2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey, EUA, 1968)

Alguns filmes de ficção científica são imortais, clássicos que jamais serão esquecidos e sempre que possível serão reverenciados. “2001: Uma Odisséia no Espaço” (2001: A Space Odyssey), filmado em 1968 pelo genial e já falecido cineasta Stanley Kubrick, certamente é um deles, pois tornou-se uma referência dentro do gênero.
Ao conhecê-lo pela primeira vez, a sensação é estranha, o filme é grandioso, repleto de belos efeitos especiais, trilha sonora com música clássica, enormes naves espaciais, poucos diálogos e história de complexa interpretação, sendo necessário uma atenção especial para compreendê-lo.
Mas, após conhecê-lo melhor é inevitável o impacto impressionante de suas imagens e a transmissão de sua idéia central, através de um artefato descoberto na nossa Lua pela humanidade, deixado como uma sonda automática por uma raça alienígena super inteligente num passado longínquo, com o objetivo de monitorar a evolução da raça humana e ser informada quando estivesse conquistando as estrelas.
O ano de 2001 acabou tornando-se uma marca para as gerações que acompanharam o filme, como uma referência de um futuro onde o Homem estaria realizando a tão esperada odisséia no espaço, o que de forma frustrante não se verificou na realidade, apesar dos notáveis avanços científicos, visto que esse futuro já chegou, logo vai passar e estamos ainda muito longe das viagens interestelares tripuladas, para a conquista do espaço e contato com outras raças inteligentes. Ou seja, continuamos ainda no campo da ficção científica, porém o filme continuará sendo sempre um grande momento de entretenimento.

“2001: Uma Odisséia no Espaço” (2001: A Space Odyssey, 1968) – avaliação: 10 (de 0 a 10)
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(postado em 07/06/06)

Voo Noturno (Red Eye, EUA, 2005)

O diretor Wes Craven já foi um cineasta que despertava a admiração dos fãs do cinema fantástico, principalmente por filmes como “Aniversário Macabro” (72) e “Quadrilha de Sádicos” (77), além de criar a franquia de sucesso “A Hora do Pesadelo” (84), apresentando Freddy Krueger como um dos mais populares psicopatas do cinema moderno, e a série “Pânico” (96), impulsionando uma onda de filmes de horror adolescente com a temática de psicopata mascarado. Mas, atualmente ele é um exemplo de uma completa e total decepção, um diretor sem inspiração e com a imagem associada a filmes ruins e descartáveis como “Amaldiçoados” (Cursed), que chegou ao Brasil em 15/07/05, e agora com “Voo Noturno” (Red Eye), que entrou em cartaz em nossos cinemas quase dois meses depois, em 09/09.

Na história, a gerente de um hotel em Miami, Lisa Reisert (Rachel McAdams), que possui uma rotina de vida agitada e tem medo de viagens aéreas, está em Dallas e segue caminho num voo noturno de volta para casa, sendo aguardada por seu pai divorciado, interpretado por Brian Cox. Ainda no saguão do aeroporto, ela conhece um jovem educado e simpático, Jackson Rippner (Cillian Murphy, de “Extermínio” e “Batman Begins”), que fica sentado na poltrona ao seu lado durante o vôo. Após uma conversa inicial amigável, o homem acaba revelando seus reais objetivos, apresentando-se como um terrorista que exige dela uma intervenção no hotel para a transferência de quarto de um importante hóspede membro do governo americano, o Secretário da Segurança Nacional William Keefe (Jack Scalia), que estaria juntamente com a família sendo alvo de um atentado, e caso a moça não colaborasse seu pai seria assassinado.

