Os Monstros Invasores (Invasion of the Saucer Men, EUA, 1957, PB)

 


FC bagaceira divertida dos anos 50 com discos voadores e pequenos alienígenas cabeçudos com olhos esbugalhados

 

Para os apreciadores dos antigos filmes bagaceiros de ficção científica e horror da década de 1950 (principalmente), um filme que sempre é lembrado por suas características que moldaram o sub-gênero de invasão alienígena é “Os Monstros Invasores” (Invasion of the Saucer Men). Tem o tradicional disco voador pousando numa floresta perto de uma pequena cidade americana, os alienígenas pequenos com cabeças enormes e olhos esbugalhados, ameaçadores e hostis para a humanidade, e as ações (nesse caso, incompetentes) da polícia local e principalmente do exército em ocultar as evidências para não criar pânico.

O filme foi distribuído em 1957 pela cultuada “American International”, da dupla de especialistas James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff. Com fotografia em preto e branco, a direção é de Edward L. Cahn, que também foi o responsável por diversas outras tosquices divertidas do período como “O Cadáver Atômico” (55), “O Fantasma de Mora Tau” (57) e “Invasores Invisíveis” (59). Curto com apenas 69 minutos, seu roteiro tem muitos elementos de humor interagindo com os momentos de horror e sua ideia básica de FC fuleira, baseado na história “The Cosmic Frame”, de Paul W. Fairman.

 

Um jovem casal de namorados, Johnny Carter (Steven Terrell) e Joan Hayden (Gloria Castillo), vão de carro para um local conhecido como parada tradicional para namorar e beber cerveja, localizado dentro da propriedade do fazendeiro Larkin (Raymond Hatton), que não gosta da invasão dos intrusos e dos restos de cerveja jogados no campo e que são consumidos depois por seu touro de estimação. Quando os jovens decidem retornar para a cidade, atropelam acidentalmente um pequeno alienígena que acabara de chegar com sua nave espacial em forma de disco voador.

A partir daí, inicia-se uma série de confusões depois que dois sócios oportunistas e interessados em ganhar dinheiro de qualquer forma, Joe Gruen (Frank Gorshin) e Artie Burns (Lyn Osborn), se envolvem com a descoberta da nave e seus ocupantes cabeçudos, que emitem ruídos estranhos e possuem garras nas mãos que injetam álcool nas suas vítimas. Para aumentar o tumulto, ainda tem o exército atrapalhado, que tenta esconder a nave e ocultar a invasão, em ações lideradas pelo Coronel Ambrose (Sam Buffington) e o Tenente Wilkins (Douglas Henderson).

 

“Os Monstros Invasores” é o exemplo típico do cinema bagaceiro de ficção científica que diverte com suas inúmeras bobagens, em histórias ingênuas e exageradas na fantasia, representando o período conturbado da década de 1950, com a paranoia de invasão alienígena depois do famoso incidente ufológico em 1947 na cidade americana Roswell.

O disco voador é uma maquete tosca (numa época sem computação gráfica), os alienígenas invasores são interpretados por atores anões vestindo roupas e máscaras de borracha, com imensas cabeças e olhos esbugalhados, encarnando o típico estereótipo criado pelo cinema para esses seres hostis vindos de outros mundos. A história é simples e sem profundidade, não há explicações sobre o disco voador e os extraterrestres, eles apenas vieram e são ameaçadores. Tudo é tratado de forma superficial e conveniente para os baixos custos da produção, com diálogos rasos e situações previsíveis. Mas, o resultado final é pura diversão para quem aprecia o cinema fantástico bagaceiro.     

Curiosamente, tanto a nave espacial quanto a maquiagem dos alienígenas foram confeccionados pelo técnico em efeitos especiais Paul Blaisdell (1927 / 1983), que trabalhou para vários outros filmes similares na época, marcando seu nome no gênero. E foi lançada uma refilmagem em 1965 com o título “The Eye Creatures”, dirigido por Larry Buchanan.

