O Humanoide (L´umanoide / The Humanoid, Itália, 1979)

 


“Metrópolis, um planeta da galáxia de Eraklon, agora enfrenta seu momento mais grave. Lord Graal escapou do satélite prisão para onde fora exiliado por seu irmão, o chefe da pacífica Metrópolis. Graal, mal e sedento de poder, tem planos de vingança que podem alterar para sempre o destino da democracia galáctica.”

 

O Humanoide” (L´umanoide / The Humanoid, 1979) é uma space-opera italiana copiada de “Star Wars” (1977), mas com orçamento menor e produção mais bagaceira. Com direção de Aldo Lado (com o pseudônimo George B. Lewis para uma distribuição internacional), o filme é estrelado pelo ator grandalhão Richard Kiel (1939 / 2014) no papel do humanoide do título, ele que é mais conhecido como o vilão “Dentes de Aço” em dois filmes da franquia "007" com Roger Moore.

Foi exibido na televisão brasileira e está disponível no Youtube na versão dublada pela BKS, porém com algumas cenas sem dublagem e com legendas em português.

 

O tirano Lord Graal (Ivan Rassimov) fugiu da prisão e quer tomar o poder no planeta Metrópolis, governado pacificamente por seu irmão (Massimo Serato), que tem o apoio e proteção do líder da Segurança Nick (Leonard Mann).

Para o sucesso de seu plano maquiavélico de conquista, o vilão conta com o apoio de Lady Agatha (Barbara Bach), que quer governar ao seu lado e que para se manter jovem e bela ingere um soro com o sangue de outras mulheres assassinadas (algo similar à histórica Condessa Bathory, que se banhava em sangue para rejuvenescer). E também conta com os serviços do “cientista louco” Dr. Kraspin (Arthur Kennedy), que inventou uma forma de alterar a estrutura celular das pessoas transformando-as em autômatos sem mente e com força descomunal, através de um dispositivo chamado “Kappatron”.

A primeira cobaia de suas experiências é o piloto inspetor de colônia Golob (Richard Kiel), que se transforma num humanoide que faz caretas e solta grunhidos espalhando o caos e destruição em Metrópolis, com um grupo se unindo para combater a ameaça, formado por Nick, a cientista Barbara Gibson (Corinne Clery), que era a assistente do Dr. Kraspin antes dele se alinhar com o Mal, e seu aluno Tom Tom (Marco Yeh), um menino misterioso com feições orientais e poderes mentais.

 

A história de “O Humanoide” explora a tradicional batalha entre o Bem e O Mal, entre os mocinhos que defendem a paz e harmonia, e os bandidos conquistadores que querem o poder com tirania. O filme é um "rip-off" assumido e sem receios de “Star Wars”, com muitas similaridades e paralelos com o filme de George Lucas, desde as naves espaciais, as armas de raios, as vestimentas, as filmagens no deserto, o robô cão (com a missão de ser engraçado) inspirado em R2D2, o menino tibetano com o poder de controle mental copiando seu similar Obi-Wan Kenobi, passando pelo piloto Nick e a cientista Barbara Gibson que lembram Luke Skywalker e a Princesa Léia, culminando com o vilão Lord Graal, que é um Darth Vader menos imponente e cruel. Ainda tem também o mesmo tipo de introdução com um letreiro no estilo de “Star Wars” (reproduzido acima do original italiano, pois na dublagem brasileira preferiram mudar algumas palavras referindo-se a Metrópolis como o planeta Terra num futuro distante e trocando o destino da democracia galáctica pela humanidade).

Independente da história e personagens reciclados, o filme tem efeitos especiais práticos que certamente impressionaram as plateias da época e são muito divertidos até hoje pelo saudosismo e magia do cinema de quase meio século atrás, com as naves espaciais, estruturas arquitetônicas futuristas e computadores repletos de botões e luzes piscando. Vale a pena também enaltecer que mesmo sendo um filme escapista com ausência de sangue e violência, tivemos um longo ataque das forças militares de Lord Graal contra um instituto de pesquisas em Metrópolis, num massacre com muitas mortes dos cientistas.    

A trilha sonora é do compositor italiano Ennio Morricone (1928 / 2020), que tem um currículo imenso. Apreciar a música é algo muito subjetivo e em “O Humanoide” ela parece estranha e meio fora de contexto.

