Seres Rastejantes (Slither, EUA / Canadá, 2006)

O filme foi pouco divulgado, ficou em cartaz nos cinemas em poucas salas e horários (estreou em 16/06/06). É uma produção de horror com elementos de ficção científica, repleta de podreiras, sangue em profusão, gosmas asquerosas, alienígenas nojentos e rastejantes, humor negro, homenagens ao gênero, citações... É um filme super divertido, indicado especialmente para quem aprecia cinema bagaceiro. O diretor e roteirista é James Gunn, formado pela cultuada produtora de filmes trash “Troma” e que escreveu a história de “Madrugada dos Mortos” (Dawn of the Dead, 2004). Estamos falando de “Seres Rastejantes” (Slither, 2006), co-produção entre Canadá e Estados Unidos, mostrando aquele típico argumento de uma cidadezinha do interior invadida por uma criatura alienígena que veio com a queda de um meteoro, e que utiliza os seres humanos como hospedeiros, espalhando morte e sangue para todos os lados.
No elenco, vale citar a presença do canastrão Michael Rooker (único nome mais conhecido, no papel de Grant), da bela Elizabeth Banks (como Starla, sua esposa), e de Nathan Fillion (como o xerife Bill Pardy, o herói da história). A sinopse é tão simples que no parágrafo acima já foram reveladas as informações necessárias para um entendimento básico da trama. No mais, temos diversão em estado puro e absoluto, com todos aqueles clichês do gênero, vistos numa infinidade de filmes similares. E mesmo com todas essas características que poderiam depreciar um filme (a falta de novidades, o elenco desconhecido, a escassez de recursos...), “Seres Rastejantes” merece uma citação favorável justamente por ser um filme totalmente despretensioso que tem como único objetivo homenagear o gênero e divertir os fãs, onde podemos encontrar citações que vão desde o clássico “B” “A Bolha” (The Blob, 1958), passando pelos filmes de zumbis do mestre George Romero e o excelente “Calafrios” (Shivers / They Came From Within, 1975), de David Cronenberg, até “Noite dos Arrepios” (Night of the Creeps), divertidíssima tranqueira de 1986, entre outras.
E o diretor James Gunn, no melhor estilo do consagrado Alfred Hitchcock, apareceu numa ponta rápida no filme como um professor nerd que troca algumas palavras com a gostosa Starla, que também é professora na mesma escola.
Uma curiosidade e confissão: particularmente, eu prefiro o menor número possível de pessoas vendo um filme na mesma sala de cinema que eu. Digo isso porque é extremamente irritante assistir um filme num local cheio de gente, com barulhos “extras” adicionais que somente colaboram para estragar seu programa. Por sorte, vi “Seres Rastejantes” numa sala que tinha apenas mais três pessoas, e uma vez sabendo antecipadamente que tinha uma cena extra no final dos créditos, fiquei esperando pacientemente por vários longos minutos sozinho até os letreiros terminarem. Mas, valeu o esforço, pois antes dos funcionários do Cinemark me expulsarem da sala, vi a tal cena que é bastante rápida, porém, de importância estratégica para uma interpretação correta dos fatos.

(Atenção: o texto a seguir contém spoilers)

A cena após os créditos mostra um pequeno gato intrometido e curioso se envolvendo inocentemente com um pedaço do alienígena que explodiu, pensando que poderia ser uma refeição. Mas, aconteceu o contrário, com o felino tornando-se o novo hospedeiro da parasita que veio do espaço.
Enfim, um filme simples, honesto, feito de fã para fã com o único propósito de entretenimento sem compromisso, e por isso mesmo altamente recomendável para quem procura diversão num filme de horror com muitas citações, sangue, vômitos esverdeados, líquidos gosmentos e “seres rastejantes”...