 

(RR – 29/04/18)


O Mundo Perdido (The Lost World, EUA, 1960)

 



O Mundo Perdido (The Lost World, EUA, 1960) foi baseado em livro homônimo de Arthur Conan Doyle e com direção de Irwin Allen, o criador de nostálgicas e memoráveis séries de TV dos anos 60 do século passado, como “Perdidos no Espaço”, “Viagem ao Fundo do Mar”, “Terra de Gigantes” e “O Túnel do Tempo”. E também produtor de clássicos do subgênero “catástrofe”, como “O Destino do Poseidon” (1972) e “Inferno na Torre” (1974). Além dessas ótimas credenciais, “O Mundo Perdido” tem em seu elenco Claude Rains (“O Homem Invisível”, 1933 e “O Fantasma da Ópera”, 1943), Michael Rennie (“O Dia Em Que a Terra Parou”, 1951) e David Hedison, o capitão Crane da série “Viagem ao Fundo do Mar” e o “cientista louco” de “A Mosca da Cabeça Branca” (1958).


O excêntrico Prof. George Edward Challenger (Claude Rains) consegue reunir uma expedição científica com destino à Amazônia, para localizar e explorar um imenso platô onde supostamente ainda existem dinossauros gigantes. O grupo ainda conta com um famoso aventureiro, Lord John Roxton (Michael Rennie), um jornalista, Ed Malone (David Hedison), outro cientista, o Prof. Summerlee (Richard Haydn), a filha de um investidor da expedição, Jennifer Holmes (Jill St. John), o jovem irmão dela, David (Ray Stricklyn), e dois homens da região do Amazonas, Costa (Jay Novello) e o piloto de helicóptero Manuel Gomez (Fernando Lamas). Chegando à região misteriosa, eles encontram dinossauros e índios nativos hostis, e depois que o helicóptero é destruído, o desafio é conseguir encontrar um meio de sair do “mundo perdido”, retornar para a civilização com vida e se possível, trazendo alguma prova da existência dos monstros pré-históricos.


Clássico da saudosa “Sessão da Tarde” da TV Globo, da época quando ainda eram exibidos filmes antigos e divertidos. “O Mundo Perdido” é uma aventura com elementos de ficção científica e humor, onde o destaque é a forma como são mostrados os dinossauros. Numa época sem a tecnologia de computação gráfica para a criação dos monstros, Irwin Allem preferiu não utilizar os tradicionais bonecos em “stop motion” e optou por filmar animais vivos (lagartos maquiados com chifres) caminhando sobre cenários em miniatura, com a perspectiva de filmagem por baixo, dando a sensação de serem monstros gigantescos. Curiosamente, vale citar que o livro de Conan Doyle teve várias outras adaptações para o cinema, sendo a primeira em 1925, na época do cinema mudo. Teve também um telefilme em 1999 que originou uma série de TV produzida até 2002. 

(RR – 01/01/14)



A Maldição da Chorona (La Maldición de la Llorona / The Curse of the Crying Woman, México, 1963, PB)

 


O cinema antigo de horror mexicano tem algumas preciosidades que não podem ficar esquecidas. “A Maldição da Chorona” (La Maldición de la Llorona / The Curse of the Crying Woman, 1963) é uma produção de 1961, porém lançada dois anos depois, com fotografia em preto e branco, dirigida e escrita por Rafael Baledón, a partir de uma história de Fernando Galiana, que por sua vez utilizou elementos de uma lenda popular sobre uma mulher fantasma que chora de forma assustadora.

 

Na história do filme, a jovem Amelia (a venezuelana Rosita Arenas, de “La Momia Azteca Contra el Robot Humano” ou “The Robot vs. The Aztec Mummy”, 1958), recém casada com Jaime (Abel Salazar, de “El Barón del Terror” ou “The Brainiac”, 1962), recebe o convite para visitar sua tia Selma (Rita Macedo), que não vê há 15 anos e que mora solitária num casarão afastado no meio de uma floresta. A casa de aspecto sombrio é conhecida na região por ser assombrada e temida pelos moradores das aldeias próximas por causa da ocorrência misteriosa de assassinatos noturnos na estrada em seus arredores, cuja autoria é investigada sem sucesso pelo capitão da polícia local (Mario Sevilla), e onde as vítimas são encontradas sem sangue.

