Enigma do Pesadelo (Aenigma, Itália / Iugoslávia, 1988)

O já falecido diretor italiano Lucio Fulci é bem conhecido e cultuado entre os apreciadores do cinema de horror por seus incontáveis filmes carregados em violência e sangue em profusão como “Zombie – A Volta dos Mortos” (79) e “Terror nas Trevas / A Casa do Além” (80), entre outros. Mas, ele também cometeu os seus deslizes e dirigiu filmes bem tranqueiras, com histórias descartáveis e indo contra uma de suas principais características que é a presença de cenas sangrentas. Um desses exemplos de filme convencional e totalmente dispensável na carreira de Fulci é “Enigma do Pesadelo” (Aenigma, 88), uma co-produção entre Itália e a antiga Iugoslávia (vários atores e membros da equipe de produção são desse país europeu), que já havia sido lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Universo” na década de 80, e que está fora de catálogo há muitos anos sendo agora um produto raro de colecionador.

Kathy (Milijana Zirojevic) é filha de uma faxineira com problemas mentais, Mary (Ljiljana Blagojevic), que trabalha na “Saint Mary’s College”, uma escola interna para moças localizada em Boston, Estados Unidos, sob a supervisão da governanta Sra. Jones (Dusica Zegarac). A moça é sempre vítima de gozações e brincadeiras pelo resto da turma, e numa dessas brincadeiras ela sofre um atropelamento de carro ao fugir desorientada após descobrir que os colegas estavam observando-a e gravando suas declarações de amor para o cobiçado professor de ginástica Fred Vernon (Riccardo Acerbi).
Sofrendo ferimentos graves, ela fica hospitalizada em estado de coma profundo, ficando aos cuidados do médico Dr. Robert Anderson (Jared Martin) e a enfermeira Betty (Dragan Bjelogrlic). Porém, mesmo desacordada e mantida viva através de aparelhos, Kathy consegue desenvolver poderes mentais capazes de incorporá-la de forma lenta e gradual no corpo de uma nova estudante que acabava de chegar à escola, a bela Srta. Eva Gordon (Lara Naszinsky). E através dela, a atormentada Kathy consegue se vingar violentamente das colegas que zombavam de sua timidez, entre elas Jennifer Clark (Ulli Reinthaler), a companheira de quarto de Eva, e as jovens Kim (Sophie d’Aulan), Virginia Williams (Kathi Wise) e Grace O’Neil (Jennifer Naud), as quais sentirão na pele sua fúria vingativa.

“Enigma do Pesadelo” apresenta tipicamente uma história de vingança largamente explorada no cinema, no estilo de “Carrie, A Estranha” (Carrie, 76), filme dirigido por Brian De Palma e que foi baseado num livro homônimo de Stephen King. Ou seja, uma garota constantemente ridicularizada pelos colegas que após sofrer um acidente por causa de uma brincadeira de mau gosto, encontra um meio sobrenatural para se vingar de todos que a maltrataram, descarregando sua ira através de assassinatos violentos.
Esse filme de Lucio Fulci tem uma fotografia muito escura, uma trilha sonora sem graça, uma história simples sem idéias interessantes, explorando um tema desgastado, com personagens que merecem morrer de forma dolorosa, e um elenco desconhecido (exceto por Jared Martin, um rosto mais conhecido e visto na série de TV dos anos 70 “Viagem Fantástica”), com interpretações sofríveis. E o pior, com cenas de mortes apenas razoáveis, sem a conhecida ousadia do diretor em chocar o público com atrocidades e muito sangue. Temos uma ou outra cena mais violenta, como os lábios do médico Dr. Anderson sendo arrancados a dentadas pela namorada Eva Gordon (numa sequência de pesadelo), ou a decapitação de um dos namorados das estudantes, através de uma janela que fechou bruscamente sobre sua cabeça. Até uma cena de morte envolvendo um ataque de caramujos nojentos pareceu bem inofensiva e decepcionante. Ou seja, nada que impressione ou lembre momentos mais perturbadores de outros filmes do diretor.
Aliás, “Enigma do Pesadelo” ganha apenas uma nota 4, e somente porque atrás das câmeras está o cineasta especialista em “gore” Lucio Fulci, dessa vez num trabalho bem menos inspirado, e essa nota é atribuída exclusivamente em respeito ao seu currículo sangrento dentro do cinema de horror, pois fora isso, praticamente não há nada mais para ser enaltecido no filme.
Curiosamente, nos quartos das estudantes poderiam ser encontrados posters de ícones populares na década de 80 como o Mestre Jedi “Yoda” (da saga de George Lucas “Star Wars”), ou o ator brucutu Sylvester Stallone como “Rocky, o Lutador”, ou ainda um jovem e iniciante Tom Cruise posando para uma foto promocional de “Top Gun – Ases Indomáveis” (86). E o próprio diretor Lucio Fulci aparece de forma não creditada numa ponta como um inspetor da polícia.

“Enigma do Pesadelo” (Aenigma, Itália / Iugoslávia, 1988) # 328 – data: 27/07/05 – avaliação: 4 (de 0 a 10)
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(postado em 07/04/06)

Apocalypse Now Redux (EUA, 1979 / 2001)

