
Em “Necropolis”, um grupo de estudantes descobre que uma poderosa empresa química de tecnologia está fazendo experiências com cobaias humanas e um produto químico capaz de reanimar cadáveres. Quando um deles sofre um acidente de moto e é transferido ilegalmente do hospital para a empresa, eles decidem resgatá-lo, invadindo o centro de pesquisas e descobrindo a existência de uma legião de zumbis aprisionados. Uma falha no sistema de segurança permite que os mortos-vivos saiam de suas celas, instaurando o caos e obrigando os jovens a lutarem desesperadamente por suas vidas.
Se eu tivesse que escolher uma única palavra para definir o que é “A Volta dos Mortos-Vivos: Necrópolis” essa palavra seria “lixo”. Porém, não um lixo divertido, e sim algo descartável. Os problemas principais do filme são o péssimo roteiro, com uma imensidão de furos grotescos que desafiam a inteligência do espectador, e o elenco completamente inexpressivo, formado por atores desconhecidos e irrelevantes como Aimee-Lynn Chadwick, Cory Hardrict, John Keefe, Jana Kramer, Diana Munteanu e Alexandru Geoana. Até o experiente Peter Coyote está totalmente deslocado, fazendo o papel de um vilão cientista “louco” responsável pelas experiências bizarras com zumbis, e que quando foi perguntado sobre o motivo dessas experiências, ele apenas respondeu que era para dominar o mundo, num clichê tão ridículo que é inacreditável como o roteirista (que não vale a pena nem citar o nome) demonstrou preguiça em tentar desenvolver uma história com um mínimo de coerência.
Eu teria uma infinidade de outros exemplos para serem citados atestando a péssima qualidade do roteiro, que faria com que essa breve resenha não tivesse mais fim, mas vale registrar alguma coisa para compensar meu esforço em ver o filme. Os personagens são aqueles tipos óbvios que sempre marcam presença em filmes tranqueiras, onde temos o mocinho herói, seu melhor amigo que irá voltar-se contra ele por causa da perda da namorada, o especialista em computadores, a vadia gostosa e exibicionista, o metido a valentão que gosta de resolver as coisas na porrada, e outros que não despertam nenhuma empatia incitando-nos apenas a torcer por suas mortes dolorosas. É impressionante como o grupo de estudantes consegue facilmente invadir uma poderosa empresa de pesquisas e os guardas de segurança somente aparecerem quando é para oferecerem seus cérebros aos zumbis. É também uma grande piada testemunharmos a transformação de um dos jovens em morto-vivo e em vez dele balbuciar apenas a palavra “cérebro” como todos os outros zumbis idiotas, ele tem a capacidade diferenciada de dialogar tranqüilamente quando quer e de forma ameaçadora em tom de vingança quando lhe convém contra o mocinho da história, apenas para facilitar o trabalho acomodado do roteirista na criação de uma cena de confronto entre eles.
Os efeitos especiais nas cenas de mortes (com os tradicionais disparos de projéteis na cabeça) e a maquiagem dos zumbis comedores de cérebros são razoáveis, mas isso não garante grandes méritos uma vez que é apenas mais um trabalho trivial, similar ao que já foi visto em inúmeros outros filmes. Ou seja, “Necrópolis” não acrescenta nada para a franquia “A Volta dos Mortos-Vivos” (que nem deveria existir, ficando apenas no filme original), e nem para o subgênero “zumbis”. É um filme dispensável e que só contribui para criar uma imagem pejorativa do cinema de horror, que ao contrário disso, é um gênero artístico fascinante e que merece mais respeito. Ainda bem que está surgindo uma nova safra de ótimos cineastas como o inglês Neil Marshall (“Cães de Caça” / “Abismo do Medo”), o francês Alexandre Aja (“Alta Tensão” / “Viagem Maldita”) e o americano Eli Roth (“Cabana do Inferno” / “O Albergue”), entre outros, para honrar um pouco os fãs com filmes mais violentos e perturbadores.
“A Volta dos Mortos-Vivos: Necrópolis” (Return of the Living Dead: Necropolis, Estados Unidos, 2005) # 401 – data: 12/10/06 – avaliação: 2 (de 0 a 10)

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