A Volta dos Mortos-Vivos: Necrópolis (Return of the Living Dead: Necropolis, EUA, 2005)


Em 1985, Dan O´Bannon dirigiu “A Volta dos Mortos-Vivos” (The Return of the Living Dead), um divertido filme de zumbis com elementos de humor negro, revelando a “rainha do grito” Linnea Quigley (a punk nua no cemitério), tornando-se uma referência da produção de horror daquela década e que transformou-se numa obra cultuada pelos fãs do gênero. Inevitavelmente, gerou uma franquia com mais quatro filmes que não mantiveram o mesmo interesse do original. Vinte anos depois, o cineasta Ellory Elkayem (da divertida paródia “Malditas Aranhas!”), foi o responsável por dois filmes rodados de uma só vez, as partes 4 (com o subtítulo “Necropolis”) e 5 (“Rave From the Grave”), ambas lançadas em DVD no Brasil pela “FlashStar”.

Em “Necropolis”, um grupo de estudantes descobre que uma poderosa empresa química de tecnologia está fazendo experiências com cobaias humanas e um produto químico capaz de reanimar cadáveres. Quando um deles sofre um acidente de moto e é transferido ilegalmente do hospital para a empresa, eles decidem resgatá-lo, invadindo o centro de pesquisas e descobrindo a existência de uma legião de zumbis aprisionados. Uma falha no sistema de segurança permite que os mortos-vivos saiam de suas celas, instaurando o caos e obrigando os jovens a lutarem desesperadamente por suas vidas.

Se eu tivesse que escolher uma única palavra para definir o que é “A Volta dos Mortos-Vivos: Necrópolis” essa palavra seria “lixo”. Porém, não um lixo divertido, e sim algo descartável. Os problemas principais do filme são o péssimo roteiro, com uma imensidão de furos grotescos que desafiam a inteligência do espectador, e o elenco completamente inexpressivo, formado por atores desconhecidos e irrelevantes como Aimee-Lynn Chadwick, Cory Hardrict, John Keefe, Jana Kramer, Diana Munteanu e Alexandru Geoana. Até o experiente Peter Coyote está totalmente deslocado, fazendo o papel de um vilão cientista “louco” responsável pelas experiências bizarras com zumbis, e que quando foi perguntado sobre o motivo dessas experiências, ele apenas respondeu que era para dominar o mundo, num clichê tão ridículo que é inacreditável como o roteirista (que não vale a pena nem citar o nome) demonstrou preguiça em tentar desenvolver uma história com um mínimo de coerência.
Eu teria uma infinidade de outros exemplos para serem citados atestando a péssima qualidade do roteiro, que faria com que essa breve resenha não tivesse mais fim, mas vale registrar alguma coisa para compensar meu esforço em ver o filme. Os personagens são aqueles tipos óbvios que sempre marcam presença em filmes tranqueiras, onde temos o mocinho herói, seu melhor amigo que irá voltar-se contra ele por causa da perda da namorada, o especialista em computadores, a vadia gostosa e exibicionista, o metido a valentão que gosta de resolver as coisas na porrada, e outros que não despertam nenhuma empatia incitando-nos apenas a torcer por suas mortes dolorosas. É impressionante como o grupo de estudantes consegue facilmente invadir uma poderosa empresa de pesquisas e os guardas de segurança somente aparecerem quando é para oferecerem seus cérebros aos zumbis. É também uma grande piada testemunharmos a transformação de um dos jovens em morto-vivo e em vez dele balbuciar apenas a palavra “cérebro” como todos os outros zumbis idiotas, ele tem a capacidade diferenciada de dialogar tranqüilamente quando quer e de forma ameaçadora em tom de vingança quando lhe convém contra o mocinho da história, apenas para facilitar o trabalho acomodado do roteirista na criação de uma cena de confronto entre eles.

Os efeitos especiais nas cenas de mortes (com os tradicionais disparos de projéteis na cabeça) e a maquiagem dos zumbis comedores de cérebros são razoáveis, mas isso não garante grandes méritos uma vez que é apenas mais um trabalho trivial, similar ao que já foi visto em inúmeros outros filmes. Ou seja, “Necrópolis” não acrescenta nada para a franquia “A Volta dos Mortos-Vivos” (que nem deveria existir, ficando apenas no filme original), e nem para o subgênero “zumbis”. É um filme dispensável e que só contribui para criar uma imagem pejorativa do cinema de horror, que ao contrário disso, é um gênero artístico fascinante e que merece mais respeito. Ainda bem que está surgindo uma nova safra de ótimos cineastas como o inglês Neil Marshall (“Cães de Caça” / “Abismo do Medo”), o francês Alexandre Aja (“Alta Tensão” / “Viagem Maldita”) e o americano Eli Roth (“Cabana do Inferno” / “O Albergue”), entre outros, para honrar um pouco os fãs com filmes mais violentos e perturbadores.