Em 21 de dezembro de 2001 retornou aos cinemas o excepcional drama de guerra “Apocalypse Now Redux” (1979/2001), dirigido pelo prestigiado cineasta Francis Ford Coppola. Já considerado um clássico absoluto do gênero, enfocando nesse caso os horrores da guerra do Vietnã, essa nova versão é a fita original do final dos anos 1970 acrescida de mais 45 minutos de filmagens não aproveitadas na época. “Apocalypse Now”, juntamente com os posteriores “Platoon” (1986), “Nascido Para Matar” (1987), ambos também sobre a Guerra do Vietnã, e “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), “Além da Linha Vermelha” (1998), “Pearl Harbor” (2001) e “Círculo de Fogo” (2001), estes últimos sobre a Segunda Guerra Mundial, completam uma safra de filmes de guerra produzidos nos últimos vinte anos e que estão entre os melhores de todos os tempos, fato este ajudado pela moderna tecnologia de efeitos especiais que propiciaram uma chocante realidade da violência e horror da guerra em seu estado absoluto. Essas produções são muito importantes como um alerta sobre a irracionalidade bestial da guerra e colocam em evidência a fragilidade, mediocridade e insanidade da humanidade como uma espécie supostamente “inteligente”.
“Apocalypse Now Redux” expõe de forma crua a loucura da guerra em seus longos 197 minutos de projeção, destacando algumas das seqüências mais memoráveis da história do gênero, como o ataque de um grupo de helicópteros a uma aldeia vietnamita na costa de uma praia, comandada por um militar já “louco” pelas atrocidades do campo de batalha (interpretado por Robert Duvall) que utiliza-se de música clássica em enormes megafones presos aos helicópteros como guerra psicológica enquanto bombardeia o inimigo; ou quando o mesmo comandante, um apreciador de surfe, obriga dois de seus soldados a surfarem nas ondas da praia no meio do tiroteio e ataques com armamentos pesados; ou ainda quando ele ordena o lançamento de bombas napalm sobre as árvores da costa queimando tudo e ainda comenta que aprecia o cheiro de napalm pela manhã, parecendo um cheiro de “vitória” (nada mais insano que esta afirmação, pois o cheiro é de morte e derrota, destruindo a natureza e o ambiente em que vivemos).

(Atenção: o texto a seguir contém spoilers)

O filme conta a trajetória de um capitão do exército americano, Willard (Martin Sheen) que é convocado para uma missão especial durante a guerra do Vietnã: chegar até o Camboja por barco navegando num perigoso rio cercado de inimigos com o objetivo de encontrar e assassinar um ex-coronel, Kurtz (Marlon Brando), que havia supostamente enlouquecido e se tornado uma espécie de “deus” para uma legião de nativos pagãos, utilizando-se de métodos incomuns e violentos para manter o poder, ameaçando os interesses políticos dos Estados Unidos na guerra.
O elenco é bastante expressivo, formado por Brando, Sheen, Duvall, Dennis Hopper, Harrison Ford (numa ponta como um militar de alta patente) e Laurence Fishburne (ainda bem jovem e que viria a se destacar somente mais tarde em filmes como “Enigma do Horizonte” e a trilogia “Matrix”). Algumas cenas são grande exemplo do estado de tensão ininterrupto num ambiente de guerra como por exemplo quando o capitão Willard e um de seus soldados saem do barco para a selva à procura de mangas, frutas características das selvas tropicais do Vietnã, e são surpreendidos e quase mortos por um tigre selvagem, obrigando-os a lembrarem que devem se proteger não somente das balas do inimigo como também dos perigos naturais da floresta.
Como curiosidade, podemos notar a inscrição “Apocalypse Now” rapidamente numa parede de pedra na aldeia comandada pelo coronel Kurtz.
O final é um dos mais significativos do gênero, onde o capitão Willard completa sua missão assassinando de forma extremamente brutal o coronel Kurtz, enquanto um violento e sangrento ritual de sacrifício de um boi é realizado ao mesmo tempo pelos nativos, demonstrando de forma definitiva a insanidade e os horrores da guerra. Nada é mais marcante do que as palavras finais do coronel Kurtz agonizando em seu leito de morte: “The Horror... The Horror”.

“Apocalypse Now Redux” (Estados Unidos, 1979 / 2001) – avaliação: 10 (de 0 a 10)
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(postado em 06/04/06)

A Mão (The Hand, EUA, 1981)

A década de 1980 certamente foi muito significativa para o cinema de horror. Basta citar filmes como “The Evil Dead” e “Hellraiser” para termos uma idéia da produção desse período. Porém, outros filmes menores, menos badalados e mais desconhecidos, mas igualmente super divertidos, também são bons exemplos do que foi feito nessa época. “A Mão” (The Hand, 81) foi escrito e dirigido por Oliver Stone, bem antes de seu nome ser consagrado em filmes como o genial drama da Guerra do Vietnã “Platoon” (86), ou “Nascido em 4 de Julho” (89), ou “Assassinos Por Natureza” (94), ou ainda também muito tempo antes de tropeços monumentais como o épico “Alexandre” (2004), uma mega produção que foi um fracasso comercial tão grande quanto seu orçamento milionário. Mas poucos sabem que um dos primeiros filmes de sua carreira é do gênero horror.

Na história, um famoso cartunista, Jonathan Lansdale (o inglês Michael Caine), está enfrentando uma crise conjugal com sua bela esposa Anne (Andrea Marcovicci). Para complicar ainda mais, ele perde a mão direita num acidente de carro, um fato que o prejudica profissionalmente impedindo de continuar a desenhar uma história em quadrinhos de sucesso. Despedido pela editora Karen Wagner (Rosemary Murphy), ele é convidado a lecionar numa faculdade em outra cidade. Porém, fatos misteriosos começam a acontecer com pessoas que estão próximas ao desenhista e que por algum motivo despertaram sua ira, como a jovem estudante Stella Roche (Annie McEnroe) ou o companheiro de bar Brian Ferguson (Bruce McGill), em eventos repletos de situações bizarras envolvendo a mão decepada de Lansdale que se movimenta sozinha com vida própria, e a questão de sua sanidade.