Chegando ao destino, o casal é recebido pelo rude serviçal Juan (Carlos López Moctezuma), manco e com o rosto desfigurado. No encontro da jovem Amelia com sua tia Selma, logo é informada a real intenção do convite, com a revelação da existência de uma maldição familiar envolvendo a antiga bruxa maléfica Marina, que renegou todos os seus bens e adquiriu um poder sobrenatural das trevas. Ela foi executada com uma lança no peito, e ficou conhecida como “a mulher chorona”, devido seus gritos aterrorizantes de agonia (daí o título original). Seu cadáver apodrecido está escondido no porão da casa, aguardando apenas a oportunidade de ressurgir entre os vivos. E como elas eram suas únicas descendentes, a ideia seria reviver a feiticeira num ritual de magia negra, no aniversário de 25 anos de Amelia, cujo presente seria o seu sacrifício, dando a vida para trazer a antiga bruxa de volta.

 

“A Maldição da Chorona” é uma pérola do cinema gótico com todas as suas tradicionais características de um horror sutil, mas extremamente eficiente na elaboração de uma atmosfera sombria e sinistra. Temos a carruagem como meio de transporte da época, tornando sempre árdua e demorada a tarefa de se locomover; a floresta com árvores secas e aspecto fantasmagórico envoltas numa tenebrosa névoa espessa; e o casarão frio e deprimente de pedra, repleto de passagens secretas e ambientes tétricos, decorado por teias de aranha, habitado por ratos e morcegos e protegido por imensos cães assassinos, que mais parecem guardiões dos portais do inferno. Estão também presentes aqueles esperados clichês que contribuem de forma decisiva para a construção de um clima mórbido como o serviçal demente com o rosto desfigurado; o porão sinistro que esconde um segredo aterrador; e a música tétrica de um órgão tocando acordes de gelar a espinha.

Além de um espelho mágico que reflete a personalidade sombria escondida na jovem Amelia, que é vítima de uma maldição familiar; um alçapão que serve de inesperada armadilha; e os gritos estridentes de uma mulher chorona ecoando pelos corredores do casarão. Sem contar a presença de um homem preso no sótão, deformado pela loucura (no caso, é o marido de Selma, o Dr. Daniel Jaramillo, interpretado por Enrique Lucero, e que perdeu a sanidade nos anos forçados de reclusão, vivendo como um animal).

A maquiagem da maléfica Selma, quando transformada em bruxa, com o rosto modificado simulando a região dos olhos como escuras cavidades vazias, é um dos pontos fortes do filme, passando a sensação do Mal absoluto.

Curto, com apenas uma hora e quinze minutos de duração, e com uma constante atmosfera de tensão e horror sugerido, “A Maldição da Chorona” é recomendável para apreciadores do cinema gótico e história de bruxas e maldição familiar, e para quem procura por produções antigas (nesse caso, da década de 60 do século passado) fora do tradicional mercado americano ou europeu.

 

(RR – 29/03/15)



O Monstro Que Desafiou o Mundo (The Monster That Challenged the World, EUA, 1957)


“Eu percebo que as pessoas sempre tiram conclusões precipitadas sobre reações nucleares. Fato científico e ficção científica não são a mesma coisa, absolutamente nada a ver.”

– cientista Dr. Jess Rogers, sobre a especulação da relação entre testes nucleares e a criação de monstros mutantes

 

Os anos 50 do século passado foram os mais significativos para os filmes com monstros toscos e elementos de horror e ficção científica, com histórias explorando a tensão mundial naquela época com a possibilidade real de um apocalipse nuclear por causa da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética. A tensão perturbadora instigava a exploração da energia atômica e a radiação nociva com testes nucleares de bombas de destruição em massa. Essa ideia básica aliada aos monstros gigantes e ameaçadores para a humanidade, gerados pelas consequências desconhecidas desses testes atômicos, incentivou a imaginação dos roteiristas para a criação de uma infinidade de filmes bagaceiros divertidos pelos exageros científicos e escapismo. “O Monstro Que Desafiou o Mundo” (The Monster That Challenged the World, EUA, 1957) é mais um desses filmes, com moluscos pré-históricos gigantes saindo das profundezas do oceano por uma fenda aberta num terremoto.

 

Com direção de Arnold Laven, roteiro de David Duncan e Pat Fielder, e fotografia original em preto e branco, o filme mostra uma série de testes militares com armas nucleares realizados no mar, próximo de uma base da Marinha na costa da Califórnia, Estados Unidos. Depois de um tremor sísmico abrir uma rachadura, enormes monstros invadem a superfície matando pessoas e deixando um rastro com uma gosma pegajosa branca e radioativa, instaurando o caos na região. Um oficial militar é o responsável pelas investigações, o Tenente John Twillinger (Tim Holt), auxiliado pelo cientista Dr. Jess Rogers (Hans Conried), chefe do laboratório de pesquisas da Marinha, que por sua vez tem Gail MacKenzie (Audrey Dalton) como secretária. O objetivo é encontrar uma solução para a crise, tentando localizar e destruir os ovos das criaturas e impedir o domínio e ameaça dos “monstros que desafiaram o mundo”.