A supervisão dos efeitos especiais é de Antonio Margueriti (1930 / 2002), utilizando o pseudônimo Antony M. Dawson. Ele que é mais conhecido como um diretor italiano de diversas tranqueiras divertidas de ficção científica e horror, principalmente nos anos 60 do século passado, como “Destino: Espaço Sideral” (1960), “O Planeta dos Desaparecidos” (1961), “A Mansão do Homem Sem Alma” (1963), “A Máscara do Demônio” (1964), “Dança Macabra” (1964), “O Choque de Planetas” (1966), entre outros.

Curiosamente, outro filme italiano do mesmo período, “O Choque das Estrelas” (Starcrash, 1978), de Luigi Cozzi e estrelado por Christopher Plummer, David Hasselhoff e Caroline Munro, também se inspirou ou “copiou” elementos de “Star Wars”.

 

(RR – 28/01/26)




Despertar do Demônio / A Cidade das Bruxas (Bay Cove, EUA, 1987)

 


O mercado brasileiro de vídeo VHS foi bastante movimentado entre os anos 80 e 90 do século passado, com muitos lançamentos de filmes de horror. “Despertar do Demônio” (Bay Cove) é de 1987 e foi lançado por aqui pela “Globo Vídeo”, sendo uma produção especialmente para a televisão dirigida por Carl Schenkel, e com a curiosidade da participação no elenco de um jovem Woody Harrelson, em início de carreira. Dentre uma infinidade de atores e atrizes que aparecem em centenas de filmes de todos os estilos e para todos os lados, apenas alguns poucos conseguem sucesso efetivo na carreira. Harrelson é um deles, sempre atuante e participando de grandes projetos como a franquia “Jogos Vorazes”. 

Um jovem casal sem filhos, Jerry Lebon (Tim Matheson) e a esposa Linda (Pamela Sue Martin), decide se mudar e sair do aluguel, comprando uma casa afastada da cidade, localizada num pequeno vilarejo de uma ilha pouco habitada. O lugar é chamado de “Bay Cove” (do título original) e a comunidade local tem mais de 300 anos de história. Eles primeiramente são recebidos com entusiasmo e cordialidade pelos novos vizinhos, como a idosa Beatrice Gower (Barbara Billingsley), antiga proprietária da casa vendida para eles, e pelos casais Josh (Jeff Conaway) e Debbi McGwin (Susan Ruttan), e os misteriosos Nicholas (James Sikking) e Matty Kline (Inga Swanson).
Porém, uma série de acontecimentos bizarros e sinistros transforma seus novos vizinhos em pessoas extremamente estranhas. Como a ocorrência de acidentes misteriosos e trágicos envolvendo um amigo de Linda, Slater (Woody Harrelson), que veio à ilha para visitá-la, e também o cachorro de estimação da moça, passando pelo comportamento nada infantil das poucas crianças do lugar, e pelos avisos de alerta para o perigo de um velho recluso numa cadeira sempre observando os movimentos de uma janela num sótão. Além de um cântico assustador ecoando pela ilha e a descoberta de uma caverna escondendo um ambiente preparado para a realização de cultos demoníacos, com um enorme pentagrama no chão e iluminação por tochas de fogo.  

O nome nacional “Despertar do Demônio” é oportunista e já entrega a temática do roteiro com uma conspiração satânica, e o filme também foi exibido na televisão com o título "A Cidade das Bruxas". Uma vez sendo uma produção para a televisão, quase não há violência e sangue, e o foco está na construção de uma atmosfera de suspense e mistério que lembra situação similar do clássico “O Bebê de Rosemary” (1968, de Roman Polanski). Apesar dos velhos clichês de filmes com seitas demoníacas e covil de feiticeiros, e da presença inevitável de previsibilidade nos eventos, temos aqui uma história que ainda consegue envolver o espectador com um clima de tensão crescente. Que ocorre na medida em que Linda desconfia do comportamento estranho dos habitantes da ilha, e decide investigar a história sinistra do lugar, descobrindo aos poucos a obscura verdade e reais intenções de seus moradores envolvidos com bruxaria.

Se um mortal vir o local, deve ser sacrificado na primeira noite de lua cheia. Se o sacrifício não ocorrer à meia-noite, então qualquer pacto com Satanás será destruído.