Alguns destaques ficam por conta da forte cena do acidente de carro em que o desenhista tem sua mão brutalmente decepada; pelas cenas de assassinatos envolvendo um criminoso no mínimo estranho e fora do comum, ou seja, uma mão em início de decomposição da carne, movimentando-se como uma criatura bizarra em busca de vingança; e pelo desfecho sinistro encerrando a história de uma forma que permite uma incrível dupla interpretação pelo espectador.
O tema da mão que ganha vida própria já foi bastante explorado pelo cinema fantástico, e dentre os inúmeros filmes que abordaram o assunto, podemos citar alguns deles à título de ilustração. “The Hands of Orlac”, também conhecido como “Mad Love” (35), do cineasta alemão Karl Freund, e “The Beast With Five Fingers” (47), de Robert Florey, são ambos estrelados por Peter Lorre. No primeiro, um pianista perde suas mãos num acidente de trem e recebe um transplante de mãos de um assassino, as quais adquirem vida própria e obrigam o músico a cometer crimes. O outro filme conta a história de também um pianista que tem uma mão decepada, que ganha vida e passa a caminhar sozinha em busca de suas vítimas. O estúdio inglês “Amicus” (rival da “Hammer”), produziu uma antologia chamada “Dr. Terror´s House of Horrors” em 1965, onde em uma das histórias, “The Crawling Hand”, estrelada por Christopher Lee, apresenta um crítico de arte sendo atormentado pela mão decepada de um artista, que passa a persegui-lo à procura de vingança. Uma outra referência que merece registro é o hilariante “Evil Dead 2”, de Sam Raimi, onde o herói Ash (Bruce Campbell) luta contra a sua própria mão decepada e possuída por um demônio.
O roteiro de “A Mão” de Oliver Stone foi inspirado no livro “The Lizard´s Tail”, de Marc Brandel. Os efeitos especiais são bem interessantes, principalmente pela época da produção, com o trabalho sob a responsabilidade do veterano técnico italiano Carlo Rambaldi, conhecido por filmes como “King Kong” (76), “Alien, o Oitavo Passageiro” (79), “ET – O Extraterrestre” (82), “Conan, o Destruidor” e “Duna” (ambos de 84), “Olho de Gato” e “A Hora do Lobisomem” (ambos de 85), e “O Armário do Diabo” (89), entre outros. Com 105 minutos de duração, o filme foi lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Warner”, já fora de catálogo há muito tempo, e atualmente apenas encontrado com sorte em acervos antigos de locadoras, ou perdidos em sebos, ou em videotecas particulares de colecionadores.

“A Mão” (The Hand, EUA, 1981) # 301 – data: 23/02/05 – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
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(postado em 06/04/06)

Por Uns Dólares a Mais (For A Few Dollars More, Itália, 1965)

Para quem aprecia o gênero western no cinema, e mencionarmos um filme italiano da década de 60, dirigido por Sergio Leone e estrelado por Clint Eastwood e Lee Van Cleef, acho que não seria necessário dizer mais nada, pois certamente seria uma sessão garantida de entretenimento. Porém, “Por Uns Dólares a Mais” (For A Few Dollars More, 65), é tão marcante que vale comentar mais algumas palavras.
A história, escrita por Luciano Vincenzoni, é sobre os chamados “caçadores de recompensas”, aqueles homens solitários e silenciosos que ganhavam a vida procurando e capturando, vivos ou mortos, importantes criminosos fugitivos da lei, em troca de prêmios em dinheiro. Seus maiores companheiros são o cavalo como indispensável meio de transporte através das imensas e agressivas regiões continentais que separavam as cidades, e a arma, um revólver, que carregava na cintura e que seria sua forma de se defender e salvar a vida, e também a forma de alcançar seu objetivo, eliminando seus inimigos.
Dentro desse contexto, aparecem dois personagens com características similares entre si, os caçadores de recompensas Monco (Clint Eastwood, diretor e ator do fenomenal “Os Imperdoáveis”, de 1992) e o Coronel Douglas Mortimer (o não menos excepcional Lee Van Cleef, presente numa infinidade de maravilhosos filmes “B” do gênero). O primeiro busca apenas uma forma de obter riquezas para talvez um dia poder comprar um pedaço de terra e se estabelecer definitivamente, já o outro parece buscar algo mais que apenas o dinheiro, principalmente quando o homem a ser caçado é o perigoso assassino Índio (Gian Maria Volonte), que geralmente está segurando nas mãos um relógio que também toca música, e que parece familiar ao Cel. Mortimer. Ambos os cavaleiros são extremamente hábeis no gatilho, calados e pensativos, se comunicando na maioria das vezes apenas com os olhares frios e determinados.
Porém, a princípio rivais na captura do mesmo criminoso e sua enorme e violenta gangue de bandidos e assaltantes de banco, eles terão que unir as forças trabalhando em equipe para garantirem sua sobrevivência e alcançarem o objetivo do significativo prêmio em dinheiro pelas cabeças dos assassinos.
“Por Uns Dólares a Mais” faz parte de uma trilogia de Sergio Leone (“Era Uma Vez no Oeste”, 69) estrelando o ator Clint Eastwood, que na época era apenas um coadjuvante nos Estados Unidos, e que posteriormente transformou-se num dos grandes atores americanos de filmes de western e policiais. A trilogia é ainda formada por “Por Um Punhado de Dólares” (A Fistful of Dollars, 64) e “Três Homens em Conflito” (The Good, the Bad and the Ugly, 66). O filme é indispensável para os apreciadores do western, com vários destaques indo desde a direção do especialista Sergio Leone, passando pela música do mestre Ennio Morricone e a apresentação de todos aqueles elementos tradicionais do gênero, até a performance da dupla de protagonistas, que apenas com a expressão dos olhos transmitem toda a solidão e frieza do homem do velho oeste.
De negativo, podemos considerar apenas que o filme é excessivamente longo com seus 131 minutos e uma narrativa lenta demais em alguns momentos. E também tem o fato de que pela violência mostrada em cena faltou mais sangue, numa percebida ausência do líquido vermelho vital nos tiroteios. Mas, independente disso, “Por Uns Dólares a Mais” é um filme obrigatório dentro do western italiano e da bem sucedida carreira de Clint Eastwood.

“Por Uns Dólares a Mais” (For A Few Dollars More, Itália, 1965) # 325 – data: 19/07/05 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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(postado em 06/04/06)

Sodom - Um dos Precursores do Thrash Metal


























The sin of Sodom is the sign of evil

O estilo de música “Metal” e o gênero artístico “Horror” sempre tiveram uma aproximação muito grande, exemplificado pela temática das letras, ilustrações das capas dos discos, ou pela própria postura e proposta agressiva das bandas em geral. No início da década de 1980, o “Heavy Metal” estava se desmembrando numa série de ramificações criando vários estilos ainda mais rápidos e extremos de sua já diferenciada música. Um dos primeiros novos rótulos foi denominado na época como “Thrash Metal”. Depois vieram o “Power Metal”, “Black Metal”, “Death Metal”, “Doom Metal” e mais uma infinidade de outros subgêneros. Na minha opinião, esses rótulos todos não trouxeram grandes benefícios ao estilo principal de onde originaram, ao contrário, de certa forma acabaram criando uma confusão com um inevitável desgaste. No final das contas, concordo plenamente com as sábias palavras do saudoso e falecido Chuck Schuldiner (1967-2001), guitarrista, vocalista e líder da banda americana “Death”, uma das mais significativas de todos os tempos: “Para mim é tudo Metal. Este monte de categorias acaba com tudo. Tire a primeira palavra de todas e deixe só uma: Metal”.