 

O filme tem todas aquelas características conhecidas pela infinidade de similares do mesmo período, como o título sonoro e sensacionalista (longe de desafiar o mundo, o monstro apenas atacou uma parte da Califórnia); os cartazes promocionais com artes bem elaboradas, coloridas e chamativas, instigando a curiosidade do público; e os monstros toscos e assassinos com efeitos práticos bagaceiros, sem computação gráfica que torna tudo muito artificial (felizmente indisponível na época), e com a imensa dificuldade de produção com orçamentos reduzidos, na tentativa de simular situações convincentes com grande carga dramática de horror para os espectadores assustados daquela época.

Como os monstros apareciam pouco em cena, justamente pelas dificuldades técnicas e poucos recursos, para ocupar o tempo de projeção do filme (nesse caso 84 minutos) as histórias arrastadas se perdiam em muita enrolação com um tradicional par romântico (aqui formado pelo herói Tenente Twillinger e a mocinha Gail, uma jovem mãe e viúva), além das cansativas investigações criminais da polícia sobre as mortes violentas das vítimas e perseguição dos monstros e seus ovos, além das investigações científicas da Marinha com os estudos sobre as origens e desenvolvimento das criaturas gosmentas radioativas.

Curiosamente, apesar dos monstros serem chamados de moluscos gigantes no filme, na verdade pareciam mais como algum tipo de larva mutante, com seus corpos e mandíbulas sendo diferentes dos moluscos.

Para a sorte de todos que apreciam essas bagaceiras divertidas de um passado cada vez mais distante, o filme foi lançado em DVD no Brasil pela “Versátil Home Vídeo” no box “Clássicos Sci Fi: Anos 50 – Volume 3”, e também está disponível no “Youtube” numa versão colorizada por computador e com a opção de legendas em português.

 

(RR – 02/01/26)


Trilogia do Terror (Trilogy of Terror, EUA, 1975)

 


“Trilogia do Terror” (Trilogy of Terror, EUA, 1975) é uma antologia para a televisão com três histórias curtas independentes produzidas e dirigidas pelo especialista na telinha Dan Curtis, e estreladas por Karen Black em vários papéis diferentes, a partir de roteiros do escritor Richard Matheson.

Fez parte do programa “ABC Movie of the Week” da rede de TV “ABC”, sendo o filme 250 de um total de 258, ou o 37 da sexta temporada, exibido originalmente nos Estados Unidos em 04/03/1975.

Esse cultuado programa apresentou na década de 1970 uma infinidade de preciosidades de todas as temáticas, e no caso do nosso interesse maior que são os elementos de suspense e horror, felizmente tivemos uma grande quantidade de filmes curtos que não ultrapassavam uma hora e quinze minutos de duração, todos divertidos e marcantes para quem teve a oportunidade de ver na TV ou home vídeo. Filmes como “A Fazenda Crowhaven”, “Volte, Ammie, Volte!”, “Escravos da Noite”, “A Última Criança”, “Encurralado”, “A Noite do Lobo”, “Trama Diabólica”, “O Grito do Lobo”, “A Força do Mal”, “Férias Mortais”, “O Amuleto Egípcio”, “Escola de Meninas”, “Pânico e Morte na Cidade”, “Um Grito de Mulher”, “Grito de Pânico”, “Os Demônios dos Seis Séculos”, “A Morte Numa Noite Fria”, “Todos Muito Estranhos”, “A Máquina Assassina”, “Abelhas Assassinas” e “O Triângulo do Diabo”.

 

A primeira história chama-se “Julie”. Uma aparentemente recatada professora de Inglês, Julie Eldridge (Karen Black), instiga o interesse amoroso do estudante Chad Foster (Robert Burton, que curiosamente era casado com ela na vida real naquela época). Chad tem como hobby a fotografia e uma vez fascinado pela professora, ele planeja uma forma de chantageá-la, com uma reação inesperada.