(RR –22/05/17)

Dia das Mães Macabro (Mother´s Day, EUA, 1980)

 


Bagaceira divertida dos anos 80 da cultuada produtora Troma, com torturas, perseguições na floresta, sangue e perversão

A produtora “Troma”, especializada em filmes bagaceiros de horror, lançou em 1980 a divertida tranqueira “Dia das Mães Macabro” (Mother´s Day), dirigida por Charles Kaufman, irmão do fundador da produtora, Lloyd Kaufman.
Três amigas da época da escola, unidas por uma irmandade, se encontram para um passeio de diversão descompromissada. Jackie (Deborah Luce), Abbey (Nancy Hendrickson) e Trina (Tiana Pierce) decidem ir para um local isolado numa floresta, aproveitando um final de semana para sair de suas rotinas diárias e se afastar dos problemas, relembrando os bons momentos do passado na escola. Porém, logo a diversão se transforma em tensão e medo depois que são surpreendidas por dois irmãos psicopatas, Ike (Frederick Coffin, creditado como Holden McGuire) e Addley (Michael McCleery, creditado como Billy Ray McQuade). Eles moram com sua mãe insana e autoritária, interpretada por Beatrice Pons (creditada como Rose Ross), numa cabana no meio do mato.
Os irmãos lunáticos sequestram as garotas e iniciam uma série de torturas físicas e psicológicas, carregadas de violência e perversidade, para satisfazer, além de seus próprios desejos pessoais, também a mãe maluca, que se diverte com o sofrimento das moças capturadas.
É verdade que os primeiros 30 minutos do filme são arrastados, perdendo muito tempo com futilidades envolvendo as três moças, mas depois que elas são capturadas pelos psicopatas assassinos, as ações ganham intensidade com as torturas e violência, espalhando sangue. Além também do plano de fuga e vingança das moças contra seus algozes, que apesar dos inevitáveis clichês, gerou um ritmo tenso com as perseguições e confrontos sangrentos.
Tanto os atores que interpretaram os irmãos sádicos, quanto principalmente a veterana Rose Ross (na verdade, Beatrice Pons), como a mãe perversa, tiveram ótimas atuações, convencendo com seus personagens insanos e ameaçadores, contribuindo significativamente para tornar “Dia das Mães Macabro” mais um exemplo de filme divertido de horror bagaceiro.   
Curiosamente, a primeira vez que vi o filme foi em 1985 através de uma fita “alternativa” de vídeo VHS, um nome diferente na época para “pirata”, e a experiência registrou algumas cenas definitivamente em minha memória, como a decapitação do início e as mãos severamente dilaceradas de uma das garotas, por causa do atrito de uma corda.
Em 2010 tivemos uma refilmagem com o título nacional “Dominados Pelo Ódio”, dirigido por Darren Lynn Bousman e com Rebecca De Mornay no papel da mãe perversa.

(RR – 05/04/18)

A Criatura do Cemitério (Graveyard Shift, EUA / Japão, 1990)

 



Típico filme bagaceiro divertido, com monstro gosmento e o diferencial de ser baseado em conto de Stephen King

O escritor Stephen King é recordista em histórias adaptadas para o cinema, num trabalho difícil de catalogação pela grande e variada quantidade. Infelizmente, muitas delas tiveram resultados ruins, mas por outro lado, também tivemos filmes bem divertidos como é o caso de “A Criatura do Cemitério” (Graveyard Shift, 1990), baseado em conto que foi publicado na antologia “Sombras da Noite”.
Com direção de Ralph S. Singleton (em seu único trabalho no cinema, sendo mais conhecido como produtor), a história se passa numa pequena cidade americana que tem uma importante atividade comercial com a produção de tecidos num moinho, supervisionada pelo arrogante Sr. Warwick (Stephen Macht), que contrata o recém-chegado John Hall (David Andrews), um pacato viúvo à procura de trabalho.
O que ele não sabe é que o moinho é uma fábrica velha infestada de ratos, vizinha de um cemitério macabro, e que esconde um porão cheio de ambientes abandonados. E as coisas se complicam quando ele e outros funcionários como seu par romântico, a mocinha Jane Wisconsky (Kelly Wolf), e os colegas Danson (Andrew Divoff), Brogan (Vic Polizos), Carmichael (Jimmy Woodard) e Ippeston (Robert Alan Beuth), são convidados para fazer um trabalho especial de limpeza no porão para ativar uma nova produção, e precisam enfrentar além dos ratos famintos, uma imensa criatura assassina que quer provar o sabor de suas carnes e sangue.
“A Criatura do Cemitério” é o exemplo típico de um filme bagaceiro divertido, com produção de baixo orçamento, e com um monstro mutante gosmento concebido pelos antigos efeitos especiais dos anos 80- 90 do século passado, sem a artificialidade da moderna computação gráfica. Em seu roteiro temos as esperadas mortes sangrentas, perseguições, claustrofobia, situações de tensão e confrontos, aliados com uma infestação de ratos, esqueletos e cadáveres de um cemitério. E, de brinde, a sua história básica é inspirada num conto do mestre Stephen King.
O cultuado ator Brad Dourif, conhecido pela voz do boneco assassino Chucky, além de diversos outros filmes de horror, faz o papel de Cleveland, um insano exterminador de ratos, obcecado com sua tarefa de eliminar os roedores. Sua atuação é ótima, sendo um dos destaques do elenco, juntamente com Stephen Macht, que faz o chefe Warwick, um sujeito desonesto e carrasco com os funcionários.
Os cenários são ótimos, mostrando de forma convincente uma fábrica têxtil suja, cheia de bagunça, equipamentos velhos e com dezenas de ratos se movimentando livremente pelos corredores, tubulações e orifícios, além de um porão úmido, depressivo, evidenciando abandono e sujeira, escondendo passagens ocultas para outros ambientes ainda mais obscuros.
Não faltam mortes violentas, brutais, dolorosas, com sangue, mutilações e vísceras espalhadas, em ataques ferozes de uma “criatura do cemitério” ávida em experimentar a carne humana dos invasores de seu território. Recomendado como um filme de horror simples e de diversão garantida.