“Seres Rastejantes” (Slither, Canadá / Estados Unidos, 2006) # 387 – data: 25/06/06 – avaliação: 8,5 (de 0 a 10)
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(postado em 26/06/06)

Poseidon (EUA, 2006)

Uma das coisas mais subjetivas e polêmicas quando o assunto é cinema é a opinião dos fãs sobre o resultado final de uma refilmagem. Existe todo tipo de situação, desde a mais comum que considera a refilmagem uma heresia em relação ao original, passando pela opinião onde ambos os filmes podem se equivaler de alguma forma, ou até casos mais raros onde a refilmagem supera a obra em que se inspirou. E existem ainda outras possibilidades que colocam mais “lenha na fogueira”, como o fato da refilmagem ser fiel aos eventos do original ou quando, ao contrário, ocorre um exagero na liberdade de criação artística, alterando significativamente os fatos já conhecidos anteriormente.
Por exemplo, eu gostei da refilmagem de “A Profecia” (The Omen, 2006), que ao seu modo é um filme bastante interessante e que consegue contribuir e agregar valor para o universo ficcional da franquia que fala da vinda do Anticristo para a Terra, e que se iniciou com o clássico homônimo de 1976. Porém, já no caso de “Poseidon” (Poseidon, 2006), dirigido pelo alemão Wolfgang Petersen (de produções milionárias como “Tróia” e “Mar Em Fúria”) e que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 23/06/06, eu achei que o excesso de liberdade modificando eventos (principalmente o final), além do elenco inferior, contribuiu para um resultado muito abaixo do filme original, “O Destino do Poseidon” (The Poseidon Adventure, 1972), dirigido por Ronald Neame e produzido pelo mestre Irwin Allen (1916/1991), criador das nostálgicas séries de TV dos anos 60 “Viagem ao Fundo Mar”, “Perdidos no Espaço”, “Túnel do Tempo” e “Terra de Gigantes”. Curiosamente, foi produzida uma continuação em 1979 chamada “Dramático Reencontro no Poseidon” (Beyond the Poseidon Adventure), dessa vez dirigida pelo próprio Irwin Allen, e que foi um fracasso por causa de um roteiro ruim e produção pobre, apesar do bom elenco formado por nomes como Michael Caine, Telly Savalas, Peter Boyle, Sally Field, Karl Malden e Jack Warden. E em 2005 tivemos uma outra refilmagem, especialmente para a TV, com o mesmo nome do original “The Poseidon Adventure”, com Rutger Hauer e Adam Baldwin.

A história, baseado no livro de Paul Gallico, é sobre o imenso navio de luxo “Poseidon”, que numa viagem rumo aos Estados Unidos levando centenas de passageiros, foi surpreendido por uma onda gigante que virou a embarcação de cabeça para baixo, obrigando os sobreviventes (que comemoravam a passagem para um ano novo), a tentarem chegar ao casco para salvar suas vidas na tentativa de um resgate externo. Um grupo de pessoas se separa das demais e se reúne para tentar uma fuga do imenso túmulo em que se transformou o navio. A liderança é de um jogador profissional de cartas, Dylan Johns (Josh Lucas), que tenta salvar sua vida e de outros como o ex-prefeito de Nova Iorque, Robert Ramsey (Kurt Russell), sua filha Jennifer (Emmy Rossum) e o namorado Christian (Mike Vogel), uma jovem mãe, Maggie James (Jacinda Barrett), e seu filho pequeno Conor (Jimmy Bennett), um arquiteto solitário e homossexual, Richard Nelson (interpretado pelo veterano Richard Dreyfuss), e uma passageira clandestina, a bela Elena Gonzalez (Mía Maestro).