“Voo Noturno” é um thriller tão trivial que chega a ser irritante. É apenas mais um filme igual a centenas de outros com a mesma temática e com histórias tão previsíveis que a única forma de não se saber muito antecipadamente o que irá acontecer é dormir durante a projeção. Enquanto a ação se passa no interior de um avião durante um incômodo e turbulento vôo noturno, o filme até que consegue agradar e prender a atenção do espectador, através de um interessante jogo psicológico travado entre o vilão frio e calculista e a mocinha vítima de seu plano terrorista. Mas, depois que o avião aterrissa no aeroporto de Miami, sucede-se uma série de perseguições, correrias e eventos patéticos previsíveis até culminar num desfecho extremamente óbvio, onde no final a verdadeira vítima é o espectador que esperava algo diferente, fora do convencional e principalmente mais ousado por parte do diretor Wes Craven, que deveria no mínimo tentar honrar seu passado no cinema de horror e respeitar o público que admira seu trabalho dentro do gênero. Porém, ocorre o contrário, pois aquele vilão estrategista e ameaçador de antes, tornou-se um completo incompetente onde até uma menina adolescente de onze anos (aliás, um personagem totalmente dispensável na história), consegue fazê-lo de idiota, ainda no corredor do avião em sua chegada ao aeroporto.
Em meus comentários sobre filmes em geral, nunca tive a menor intenção de influenciar alguém a ver ou não um filme, pois acredito que opinião pessoal é algo subjetivo e todo e qualquer filme deve ser visto para que o espectador tenha a sua própria avaliação. E por isso mesmo sugiro sempre a todos que vejam o filme que quiserem, independente se as análises críticas são favoráveis ou não. A única coisa que gostaria de registrar é que após sair da sala de cinema e com esse “Vôo Noturno” se somando a já imensa lista de filmes que assisti na vida, surgiu uma desconfortável sensação de perda de um precioso tempo que poderia ser melhor aplicado em outras atividades, além de um prejuízo financeiro.

Entre as curiosidades temos a presença do veterano ator Robert Pine, como um cliente do hotel, exageradamente exigente e cuja impertinência conseguiu até irritar a gerente Lisa numa piadinha detestável no final do filme. Ele que foi o chefe dos guardas rodoviários, Sargento Joseph Getraer, na série de TV “Chips” (1977/83), exibida exaustivamente na televisão brasileira na década de 80. Outro detalhe curioso é a participação de Wes Craven e do roteirista Carl Ellsworth como passageiros do avião.

Os responsáveis pela escolha dos nomes nacionais dos filmes que chegam por aqui dificultaram ainda mais a tarefa de catalogação e pesquisa da imensa quantidade de filmes que são exibidos no Brasil, pois o nome “Vôo Noturno” já pertencia a um filme de 1998, que curiosamente é inspirado na obra literária de Stephen King. Com o nome original “The Night Flier”, a direção é de Mark Pavia e o elenco é liderado por Miguel Ferrer, sendo uma adaptação da história “O Piloto Noturno”, do livro de contos “Pesadelos e Paisagens Noturnas” (Nightmares & Dreamscapes, 93).

“Voo Noturno” (Red Eye, 2005) # 336 – data: 10/09/05 – avaliação: 3 (de 0 a 10)
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(postado em 04/06/06)

A Visão / Visões (The Sight, EUA / Inglaterra, 2000)

Um serial killer assassinou 8 vítimas. Para salvar a 9ª, Michael Lewis precisa fazer contato com as únicas testemunhas – as vítimas mortas.

Com o lançamento em 1999 do filme “O Sexto Sentido” (The Sixth Sense), estrelado por Bruce Willis e o garoto Haley Joel Osment, uma interessante temática do cinema de horror tornou-se alvo para os roteiristas: a comunicação com os mortos. A famosa frase “Eu vejo pessoas mortas”, eternizada em “O Sexto Sentido”, passou a servir de base para argumentos em uma grande quantidade de filmes posteriores como por exemplo “A Visão” (The Sight, 2000), uma co-produção entre Estados Unidos e Inglaterra especialmente feita para a televisão, dirigida, escrita e produzida por um especialista em cinema fantástico dos últimos anos, o inglês Paul W. S. Anderson, o mesmo cineasta por trás de “O Enigma do Horizonte” (97), “O Soldado do Futuro” (98) e “Resident Evil – O Hóspede Maldito” (2002), entre outros, e que está dirigindo também o crossover “Alien x Predator”, com previsão de lançamento no final de 2004.

