Banho de Sangue na Casa da Morte (Bloodbath at the House of Death, Inglaterra, 1984)

 


"Oh, ouça-me, poderoso governante do poder das trevas. Todo-poderoso Lúcifer, uma vez derrotado, mas agora prestes a ascender ao poder sobre nós, seus súditos leais. A hora está próxima, oh Diablos, e nós, seus humildes servos, estamos preparando o terreno para o seu retorno à Casa da Morte."

 

Com um título sonoro e chamativo e a presença sempre ilustre do ícone Vincent Price (1911 / 1993), um dos mais expressivos atores do Cinema de Horror ao lado de Christopher Lee, Peter Cushing, Bela Lugosi e Boris Karloff, “Banho de Sangue na Casa da Morte” (Bloodbath at the House of Death, Inglaterra, 1984), é uma paródia divertida de humor negro, que pode ser considerada uma espécie de precursora mais sutil e menos exagerada de “Todo Mundo em Pânico” (Scary Movie, 2000), que virou uma extensa franquia popular.

Dirigido por Ray Cameron, que também escreveu o roteiro em parceria com Barry Cryer, o filme apresenta elementos de horror com mortes sangrentas, mas com alívios cômicos que funcionam bem, principalmente com a atuação impagável de Vincent Price, e brinca com vários filmes importantes, servindo como homenagens merecidas, indo de “Um Lobisomem Americano em Londres”, “Carrie, a Estranha” e “O Iluminado”, passando por “Tubarão”, “Star Wars”, “Alien, o Oitavo Passageiro”, “Poltergeist, o Fenômeno” e “Psicose”, culminando com “E.T. – o Extraterrestre”.

Foi lançado no Brasil em mídia física na saudosa época das fitas de vídeo “VHS” pela “Hunter Video”, e está disponível no “Youtube” numa versão original com opção de legendas em português.

 

Após o massacre com o assassinato brutal de dezoito pessoas em 1975 numa mansão do interior da Inglaterra chamada “Headstone Manor”, o “Banho de Sangue na Casa da Morte” do título, promovido por monges encapuzados de uma seita satânica, um grupo de cientistas é contratado secretamente pelo governo para investigar supostos fenômenos paranormais e leituras de radioatividade no local dos crimes sangrentos.

O grupo é formado por quatro duplas. A primeira delas tem o Dr. Lukas Mandeville (o comediante inglês Kenny Everett), que tem uma perna mecânica e foi no passado um cirurgião alemão (Dr. Ludwig Mannheim) desacreditado por seus colegas de profissão, com a bela parceira de investigação, Barbara Coyle (Pamela Stephenson). Depois tem Dr. John Harrison (John Fortune) e a histérica Srta. Sheila Finch (Sheila Steafel), que foi reprimida na infância pela mãe extremamente rígida e religiosa (Davilia David). Em seguida tem o casal homossexual Elliot Broome (Gareth Hunt) e Stephen Wilson (Don Warrington). E a última dupla é formada pelo americano Henry Noland (John Stephen Hill) e Deborah Kedding (Cleo Rocos).

Ao se reunirem para a pesquisa paranormal, os investigadores enfrentam a oposição de um grupo de moradores locais, membros de uma misteriosa seita satânica liderada pelo “Homem Sinistro” (Vincent Price), que coloca em prática uma conspiração para tentar expulsá-los da mansão, contando com o apoio do chefe da polícia local, Inspetor Goule (David Lodge) e um atrapalhado homem cego (Graham Stark), membros do culto demoníaco, que estão preparando a vinda de Lúcifer na Terra.  

 

Particularmente confesso que não sou muito fã de paródias de horror, exceto por preciosidades como “O Jovem Frankenstein” (1974), dirigido por Mel Brooks e estrelado por Gene Wilder, mas “Banho de Sangue na Casa da Morte” é muito divertido, com uma história clichê de mansão macabra e seita satânica, ótimas cenas de assassinatos violentos com os típicos efeitos práticos dos anos 80 do século passado, e piadas sutis que funcionam muito bem como a cena da cirurgia que deu errado com tripas espalhadas para todos os lados. Ou ainda a brincadeira que até virou cantiga sobre o destino dos dezoito moradores da mansão no massacre da introdução do filme, com a dificuldade na contagem dos cadáveres e a forma das mortes, catalogadas por eletrocussão através de raios de tempestade, gargantas cortadas, enforcamento, machadadas na cabeça, empalamentos, combustão espontânea e ferimentos com projéteis de armas de fogo (com os corpos congelados num freezer).

A presença de Vincent Price agrega um valor inestimável, como sempre, e aqui ele é um morto-vivo de mais de 700 anos, líder de uma seita que está preparando a chegada do Diabo na Terra, e que rouba todas as atenções quando aparece, com seus discursos sarcásticos de horror e humor ácido, sendo apenas uma pena que aparece pouco e somente após quase meia hora de filme.

Curiosamente, a cena de sexo da investigadora paranormal Barbara Coyle com um fantasma foi copiada em “Todo Mundo em Pânico 2” (Scary Movie 2, 2001).

 

(RR – 12/05/26)