Entre os pontos positivos na refilmagem, destaco a seqüência de abertura, filmada com belas tomadas panorâmicas do imenso transatlântico em toda a sua extensão, tendo ao fundo a paisagem fascinante do horizonte com o sol se pondo. Existe também uma boa quantidade de cenas carregadas de tensão e agonia na luta pela sobrevivência numa tragédia de proporções colossais, além da exposição de muitas mortes de passageiros e tripulantes, vítimas de afogamentos, explosões e incêndios. Os efeitos especiais são também bem convincentes (aliás, no clássico dos anos 70 esse quesito também foi enaltecido, tanto que ganhou o cobiçado Prêmio “Oscar”), especialmente na cena da onda gigante tombando o navio, uma cortesia da moderna tecnologia à disposição do cinema para tornar os eventos cada vez mais realistas.
Porém, ao contrário, o elenco (exceto por Kurt Russell e Richard Dreyfuss), não se compara em talento ao clássico de 1972, que tinha simplesmente Gene Hackman, Ernest Borgnine, Roddy MacDowall, Shelley Winters e Leslie Nielsen, entre outros, que faziam personagens muito mais interessantes: Hackman era um padre corajoso e de personalidade forte, Borgnine era um policial metido a valentão, McDowall era um funcionário que conhecia o navio, Winters era uma mulher muito simpática, mas o fato ser obesa dificultou sua luta para sobreviver no difícil percurso até o casco, e Nielsen (ainda quando fazia papéis sérios) era o Capitão, que teve uma participação rápida. Na refilmagem, nenhum personagem despertou interesse, sendo que um deles inclusive, Lucky Larry (Kevin Dillon), é tão patético que seu trágico destino foi um benefício para a humanidade.
Esse novo “Poseidon” tem também um excesso de cenas forçadas e situações inverossímeis, principalmente no último ato que culmina com um final bem diferente do original, perdendo em charme para o filme de quase 35 anos antes, menos barulhento e mais dramático, um fator que ajudou a criar uma interação maior entre o público e os personagens, fazendo-nos torcer por eles (eu particularmente fiquei bastante desapontado com o destino do padre interpretado pelo excepcional Gene Hackman). Na refilmagem, confesso que não consegui me importar com nenhum dos personagens.
O “Poseidon” de 2006 não é um filme ruim, mas é apenas mediano quando utilizamos como referência o primeiro filme sobre o tema, produzido por Irwin Allen, e pelo menos para mim, continuarei somente com a lembrança do filme de 1972, e a refilmagem foi apenas uma diversão rápida e esquecível.

“Poseidon” (Poseidon, 2006) # 386 – data: 24/06/06 – avaliação: 5 (de 0 a 10)
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(postado em 24/06/06)

O Pianista (The Pianist, 2002) + Cinzas da Guerra (The Grey Zone, 2001)





O PIANISTA NA GUERRA DE CINZAS

“GUERRA”. Uma palavra simples, mas que tem um significado devastador, sinônimo de morte e dor. O mais terrível é constatar que essa atividade irracional e insana, a qual merece todo o meu repúdio, tem sido praticada com insistência pela humanidade periodicamente ao longo de toda sua história sangrenta. É inacreditável que ainda não conseguimos evoluir nessa questão, e ao contrário, grande parte do aumento de nosso conhecimento científico e tecnológico com o passar dos anos, tem sido aproveitado de forma equivocada, com objetivos militares e bélicos. Em vez de política e diplomacia, os conflitos por interesses econômicos são solucionados com violência e intolerância, enfatizando o quanto medíocre é a raça humana. Com essas palavras deixo aqui expresso o meu total desprezo aos responsáveis pela guerra.
O cinema muitas vezes tem a importante missão de retratar as atrocidades cometidas durante as diversas guerras que marcaram a história de nossa espécie, e dois filmes em especial procuraram reconstituir episódios sangrentos e reais da Segunda Guerra Mundial: “O Pianista” e “Cinzas da Guerra”.

Em 07/03/03 entrou em cartaz no Brasil o excelente “O Pianista” (The Pianist), dirigido por Roman Polanski numa co-produção entre França, Alemanha, Polônia e Inglaterra, e que ganhou de forma merecida o cobiçado Prêmio “Oscar” nas categorias de diretor, de roteiro adaptado de Ronald Harwood, baseado em livro de Wladyslaw Szpilman, e de ator para Adrien Brody.
A história baseada em fatos reais, mostra a sofrida trajetória de um jovem pianista polonês judeu, Wladyslaw Szpilman (Adrien Brody), que trabalha numa rádio de Varsóvia, quando tem início uma invasão nazista à Polônia em 1939 no começo da Segunda Guerra Mundial. Ele tenta escapar da tirania alemã, vivendo com sua família num gueto criado pelos invasores, que prenderam os judeus num bairro cercado por muros altos de concreto. Separado da família, que foi enviada para a morte num campo de concentração, o pianista luta por sua sobrevivência enquanto testemunha a enorme violência e irracionalidade cometida contra o povo judeu, e tendo que se refugiar escondido nos prédios abandonados e destruídos de sua cidade, passando fome e esperando o término da guerra ou alguma ajuda dos militares inimigos dos alemães.
O ápice do absurdo dessa guerra é ver os sobreviventes famintos desviando-se de crianças abandonadas nas ruas, mortas por doenças e fome, ignorando completamente suas existências como se seus cadáveres nem estivessem ali, largados nas sarjetas. E o mais incrível, é que passados mais de 60 anos depois, a humanidade ainda insiste nos conflitos armados, desconsiderando as atrocidades cometidas no passado com suas dolorosas repercussões, e intensificando ainda mais seu grau de irracionalidade, agora novamente com outra guerra política dos americanos imperialistas no Iraque.