Com o surgimento do “Thrash Metal”, três bandas alemãs em especial podem ser consideradas precursoras desse agressivo estilo musical: “Destruction”, “Kreator” e “Sodom”. Curiosamente, todas estão na ativa até hoje, mesmo enfrentando uma série de dificuldades ao longo dos anos, e também todas já estiveram no Brasil em várias oportunidades mostrando suas performances ao vivo em ótimos e memoráveis shows.
O “Sodom” foi criado em 1983 pelo líder Angel Ripper (baixo e vocais, que mais tarde passou a ser conhecido como Tom Angelripper), além de Witch Hunter (bateria, e posteriormente assinando seu nome como Chris Witchhunter) e Aggressor (guitarra e vocais). Eles inicialmente buscavam referências e influências musicais em bandas consagradas como “Venom” e “Motorhead”. Os primeiros trabalhos foram as demo tapes “Witching Metal” (83) e “Victims of Death” (84), e com o lançamento dessa última o guitarrista Aggressor deixou a banda sendo substituído por Grave Violator, e Angel Ripper assumiu os vocais sozinho.
Com essa formação, surgiu o primeiro disco, o clássico EP “In the Sign of Evil” (84), que trazia na capa a figura bizarra de um carrasco, com músicas que tornaram-se imortais por sua brutalidade sonora como “Sepulchral Voice” e “Blasphemer”. Sobre esse disco, tenho uma curiosidade para relatar: antes de ser lançado oficialmente no Brasil, eu adquiri um vinil pirata em forma de split, trazendo “In the Sign of Evil” em um lado e o EP “Sentence of Death” do “Destruction” do outro lado, com capas em preto e branco, constituindo-se numa raridade de valor inestimável.
A troca de guitarristas ainda continuava e dessa vez Destructor assumia agora a posição para o álbum seguinte, “Obsessed By Cruelty” (86), que teve um nível de produção ruim e uma baixa performance do novo guitarrista. Ele também foi substituído passando a vaga para Frank Blackfire, um músico bem mais técnico com o instrumento. Com essa formação, a banda se estabilizou por alguns anos e lançou mais cinco álbuns até 1989: “Expurse of Sodomy” (EP de 87), “Persecution Mania” (LP de 87), “The Mortal Way of Life” (88, ao vivo), “Agent Orange” (LP de 89) e “Ausgebombt” (EP de 89). Nesses trabalhos, o “Sodom” mostrou um metal poderoso, com um vocal gritado e rasgado, além de uma bateria detonadora num ritmo à velocidade da luz, explorando com maior ênfase nas letras o tema da brutalidade da Guerra e suas consequências devastadoras para a humanidade. Músicas marcantes como “Nuclear Winter” e “Agent Orange” destacam-se dentro dessa idéia. Curiosamente, a banda gravou também dois covers do “Motorhead”. Um é “Iron Fist”, numa ótima versão que foi veiculada no LP “Persecution Mania”, e o outro é “Ace of Spades”, gravado ao vivo em “One Night in Bangkok”.
Em 1990, o “Sodom” lançou o disco “Better off Dead”, já com um outro novo guitarrista, Michael Hoffmann, mudando um pouco o estilo musical da banda, investindo menos na sua agressividade tradicional, o que de certa forma começou a mostrar sinais de decadência e desgaste, principalmente também pelo fato de na mesma época estarem proliferando uma infinidade de outras excelentes bandas apresentando um estilo musical ainda mais agressivo, rotulado como “Death Metal”.
A banda sempre teve problemas de instabilidade com os guitarristas e após o lançamento do EP “The Saw is the Law” em 1991, Michael Hoffmann é substituído por Andy Brings, que ficou com o grupo até 1994. Nesse período o “Sodom” gravou três álbuns, “Tapping the Vein” (92), “Aber bitte mit Sahne!” (93) e “Get What You Deserve” (94). Porém, nessa época também o tradicional baterista Chris Witchhunter, que estava com a banda desde o início, resolveu sair após a gravação de “Tapping the Vein”, e em seu lugar Atomic Steif assumiu as baquetas, vindo em 1995 um novo trabalho chamado “Masquerade in Blood”, com outro guitarrista, Dirk Strahlmeier.
As constantes mudanças de formação juntamente com um desgaste natural de tantos anos de estrada, fez com que o “Sodom” diminuísse sua produção inédita. Tanto que em 1996 foi lançado “Ten Black Years – Best of”, um disco duplo trazendo uma coletânea das melhores músicas da carreira ao longo de mais de uma década de metal.
Somente em 1998 o “Sodom” retornaria, com o líder Tom Angelripper em outra nova e definitiva formação até o momento, trazendo ao seu lado o baterista Bobby Schottkowski e o guitarrista Bernemann. Eles lançaram então “’Til Death Do Us Unite”, sendo o primeiro disco não produzido pela tradicional gravadora “Steamhammer/SPV”, que esteve com a banda desde sua criação. Depois vieram ainda mais dois álbuns, “Code Red” (1999) e “M-16” (2001), este último voltando a ser produzido pela “SPV”.

Nesse meio tempo, um grupo de bandas foi convidada para gravarem covers para um disco em tributo ao “Sodom” chamado “Homage to the Gods – Tribute to Sodom”. Foi um total de quinze bandas, entre elas “Cradle of Filth”, “Impaled Nazarene” e “Dark Funeral”, e curiosamente teve a participação da excelente banda gaúcha “Krisiun” (com o cover de “Nuclear Winter”), bastante conhecida e admirada internacionalmente através de várias turnês divulgando seu trabalho e o nome do Brasil por todo o mundo.