“A Volta dos Mortos-Vivos: Necrópolis” (Return of the Living Dead: Necropolis, Estados Unidos, 2005) # 401 – data: 12/10/06 – avaliação: 2 (de 0 a 10)
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(postado em 14/10/06)

Abismo do Medo (The Descent, Inglaterra, 2005)


Em 2002, Neil Marshall presenteou os fãs do cinema de horror com o cultuado “Cães de Caça” (Dog Soldiers), uma história violenta de lobisomens com divertidos elementos de humor negro. Três anos depois, o mesmo cineasta lançou sua contribuição aos filmes sobre ambientes carregados de claustrofobia com “Abismo do Medo” (The Descent), que chegou nos cinemas brasileiros em 22/09/06, distribuído pela “California Filmes”.
Na história, um grupo de seis mulheres se aventura por uma caverna à procura de diversão e elas são surpreendidas por um pequeno desmoronamento que impede o retorno à superfície pela mesma entrada. O grupo é formado pela líder Juno (Natalie Jackson Mendoza), ao lado das companheiras Sarah (Shauna Macdonald), que teve uma experiência traumática num acidente fatal com sua filha pequena Jessica (Molly Kayll), Beth (Alex Reid), Rebecca (Saskia Mulder), Sam (MyAnna Buring) e Holly (Nora-Jane Noone).
Após o imprevisível tremor, elas são obrigadas a procurar uma saída alternativa, enfrentando uma série de obstáculos como a escuridão opressora, o medo do confinamento, e a passagem por locais apertados com o terrível sentimento de claustrofobia de um ambiente desconhecido e soterrado. Contudo, elas não imaginariam que o maior problema a ser enfrentado seria outro ainda pior: a improvável possibilidade de encontrarem formas grotescas de vida parecidas com homens, porém não humanas, vivendo primitivamente nas profundezas dos infindáveis fossos, com características extremamente violentas e carnívoras, e que estariam interessadas diretamente em saborear suas carnes.
“Abismo do Medo” é um dos grandes filmes de horror que foram exibidos nos cinemas brasileiros em 2006, ao lado de “Wolf Creek – Viagem ao Inferno”, “Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado” (Shutter), “O Albergue” (Hostel), “Viagem Maldita” (The Hills Have Eyes) e outros, provando ser um ano bem favorável ao cinema de horror.
Dirigido e escrito por Neil Marshall, o filme tem todos os elementos necessários para deixar o espectador tenso, manipulando suas emoções, fazendo-o testemunhar desde a deterioração progressiva do relacionamento das mulheres, obrigadas a lutarem por suas vidas num local fechado, até o confronto brutal com criaturas bizarras que querem o sangue dos invasores de seu território e destroçar seus corpos frágeis com garras afiadas.
Altamente recomendável para quem procura tensão, violência, sangue em profusão e um desfecho depressivo.

N.A.: Em 2009 foi lançado em DVD no Brasil a continuação “Abismo do Medo 2” (The Descent: Part 2), mostrando eventos imediatamente posteriores ao desfecho do filme original, com o retorno das atrizes Natalie Jackson Mendoza e Shauna Macdonald.

“Abismo do Medo” (The Descent, Inglaterra, 2005) # 400 – data: 29/09/06 – avaliação: 9 (de 0 a 10)
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(postado em 29/09/06)

À Meia Luz (versões de 1940 e 44)

 

    Para quem aprecia cinema antigo, com fotografia em preto e branco, roteiro sem violência ou elementos sobrenaturais, mas com um suspense sutil, discreto e bem construído, uma dica pode ser conhecer ambas as versões de “À Meia Luz” (Gaslight), com história baseada na peça teatral de Patrick Hamilton. O primeiro filme é inglês de 1940, menos conhecido, dirigido por Thorold Dickinson e estrelado por Anton Walbrook e Diana Wynyard. Já o filme seguinte é americano de 1944, muito mais badalado, produzido pela “MGM”, dirigido por George Cukor e com um elenco formado por astros famosos como Charles Boyer, Ingrid Bergman, Joseph Cotten e Angela Lansbury (em seu primeiro filme). Logicamente que ambos os filmes possuem sua própria liberdade de criação artística e existem pequenas diferenças, mas de uma forma geral, os roteiros são bem parecidos, trazendo vários elementos comuns.   
  

             Versão de 1940


Ambientada na Londres do início do século XX, “À Meia Luz” começa com um assassinato brutal de uma senhora idosa, Alice Barlow (Marie Dexter), dentro de sua própria casa, a número 12 de “Pimlici Square”. O crime não foi desvendado pela polícia e o local perdeu seu valor imobiliário, sendo que demorou vinte anos para a casa ser ocupada novamente. E os novos moradores são o casal Mallen, formado por Paul (Anton Walbrook) e Bella (Diana Wynyard), que contrataram duas arrumadeiras, Elizabeth (Minnie Rayner) e a jovem Nancy (Cathleen Cordell).