(RR – 28/03/18)

Interzone (Itália, 1989)

 

Interzone” (1989) é uma cópia bagaceira italiana com orçamento paupérrimo, de filmes com temática pós-apocalíptica no estilo de “Mad Max”. Foi dirigido pelo norte-americano Deran Sarafian, produzido pelo italiano Joe D´Amato (sob o pseudônimo David Hills) e teve como um dos roteiristas o também italiano Claudio Fragasso, mais conhecido pela direção de tranqueiras como “Predadores Assassinos” (1980), “Ratos: A Noite do Terror” (1984) e “A Terceira Porta do Inferno” (1989), entre outros.

O filme é estrelado por Bruce Abbott, ator reconhecido como o estudante de medicina Dan Cain em “Re-Animator” (1985), de Stuart Gordon, e está disponível no “Youtube” numa versão dublada, além também de ter sido lançado no Brasil em vídeo VHS pela “Alvorada”.

 

Num futuro com a Terra devastada por uma guerra nuclear e com regiões contaminadas por radiação, uma gangue de guerreiros liderada pela tirana Mantis (Teagan Clive, de “Alienator – A Exterminadora Indestrutível”, 1990), conhecida como um diabo em forma de mulher, e o segundo em comando, o cruel Balzakan (John Armstead), tenta invadir um mosteiro que guarda um suposto tesouro e é protegido por um grupo de monges com poderes de controle mental.

Panasonic (Kiro Wehara) é o monge responsável e guardião do mosteiro, um santuário também conhecido como “Interzone”, com riquezas que despertam a cobiça dos ladrões. Ele se une ao forasteiro Swan (Bruce Abbott) e Tera (Beatrice Ring), uma bela escrava resgatada de um mercenário extravagante chamado Rat (Franco Diogene). 

Após diversas lutas e perseguições com motos e carros modificados, e com o herói Swan se destacando pela coragem e bravura, ocorre um confronto final entre a gangue de Mantis e os monges resistentes, pelo destino da “Interzone” e sua importância como legado do passado da humanidade antes do holocausto.  

 

O filme é obscuro e ruim, mas não daquele tipo de cinema bagaceiro que consegue divertir justamente pela precariedade de recursos. Apesar de Bruce Abbott tentar salvar o projeto com seu nome vinculado ao popular e bem-sucedido “Re-Animator”, seu personagem não possui carisma suficiente para despertar algum interesse.

As cenas de lutas são extremamente patéticas e não convincentes, e ainda existem muitos elementos propositais de humor que não funcionam, com tentativas de piadas que somente contribuem para um inevitável tédio.

A única boa chance de mostrar um monstro disforme pelos efeitos da radiação foi desperdiçada num momento muito rápido que deveria ter sido melhor explorado, quando prisioneiros eram obrigados a entrar num buraco para divertir a tirana Mantis, tendo que lutar por suas vidas contra uma criatura humanoide deformada. Era uma boa oportunidade de mostrar os efeitos toscos e divertidos da maquiagem do monstro, porém ele quase não apareceu no filme.

Por outro lado, até que teve uma cena bastante ousada no assassinato violento de uma mulher grávida, com a vítima sendo interpretada por Laura Gemser (uma ponta não creditada), a musa da extensa franquia “Emanuelle”.

