A atriz inglesa Barbara Steele é uma musa do cinema
de horror, especialmente o gótico italiano dos anos 60 do século passado,
deixando seu nome e legado na história do gênero em filmes como “A Máscara de
Satã” (1960), “Dança Macabra” (1964), “A Máscara do Demônio” (1964), “Terror no
Cemitério” (1965), “Amor de Vampiros” (1965) e “Um Anjo Para Satã” (An Angel For Satan / Un Angelo Per Satana, 1966),
sendo este último dirigido por Camillo Mastrocinque, com fotografia em preto e
branco, e que está disponível no “Youtube” numa versão dublada em inglês com a
opção de legendas automáticas em português. Foi lançado também em mídia física
DVD no Brasil pela “Versátil” em 2019 no box “Obras-Primas do Terror – Gótico
Italiano”.
Ela também esteve em outras preciosidades como “A
Mansão do Terror” (1961), ao lado de Vincent Price e com direção de Roger
Corman numa história inspirada em Edgar Allan Poe, “A Maldição do Altar
Escarlate” (1968), com Boris Karloff e Christopher Lee, e “Calafrios” (1975),
de David Cronenberg.
A história é
ambientada num vilarejo italiano no final do século XIX, onde o escultor
Roberto Merigi (Anthony Steffen) é contratado pelo Conde Montebruno (Claudio
Gora), que vive numa mansão à beira de um lago, para restaurar uma estátua de
mármore de 200 anos, recuperada do fundo das águas, e que é considerada
amaldiçoada pelos aldeões supersticiosos.
Na mansão
trabalha um grupo de serviçais, a governanta Ilda (Marina Berti), que possui
uma relação misteriosa com o Conde, o mordomo Guglielmo (Antonio Corevi), o
jardineiro estranho Vittorio (Aldo Berti), a empregada doméstica Rita (Ursula
Davis) e o zelador Sargento (Antonio Acqua), e no vilarejo temos o jovem professor
da pequena escola local Dario Morelli (Vassili Karis), apaixonado por Rita, e o
grandalhão encrenqueiro Carlo Lionesi (Mario Brega).
Depois que a
bela sobrinha do Conde, Harriet Montebruno (Barbara Steele), chega ao vilarejo
após estudar música na Inglaterra por quinze anos, para assumir a herança do
pai falecido, fatos misteriosos começam a ocorrer, com assassinatos na região
despertando medo entre os aldeões e trazendo à tona lendas e maldições antigas
sobre Belinda, uma mulher amargurada pelo sentimento de rejeição e que morreu
afogada num acidente com a estátua do fundo do lago.
“Um Anjo Para Satã” tem toda aquela
ambientação gótica tradicional com um vilarejo assustado com uma suposta
maldição envolvendo uma escultura e aquele clima característico de desconforto
com a ocorrência de mortes misteriosas, investindo mais num horror sutil, sem
violência ou sangue, apostando na sugestão e atmosfera, com uma reviravolta no
desfecho.
O grande destaque certamente é a atriz Barbara
Steele, fazendo aqui o papel duplo da gentil Harriet e da malévola Belinda, que
tenta de todas as formas desestabilizar os aldeões supersticiosos instaurando
discórdia e desconfiança, incitando ações de violência e mortes trágicas.
Curiosamente, ela já tinha feito algo
similar anteriormente em “A Máscara de Satã” (também conhecido por aqui como “A
Maldição do Demônio”), de Mario Bava, quando interpretou a bruxa Asa Vajda,
condenada à morte na fogueira e sua descendente, a princesa Katia Vajda. E
também em “Amor de Vampiros”, fazendo o papel duplo de Muriel e Jenny
Arrowsmith.
(RR
– 25/05/26)

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