12/04/17)