Porém, o casal enfrenta constantes crises conjugais, onde o marido possessivo tem que lidar com uma aparente doença em sua esposa, que supostamente se apossa de objetos da casa e os esconde, além de ter alucinações e sonhos estranhos, com sintomas que parecem evidenciar um processo progressivo de insanidade. Por isso, ela não sai de casa, sendo sempre submissa ao marido e imagina ver coisas como a misteriosa variação de intensidade da luz movida a gás de seu quarto (daí o título original), ou ouvir passos no andar de cima de sua casa imensa. Por outro lado, Paul parece cada vez mais impaciente com a esposa, acusando-a de pequenos furtos e vestígios de loucura, perturbação e desequilíbrio emocional. Ele também sai toda noite de forma misteriosa e demonstra uma atração pela empregada Nancy.

Em paralelo, um ex-policial que esteve envolvido na investigação da morte da Sra. Barlow muitos anos antes na fatídica casa número 12, e que depois de aposentado tornou-se proprietário de um estábulo próximo, Sr. B. G. Rough (Frank Pettingell), se interessa pelos novos moradores e vizinhos e por curiosidade inicia uma investigação pessoal da identidade deles, vasculhando o passado da casa e detalhes sobre o terrível assassinato que marcou o local. Ajudado eventualmente por um empregado de seu comércio, o jovem Cobb (Jimmy Hanley), que fez amizade com a arrumadeira Nancy, e utilizando suas habilidades adquiridas quando era policial, o Sr. Rough entra em contato com um primo de Bella Mallen, o Sr. Vincent Ullswater (Robert Newton), e descobre pistas importantes que podem revelar o perigoso mistério envolvendo o crime da Sra. Barlow, a enorme casa e os novos moradores.


Essa versão inglesa de 1940 de “À Meia Luz” tem uma produção modesta, metragem curta (apenas 84 minutos), atores pouco conhecidos e é bem menos famosa que a premiada produção americana de quatro anos depois. Mas, independente desse fato, o filme tem seu valor como um bom exemplo de suspense que procura de forma sutil desenvolver uma história de assassinato, loucura e mistério, sem exageros e sem o uso de ação desenfreada e cortes bruscos, utilizando apenas situações sugeridas, como ruídos misteriosos e luzes que falham e diminuem de intensidade. 

Ao seu favor e no meu ponto de vista, o filme tem duas vantagens sobre a produção americana: o ator Anton Walbrook tem uma interpretação mais convincente como um marido possessivo que quer enlouquecer a esposa (em relação ao colega de profissão Charles Boyer, apesar dele ser muito mais famoso e renomado e de ter inclusive sido indicado ao “Oscar” por sua atuação), e também por apresentar um início (com a morte de Alice Barlow) e desfecho (com a revelação do mistério) bem mais intensos e apropriados para o contexto da história. 


Versão de 1944


Uma famosa cantora e atriz, Alice Alquist, é misteriosamente assassinada em sua casa, a número 9 de “Thornton Square”, em Londres. A polícia não consegue descobrir o autor do crime e seus motivos, e a sobrinha da cantora, Paula (Ingrid Bergman), fica abalada pelo acontecimento trágico, se mudando para a Itália, onde passa a ter aulas de canto de ópera com o renomado Maestro Guardi (Emil Rameau).

Lá, ela se apaixona pelo pianista Gregory Anton (Charles Boyer), e rapidamente eles se casam e vão morar na Inglaterra, na mesma casa onde a tia de Paula foi assassinada 10 anos antes. Para servi-los, eles contratam a cozinheira Elizabeth (Barbara Everest) e a jovem arrumadeira Nancy (Angela Lansbury, na época com 17 anos, completando 18 durante as filmagens).

A partir daí, os problemas têm início com o agravamento progressivo do relacionamento do casal, com o marido Gregory insinuando de forma cada vez mais crescente que sua esposa pudesse estar perdendo a sanidade, ao esconder objetos, ouvir passos no sótão, sofrer supostas alucinações com a luz movida a gás variando aleatoriamente de intensidade, e outras anormalidades. 

As únicas pessoas que tentam um contato amigável com Paula são uma vizinha idosa, solteirona e bastante curiosa, a Srta. Thwaites (Dame May Whitty), e um investigador de polícia, Brian Cameron (Joseph Cotten), que conta com a ajuda eventual de um policial que faz a ronda noturna do local, Williams (Tom Stevenson), cujo fato de ter um pequeno romance com a empregada Nancy propicia com que obtenha informações interessantes do que se passa na casa dos patrões dela. O detetive decide então fazer uma investigação particular sobre o passado da casa com o assassinato de Alice Alquist e a relação com sua sobrinha Paula e o misterioso marido Gregory, que possui um comportamento estranho e suspeito.  