 

(RR – 19/01/26)



Continente Perdido (Lost Continent, EUA, 1951, PB)

 


Histórias sobre mundos perdidos, terras esquecidas pelo tempo e regiões selvagens inexploradas e desconhecidas pela humanidade, são sempre interessantes e divertidas exercendo um fascínio que instiga nossa imaginação. Felizmente para nós, apreciadores do cinema fantástico bagaceiro e espectadores ávidos por filmes antigos com roteiros exagerados no escapismo e efeitos práticos toscos, a oferta de títulos é imensa, como por exemplo “Continente Perdido” (Lost Continent, EUA, 1951), que tem fotografia em preto e branco, produção de baixo orçamento da “Lippert Pictures”, direção de Sam Newfield e elenco liderado por Cesar Romero.

Disponível no “Youtube” com a opção de legendas em português geradas automaticamente, a história lembra elementos já apresentados antes como no livro “O Mundo Perdido”, de Sir Arthur Conan Doyle, também adaptado no cinema várias vezes.

 

Durante o tenso período da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, os militares norte-americanos estão testando a propulsão de um foguete atômico sobrevoando o Pacífico Sul, e após atingir uma grande velocidade o míssil não consegue retornar à base de lançamento, ficando fora de controle e caindo numa região desconhecida.

Temendo que o foguete secreto pudesse ser descoberto por inimigos, uma expedição de resgate parte imediatamente de avião à sua procura, formada por três militares, o piloto Major Joe Nolan (Cesar Romero), o co-piloto Tenente Danny Wilson (Chick Chandler) e o mecânico Sargento Willie Tatlow (Sid Melton), o responsável pelo alívio cômico com tentativas de piadas. Completam o grupo mais três cientistas especialistas no foguete, o russo Dr. Michael Rostov (John Hoyt), o Dr. Stanley Briggs (Whit Bissell) e o Dr. Robert Phillips (Hugh Beaumont). 

Após uma forte turbulência desestabilizar o avião ao sobrevoar uma região radioativa, falhas nos controles elétricos e magnéticos obrigam um pouso forçado numa ilha com mata fechada. Sem sinais de rádio, lá eles encontram alguns nativos supersticiosos que informam que um “pássaro de fogo” cruzou o céu em direção à “montanha sagrada”. O grupo decide escalar a montanha que tem um imenso platô no topo, onde estaria o foguete acidentado, para cumprir a missão de recuperar os dados registrados no teste de voo.

Porém, eles não imaginavam que encontrariam um ambiente hostil de um “continente perdido”, uma região selvagem pré-histórica com gases venenosos e minas de urânio, além de ser habitada por criaturas enormes e ameaçadoras supostamente extintas.   

 

Como um filme de orçamento reduzido, infelizmente os dinossauros aparecem pouco e para preencher a metragem de 83 minutos, o roteiro desperdiçou muito tempo na escalada da montanha pela expedição de resgate do foguete, com um excesso de cenas cansativas num convite ao tédio.

Os destaques obviamente são os animais pré-históricos que somente entraram em cena no terço final, com divertidos efeitos práticos em “stop motion”, que certamente deviam encantar os espectadores daquele período sem o auxílio da computação gráfica, com direito a um duelo mortal entre dois triceratops, um ataque de brontossauro e uma aparição de um pterodáctilo. 

Entre as diversas curiosidades, as cenas com os dinossauros foram filmadas num tom verde e foram reaproveitadas na tranqueira “O Robô Alienígena” (Robot Monster, 1953).

O ator Whit Bissell (1909 / 1996), que fez o papel do cientista Dr. Briggs, é um rosto conhecido pelos fãs do cinema fantástico de baixo orçamento, presente em vários filmes e séries como “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), “Invasão do Mundo” (1954), “Vampiros de Almas” (1956), “I Was a Teenage Werewolf” (1957), “I Was a Teenage Frankenstein” (1957), “O Monstro Sanguinário” (1958), “A Máquina do Tempo” (1960), “No Mundo de 2020” (1973) e “O Túnel do Tempo” (1966).

Um dos cartazes principais de divulgação estampa um tiranossauro, o mais temível e predador dos animais pré-históricos, mas que não aparece no filme. A produtora inglesa “Hammer” também lançou a sua versão de “mundo perdido” em 1968 com “O Continente Esquecido” (The Lost Continent).