“A Visão” apresenta uma atraente história de suspense envolvendo manifestações de fantasmas e interligação entre os mundos dos vivos e mortos. Um arquiteto americano, Michael Lewis (Andrew McCarthy), recebe uma proposta de trabalho para restaurar um antigo hotel em Londres, Inglaterra. O prédio esconde segredos e mistérios entre suas paredes, principalmente num quarto secreto mantido fechado pelo proprietário. Enquanto isso, o arquiteto começa a enfrentar uma série de eventos estranhos como visões de espíritos e sonhos assustadores, vindo a descobrir que ele é uma pessoa com poderes especiais capazes de se comunicar com os mortos. A partir daí, ele recebe uma missão para tentar auxiliar um grupo de crianças mortas que foram assassinadas brutalmente por um serial killer, e que por isso se encontravam no limbo, uma região transitória entre a terra e o céu que as impedia de descansar em paz, precisando primeiro livrar-se do tormento da morte violenta.
Uma vez aceitando o desafio, Lewis entra em contato com uma investigadora da polícia, Detetive Pryce (Amanda Redman), e juntos eles tentam descobrir a identidade do assassino de crianças, o qual está imitando os mesmos passos de um antigo psicopata que matou várias crianças no passado. O novo maníaco já matou oito inocentes vítimas e conforme indica a tagline promocional do filme (reproduzida no início desse texto), para evitar a morte da nona criança, o arquiteto americano precisará da ajuda dos mortos.

Em “A Visão” encontramos todos aqueles elementos característicos de filmes de fantasmas, explorando com uma história interessante e repleta de detalhes que se complementam, a idéia de comunicação com os mortos, uma virtude reservada apenas para poucos. O roteiro é cheio de reviravoltas, pequenas surpresas, momentos de tensão e sustos com a aparição de espíritos perturbados, e apresenta um final instigante e de grande impacto e reflexão. Entre os destaques memoráveis temos as cenas revelando a libertação dos espíritos dos mortos de sua vida na Terra, ao subirem uma escada circular rumo ao descanso nos céus. Para quem aprecia um filme curto, com menos de uma hora e meia de duração, numa interessante história de fantasmas com elementos de horror e thriller policial, “A Visão” é um ótimo programa de entretenimento.

O filme recebeu o nome nacional de “A Visão” quando exibido na televisão, que é coerente com a história, sendo corretamente a tradução literal do original “The Sight”. Aliás, curiosamente, na distribuição na Inglaterra em 1999 o filme recebeu o nome alternativo de “Shadows”, que traduzindo significa “Sombras”. E ao ser lançado no mercado de vídeo VHS e DVD no Brasil, em Junho de 2004, o nome escolhido foi “Visões”.
Outra curiosidade foi uma seqüência de pesadelo do personagem principal, o arquiteto Michael Lewis, onde ele se vê caminhando pelas ruínas de uma New York semi destruída, num cenário pós-apocalíptico. Entre a destruição da cidade, pode-se visualizar vários prédios e monumentos famosos afetados tragicamente, como a “Estátua da Liberdade” e as duas torres gêmeas do “World Trade Center”, que na época da produção do filme ainda existiam, tornando-se um fato de bizarra curiosidade após os atentados terroristas de 11/09/2001 que dizimaram milhares de pessoas e derrubaram as torres ao chão. Por coincidência, “A Visão” foi exibido na TV Globo em 29/05/04, na sessão “Supercine”, um dia após o lançamento mundial do filme catástrofe “O Dia Depois de Amanhã” (The Day After Tomorrow), um “blockbuster” que mostra os efeitos destrutivos da reação da natureza contra o planeta, devido a uma série de agressões que a humanidade historicamente tem feito ao meio ambiente da Terra, e que entre outras tragédias, mostra a cidade de New York sendo destruída por um imenso maremoto seguido de uma forte e longa tormenta de neve, instaurando uma nova era glacial.