No segundo conto, “Millicent and Therese”, após o funeral do pai, a comportada Srta. Millicent Larimore (novamente Karen Black), tenta convencer o Sr. Thomas Anmar (John Karlin), namorado da sua irmã devassa Therese, afirmando que ela é maligna e entusiasta de livros de demonologia, bruxaria e vodu, e que suas ações são guiadas por Satã. Por outro lado, Therese tenta corromper e manipular sexualmente o médico da família Dr. Chester Ramsey (George Gaines), culminando num inevitável confronto entre elas.

Na última história chamada “Amelia”, Karen Black é a mulher do título que está em seu apartamento com um pequeno boneco de madeira representando um guerreiro africano Zuni, que pretende presentear ao seu namorado, um professor de antropologia. Após uma conversa turbulenta pelo telefone com a mãe manipuladora, ela involuntariamente permite que um espírito maligno desperte no boneco, que ganha vida própria e inicia uma caçada com perseguição e ataques sangrentos contra a mulher indefesa.    

 

Os dois primeiros contos são apenas medianos, com discretos elementos de horror e que exigem um cuidado especial para não serem revelados detalhes ou “spoilers” que poderiam comprometer a experiência do espectador, mesmo sendo histórias simples e comuns. Com uma reviravolta no primeiro sem grande impacto e uma revelação previsível no segundo.

Mas, em compensação, o terceiro episódio, mesmo também com uma história simples, é disparado o mais divertido, principalmente pelos efeitos práticos toscos do boneco possuído por um guerreiro demoníaco, com seus grunhidos hilários e ataques violentos com movimentos bruscos, além de um ótimo desfecho.

 

“Trilogia do Terror” foi lançado em DVD no Brasil pela “Versátil Home Vídeo” no box “Obras-Primas do Terror” Volume 19, e está disponível no “Youtube” com legendas em português.

É um piloto de uma série de TV no estilo de antologia com histórias independentes, mas que não foi concretizada. O filme teve uma continuação em 1996 com o nome “Trilogia do Terror II”, que também foi lançada em DVD pela “Versátil” no mesmo box.

Entre as curiosidades, quando foi exibido na TV brasileira em 1981, o terceiro episódio “Amelia” foi cortado pela censura e o filme teve que ser renomeado para “Duas Histórias de Terror”. Anos mais tarde foi liberado completo e recebeu o título “Trilogia do Terror”, uma tradução literal do original.

Existe outro filme que recebeu o mesmo nome “Trilogia do Terror” no Brasil. Trata-se de “Body Bags” (1993), uma antologia para a televisão com o diferencial de ter vários diretores famosos do Horror envolvidos no projeto, dirigindo ou mesmo atuando, como John Carpenter, Tobe Hooper, Wes Craven, Sam Raimi e Roger Corman. 

O diretor e produtor Dan Curtis (1927 / 2006) foi um especialista na televisão com vários filmes e séries de horror voltados para as telinhas como “Nas Sombras da Noite” (1970), “Maldição das Sombras” (1971), “A Noite do Estrangulador” (1973), “Drácula, o Demônio das Trevas” (1973), “O Grito do Lobo” (1974), “A Mansão Macabra” (1976), a também antologia de contos “Trilogia Macabra” (1977), “A Maldição da Viúva Negra” (1977) e “Trilogia do Terror II” (1996).

Sua filha na vida real, Tracy Curtis, teve uma ponta no filme como a garotinha no segmento “Millicent and Therese”, que estava chorando ao lamentar por sua boneca quebrada pela perversa Therese.  

 

(RR – 22/11/25)






O Fantasma de Frankenstein (The Ghost of Frankenstein, EUA, 1942, PB)

 


A produtora americana “Universal”, assim como toda empresa que precisa lucrar para manter e continuar suas atividades, aproveitou a boa receptividade do público com a história do monstro de Frankenstein (criado pela escritora Mary Shelley em 1818) e explorou a ideia o máximo possível. “O Fantasma de Frankenstein” (The Ghost of Frankenstein, 1942) é o quarto filme da série, após “Frankenstein” (1931), “A Noiva de Frankenstein” (1935) e “O Filho de Frankenstein” (1939), sendo que nestes três filmes a criatura foi interpretada pelo lendário Boris Karloff (1887 / 1968), que não repetiu mais o papel. Em seu lugar foi escalado então outro ícone do cinema de horror, Lon Chaney Jr. (1906 / 1973), mais conhecido como o “lobisomem” no clássico de 1941.