“M-16” tem um excelente e agressivo desenho de capa mostrando um imponente soldado carregando um companheiro morto em adiantado estado de putrefação, com a temática das letras abordando principalmente a “Guerra do Vietnã”, com mensagens críticas e de alerta para a irracionalidade da guerra.
E em 2003 o “Sodom” lançou seu terceiro trabalho ao vivo (depois de “The Mortal Way of Life”, 88, e “Marooned”, 94), o disco duplo “One Night in Bangkok”, gravado na Tailândia, com 24 músicas representando toda a carreira da banda, incluindo “Outbreak of Evil”, “Blasphemer” e “Witching Metal”, do já clássico EP “In the Sign of Evil”.
Em 2006 eles lançaram um CD auto intitulado “Sodom” e em 2007 a banda lançou “The Final Sign of Evil”, uma regravação das cinco músicas do EP de 84 acrescentando outras sete inéditas que foram criadas para este álbum, mas que foram descartadas por decisão da gravadora. Além disso, foi reunida a formação original do EP “In the Sign of Evil”, com Tom Angelripper no vocal e baixo, Grave Violator na guitarra e Chris Witchhunter na bateria.
Com esses últimos trabalhos, a banda tem procurado consolidar sua força com uma das grandes bandas do Metal mundial, numa veterana e consagrada carreira artística apoiada por milhares de fãs espalhados ao redor do planeta.
“Sodom” e “Nuclear Assault” em São Paulo:
Um terremoto sonoro que abalou as estruturas do “Direct TV Music Hall”

No final de Fevereiro de 2005 tive o privilégio de testemunhar no “Direct TV Music Hall”, em Moema, São Paulo, o show das bandas “Sodom” e “Nuclear Assault” (EUA). Ambas já tinham vindo tocar no Brasil, porém só pude ver na época o “Nuclear Assault” (foi num show com o “Sepultura” em 1989 no extinto “Dama Xoc” em Pinheiros, São Paulo, sendo que eles também vieram ao Brasil em 2002). A banda americana foi formada em 1985, conta com John Connelly (vocal / guitarra), Danny Lilker (baixo), Glenn Evans (bateria) e Scott Harrington (guitarra), e estão lançando seu novo álbum, Alive Again.
Já o “Sodom” esteve antes no Brasil em 1997. Com seus primeiros discos priorizando temas satânicos (onde o EP de estréia, “In the Sign of Evil”, é um dos mais autênticos e memoráveis trabalhos do gênero), o “Sodom” depois direcionou a temática das letras de suas músicas para assuntos como a violência das guerras que assolam a humanidade ao redor do mundo.
Eu particularmente prefiro as primeiras formações do “Sodom” e os álbuns produzidos até o início dos anos 90, cuja música representou uma agressividade sonora que ficou registrada para sempre na história do metal. Mas a banda é guerreira e todos os seus trabalhos são dignos de serem enaltecidos constantemente pelos fãs (como eu) ao redor do mundo.
O dia 20/02 foi extremamente especial, primeiro porque o “São Paulo” ganhou de 3x0 do rival “Palmeiras” pelo Campeonato Paulista de Futebol 2005, com direito até a um gol do goleiro artilheiro Rogério Ceni, e depois pelo show arrasador do “Nuclear Assault” e “Sodom”, um terremoto de porradas sonoras para ficarem gravadas na memória para sempre.
A banda americana abriu o espetáculo com uma apresentação de aproximadamente 45 minutos, com destaque para o baterista Glenn Evans, que massacrou seu instrumento com uma energia incrível. Depois vieram os alemães do “Sodom” em mais uma hora e quinze minutos de um show inesquecível. O líder, baixista e vocal Tom Angelripper é muito carismático e tem uma excelente presença de palco, interagindo constantemente com o público que lotou o “Direct TV Music Hall”. Ele informou que o show estava sendo gravado para compor um futuro DVD, esperando uma grande recepção dos fãs.
Das músicas escolhidas para o repertório, muitas são antigas e pertencentes aos primeiros trabalhos da banda. Entre elas, “The Saw is the Law”, “Sodomized”, “Outbreak of Evil” e “Witching Metal”, sendo essas duas clássicas e tocadas em versões mais modernas e furiosas, “Bombenhagal” e “Ausgebombt”, além de “Remember the Fallen” e “Sodomy and Lust”, ambas junto com o convidado Frank Blackfire, que foi o guitarrista da banda até o final dos anos 80, tocando também com o “Kreator”, e que se mudou para o Brasil montando a banda de Thrash Metal “Mystic” e adotando o nome Frank Gosdzik. Teve também “Blasphemer”, com outro convidado, Danny Lilker, baixista do “Nuclear Assault”, e com Tom Angelripper fazendo somente os vocais, e até um cover da lendária banda “Motorhead”, com “Ace of Spades”.
Um evento único que ficará registrado para sempre no pensamento de todos aqueles que tiveram o privilégio de testemunhar mais uma ferocidade do metal, pois “The sin of Sodom is the sign of evil”.
O ex-baterista da banda alemã de Thrash Metal “Sodom”, Chris Witchhunter, morreu em 07/09/08

É desanimador constatar que o tempo está passando e que ídolos do metal extremo, personalidades lendárias e de extrema importância para a história desse estilo musical, estão morrendo (não de velhice, mas por problemas de saúde). Basta citar rápidos exemplos como Quorthon (Tomas Forsberg, 1966 / 2004, do “Bathory”), Paul Baloff (1960 / 2002, do “Exodus”), Chuck Schuldiner (Charles Michael Schuldiner, falecido em 2001, do “Death”), e Jesse Pintado (falecido em 2006, do “Terrorizer”).
Dessa vez, a notícia ruim é a morte (não foram divulgadas as causas) de Chris Witchhunter (Christian Dudeck), que foi o baterista do “Sodom” entre 1982 e 1992, e também na gravação do CD “The Final Sign of Evil” (2007), uma homenagem ao Thrash Metal dos anos 80.
A melhor e inigualável formação do “Sodom” em minha opinião foi com Tom Angelripper no baixo e vocal, Frank Blackfire na guitarra e Chris Witchhunter na bateria (foto).
Ele participou dos seguintes álbuns: In the Sign of Evil (1984, EP), Obsessed by Cruelty (1986), Expurse Of Sodomy (1987, EP), Persecution Mania (1987), Mortal Way Of Live (ao vivo, 1988), Agent Orange (1989), Ausgebombt (1989, EP), Better Off Dead (1990), Tapping the Vein (1992) e The Final Sign Of Evil (2007).
Fica aqui minha homenagem e tributo, em nome do site “Boca do Inferno.Com”, do blog “Infernotícias” e de meus fanzines “Astaroth” e “Juvenatrix”, para Chris Whitchhunter, um dos mais fudidos bateristas de todos os tempos, e que permanecerá imortal através do legado deixado por sua música.

