O Açougueiro (The Butcher, EUA, 2006)


Lançado em DVD no Brasil no final de 2007 pela “Platina Filmes”, “O Açougueiro” (The Butcher, 2006) é mais uma tranqueira americana completamente dispensável, explorando pela enésima vez a idéia de alguns jovens acéfalos perdidos numa estrada secundária, que encontram uma casa isolada no mato e são atacados por seus sinistros habitantes, principalmente um homem desfigurado (o “açougueiro” do título), que aprecia retalhar a carne dos invasores de seu território.

O grupo de jovens imbecis é formado por dois homens, Mark (Alan Ritchson) e Adam (Tom Nagel), e quatro garotas, as lésbicas Liz (Tiffany Kristensen) e Atlanta (Ashley Rebecca Hawkins), além de Rachel (Catherine Wreford) e Sophie (Myiea Coy). Em viagem de carro pelo interior dos Estados Unidos e após pegarem uma estrada deserta e sem asfalto, um confronto com um misterioso motorista em seu caminhão causa um acidente que mata uma das garotas. Perdido no meio do nada, o grupo procura ajuda e encontra uma casa de campo habitada por uma família pouco hospitaleira.

É inacreditável como ainda existem profissionais do cinema que continuam insistindo em fazer filmes com roteiros extremamente desgastados e clichês em profusão. A falta de criatividade é constrangedora. “O Açougueiro” até tem algumas mortes violentas, certa dose de sangue, perseguições, mas nada que não seja esquecido completamente logo depois de visto. Provavelmente, o único momento que deverá ficar na memória por um pouco mais de tempo e por causa de seu caráter absurdo de tão improvável seja a cena em que uma garota morre com o corpo decepado ao meio no acidente de carro no início da história. Filmado sem realismo, de forma não convincente e com pouco sangue, o resultado acaba surtindo um efeito contrário, tornando a cena ridícula em vez de perturbadora.

“O Açougueiro” (The Butcher, EUA, 2006) # 527 – data: 23/06/09
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(postado em 23/06/09)

O Ataque das Vespas Mutantes (Swarmed, Canadá, 2005)


Se fizermos um trabalho de pesquisa relacionando os filmes de horror produzidos dentro do sub-gênero “revolta da natureza”, vamos encontrar muita porcaria. Entre a imensa quantidade de filmes dispensáveis temos “O Ataque das Vespas Mutantes” (Swarmed, Canadá, 2005), de Paul Ziller, lançado no Brasil em DVD pela “Europa” no final de 2007.

Numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, o cientista Dr. Kent Horvath (Michael Shanks), está realizando pesquisas com um pesticida e sua experiência em contato com vespas amarelas acidentalmente criou mutações nos insetos, deixando-os mais venenosos e agressivos, escapando do laboratório. Com a ajuda de uma especialista em entomologia, Prof. Christina Brown (Carol Alt), eles tentam encontrar uma forma de deter o ataque das vespas mutantes contra a população local, principalmente por causa de um evento turístico que está acontecendo na cidade, um concurso de churrasco (os insetos tem uma atração especial pela carne crua) patrocinado por uma dupla de inescrupulosos, o prefeito Gibson (Christopher Bondy) e o empresário criador de um molho para churrasco Phineas Washburn (Tim Thomerson), que apenas querem defender seus interesses comerciais, apesar da ameaça mortal das vespas, apoiados pelo corrupto chefe de polícia (Bill Lake).

O nome nacional escolhido é exageradamente sonoro, numa tentativa equivocada da distribuidora em despertar a atenção do público para um filme interessante sobre insetos assassinos. Porém, a história é ridícula, muito carregada de clichês, sem absolutamente nenhum elemento novo ou pelo menos alguma pequena variação de algo já visto inúmeras vezes antes. Ou seja, o roteiro preguiçoso é sempre o mesmo: uma cidadezinha americana atacada por insetos que se revoltam contra a humanidade por culpa exclusiva de experiências descuidadas, restando para um casal de heróis conduzir as ações para salvar o mundo dessa ameaça. Os homens maus devem ser punidos, o ataque é supostamente sempre contido, uma tragédia maior é evitada, e no final (nem pode ser considerado um “spoiler”, já que todos esses filmes são iguais e sabemos com antecedência o desfecho) teremos uma ponta solta para possíveis sequências ou apenas para informar que a ameaça completa ainda não foi eliminada.
Como é um filme produzido para a televisão, é óbvio que não há violência e as mortes são todas bem discretas, mas a quantidade de clichês previsíveis e cenas absurdas é tão grande que nos faz pensar como é possível uma equipe profissional de cinema, formada por técnicos e atores, se unir para rodar um filme tão descartável, algo que não acrescenta absolutamente nada, e ao contrário, apenas contribui para difamar e tornar o cinema de horror inútil e sem graça.
Para finalizar, vale a pena registrar a cena mais ridícula do filme e que para mim ficará na memória como referência de “O Ataque das Vespas Mutantes”: em determinado momento, após a morte previsível de um dos personagens “maus”, uma mulher tenta matar uma única vespa assassina com um enorme rifle, estourando tudo ao seu redor tentando acertar o pequeno inseto. E é interessante salientar a estranheza sobre como o roteirista Miguel Tejada-Flores cometeu esse vacilo, sendo o responsável por essa história dispensável, pois ele teve participação em outros projetos bem melhores como “A Sétima Vítima” (Darkness, 2002), de Jaume Balagueró, e “Re-Animator: Fase Terminal” (Beyond Re-Animator, 2003), de Brian Yuzna.