A versão americana de 1944 é muito mais conhecida que a antecessora feita pelos ingleses. O filme tem uma produção caprichada, metragem maior (114 minutos), um diretor conceituado e um elenco expressivo. Esses quesitos favoráveis são motivos mais do que suficientes para despertar o interesse e atenção do público, garantindo um sucesso comercial. Foi também o responsável pela premiação de um “Oscar” para a atriz Ingrid Bergman, por sua performance como a esposa atormentada que estaria perdendo gradativamente o controle de sua mente. E realmente, sua interpretação é magnífica, muito superior à de Diana Wynyard no filme de 1940, tanto que ela, preparando-se para o papel, estudou detalhadamente as expressões faciais e movimentos dos olhos de pessoas com reais problemas de loucura e internadas em manicômios. Além disso, outro mérito do filme, graças ao cuidado da produção, foi o de garantir mais um “Oscar” para a equipe, dessa vez na direção de arte voltada para a decoração dos ambientes interiores. 

Por outro lado, de forma desfavorável em relação ao filme inglês, faltou mais ousadia no roteiro dessa versão de 1944, principalmente na decisão de não mostrar o assassinato de Alice Alquist (que é a premissa básica para toda a história), e pela opção de escolher um final convencional demais e bem menos dramático que no filme anterior.

Para a satisfação dos colecionadores, a “Warner Brothers” lançou no mercado brasileiro de DVD ambos os filmes num único disco, com o “lado A” trazendo a versão mais famosa (1944) e no “lado B” a versão inglesa de 1940, num esquema similar que também foi feito com as versões de 1932 e 41 de “O Médico e o Monstro”, e com as versões de 1933 e 53 de “Museu de Cera”. 

O DVD com as duas versões de “À Meia Luz” traz materiais extras apenas referentes ao filme de 1944: um documentário legendado de 13 minutos intitulado “Reflexões sobre À Meia Luz” (Reflections on Gaslight), apresentado por Pia Lindstrom, filha de Ingrid Bergman; um trecho também legendado da cerimônia de premiação do “Oscar” de 1944, destacando o melhor ator (Bing Crosby, recebendo a estatueta das mãos de Gary Cooper), a melhor atriz (Ingrid Bergman, recebendo de Jennifer Jones) e a melhor atriz infantil (Margaret O´Brien, recebendo do diretor Mervin Leroy), com a narração de John B. Kennedy; e finalizando com um trailer promocional de dois minutos de duração e sem legendas em português.   


(RR – Escrito originalmente em 09/2006 e revisado em 02/2024)


“À Meia Luz” (Gaslight, Inglaterra, 1940) # 398 – data: 08/09/06 – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
“À Meia Luz” (Gaslight, Estados Unidos, 1944) # 398 – data: 08/09/06 – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
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blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br (postado em 08/09/06)








O Som do Trovão (A Sound of Thunder, EUA / Alemanha / República Tcheca, 2005)

No ano 2055, uma nova tecnologia foi inventada que poderia mudar o mundo, ou destruí-lo. Um homem chamado Charles Hatton a usou para ganhar dinheiro.