DEMO TAPES

Witching Metal (1983). Formação: Angel Ripper (baixo e vocais), Witchhunter (bateria), Aggressor (guitarra e vocais). Músicas: Devil´s Attack / Witching Metal / Live From Hell / Poisoned Blood

Victim of Death (1984). Formação: Angel Ripper (baixo e vocais), Witchhunter (bateria), Aggressor (guitarra e vocais). Músicas: Witchhammer / Devil´s Attack / Let´s Fught in the Darkness of Hell / Victim of Death / Live From Hell / Poisoned Blood /Satan´s Configuration / Witching Metal

DISCOGRAFIA

In The Sign Of Evil (Steamhammer/SPV – 1984). Formação: Angel Ripper (vocal e baixo), Witchhunter (bateria), Grave Violator (guitarra). Músicas: Outbreak Of Evil / Sepulchral Voice / Blasphemer / Witching Metal / Burst Command Til War
Obsessed By Cruelty (Steamhammer/SPV – 1986). Formação: Angel Ripper (vocal e baixo), Witchhunter (bateria), Destructor (guitarra). Músicas: Deathlike Silence / Brandish The Sceptre / Proselytism Real / Equinox / After The Deluge / Obsessed By Cruelty / Fall Of Majesty Town / Nuctemeron / Pretenders To The Throne / Witchhammer / Volcanic Slut
Expurse Of Sodomy (Steamhammer/SPV – 1987). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Frank Blackfire (guitarra). Músicas: Sodomy And Lust / The Conqueror / My Atonement
Persecution Mania (Steamhammer/SPV – 1987). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Frank Blackfire (guitarra). Músicas: Nuclear Winter / Electrocution / Iron Fist (cover do “Motorhead”) / Persecution Mania / Enchanted Land / Procession To Golgatha / Christ Passion / Conjuration / Bombenhagel
Mortal Way Of Live (Steamhammer/SPV – 1988) LIVE. Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Frank Blackfire (guitarra). Músicas: Persecution Mania / Outbreak Of Evil / Conqueror / Iron Fist / Obsessed By Cruelty / Nuclear Winter / Electrocution / Blasphemer / Enchanted Land / Sodomy And Lust / Christ Passion / Bombenhagel / My Atonement / Conjuration Agent Orange (Steamhammer/SPV – 1989). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Frank Blackfire (guitarra). Músicas: Agent Orange / Tired And Red / Incest / Remember The Fallen / Magic Dragon / Exhibition Bout / Ausgebombt / Baptism Of Fire / Don't Walk Away
Ausgebombt (Steamhammer/SPV – 1989). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Frank Blackfire (guitarra). Músicas: Ausgebombt / Don’t Walk Away / Incest
Better Off Dead (Steamhammer/SPV – 1990). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Michael Hoffmann (guitarra). Músicas: An Eye For An Eye / Shellfire Defense / The Saw Is The Law / Turn Your Head Around / Capture The Flag / Cold Sweat / Bloodtrails / Never Healing Wound / Better Off Dead / Resurrection / Tarred And Feathered / Stalinorgel
The Saw Is The Law (Steamhammer/SPV – 1991). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Michael Hoffmann (guitarra). Músicas: The Saw Is The Law / Tarred And Feathered / The Kids Wanna Rock
Tapping the Vein (Steamhammer/SPV – 1992). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Chris Witchhunter (bateria), Andy Brings (guitarra). Músicas: Body Parts / Skinned Alive / One Step Over the Line / Deadline / Bullet in the Head / The Crippler / Wachturm / Tapping the Vein / Back to War / Hunting Season / Reincarnation
Aber bitte mit Sahne! (Steamhammer/SPV – 1993). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Atomic Steif (bateria), Andy Brings (guitarra). Músicas: Aber bitte mit Sahne / Sodomized / Abuse / Skinned Alive '93
Get What You Deserve (Steamhammer/SPV – 1994). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Atomic Steif (bateria), Andy Brings (guitarra). Músicas: Get What You Deserve / Jabba The Hut / Jesus Screamer / Delight In Slaying / Die Stumme Ursel / Freaks Of Nature / Eat Me / Unbury The Hatchet / Into Perdition / Sodomized / Fellows In Misery / Tribute To Moby Dick (instrumental) / Silence Is Consent / Erwachet! / Gomorrah / Angel Dust
Marooned (1994). LIVE. Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Atomic Steif (bateria), Andy Brings (guitarra). Músicas: Intro / Outbreak of Evil / Jabba the Hut / Agent Orange / Jesus Screamer / Ausgebombt / Tarred ant Fathered / Abuse / Remember the Fallen / An Eye For An Eye / Tired and Red / Eat Me / Die Stumme Ursel / Sodomized / Gomorrah / One Step Over the Line / Freaks of Nature / Aber Bitte Mit Sahne / Silence is Consent / Wachturm/Erwachtet / Stalinhagel / Fratucide / Gone to Glory.
Masquerade In Blood (Steamhammer/SPV – 1995). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Atomic Steif (bateria), Dirk Strahlmeier (guitarra). Músicas: Masquerade In Blood / Gathering Of Minds / Fields Of Honour / Braindead / Verrecke! / Shadow Of Damnation / Peacemaker's Law / Murder In My Eyes / Unwanted Youth / Mantelmann / Scum / Hydrophobia / Let's Break The Law
Ten Black Years - Best Of (Steamhammer/SPV – 1996) DUPLO. CD 1 – Tired And Red / The Saw Is The Law / Agent Orange / Wachturm/Erwachet / Ausgebombt / Sodomy And Lust / Remember The Fallen / Nuclear Winter / Outbreak Of Evil / Resurrection / Bombenhagel / Masquerade In Blood / Bullet In The Head / Stalinhagel / Shellshock / Angel Dust. CD 2 – Hunting Season / Abuse / 1000 Days Of Sodom / Gomorrah / Unwanted Youth / Tarred & Feathered / Iron Fist / Jabba The Hut / Silence Is Consent / Incest / Shellfire Defense / Gone To Glory / Fratricide / Verrecke! / One Step Over The Line / My Atonement / Sodomized / Aber bitte mit Sahne / Die stumme Ursel / Mantelmann
'Til Death Do Us Unite (GUN/BMG – 1998). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Bernemann (guitarra), Bobby Schottkowski (bateria). Músicas: Frozen Screams / Fuck The Police / Gisela / That's What An Unknown Killer Diarized / Hanging Judge / No Way Out / Polytoximaniac / 'Til Death Do Us Unite / Hazy Shade Of Winter / Suicidal Justice / Wander In The Valley / Sow The Seeds Of Discord / Master Of Disguise / Schwerter zu Pflugscharen / Hey, Hey, Hey Rock'n Roll Star
Code Red (Drakkar/BMG – 1999). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Bernemann (guitarra), Bobby Schottkowski (bateria). Músicas: Intro / Code Red / What Hell Can Create / Tombstone / Liquidation / Spiritual Demise / Warlike Conspiracy / Cowardice / The Vice of Killing / Visual Buggery / Book Burning / The Wolf and the Lamb / Addicted to Abstinence
Homage To The Gods - Tribute To Sodom. 1. Cradle of Filth - Sodomy and Lust / 2. Impaled Nazarene - Burst Command 'til War / 3. Krisiun - Nuclear Winter / 4. Dark Funeral - Remember the Fallen / 5. Luciferion – Blasphemer / 6. Atanatos - Outbreak of Evil / 7. Decayed Remains - Christ Passion / 8. Enthroned – Conqueror / 9. Desaster - Proselytism Real / 10. Swordmaster – Witchhammer / 11. Reverant - Agent Orange / 12. Goddess of Desire – Bombenhagel / 13. Order from Chaos – Nuctemeron / 14. Brutal Truth - Sepulchral Voice / 15. Randalica - Ausbruch des Bösen
M-16 (SPV – 2001). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Bernemann (guitarra), Bobby Schottkowski (bateria). Músicas: Among The Weirdkong / I Am The War / Lead Injection / Little Boy / M-16 / Minejumper / Napalm In The Morning / Marines / Genocide / Cannon Fodder / Surfin`Bird
One Night in Bangkok (2003). LIVE. Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Bernemann (guitarra), Bobby Schottkowski (bateria). Músicas: Disco 1 – Among The Weirdkong / The Vice of Viking / Der Wachturm / The Saw is the Law / Blasphemer / Sodomized / Remember the Fallen / I Am the War / Eat Me! / Masquerade in Blood / M-16 / Agent Orange / Outbreak of Evil. Disco 2 – Sodomy and Lust / Napalm in the Morning / Fuck the Police / Tombstone / Witching Metal / The Enemy Inside / Die Stumme Ursel / Ausgebombt / Code Red / Ace of Spades (cover do “Motorhead”) / Stalinhagel. Inclui um vídeo com a música Among The Weirdkong.
Sodom (Steamhammer / SPV – 2006). Formação: Tom Angelripper (vocal e baixo), Bernemann (guitarra), Bobby Schottkowski (bateria). Músicas; Blood On Your Lips / Wanted Dead / Buried in the Justice Ground / City of God / Bibles and Guns / Axis of Evil / Lords of Depravity / No Captures / Lay Down the Law / Nothing to Regret / The Enemy Inside
The Final Sign of Evil (Steamhammer / SPV – 2007). Formação: Tom Angelripper (Thomas Such – vocal e baixo), Grave Violator (Josef “Peppi” Dominic – guitarra), Chris Witchhunter (Christian Dudeck – bateria). Músicas: The Sin of Sodom / Blasphemer / Bloody Corpse / Witching Metal / Sons of Hell / Burst Command Til War / Where Angels Die / Sepulchral Voice / Hatred of the Gods / Ashes to Ashes / Outbreak of Evil / Defloration