Em “O Fantasma de Frankenstein”, dirigido por Erle C. Keaton, a história segue a partir dos acontecimentos do filme anterior, e o monstro estaria supostamente destruído, soterrado numa mina de enxofre debaixo da torre do cientista Frankenstein, e o ajudante Ygor, interpretado pelo húngaro Bela Lugosi (1886 / 1956), o eterno “Drácula” depois de surgir no filme homônimo de 1931, havia sido cravejado de balas. Porém, os aldeões do vilarejo estão descontentes com o declínio da região, alegando influência da maldição de Frankenstein. Nada prospera no local e então eles conseguem autorização das autoridades para explodir o castelo do “cientista louco”. Para a surpresa geral, encontram o manco Ygor ainda vivo e ele, depois da destruição do imenso casarão de pedras, localiza o monstro no subsolo, preservado pelo enxofre.
Ygor consegue resgatar seu companheiro e juntos fogem para a cidade de Visaria para procurar o outro filho de Frankenstein, o médico Ludwig (Cedric Hardwicke), especialista em doenças mentais. Após uma série de incidentes entre a criatura e os moradores da cidade, envolvendo também o promotor Erick Ernst (Ralph Bellamy), namorado de Elsa (Evelyn Ankers, filha de Ludwig Frankenstein), Ygor consegue convencer o também cientista e seu assistente ressentido Dr. Theodore Bohmer (Lionel Atwill), a realizarem novas experiências com o monstro, tentando trocar seu cérebro maligno. O Dr. Ludwig recebe também a influência de uma aparição do fantasma de seu pai, que aconselha não destruir a criatura feita de restos de cadáveres humanos.    
   
“No entanto, quase resolvi um problema que tem confundido o ser humano desde tempos imemoriais: o segredo da vida criada artificialmente” – fantasma do Barão Henry Frankenstein

Com fotografia em preto e branco e duração de apenas 67 minutos (era comum naquela época os filmes serem curtos), “O Fantasma de Frankenstein” desperta interesse quase que exclusivamente pela atmosfera gótica e pelos atores (Lon Chaney Jr. e Bela Lugosi sempre tiveram grande relação com o Horror). Enquanto Chaney continua fazendo do monstro de Frankenstein uma aberração assustadora, numa decisão acertada em manter os mesmos aspectos visuais da criatura dos filmes anteriores interpretada por Karloff, o sinistro Ygor de Bela Lugosi também continua convincente e de extrema importância para os rumos da história.
Por outro lado, o roteiro pouco contribuiu para esse universo ficcional já bastante explorado, mesmo em 1942. A necessidade de obtenção de lucros pelos realizadores pressionou os roteiristas, que por sua vez enfrentaram uma escassez de criação. Eles reciclavam as mesmas ideias, contando histórias similares com os descendentes do cientista, ressuscitando o monstro e outros personagens, e utilizando as mesmas motivações e elementos que caracterizaram os filmes anteriores. O ápice dessa falta de originalidade resultou em vários filmes “crossover” produzidos em seguida, misturando os monstros “Drácula”, “Lobisomem” e “Criatura de Frankenstein” numa mesma história, abandonando ainda mais qualquer regra de coerência. 
Por curiosidade, o filme recebeu primeiramente o título nacional “A Alma de Frankenstein” e depois também ganhou o mais apropriado “O Fantasma de Frankenstein”. Foi lançado em DVD tanto pela “Universal” quanto “Dark Side” num programa duplo com o filme anterior da série, “O Filho de Frankenstein”. E também sozinho, pela “Continental”.  
  
(RR – 05/02/17)


Criaturas das Profundezas (Humanoids From the Deep, EUA, 1980)

 


“Criaturas das Profundezas” (Humanoids From the Deep, EUA, 1980)


Monstros marinhos humanoides passam a atacar uma pequena vila de pescadores. As criaturas foram geradas após peixes primitivos se alimentarem de salmões contaminados com um hormônio de crescimento criado em laboratório por uma empresa interessada em investir na região. 


Sangue e mutilações em doses razoáveis, e algumas cenas de mulheres peladas, num filme mediano produzido por Roger Corman, mas que garante uma boa diversão.


Os veteranos Vic Morrow e Doug McClure lideram o elenco. Teve uma refilmagem em 1996, também produzida por Corman.


(RR – 20/11/12)