A primeira ideia que vem à cabeça depois de ver “O Som do Trovão” (A Sound of Thunder), é um questionamento sobre por que esse filme não foi exibido em nossos cinemas, sendo apenas lançado diretamente no mercado de DVD (pela “Europa”, em Março de 2006). Pois o filme reúne alguns elementos favoráveis do ponto de vista comercial, tendo um bom potencial para entrar em cartaz nas salas de exibição, ou seja, é uma super produção de 80 milhões de dólares, um típico filme pipoca com ação, aventura, e muitos efeitos especiais numa história de Ficção Científica e viagem no tempo. Por outro lado, filmes insignificantes como “Amaldiçoados” (Cursed), de Wes Craven, são exibidos nos cinemas quando deveriam ir direto para o vídeo. Isso apenas é mais uma das incoerências cometidas pelas distribuidoras responsáveis pelos filmes que chegam ao Brasil.
Em “O Som do Trovão”, a ação é ambientada em 2055, época em que o Homem já havia criado uma forma de viajar no tempo. Um empresário rico e sem escrúpulos, Charles Hatton (Ben Kingsley), é dono de uma agência que faz viagens ao passado, a “Time Safari”, proporcionando aos seus clientes uma pequena e rápida, porém bastante convincente e real, turnê para o passado da humanidade, voltando 65 milhões de anos no tempo, em plena época dos dinossauros. Qualquer pessoa, depois de pagar uma quantia imensa em dinheiro, poderia participar de uma expedição e abater um alossauro em seu habitat natural (meticulosamente escolhido), pouco antes dele se atolar num pântano ou ser carbonizado na erupção de um vulcão.
A expedição era sempre repetida com precisão para os vários clientes diferentes, sob a liderança do cientista Dr. Travis Ryer (Edward Burns), que contava com o auxílio de outros profissionais em sua equipe como a jovem Jennifer Krase (Jemima Rooper), responsável por registrar a caçada, Marcus Payne (David Oyelowo), o oficial de segurança, e o Dr. Lucas (Wilfried Hochholdinger), o médico que monitora as condições físicas dos clientes. Participa também das expedições um agente a serviço do governo (Departamento de Regulamentação Temporal), Clay Derris (August Zirner), cuja função é fiscalizar as ações para impedir que alguma interferência no passado possa gerar alguma conseqüência grave no tempo seguinte.
E é justamente isso que acontece quando após um acidente numa das expedições, ocorre uma série de efeitos turbulentos no presente desestabilizando a vida como conhecemos e colocando em risco o planeta. Confirmando uma ameaça prevista pela cientista Dra. Sonia Rand (Catherine McCormack), a criadora do super computador que faz os cálculos de viagem no tempo, e que se une ao Dr. Ryer para tentar reverter o processo e colocar as coisas novamente em seu curso normal. Enfrentando uma infinidade de perigos como ondas de choque que modificam todo o processo evolutivo, e um mundo hostil infestado de plantas e animais mutantes como macacos dinossauros, morcegos monstruosos e serpentes aquáticas.
Com direção de Peter Hyams (de “A Relíquia” e “Fim dos Dias”) e história inspirada por um conto do cultuado escritor de Ficção Científica Ray Bradbury, “O Som do Trovão” é uma aventura de viagem no tempo explorando as conseqüências graves causadas quando algum evento do passado (por menor que seja e mais insignificante que pareça) é inadvertidamente alterado, podendo culminar com a destruição do mundo que conhecemos. Dentro dessa ideia interessante, que sempre tem um potencial para o entretenimento, somos convidados a acompanhar a trajetória de um grupo de cientistas para tentar reparar um erro cometido e anular o efeito devastador de um evento alterado no tempo.
Os efeitos especiais são uma atração à parte, mostrando desde a rotina de uma enorme cidade futurista, com seus belos e imensos prédios e tráfego intenso de carros, passando pela recriação de um ambiente pré-histórico de milhões de anos no passado habitado por dinossauros, até um mundo caótico dominado por uma realidade alternativa onde vivem criaturas mutantes desconhecidas por nós.
Por outro lado, e servindo apenas para evidenciar que estamos vendo um filme comercial que privilegia exclusivamente um tipo de diversão simples e sem compromisso, temos aqueles conhecidos desfiles de clichês e situações absurdas, como por exemplo a queda do casal de cientistas, que para fugirem de uma invasão de insetos no apartamento da Dra. Rand, se jogam pela janela e caem de uma altura significativa por cima de algumas árvores e não sofrem nem um arranhão. Além do desfecho previsível que sempre tem que existir para satisfazer a maioria do público (faço parte da minoria e preferiria de vez em quando um pouco de ousadia dos roteiristas com um desfecho mais pessimista e diferente do trivial).
Uma curiosidade interessante é quando o empresário Charles Hatton faz um discurso padrão para seus clientes nas viagens no tempo encorajando-os no desafio que enfrentarão ao confrontar um dinossauro real, citando eventos importantes na história da humanidade como Cristóvão Colombo ter descoberto a América, Neil Armstrong ter pisado na Lua, e de “Brubaker ter chegado em Marte” (será uma previsão?)... Aliás, Brubaker é o nome do comandante de uma expedição fraudada para Marte no thriller de FC “Capricórnio Um” (Capricorn One, 1978), dirigido também por Peter Hyams.

Outra curiosidade é que as filmagens ocorreram em 2002 em Praga, na República Tcheca, e o filme deveria ter sido lançado em 2003. Mas, como aconteceram várias inundações naquele país europeu, os cenários foram danificados e os trabalhos de filmagens atrasaram muito, com o lançamento apenas em 2005.

1 – Não mude nada. 2 – Não deixe nada para trás. 3 – Não traga nada de volta.” – regras básicas que devem ser respeitadas em viagens no tempo

“O Som do Trovão” (A Sound of Thunder, Estados Unidos / Alemanha / República Tcheca, 2005) # 399 – data: 10/09/06 – avaliação: 6 (de 0 a 10)
postado em 10/09/06)

Alta Tensão (Haute Tension, França, 2003)


O cinema de horror dos últimos anos definitivamente voltou a explorar a violência de forma altamente perturbadora, numa linha parecida com aquela utilizada por muitos filmes insanos principalmente da década de 70. Pois, nesse início de século 21 já tivemos muitos exemplos de filmes que não poupam o público de cenas carregadas de atrocidades.
Alta Tensão” (Haute Tension) é um filme francês de 2003, dirigido pelo jovem cineasta Alexandre Aja (o mesmo da igualmente violenta refilmagem “Viagem Maldita”), e que foi lançado em DVD por aqui pela “Europa”. O filme é cru, visceral, insano, ousado, ofensivo, sangrento, só para citar alguns adjetivos pertinentes. Tem cenas fortes que inclui decapitação, uma vítima com o pescoço brutalmente dilacerado, uma outra com a carne destroçada por uma motosserra circular, e tudo filmado de forma incrivelmente realista, isso graças ao trabalho eficiente da equipe de efeitos especiais, liderada por um especialista nesta arte, o italiano Gianetto de Rossi, freqüente colaborador do cultuado cineasta Lucio Fulci.
O apreciador do cinema mais extremo não tem do reclamar, tendo em vista que muitos filmes perturbadores têm chegado ao circuito comercial no Brasil, seja diretamente no mercado de vídeo ou exibidos nas salas de projeção, estando à disposição de todos, desde o australiano “Wolf Creek – Viagem ao Inferno”, passando pelos americanos “O Albergue” e “Viagem Maldita” (todos lançados nos cinemas), até o inglês “Plataforma do Medo” e esse francês “Alta Tensão”, que foram direto para as locadoras de vídeo, somente para citar alguns casos onde prevalece o vermelho do sangue manchando as lentes das câmeras.