SODOMY AND LUST

“Sodom: Um dos Precursores do Thrash Metal”
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blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 05/04/06)

Deicide - In Torment in Hell (2001)

O “Death Metal” é um estilo musical que exerce grande fascínio por sua agressividade sonora com fortes relações com o “Horror” como gênero artístico. É um tipo de música extrema e avassaladora que transmite um sentimento parecido como se “seu cérebro estivesse sendo esfolado violentamente contra um muro de pedras pontiagudas”, e sua agressividade se opõe a tudo que existe de mais hipócrita no mundo (numa brincadeira despretensiosa com o estilo).
Sendo assim, vale registrar a existência do CD “In Torment in Hell”, da banda americana “Deicide”, gravado em abril de 2001 em Tampa, Florida. Os vocais guturais do líder e baixista Glen Benton parecem vir do além para vomitar sua fúria ecoando como trovões do juízo final, misturados aos zumbidos agonizantes das imponentes guitarras dos irmãos Eric Hoffman e Brian Hoffman, além das porradas brutais à velocidade da luz da bateria de Steve Asheim, culminando numa carnificina sonora capaz de abalar os alicerces das mais fortes e sólidas estruturas da humanidade e incitar até os mortos a levantarem de seus frios túmulos de pedra para tomar o poder no planeta, espalhando o horror de seus supremos reinados de dor.
A temática das letras é basicamente satânica, e nesse caso seria bem vinda também uma abordagem de outros temas importantes como a cruel realidade que está em nossa volta evidenciando a decadência de nossa espécie com a agonia e desespero de um mundo mergulhado em guerras. Mas independente disso, o que prevalece mesmo e interessa mais, é a violência sonora que parece anunciar o fim dos tempos.
A capa do CD é bem agressiva, reproduzindo símbolos cabalísticos e demônios agredindo imagens cristãs, num trabalho com oito petardos do mais puro e brutal “Death Metal”, denominados “In Torment in Hell”, “Christ Don’t Care”, “Vengeance Will Be Mine”, “Imminent Doom”, “Child of God”, “Let it Be Done”, “Worry in the House of Thieves” e “Lurking Among Us”.
Enfim, “Metal” e “Horror” juntos num pesadelo eterno, mergulhando-nos impiedosamente “em tormento no inferno...”