“A Visão / Visões” (The Sight, 2000) # 257 – data: 30/05/04 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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(postado em 04/06/06)

Vidocq - O Mito (Vidocq, França, 2001)

Uma das mais antigas lendas do Quartier du Temple, O Alquimista seria ao mesmo tempo sábio e assassino. Para os moradores, toda morte não resolvida é cometida por ele. Para alguns, ele não tem rosto; para outros, ele tem todos os rostos. Para outros, ainda, seu rosto é um espelho que aspira as almas. Aquele a quem a máscara refletir perderá sua alma.

Quem teve o desprazer de assistir “Mulher-Gato”, que foi exibido nos cinemas brasileiros em 2004, um dos filmes mais intragáveis dos últimos tempos, não imaginaria que seu diretor, Pitof, antes de cometer essa atrocidade fazendo um filme americano, tinha sido o responsável alguns anos antes por um thriller francês muito interessante. Trata-se de “Vidocq – O Mito” (Vidocq, 2001), com o ótimo ator Gerard Depardieu liderando o elenco, e que foi lançado no mercado nacional de vídeo no final de 2004, pela “Europa Filmes”.

A história é ambientada em 1830 em Paris, onde o popular detetive Vidocq (Gerard Depardieu), um ex-presidiário que se juntou à polícia, está caçando um assassino misterioso pelas ruas da capital francesa. Conhecido como “O Alquimista”, o criminoso utiliza uma máscara em forma de espelho, que segundo uma lenda serve para aprisionar as almas de suas vítimas, dando-lhe imortalidade e poderes fora do comum como extrema agilidade nas performances de lutas corporais.
Após muito tempo investigando o rastro do assassino, Vidocq o encontra nos subterrâneos de uma fábrica de espelhos e na luta decisiva, o detetive desaparece deixando a polícia e a população apreensiva com o alquimista solto nas ruas. Logo após o sumiço de Vidocq, surge um jovem, Etienne Boisset (Guillaume Canet), procurando o sócio do detetive, Nimier (Moussa Maaskri), se identificando como um jornalista e biógrafo oficial dele. Sua intenção é concluir o livro sobre a vida do famoso detetive, além de continuar a busca pelo assassino como forma de vingança.
A princípio relutante, depois Nimier conta ao jovem biógrafo o início da caçada de Vidocq ao alquimista, onde o policial foi contratado por um antigo chefe, o arrogante político Lautrennes (André Dussolier), para investigar um caso misterioso conhecido através dos jornais como “A Conspiração do Raio”, e que poderia ter motivação política. Dois empresários ricos e bem sucedidos, o fabricante de armas Louis Belmont (Jean-Pol Dubois) e o químico Simon Veraldi (André Penvern), haviam sido assassinados por um raio vindo do céu que os incinerou de forma fulminante. Juntamente com o médico e dono de um hotel Ernest Laffite (Giles Arbona), também morto em circunstâncias misteriosas, os três formavam um grupo de “dandis” pervertidos que veneravam suas próprias imagens, cultuando a aparência, a estética e a elegância como obra de arte, obcecados para não envelhecerem.
A investigação de Etienne o leva também a conhecer várias outras pessoas com envolvimentos no caso como a bela dançarina Préah (Inés Sastre), o jornalista Froissard (François Chattot) e a esposa de Laffite, uma mulher constantemente drogada viciada em ópio, Marine (Isabelle Renauld). Além de cruzar constantemente seu caminho com um outro policial que também investiga o desaparecimento de Vidocq e as ações do alquimista, o Sr. Tauzet (Jean-Pierre Gos), que tenta encontrar algum indício de conspiração política nos eventos envolvendo as mortes dos ricaços.

