“Eu percebo que as pessoas sempre tiram conclusões precipitadas sobre reações nucleares. Fato científico e ficção científica não são a mesma coisa, absolutamente nada a ver.”
– cientista Dr. Jess Rogers, sobre a especulação da relação entre
testes nucleares e a criação de monstros mutantes
Os anos 50 do século passado foram os mais significativos para os
filmes com monstros toscos e elementos de horror e ficção científica, com
histórias explorando a tensão mundial naquela época com a possibilidade real de
um apocalipse nuclear por causa da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga
União Soviética. A tensão perturbadora instigava a exploração da energia
atômica e a radiação nociva com testes nucleares de bombas de destruição em
massa. Essa ideia básica aliada aos monstros gigantes e ameaçadores para a
humanidade, gerados pelas consequências desconhecidas desses testes atômicos, incentivou
a imaginação dos roteiristas para a criação de uma infinidade de filmes
bagaceiros divertidos pelos exageros científicos e escapismo. “O Monstro Que Desafiou o Mundo” (The
Monster That Challenged the World, EUA, 1957) é mais um desses filmes, com
moluscos pré-históricos gigantes saindo das profundezas do oceano por uma fenda
aberta num terremoto.
Com direção de Arnold Laven, roteiro de David Duncan e Pat
Fielder, e fotografia original em preto e branco, o filme mostra uma série de
testes militares com armas nucleares realizados no mar, próximo de uma base da Marinha
na costa da Califórnia, Estados Unidos. Depois de um tremor sísmico abrir uma rachadura,
enormes monstros invadem a superfície matando pessoas e deixando um rastro com
uma gosma pegajosa branca e radioativa, instaurando o caos na região. Um
oficial militar é o responsável pelas investigações, o Tenente John Twillinger
(Tim Holt), auxiliado pelo cientista Dr. Jess Rogers (Hans Conried), chefe do
laboratório de pesquisas da Marinha, que por sua vez tem Gail MacKenzie (Audrey
Dalton) como secretária. O objetivo é encontrar uma solução para a crise,
tentando localizar e destruir os ovos das criaturas e impedir o domínio e ameaça
dos “monstros que desafiaram o mundo”.
O filme tem todas aquelas características conhecidas pela
infinidade de similares do mesmo período, como o título sonoro e
sensacionalista (longe de desafiar o mundo, o monstro apenas atacou uma parte
da Califórnia); os cartazes promocionais com artes bem elaboradas, coloridas e
chamativas, instigando a curiosidade do público; e os monstros toscos e assassinos
com efeitos práticos bagaceiros, sem computação gráfica que torna tudo muito
artificial (felizmente indisponível na época), e com a imensa dificuldade de
produção com orçamentos reduzidos, na tentativa de simular situações
convincentes com grande carga dramática de horror para os espectadores
assustados daquela época.
Como os monstros apareciam pouco em cena, justamente pelas
dificuldades técnicas e poucos recursos, para ocupar o tempo de projeção do
filme (nesse caso 84 minutos) as histórias arrastadas se perdiam em muita
enrolação com um tradicional par romântico (aqui formado pelo herói Tenente
Twillinger e a mocinha Gail, uma jovem mãe e viúva), além das cansativas
investigações criminais da polícia sobre as mortes violentas das vítimas e
perseguição dos monstros e seus ovos, além das investigações científicas da Marinha
com os estudos sobre as origens e desenvolvimento das criaturas gosmentas
radioativas.
Curiosamente, apesar dos monstros serem chamados de moluscos
gigantes no filme, na verdade pareciam mais como algum tipo de larva mutante, com
seus corpos e mandíbulas sendo diferentes dos moluscos.
Para a sorte de todos que apreciam essas bagaceiras divertidas de
um passado cada vez mais distante, o filme foi lançado em DVD no Brasil pela
“Versátil Home Vídeo” no box “Clássicos Sci Fi: Anos 50 – Volume 3”, e também
está disponível no “Youtube” numa versão colorizada por computador e com a
opção de legendas em português.
(RR – 02/01/26)
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