Também outro filme lançado nos cinemas em 04/04/03 focalizou o ambiente insano da Segunda Guerra Mundial. “Cinzas da Guerra” (The Grey Zone) foi escrito e dirigido pelo ator Tim Blake Nelson, retratando um episódio específico real acontecido em 1944 nos campos de extermínio de judeus em “Auschwitz”, na Polônia, onde alguns judeus eram escolhidos para trabalharem no processo de matança nas câmaras de gás ou nos fornos crematórios dos cadáveres (cujos ossos viravam toneladas de cinzas para serem descarregadas num rio, daí o nome do filme). Em troca pelos serviços, eles recebiam algumas mordomias e garantia de vida por mais quatro meses, quando então seriam executados também e substituídos por outras equipes.
Entre esses judeus escolhidos para trabalharem no processo de carnificina, organizando as filas de judeus para a morte ou limpando as câmaras de gás retirando os cadáveres, estava Hoffman (David Arquette, da série “Pânico” e de “Malditas Aranhas!”). Também escolhido, mas não para o trabalho braçal, estava um médico judeu, Miklos Nyiszli (Allan Corduner), que devido as suas qualidades em medicina, foi indicado pelo próprio carniceiro Josef Mengele (Henry Stram) para trabalhar como patologista em Auchswitz, sob o comando do veterano militar alemão Muhsfeldt (Harvey Keitel). No único episódio conhecido e registrado durante aquela guerra, eles se organizaram e tentaram uma revolta conseguindo destruir dois fornos crematórios, porém culminando inevitavelmente numa tentativa de rebelião fracassada.
É um filme completamente perturbador, com cenas absurdas de violência e extermínio de pessoas em situações piores ainda que gados preparados para o abate em matadouros. A seqüência dos rebeldes sobreviventes do motim deitados no chão apenas aguardando o disparo final de um projétil que estouraria suas cabeças é simplesmente inacreditável. Esse tipo de carnificina aconteceu há 60 anos atrás e para sempre fará sentirmos vergonha de nossa própria humanidade.

Sobre tudo isso, acabo lembrando-me de um filme de ficção científica chamado “O Soldado do Futuro” (Soldier, 1998), em que Kurt Russell é um super soldado treinado apenas para a guerra, a qual nunca deixou de existir para a humanidade, sempre com conflitos sangrentos entre seus povos, saindo até do ambiente interno da Terra e indo em direção a batalhas em outros planetas. Parece que o roteiro pessimista desse filme pode até mesmo representar o futuro da raça humana: estúpidas guerras eternas...

O Pianista (The Pianist / Le Pianiste, França / Alemanha / Polônia / Inglaterra, 2002). Duração: 148 minutos. Direção de Roman Polanski. Roteiro de Ronald Harwood, baseado em livro de Wladyslaw Szpilman. Produção de Robert Benmussa, Roman Polanski e Alain Sarde. Fotografia de Pawel Edelman. Música de Wojciech Kilar. Elenco: Adrien Brody (Wladyslaw Szpilman), Thomas Kretschmann (Capitão Wilm Hosenfeld), Frank Finlay (Pai), Maureen Lipman (Mãe), Emilia Fox (Dorota), Ed Stoppard (Henryk), Julia Rayner (Regina), Jessica Kate Meyer (Halina), Ruth Platt (Janina), Katarzyna Figura (Kittie), Valentine Pelka (Michal), Popeck (Rubinstein).

Cinzas da Guerra (The Grey Zone, Estados Unidos, 2001). Duração: 108 minutos. Direção de Tim Blake Nelson. Roteiro de Tim Blake Nelson, baseado em peça teatral homônima. Produção de Pamela Koffler, Tim Blake Nelson e Christine Vachon. Fotografia de Russell Lee Fine. Música de Jeff Fanna. Elenco: David Arquette (Hoffman), Steve Buscemi (Abramowics), Harvey Keitel (Muhsfeldt), Allan Corduner (Miklos Nyiszli), Mira Sorvino (Dina), Natasha Lyonne (Rosa), Daniel Benzali (Schlermer), David Chandler (Rosenthal), Lisa Benavides (Anja), Henry Stram (Josef Mengele), Kamelia Grigorova (Garota), Velizer Binev (Moll).