A história é simples e resume-se basicamente em duas belas jovens, Marie (Cécile de France) e sua amiga Alexia (Maiwenn Le Besco), que estão viajando de carro para a casa dos pais desta última, que fica localizada bem afastada numa região rural. O objetivo delas é poder aproveitar a tranqüilidade do ambiente do campo para estudar. Mas o que elas não imaginariam é que durante a noite, um homem rude, cruel e maníaco, sem maiores explicações, iria aparecer no sítio e invadir a casa instaurando um verdadeiro horror em seu estado mais absoluto, atormentando seus moradores com o uso de extrema violência, espalhando sangue e dor para todos os lados.

O filme tem poucos personagens e diálogos, e muito suspense nas cenas de perseguição em filmagens noturnas, com ênfase no confronto entre o assassino e uma sobrevivente da chacina, além também de uma reviravolta final que procura dar sentido aos eventos mostrados logo no início da história, tentando surpreender o espectador.
A trama pode até ser considerada banal e já vista em inúmeros filmes anteriores, mas a maior qualidade de “Alta Tensão” reside no fato do psicopata aparentar ser uma pessoa normal como outra qualquer, com a incrível diferença que é um assassino frio e ultra violento, não precisando ter o rosto deformado, usar máscara ou apresentar poderes sobrenaturais para demonstrar o quanto é insano e temível. É um homem maldito que age naturalmente, não poupando suas vítimas de mortes violentas. Não há sangue escorrendo durante toda a projeção, como por exemplo em “The Evil Dead” ou “Fome Animal”, mas nos momentos onde ocorrem as mortes, o roteiro faz questão de evidenciar a violência e a terrível dor das vítimas.
Resumindo, o cinema de horror e filmes como “Alta Tensão” são fascinantes justamente por conseguirem incomodar e perturbar o espectador levando-o a analisar e refletir sobre o quanto selvagem, insana e irracional pode ser a raça humana, e que nosso mundo deve mesmo ser apenas um inferno de algum outro planeta (confirmando uma idéia do escritor Aldous Huxley).

“Alta Tensão” (Haute Tension, França, 2003) # 397 – data: 30/08/06 – avaliação: 9,5 (de 0 a 10)
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Assombração (Re-Cycle, Hong Kong / Tailândia, 2006)


Para a sorte e satisfação dos apreciadores do cinema de Horror, as produções orientais do gênero (oriundas de países como Japão, China, Coréia do Sul, Hong Kong e Tailândia), estão chegando com bastante intensidade ao Brasil, invadindo principalmente o mercado de vídeo, e até com algumas delas entrando em cartaz nos cinemas, distribuídas pela “PlayArte”.
Já tivemos a exibição nas telas grandes brasileiras de filmes interessantes sobre fantasmas como “Visões” (The Eye 2) e “Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado” (Shutter), ambos de 2004. E agora estreou nos cinemas em 04/08/06 o filme “Assombração” (Gwai Wik / Re-Cycle, Hong Kong / Tailândia, 2006), dirigido pelos irmãos Oxide e Danny Pang e com a mesma bela atriz de “The Eye – A Herança”, Angelica Lee Sinje, numa história povoada de elementos perturbadores de horror como ambientes desoladores, espíritos atormentados, suicidas desorientados, mortos errantes e esquecidos, bebês abortados e todo tipo de habitantes de um mundo de pesadelo.

A jovem escritora Chu Xun (Angelica Lee Sinje), conquistou um grande sucesso entre os leitores com um livro que trata de uma história de amor que teve inspiração em sua própria experiência pessoal com uma paixão do passado, e que deixou marcas profundas em sua vida. Para incitar a curiosidade em seus fãs, seu agente Lawrence (Lawrence Chou), anuncia o próximo livro da autora num evento para a imprensa, revelando a mudança de temática para uma história sobrenatural sobre fantasmas, e que também poderia ter elementos baseados em sua vida real.
Quando Chu Xun inicia o trabalho com o livro, ela encontra muitas dificuldades de criação para começar a história, e seus problemas aumentam ainda mais quando passa a ter visões estranhas em sua casa, com o surgimento da silhueta de uma misteriosa mulher que se parece com a protagonista de seu novo livro, originando uma sucessão de eventos confusos em sua mente, dificultando separar a realidade da ficção e culminando com uma incrível viagem que ela faz por um mundo onírico dominado por um horror em estado absoluto.