(RR – 13/01/26)




Força Diabólica (The Tingler, EUA, 1959, PB)

 


“Lembre-se: gritar na hora certa pode salvar sua vida.”

– William Castle

 

Imagine num mesmo filme a parceria de dois nomes com grande relevância e associação com o gênero horror, o produtor e diretor William Castle e o ator Vincent Price (ícone eterno ao lado de Bela Lugosi, Boris Karloff, Christopher Lee e Peter Cushing). Pois essa dupla esteve em dois projetos divertidos do final doa anos 50 do século passado: “A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, EUA, 1958), explorando o tema de casas assombradas, e “Força Diabólica” (The Tingler), lançado no ano seguinte e com uma história de “cientista louco” em experiências com uma criatura bizarra que se materializava na espinha dorsal das pessoas quando em estado de medo extremo.

 

No roteiro de Robb White, o patologista Dr. Warren Chapin (Vincent Price) trabalha numa penitenciária realizando autópsias nos presidiários com pena de morte. Ele tem um interesse especial em experiências com os cadáveres para estudar uma teoria onde todas as pessoas possuem um pequeno monstro internamente nas vértebras atrás do pescoço, que se desenvolve pelo medo e pavor, podendo ser combatido apenas com a reação de gritos desesperados como único mecanismo de defesa.

Seu assistente é o jovem David Morris (Darryl Hickman), namorado de Lucy Stevens (Pamela Lincoln), que é a irmã da esposa infiel do cientista, Isabel Stevens Chapin (Patricia Cutts), em crise de relacionamento conjugal repleta de ameaças e ironias recíprocas.

Depois que o Dr. Chapin conhece Oliver Higgins (Philip Coolidge) e sua esposa surda e muda Martha (Judith Evelyn), proprietários de uma pequena sala de cinema, ele aproveita a oportunidade de fazer experiências com a mulher incapaz de gritar. Ele também utiliza drogas em si mesmo como o LSD, para ajudar com efeitos alucinógenos. Sua teoria é comprovada, confirmando a existência da criatura bizarra, uma espécie de centopeia mutante, batizada como “The Tingler” (algo como “Formigador” ou “Arrepio”). O monstro é extraído da coluna vertebral da mulher, mas consegue escapar e invade a sala de cinema causando pânico e espalhando o horror nos espectadores, que precisam gritar para salvar suas vidas (conforme as sábias palavras de William Castle, que apareceu no início do filme com uma narração de alerta do perigo mortal).     

 

Além do lendário Vincent Price, cuja presença sempre marcante já agrega grande valor para qualquer filme, graças ao carisma e associação principalmente com o cinema bagaceiro de horror e ficção científica, os destaques de “Força Diabólica” são os divertidos efeitos práticos com o monstro tosco e suas movimentações hilárias com “fios invisíveis”. Tem também uma cena memorável e colorida (a única em contraste com o restante produzido com fotografia em preto e branco) envolvendo uma banheira cheia de sangue.      

William Castle (1914 / 1977) ficou conhecido pela criatividade em campanhas de marketing de seus filmes com orçamentos pequenos, apresentando surpresas para o público nas salas de exibição. Em “Macabro” (Macabre, 1958), ele ofereceu apólices de seguro de vida para quem morresse de medo no cinema. Já em “A Casa dos Maus Espíritos”, utilizou um dispositivo especial para assustar o público, um sistema batizado de “Emergo” que consistia num esqueleto humano iluminado movimentado por um complexo mecanismo de polias, cordas e correias, que era arremessado por cima das pessoas. Em “Treze Fantasmas” (13 Ghosts, 1960), o efeito utilizado, conhecido por “Illusion-O”, era uns óculos de papel com uma das lentes na cor azul e a outra vermelha, que permitia ao espectador visualizar os espectros do filme. E em “Força Diabólica”, o truque recebeu o nome “Percepto”, com dispositivos instalados nas cadeiras, que vibravam liberando pequenos choques elétricos.

Curiosamente, em 1993, o diretor Joe Dante homenageou William Castle em “Matinee – Uma Sessão Muito Louca” (Matinee), que contava a história de um cineasta nos anos 1950 que inovava o gênero horror com filmes baratos e sistemas de interação com o público nas salas de cinema.

“Força Diabólica” foi exibido na televisão e lançado em DVD no Brasil, sendo que uma das versões foi pela “Versátil Home Vídeo” no box “Mestres do Terror: William Castle”, além também de ser encontrado no “Youtube” com a opção de legendas em português.

      

(RR – 04/01/26)