O filme é um thriller que prende a atenção do espectador durante toda a projeção, ao contar a investigação tanto de Vidocq (em cenas de flashback), quanto do jovem Etienne, nas busca por informações que levem ao assassino sobrenatural conhecido como “O Alquimista”. Em meio a tudo isso, alguns elementos importantes para a trama vão sendo acrescentados como a utilização com objetivos sinistros de jovens mulheres virgens pelo criminoso, as quais eram recrutadas oferecendo dinheiro para famílias pobres liberarem suas filhas. E é claro que algumas revelações são apresentadas ao longo do filme, na condução e elucidação paulatina da investigação, assim como o desfecho também reserva uma surpresa interessante.
“Vidocq – O Mito” tem um subtítulo nacional totalmente desnecessário, em mais um equívoco dos responsáveis na escolha dos nomes brasileiros dos filmes que chegam por aqui. Porém, trata-se de um thriller divertido, bem sutil em termos de violência e sangue, mas com uma história atraente e a presença do grande ator Gérard Depardieu, constituindo-se num bom exemplo do cinema fantástico francês desse início de século 21, abordando temas como uma lenda sobrenatural, investigação policial e conspiração política, ao lado de outros filmes igualmente interessantes como “Pacto dos Lobos” (Le Pacte Des Loups, 2001), de Christophe Gans e com Mark Dacascos, Vincent Cassel e a belíssima Monica Bellucci.

“Vidocq – O Mito” (Vidocq, 2001) # 316 – data: 28/05/05 – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
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(postado em 04/06/06)

Vidocq – O Mito (Vidocq, França, 2001). Duração: 95 minutos. Direção de Pitof. Roteiro de Pitof e Jean-Christophe Grangé. Elenco: Gérard Depardieu (Vidocq), Guillaume Canet (Etienne Boisset), Inés Sastre (Préah), André Dussollier (Lautrennes), Edith Scob (Sylvia), Moussa Maaskri (Nimier), Jean-Pierre Gos (Tauzet), Isabelle Renauld (Marine Laffite), Jean-Pol Dubois (Louis Belmont), André Penvern (Simon Veraldi), Gilles Arbona (Ernest Laffite), Jean-Marc Thibault (Leviner), François Chattot (Froissard).

Vanilla Sky (EUA / Espanha, 2001)

Em mais um aniversário da grande cidade de São Paulo em 25 de janeiro de 2002, entrou em cartaz nos cinemas o suspense psicológico com elementos de ficção científica “Vanilla Sky” (Vanilla Sky, 2001), trazendo no elenco Tom Cruise, Penélope Cruz e Cameron Diaz, num triângulo amoroso de graves conseqüências.
Cruise interpreta o jovem David Aames, filho de um rico empresário proprietário de uma grande editora que faleceu e deixou a empresa em suas mãos com a maioria das ações, dividindo o poder com uma diretoria formada por um grupo de sete executivos. David tem um caso amoroso com Julie Gianni (Cameron Diaz) e na festa de seu aniversário conhece e se apaixona por Sofia Serrano (Penélope Cruz), uma jovem espanhola apresentada a ele por seu melhor amigo. As coisas começam a se complicar quando sua amante Julie furiosa e com ciúmes decide se suicidar jogando seu carro por um viaduto e com a companhia de David. Ela morre e ele sobrevive, porém com o rosto desfigurado e o braço direito destruído. A partir daí fatos estranhos surgem ao redor do jovem empresário, que é preso acusado de assassinato e já não consegue mais distinguir o que é sonho (ou pesadelo) e realidade.
Anunciado como uma história de suspense, na verdade “Vanilla Sky” (o nome vem de um quadro valioso de Monet) é um thriller de ficção científica de menor impacto porém nos mesmos moldes dos similares “Matrix”, “O 13o Andar” ou “ExistenZ”, onde uma linha muito tênue separa os mundos dos sonhos e da realidade, envolvendo experiências de criogenia em seres humanos e eventos no futuro. Tom Cruise está bem no papel de um jovem confuso com o mundo ao seu redor, vindo somente mais tarde a saber a verdade dos fatos, tendo como conselheiro na prisão o psicólogo Dr. McCabe, interpretado por Kurt Russell (é interessante vê-lo num papel mais dramático, saindo um pouco dos seus habituais filmes de ação), e tendo como amantes as belíssimas Penélope Cruz (Cruise iniciou um romance com a atriz fora das telas após sua separação com Nicole Kidman) e Cameron Diaz (uma das agentes da refilmagem de “As Três Panteras”).
O roteiro é muito interessante, no melhor estilo “Arquivo X”, onde constantemente se tem a impressão de uma conspiração na vida de David, que poderia ser manipulada pela diretoria da empresa que quer destituí-lo do poder, e sempre levantando questões sobre o que é ou não realidade. O filme é uma refilmagem do espanhol “Abre los Ojos” (Preso na Escuridão) de 1997, dirigido por Alejandro Amenábar, o mesmo diretor talentoso do drama de horror “Os Outros”, e funciona muito bem como uma trama sombria envolvendo os pesadelos reais ou imaginários de um jovem transtornado em busca da verdade.