“O Pianista” (The Pianist / Le Pianiste, 2002) – avaliação: 8,5 (de 0 a 10)
“Cinzas da Guerra” (The Grey Zone, 2001) – avaliação: 7,0 (de 0 a 10)
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(postado em 20/06/06)

A Profecia (The Omen, EUA / Inglaterra / Hungria, 2006)

Woe to you, Oh Earth and Sea, for the Devil sends the beast with wrath, because he knows the time is short… Let him who hath understanding reckon the number of the beast for it is a human number, its number is six hundred and sixty six.” – Revelations ch. XIII, v. 18. – “Iron Maiden” (The Number of the Beast, 1982)

Na sugestiva data de 06 de Junho de 2006, uma Terça-Feira maldita, para aproveitar o mistério obscuro que envolve o diabólico número 666, os executivos da indústria do cinema utilizaram uma interessante estratégia de marketing lançando nos cinemas “A Profecia” (The Omen), refilmagem do clássico de 1976, que foi dirigido por Richard Donner, estrelado por Gregory Peck e com história baseada no livro de David Seltzer, sobre a vinda do Anticristo na Terra.
O filme originou ainda mais três continuações, mostrando além de eventos sobre a infância do filho do demônio no primeiro filme (com a idade de 5 anos), a adolescência no filme intermediário (“Damien - A Profecia II”, 78), e suas atividades na idade adulta em “Conflito Final – A Última Profecia” (The Final Conflict, 81), além ainda de “A Profecia 4” (Omen IV – The Awakening, 91), onde a protagonista passou a ser agora uma menina diabólica, numa produção especialmente para a televisão.
A nova versão de “A Profecia” é dirigida pelo irlandês John Moore (de “Atrás das Linhas Inimigas” e “O Vôo da Fênix”), o roteiro é novamente do escritor David Seltzer, e tem um elenco principal formado por Liev Schreiber (da trilogia “Pânico”), como o diplomata Robert Thorn, o embaixador americano na Inglaterra, Julia Stiles (como sua esposa Katherine Thorn), Mia Farrow, como a babá diabólica Sra. Baylock (ela que já havia sido vítima de uma conspiração satânica no clássico “O Bebê de Rosemary”, 1968, de Roman Polansky, trazendo em seu ventre o filho do demônio), Seamus Davey-Fitzpatrick (como o Anticristo Damien Thorn), David Thewlis (como o fotógrafo Keith Jennings), e os experientes Michael Gambon (como o arqueólogo Bugenhagen) e Pete Postlethwaite (como o arrependido Padre Brennan).
Na história, uma conspiração demoníaca tem por objetivo proteger o nascimento de um garoto preparado para ser o Anticristo, o representante do Mal na Terra, vindo para instaurar o caos na humanidade. Logo após o diplomata Robert Thorn saber que sua esposa Katherine perdeu o filho ao nascer e que ela teve problemas no útero impedindo de ter outros filhos, ele é persuadido a adotar em segredo uma criança que nasceu no mesmo dia e que não tinha família. Chamado de Damien, o garoto é na verdade o Anticristo e sua infância é marcada por acontecimentos misteriosos e bizarros envolvendo desde o suicídio de uma jovem babá (Amy Huck), um acidente grave com sua mãe, a chegada de outra babá mais velha e extremamente sinistra, o assassinato violento de um padre, e outros eventos não menos trágicos e incomuns. Até que o embaixador Robert Thorn, auxiliado por um fotógrafo que descobriu estranhos sinais em suas fotos, é convencido a investigar a identidade de Damien e lutar para impedir seu triunfo.
Eu li o livro de David Seltzer e assisti a trilogia de Damien já há muito tempo atrás, mas até onde pude lembrar parece que a refilmagem de 2006 procurou ser fiel tanto ao livro (o roteiro também é de Seltzer) como ao filme original de Richard Donner. A mesma idéia central e os principais eventos foram respeitados e alguns até reproduzidos de forma melhorada, e o resultado final é um filme recomendável, apesar dos clichês na tentativa de gerar sustos e a interpretação inferior dos protagonistas (em relação ao clássico dos anos 70, que tinha Gregory Peck, Lee Remick e David Warner, entre outros). Ou seja, o novo filme da franquia merece uma atenção dos fãs do cinema de horror.
O que pode ser questionado é a necessidade de uma refilmagem, onde particularmente não costumo ser favorável a essa prática, que parece demonstrar falta de criatividade dos roteiristas, ou uma certa preguiça em desenvolver novas idéias, e principalmente oportunismo dos executivos para lucrar sobre temas já consagrados, sem grandes riscos comerciais. Mas a resposta que encontrei para tentar justificar pelo menos essa refilmagem de “A Profecia” foi a de produzir um filme de uma história conhecida para as novas audiências, ou seja, para aqueles que ainda não conheciam a obra original de 1976 ou nem leram o livro.
De qualquer maneira, já que a decisão foi fazer um novo filme trinta anos depois do original, aproveitando-se da sugestiva data demoníaca de 06/06/06, pelo menos o resultado não foi comprometedor e novamente o tema de “A Profecia” veio à tona, denunciando de forma assustadora a chegada do Anticristo na Terra.