“Assombração” é uma verdadeira viagem pelo inferno, por um mundo de desolação e pesadelo. Uma jornada tortuosa e obscura feita pela escritora Chu Xun, obrigada a passar por locais devastados e esquecidos pelo tempo como um parque de diversões sinistro, ou uma biblioteca repleta de livros velhos e cheios de poeira, ou uma dimensão coberta de brinquedos antigos e abandonados, ou uma região com uma ponte transitada por zumbis desorientados, ou uma caverna habitada por fetos e bebês deformados, ou uma floresta fantasmagórica com enforcados para todos os lados, ou ainda um triste cemitério com os mortos ao lado de suas lápides, lamentando por terem sido esquecidos e abandonados pela eternidade. E para encontrar uma saída desse universo caótico, ela teria que chegar até uma região chamada de “Transição”. Para sair do pesadelo, ela tem a ajuda de uma misteriosa garotinha de oito anos que encontrou pelo caminho e que conhece alguns dos segredos desse mundo desolador, e cada passagem deve ser percorrida em pouco tempo, pois rapidamente as várias dimensões macabras recebem uma espécie de “reciclagem” e tudo que estão nelas é desintegrado e destruído.
O filme tem boas doses de sustos, uma especialidade do cinema oriental, efeitos especiais eficientes (que não fica para trás dos americanos, que gostam de investir nesse quesito), um roteiro que desperta a atenção do espectador, incitando a participar da jornada sobrenatural da escritora, e um desfecho interessante, além de toda a ambientação convincente de um mundo povoado por fantasmas e criaturas perdidas em meio a um cenário de depressão. Outros fatores positivos são o ótimo trailer de divulgação, que reuniu imagens interessantes do filme e que aguçaram a curiosidade em conhecer a história, o também ótimo pôster principal, mostrando a escritora perdida num ambiente lúgubre e perseguida por uma legião de espíritos putrefatos, e também a criativa tagline promocional “Como fugir de um pesadelo criado por você mesmo?”.
Porém, temos um ponto desfavorável: após uma revelação importante sobre a relação entre a escritora e a menina que a acompanha pela viagem nesse mundo distorcido, o roteiro exagerou na carga dramática, se afastando demais de todo aquele clima mórbido que envolvia a trama, mas nada que atrapalhe de forma significativa, tanto que no saldo final, “Assombração” é mais um dos vários bons filmes orientais de horror produzidos nesse início de século XXI, mostrando toda a força e potencial que o gênero ainda possui, despertando a admiração do público que acompanha o estilo.

A “PlayArte” está tendo o mérito de lançar nos cinemas e em vídeo vários filmes orientais interessantes no gênero Horror, porém a distribuidora também é conhecida por escolher péssimos títulos nacionais. Os responsáveis por nomear os filmes que chegam por aqui conseguem demonstrar uma incrível incompetência e cada vez superando-se ainda mais. Para comprovar isso, basta lembrar alguns poucos exemplos como o violento “Pânico na Floresta” (Wrong Turn, 2003), e três filmes já citados nesse texto: “Visões”, que na verdade é a continuação de “The Eye – A Herança”; “Shutter”, que recebeu o enorme, super manjado e sensacionalista título “Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado”; e agora esse “Assombração”, que é igualmente um nome óbvio demais, comercial demais e inadequado demais, pois o melhor seria apenas traduzir o original em inglês, algo como “Reciclagem”, que tem relações diretas com acontecimentos da história do filme.
Um detalhe interessante e que gostaria de registrar é que na sessão em que assisti “Assombração”, a sala estava cheia e as pessoas estavam lá para ver um filme oriental de horror em vez das tradicionais produções americanas, muito parecidas entre si, repletas de clichês cansativos e com pouca ousadia em suas histórias na maioria das vezes (claro que temos boas exceções como “O Albergue” e “Viagem Maldita”, entre outros).
Outro fato que merece registro é que não é só a “PlayArte” que precisa de um alerta de reprovação (na escolha ruim dos títulos nacionais), pois parte do público que freqüenta os cinemas é formada por aqueles adolescentes acéfalos e sem educação, que não respeitam um lugar público, atrapalhando quem quer ver o filme em paz, através de conversas e comentários inoportunos e em tom alto. Sinceramente (e acredito que muitos concordarão comigo), o mundo dos cinéfilos seria muito melhor sem essas criaturas indesejáveis freqüentando as salas dos cinemas.