“Vanilla Sky” (Vanilla Sky, EUA / Espanha, 2001) – avaliação: 7,5 (de 0 a 10)
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(postado em 04/06/06)

Vampiros do Deserto (The Forsaken, EUA, 2001)

No dia 07/12/01 entrou em cartaz nos cinemas brasileiros o horror “Vampiros do Deserto” (The Forsaken), mais um “road movie” de vampiros no mesmo estilo de “Quando Chega a Escuridão” (Near Dark, 1987).

(Atenção: o texto a seguir contém spoilers)

Um jovem montador de trailers de filmes de horror “B”, Sean (Kerr Smith) pega emprestado um carro e viaja pelas belas estradas dos Estados Unidos rumo à Miami para o casamento de sua irmã. No caminho ele acaba dando carona a um outro rapaz (Brendan Fehr), vindo a descobrir mais tarde que na verdade ele é um “caçador de vampiros”. Numa das paradas numa lanchonete de beira de estrada eles encontram uma garota (Izabella Miko) que havia sido mordida por um vampiro (Johnathon Schaech) e seu sangue infectado por um vírus que algum tempo depois também a transformaria numa criatura da noite, a não ser que o vampiro responsável pelo ataque fosse destruído antes em solo sagrado. O próprio caçador de vampiros também fora infectado há um ano e conseguia prolongar sua vida como um humano normal através de antídotos temporários, procurando por seu agressor viajando pelo interior do país, assim como o próprio Sean também fora mordido involuntariamente pela garota e também passara a procurar por sua cura.
“Vampiros do Deserto” é mais um das centenas de filmes sobre os famosos sugadores de sangue, e nesse caso o filme introduz uma nova variação ao tema explicando a origem do vampirismo através de uma guerra bárbara na Europa de alguns séculos atrás, onde numa batalha mortal entre turcos e franceses, esses últimos num grupo de duzentos soldados foram massacrados restando apenas nove sobreviventes. A lenda dizia que o demônio Abaddom sempre aparecia após as batalhas para aprisionar as almas dos soldados mortos e o grupo de sobreviventes da carnificina fez um pacto com o demônio, menos um dos soldados, que por isso foi assassinado pelos companheiros e teve seu sangue bebido por eles (explicação para a necessidade de sangue para o vampiro). Mais tarde, arrependidos do que fizeram o grupo de oito homens escondeu-se por muito tempo em cavernas sombrias (explicação para a oposição à luz) tomando depois cada um seu rumo diferente pelo mundo ao longo dos séculos sendo chamados de “os abandonados” ou “the forsaken” do título original. Um deles foi destruído pela Inquisição Espanhola, três foram mortos de outras formas, e quatro ainda vagavam pelo planeta, com um na África, um no leste da Europa e dois nos Estados Unidos.
A partir daí, Sean e seu novo amigo passam a caçar o vampiro mestre pelas estradas desertas americanas, seguindo seu enorme rastro de mortes pelas pequenas cidades do caminho, as quais acabavam sempre sendo noticiadas como consequências de assaltos ou obras de “serial killers”, nunca despertando a atenção da polícia para um ato de vampiro.
No final, como já era de se esperar, os jovens conseguem destruir um dos “abandonados” libertando a influência vampírica de Sean e da garota, porém não ainda a do caçador que na verdade fora infectado pelo outro vampiro que vaga pelo país, e eles partem então novamente pelas estradas em busca da outra criatura da noite, propiciando claramente a possibilidade de uma continuação caso seja o desejo dos produtores.
Uma cena forte de grande violência foi quando um guarda rodoviário pára o carro que levava de dia o vampiro escondido no porta malas (ele possui um “escravo” para dirigir durante a luz do sol) e ao abrí-lo é surpreendido com um disparo de espingarda que o arremessa vários metros contra seu próprio carro e ainda agonizando em cima do capô da viatura, o motorista do vampiro incendeia com gasolina o policial que se debate desesperado em meio às chamas.
No mais, é mais um filme mediano de vampiros, com vários clichês do gênero, atores convencionais e alguns absurdos (na maioria dos filmes o vampiro é sempre morto pela exposição à luz solar e é incrível como o confronto final com seus algozes sempre coincide com os últimos momentos da noite e início do amanhecer com o sol aparecendo numa velocidade espantosa e bem conveniente). Porém, tem também seu interesse com algumas boas cenas noturnas de perseguição pelas estradas e a introdução de novas idéias para o surgimento do vampirismo.