“A Profecia” (The Omen, 2006) # 385 – data: 17/06/06 – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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(postado em 18/06/06)

A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ, EUA, 2004)

A Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson (que é mais conhecido como ator), é um filme muito bem produzido com algumas seqüências perturbadoras, que muito filme de horror não consegue reproduzir ou alcançar um resultado similar, como por exemplo o início com a participação tentadora do demônio em forma de uma misteriosa mulher, e o incrível flagelo extremamente sangrento contra Jesus Cristo (interpretado por James Caviezel), com violentas chicotadas que arrancavam pedaços de sua carne. Isso sem contar toda a longa e torturante seqüência de crucificação. É um filme perturbador e que inevitavelmente faz com que o espectador saia do cinema pensativo e com várias cenas gravadas na mente por muito tempo. E tem a presença da sempre bela atriz Monica Bellucci, nesse caso no papel de Madalena.

“A Paixão de Cristo” (The Passion of the Christ, 2004) – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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(postado em 17/06/06)

Tróia (Troy, 2004)

Tróia” (Troy, 2004), de Wolfgang Petersen, é uma super produção que procurou recriar alguns dos constantes conflitos por poder que mancharam de sangue a história da humanidade, com guerras violentas decididas na lâmina das espadas.
O ator Brad Pitt, apesar de ser um profissional competente, ficou meio deslocado no papel do imponente guerreiro grego Aquiles, principalmente por sua característica de galã. Talvez o papel ficasse melhor nas mãos de Russell Crowe, que já foi um temível líder guerreiro no cinema, ao estrelar “Gladiador” em 2000.
“Tróia” é um filme recomendável, seja pela grandeza das cenas de batalhas campais, ou seja por tentar retratar momentos conturbados e violentos do passado sangrento de nossa espécie, abordando a irracionalidade do ser humano.

“Tróia” (Troy, EUA / Inglaterra / Bulgária / Malta, 2004) – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
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(postado em 17/06/06)

Hellboy (EUA, 2004)

Em 30/07/04 entrou em cartaz nos cinemas brasileiros mais um filme inspirado num personagem de quadrinhos. “Hellboy” (Hellboy) é um anti-herói vindo do inferno num ritual de magia negra e que tornou-se um defensor da humanidade contra monstros e criaturas bizarras.
O filme é exagerado em fantasia, e como não sou fã de super heróis dos quadrinhos (nesse tipo de mídia eu prefiro mais as histórias de horror), não apreciei “Hellboy” o quanto poderia, sendo um filme para ser conferido tranqüilamente apenas no lançamento em DVD, não sendo necessário um investimento maior com um ingresso de cinema.
Ao seu favor o filme possui belos efeitos especiais, monstros convincentes e principalmente uma atuação competente de Ron Perlman como o protagonista “Hellboy”, porém o roteiro é pouco atrativo e fantasioso demais. De qualquer forma, é uma interessante recomendação para os fãs do personagem e de quadrinhos, sendo que uma continuação já foi até anunciada, graças ao sucesso comercial obtido com a boa receptividade do público.

“Hellboy” (Hellboy, EUA, 2004) – avaliação: 6,0 (de 0 a 10)
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(postado em 17/06/06)