Observações:
1) Os guitarristas Eric e Brian Hoffman saíram da banda logo após a gravação do CD “Scars of the Crucifix” (2004), e em seus lugares vieram Jack Owen e Ralph Santolla.
2) O “Deicide” tocou pela primeira vez no Brasil em Março de 2006, fazendo um show destruidor em São Paulo no dia 02/03 no “Hangar 110” (Bom Retiro), com abertura da banda paulista “Ancestral Malediction”. Eles tocaram também em Osasco/SP no “Arena Metal”, em 04/03, com abertura das bandas nacionais “Funeral Putrid” e “Eternal Malediction”.
3) Discografia: “Deicide” (90), “Legion” (92), “Amon: Feasting the Beast” (93), “Once Upon the Cross” (95), “Serpents of the Light” (97), “When Satan Lives” (98, live), “Insineratehymn” (2000), “In Torment in Hell” (2001), “Scars of the Crucifix” (2004), “The Stench Of Redemption” (2006). DVD: “When London Burns” (2006).

“Deicide – In Torment in Hell”
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(postado em 05/04/06)

A Macabra Arte do Caos




















    O “Horror” está presente na agressividade do “Death Metal”, refletido principalmente em suas temáticas líricas, as quais falam desde satanismo, magia negra, morte, guerras apocalípticas, passando por carnificinas brutais, insanidade e decomposição do ser humano, até referências a filmes de horror. 

E se reflete também nas capas dos discos de vinil e Cds, onde fantásticos artistas exercitam suas habilidades com ilustrações que parecem descrever o próprio inferno. E quando não são desenhos insanos, são colagens de fotos reais sobrepostas de pedaços de cadáveres em decomposição e partes de corpos gangrenados ou vítimas de horrendas mutilações. Tudo com o propósito de diversão, agredindo e chocando as pessoas.

São centenas de fabulosos trabalhos onde os artistas versam sobre diversos e variados temas, viajando pelos caminhos mais obscuros da imaginação para criarem cenários lúgubres de devastação ou as mais bizarras aberrações já concebidas, num paralelo bem próximo às criaturas indizíveis do escritor H. P. Lovecraft.

Entre estes artistas, podemos citar o grande desenhista suiço H. R. Giger, cujos trabalhos ilustraram capas do “Celtic Frost” e “Massacre”; Michael R. Whelan (vencedor do “Prêmio Locus” 1996), que assinou capas do “Sepultura” e “Obituary”; ou ainda Edward J. Repka, Dan SeaGrave e Derek Riggs, que são marcas registradas das bandas “Death”, “Entombed” e “Iron Maiden”, respectivamente.

O horror é o ponto de partida desse mórbido universo da ilustração, onde as capas dos discos são desenhos que retratam a macabra arte do caos, mostrando sangrentos campos de batalhas, monstros inomináveis, demônios, cenários depressivos de devastação, autópsias, dissecações, e todo o inferno sombrio que povoa nossos pesadelos assustando e principalmente nos divertindo.

Seguindo o conceito que capas interessantes e bem trabalhadas vendem livros e discos, fica muito difícil não querer conhecer o som da banda “Exorcist”, cujo disco “Nightmare Theatre” traz uma excelente idéia, mostrando os seus quatro integrantes na capa em estado de decomposição como cadáveres em putrefação. A música é até legal, falando de bruxaria na época da inquisição, mas a capa do disco é muito melhor.

Um dos maiores monstros sagrados do “Heavy Metal” mundial é o “Iron Maiden”, cujas capas dos discos trazem variados desenhos sempre com a presença do mascote da banda, Eddie. São fantásticas ilustrações a cargo de Derek Riggs como podemos ver em “The Number of the Beast” com a criatura Eddie no inferno manipulando uma marionete que é um pequeno demônio, ou em “Piece of Mind”, com Eddie confinado e amordaçado em uma camisa de força.

O desenhista H. R. Giger marcou sua presença ilustrando o álbum “To Mega Therion” do “Celtic Frost”, mostrando um obscuro demônio agredindo Jesus Cristo.

Já o ilustrador Dan SeaGrave mostrou sua arte em cenários indescritíveis da mais profunda desolação nos discos “Left Hand Path” e “Clandestine”, do “Entombed”. E em “Effigy of the Forgotten”, do “Suffocation”, mostrou uma estranha máquina cibernética massacradora de seres humanos.

Em “Severed Survival”, do “Autopsy”, Kev Walker desenhou quatro bizarras criaturas efetuando uma sangrenta cirurgia em cujo paciente somos nós, que estamos olhando para a ilustração, e que sentimos como se rasgassem nossas carcaças ao ouvir a brutalidade sonora da banda.

As bandas americanas “Death” e “Massacre” tiveram seus discos ilustrados por Edward J. Repka, mostrando fantásticos desenhos como por exemplo as horrendas criaturas vindas do além (“From Beyond”, do “Massacre”) ou esqueletos celebrando a morte (“Scream Bloody Gore”, do “Death”).

Já os alemães do “Morgoth” tiveram em seu disco “Ressurrection Absurd”, uma excelente e incrível ilustração mostrando uma macabra criatura indizível, que parece materializar a própria dor, o sofrimento e a agonia do mundo, combinando com maestria com o arregaçador som da banda.

Estes são apenas alguns pouquíssimos exemplos do horror presente nas capas dos discos de bandas de “Death Metal” e suas ramificações, cujas imagens nos incitam à imaginação, fazendo-nos mergulhar profundamente num mundo sombrio habitado por mórbidas criaturas.   


Nota do Autor: Esse texto foi escrito originalmente em 1995 e publicado na extinta revista “Horrorshow”, número 3, da Editora Escala (São Paulo/SP). Portanto, é um texto datado, descrevendo eventos da época. Muita informação surgiu desde então, nesses últimos anos, mas independente disto, o texto pode servir como uma referência do poder criativo resultante da agressiva união entre o Horror e o Death Metal no período abordado. 

 

A Macabra Arte do Caos

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(postado em 05/04/06)