“Vampiros do Deserto” (The Forsaken, EUA, 2001) – avaliação: 6 (de 0 a 10)
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(postado em 02/06/06)

A Última Viagem (Lost Voyage, EUA, 2001)

O famoso “Triângulo das Bermudas”, localizado na região do Caribe, é um local misterioso conhecido pelo desaparecimento de aviões e navios repentinamente quando invadiam seus domínios. O cinema fantástico tem explorado com bastante intensidade esse argumento fascinante levantando uma série de questões sobre o estranho fenômeno, sendo uma delas a existência de um portal de acesso a uma outra dimensão desconhecida por nós, e que poderia esconder perigos inimagináveis. Dentro dessa idéia foi lançado em 2001 mais um filme abordando o tema, uma produção especial para a televisão chamada aqui no Brasil de “A Última Viagem” (Lost Voyage), dirigida pelo estreante Christian McIntire e com elenco formado por Judd Nelson e o sempre presente Lance Henriksen.

Um luxuoso navio de turismo chamado “Corona Queen”, que fez sua viagem inaugural em 1968, desapareceu quatro anos depois enquanto navegava pelas águas do “Triângulo das Bermudas”. Considerado como mais um mistério sem solução, ele é esquecido, porém reaparece 25 anos depois no Oceano Atlântico e desperta a atenção de uma equipe de resgate de embarcações perdidas em alto mar, que quer chegar ao navio antes da guarda costeira. A equipe é liderada por um funcionário da empresa proprietária do navio, David Shaw (Lance Henriksen), e mais dois ajudantes, Dazinger (Jeff Kober) e Fields (Mark Sheppard). Eles são recrutados também para levar de helicóptero uma equipe de jornalistas de um programa insólito de televisão chamado “Diário do Inexplicável”, que juntamente com um parapsicólogo pretendem fazer uma matéria diretamente no navio que estava desaparecido. O grupo é formado pelas repórteres rivais Dana Elway (Janet Gunn, de “Carnossauro 3”, 96) e Julie Largo (Scarlett Chorvat), pelo cinegrafista Randall Banks (Richard Gunn), e por Aaron Roberts (Judd Nelson, de “Hospício Maldito”, 2001), estudioso de fenômenos paranormais e que teve seu pai e madrasta desaparecidos no “Corona Queen” nos anos 70.
As sete pessoas são então deixadas no navio numa noite de tempestade e mar agitado, e encontram a enorme embarcação totalmente vazia. A partir daí, eles passam a enfrentar uma série de eventos misteriosos à bordo, permanecendo ainda nas imediações do “Triângulo das Bermudas”, uma região envolvida em lendas obscuras, e entre as quais uma que revela a existência de um portal dimensional que se abre para as profundezas do inferno. Ao voltar do limbo, o navio trouxe alguma entidade maligna com ele, a qual procura explorar os medos e fraquezas de cada um dos invasores, que agora terão que enfrentar a fúria de algo desconhecido e lutarem por suas vidas.