“Assombração” (Gwai Wik / Re-Cycle, Hong Kong / Tailândia, 2006) # 396 – data: 06/08/06 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com.br
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br
(postado em 07/08/06)

Prelúdio Para Matar (Profondo Rosso / Deep Red, Itália, 1975)

A Editora “Works”, de Jundiaí/SP, responsável pelo selo “Dark Side”, uma coleção de filmes de horror lançados em DVD no Brasil, certamente fez um grande benefício aos colecionadores distribuindo uma infinidade de títulos obrigatórios e indispensáveis como “A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, 58), de William Castle e com Vincent Price, “Despertar dos Mortos” (Dawn of the Dead, 78), de George Romero, e “O Homem de Palha” (The Wicker Man, 73), com Christopher Lee e Ingrid Pitt, entre outros, além de várias preciosidades do estúdio inglês “Hammer”, como “Drácula – O Príncipe das Trevas” (66), de Terence Fisher. É claro que fazem parte também do catálogo da editora, filmes menores e descartáveis como “Pelotão Vampiro” (91), “Invasão Mortal” (95) e “Werewolf – A Noite do Lobo” (96), somente para citar algumas tranqueiras. Mas, no geral, a “Dark Side” é uma coleção admirável, composta por filmes que merecem constar no acervo de qualquer colecionador do gênero.
Porém, vale registrar um erro grosseiro cometido pelos responsáveis da editora: o DVD de “Prelúdio Para Matar” (Profondo Rosso / Deep Red, Itália, 1975), dirigido por Dario Argento e escrito por ele em parceria com Bernardino Zapponi, está com um defeito grave nas legendas, pois muitas cenas faladas em italiano estão sem as legendas em português. Somente as passagens em inglês estão legendadas. Por sorte, a falha não chega a comprometer o entendimento do roteiro, desse que é um dos mais importantes thrillers da carreira do cineasta Dario Argento (responsável também por “Suspiria”, 77), com uma trama de assassinatos bastante envolvente (apesar da narrativa excessivamente lenta em certos momentos no decorrer dos 126 minutos de duração), mortes sangrentas carregadas de tensão e violência, e um desfecho interessante, amarrando satisfatoriamente todos os detalhes que foram apresentados aos poucos.
Mas, a falta de legendas em português em muitos diálogos em italiano certamente prejudicaram a diversão do espectador, causando um desconforto significativo e uma irritação inevitável, principalmente por se tratar de um erro na produção do DVD (algo que poderia ser facilmente evitado com uma atenção maior na revisão), uma vez que está anunciado na contra capa do estojo que o idioma original é o inglês e que há a opção de legendas em português. E na verdade há uma mistura de inglês com italiano e sem legendas durante longos minutos.

Na história, um pianista inglês chamado Marcus Daly (David Hemmings) é testemunha de um assassinato extremamente brutal envolvendo como vítima uma bela mulher com poderes de telepatia, Helga Ulmann (Macha Méril), e que havia se tornado uma ameaça ao assassino por sentir sua presença e influência maligna durante uma conferência para debater sua capacidade mediúnica.
Intrigado pela violência do ato, o pianista decide investigar o responsável pelo crime hediondo agindo por conta própria, contando apenas com o auxílio de uma jornalista em busca de notícia, Gianna Brezzi (Daria Nicolodi, atriz presente em vários filmes de Dario Argento). Enquanto eles tentam descobrir a identidade do criminoso, outras pessoas com envolvimentos na trama são também brutalmente mortas, até culminar num inevitável confronto decisivo entre o pianista e o assassino.

“Prelúdio Para Matar” é um dos principais representantes dos chamados giallos, a expressão que identifica os filmes italianos sobre mistérios e assassinatos. O nome, que significa “amarelo”, é inspirado nas capas dessa cor, um fato constante em livros populares sobre esse estilo literário que sempre conquistou a atenção e curiosidade do público. Como uma boa história de investigação e assassinatos, não faltam cenas gráficas de mortes violentas com facadas, queimaduras no rosto, cabeça esmagada, pescoço degolado e uma boa dose do “vermelho profundo” do sangue, conforme sugere o título original italiano (“Profondo Rosso”) e a tradução em inglês (“Deep Red”), que aliás são bem melhores e mais apropriados que a escolha do nacional “Prelúdio Para Matar”.
O filme foi lançado nas bancas encartado na revista “Cine Monstro” ano 2 número 8 (Março de 2006), sem materiais extras. Já a revista traz artigos sobre o filme em questão, um guia com a filmografia dos giallos entre os anos 1960 a 2004, resenhas de “Cry Wolf – O Jogo da Mentira” e “A Névoa” (refilmagem de “A Bruma Assassina”, de John Carpenter), matéria sobre o lançamento em DVD do clássico “Com a Maldade na Alma” (1964), com Bette Davis, Olivia de Havilland, Agnes Moorehead e Joseph Cotten, micro resenhas de seis DVD´s disponíveis nas locadoras, além de um cartaz original de “Prelúdio Para Matar”.

“Prelúdio Para Matar” (Profondo Rosso / Deep Red / The Hatchet Murders, Itália, 1975) # 395
data: 06/08/06 – avaliação: 9 (de 0 a 10)
site: www.bocadoinferno.com.br
blog: www.juvenatrix.blogspot.com.br
(postado em 07/08/06)