“A Última Viagem” é mais um filme sobre ambientes assombrados, sendo nesse caso um navio que ficou desaparecido por longos anos e ressurge trazendo algo de outro mundo para a nossa dimensão e realidade. É uma produção típica para a TV, com poucos sustos e moderadas cenas de mortes, sangue e violência (apesar de termos cadáveres por eletrocussão e por esmagamento de pesadas correntes, entre outras coisas), investindo mais numa história de mistério com um clima de suspense mediano. Não tem nada de novo ou marcante, apenas apresenta os velhos clichês de filmes similares. Na verdade, as histórias de fantasmas possuem sempre as mesmas características, sejam elas ambientadas numa mansão assombrada, ou um navio amaldiçoado, ou uma nave estelar perdida na imensidão do espaço sideral. Porém, o tema é sempre interessante e pode garantir alguns momentos de diversão rápida sem muita exigência. E para isso, basta relaxar e tentar entrar no clima de mistério que envolve o navio e sua viagem de volta do além. Alguns filmes recentes que exploraram igualmente o tema e que vem rapidamente à memória após assistir “A Última Viagem” são “Enigma do Horizonte” (97), que é anterior e é passado no espaço com uma nave à deriva, e “Navio Fantasma” (2002), que foi produzido depois e também é ambientado no mar, com um enorme navio reaparecendo após muitos anos desaparecido.
Algumas curiosidades interessantes são a presença do ator Robert Pine, que aparece em algumas cenas como um chefe de televisão, Mike Kaplan. Ele nasceu em 1941 e é um rosto conhecido por sua participação no elenco fixo da nostálgica série de TV “Chips” (1977/83), no papel do Sargento Joseph Getraer. A série mostrava a rotina de trabalho de dois policiais rodoviários em suas imponentes motocicletas Harley Davidson, em meio a problemas com acidentes de trânsito e perseguições de ladrões. O diretor Christian McIntire é mais conhecido como técnico de montagem e edição, e “A Última Viagem” é seu filme de estréia. No momento ele está envolvido no projeto de outro filme de Horror e FC para a TV, “Phantom Force”. Aliás, o nome nacional do filme seria mais apropriado como “Viagem Perdida”, numa tradução literal do original “Lost Voyage”, mas o título escolhido também não foi ruim, pois para o “Corona Queen” foi realmente “a última viagem”. O ator Lance Henriksen é uma figura carimbada no gênero fantástico, com uma carreira com quase 100 filmes e muitos deles dentro do Horror e FC. Nascido em 1940, seu rosto é bem conhecido pela série de TV de Chris Carter “Millennium” (96/99), no papel do policial Frank Black. Um de seus próximos projetos no gênero é o esperado crossover “Alien Vs. Predator”, com lançamento para o segundo semestre de 2004. Em determinado momento de “A Última Viagem”, quando o assunto é o desaparecimento de navios na região do “Triângulo das Bermudas”, é citado o famoso caso do navio “Mary Celeste”, uma das origens das lendas sobre navios fantasmas. Segundo informações históricas, “Mary Celeste” foi uma embarcação real que partiu dos Estados Unidos em 1872 com destino à Europa, e foi encontrada várias semanas depois vagando errante na imensidão azul do mar, sem avarias significativas, com a carga quase intacta e sem tripulação, que desapareceu inexplicavelmente num grande mistério até hoje.

“A Última Viagem” (Lost Voyage, 2001) # 240 – data: 19/04/04 – avaliação: 5 (de 0 a 10)
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(postado em 02/06/06)