“O Ataque das Vespas Mutantes” (Swarmed, Canadá, 2005) # 526 – data: 20/06/09
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(postado em 20/06/09)

Alone in the Dark 2: O Retorno do Mal (Alone in the Dark II, EUA, 2008)


Uwe Boll é um cineasta alemão conhecido por seus filmes ruins, principalmente adaptando histórias dos games para as telas. “House o f the Dead” (2003) é uma das principais porcarias que ele dirigiu e que o tornou conhecido pelo público estabelecendo sua fama negativa. Em 2005, ele lançou “Alone in the Dark”, outra tranqueira desnecessária, a qual recebeu três anos depois uma seqüência, dessa vez apenas produzida por Boll, e dirigida por Michael Roesch e Peter Scheerer.

Em “Alone in the Dark 2: O Retorno do Mal” (subtítulo nacional dispensável, como sempre), lançado no Brasil em DVD pela “FlashStar”, o detetive do sobrenatural Edward Carnby (Rick Yune, no filme anterior o papel foi de Christian Slater), envolve-se novamente numa trama sinistra repleta de mistérios e elementos fantásticos, com uma adaga mágica que “mata a alma, não o corpo” e uma bruxa centenária que está atrás do artefato, dizimando o que encontra pela frente.

Tem a participação de Lance Henriksen (para mim ele é uma espécie de “John Carradine” moderno, um ator com uma imensa filmografia, boa parte dela voltada para filmes de horror), o canastrão Danny Trejo, de “Um Drink no Inferno” (1996), Bill Moseley, de “O Massacre da Serra Elétrica 2” (1986), Michael Paré, da bagaceira “Komodo vs. Cobra” (2005), e a veterana alemã P. J. Soles, que foi uma das colegas de Jamie Lee Curtis no clássico “Halloween” (1978).
Apesar da presença de coadjuvantes que despertam interesse, a história é tão fraquinha e ingênua que o maior desafio para o espectador é não dormir no meio do filme. A tal adaga com poderes sobrenaturais não tem a menor graça e a velha bruxa (interpretada por Lisette Bross) está perdida no meio de tanto CGI e não consegue estabelecer tensão em suas cenas. É pena que Lance Henriksen esteja perdendo seu tempo em filmes tão dispensáveis.

“Alone in the Dark 2: O Retorno do Mal” (Alone in the Dark II, Estados Unidos, 2008) # 524 – data: 03/05/09
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(postado em 03/05/09)

Blackout (EUA, 2007)


Um grupo de três pessoas, todas com seus próprios dramas e problemas pessoais, fica preso num elevador de um prédio antigo, devido a um apagão. Logo, o confinamento e o sentimento de claustrofobia, somados à necessidade de cada um de precisar sair o mais rápido possível por causa de assuntos pendentes de grande importância, causarão graves conflitos de relacionamento entre eles, não faltando elementos surpresas. 

Filme curto (cerca de 75 minutos) e eficiente na construção de um clima de suspense, criando no espectador uma empatia com os dramas dos personagens, principalmente após a revelação do comportamento agressivo de um deles.

“Blackout” (Estados Unidos, 2007) # 523 – data: 28/04/09
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(postado em 30/04/09)

Perkins´14 (EUA, 2009)


O filme apresenta os habituais clichês do gênero, mas o mais interessante foi a abordagem do roteiro com foco não no “serial killer”, que morre logo e nem parece ameaçador, mas sim nas suas vítimas, que se transformaram em monstros por causa do isolamento de muitos anos e os tratamentos com drogas, atacando violentamente a cidade. Por ser um filme americano, está acima da média dos normalmente produzidos por lá, repletos de imagens convencionais e pouca ousadia nas histórias, e que têm sido lançados nos cinemas brasileiros com freqüência.

“Perkins´14” (Estados Unidos, 2009) # 522 – data: 27/04/09
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(postado em 30/04/09)

Martyrs (França / Canadá, 2008)


“Alta Tensão” (Haute Tension / High Tension, 2003), “Eles” (Ils / Them, 2006), “A Invasora” (À L´intérieur / Inside, 2007), “Fronteira (A)” (Frontiere (s) / Frontier (s), 2007), e agora “Martyrs” (2008). O cinema de horror francês é atualmente um dos mais violentos e perturbadores, com filmes tensos, carregados de “gore” em roteiros que prendem a atenção e principalmente que ficam na memória do espectador. E também, com algumas exceções, constatamos que o tão badalado e popular cinema americano de horror não tem conseguido nos dias de hoje deixar de ser comum, trivial, repleto de clichês e excessivamente comercial, em detrimento de histórias originais e imagens ousadas de violência gráfica.

É difícil apresentar a sinopse de “Martyrs” sem esbarrar em armadilhas reveladoras de “spoilers”, portanto a história será resumida em poucas palavras básicas apenas para registro: Lucie (Mylène Jampanoi) é uma jovem em busca de vingança contra as pessoas que a aprisionaram e torturaram quando criança e de quem conseguiu fugir de forma desesperada, abandonando o cativeiro. Em sua jornada por justiça pessoal, conta com a ajuda da amiga Anna (Morjana Alaoui), que a apoiou durante anos nos momentos de depressão e com seu problema de auto mutilação. Porém, tanto Lucie (atormentada num mundo de insanidade), quanto principalmente Anna, não imaginariam a horrenda experiência com propósitos obscuros em que seriam vítimas.

Dirigido e escrito por Pascal Laugier, o cineasta escolhido para comandar a refilmagem de “Hellraiser” (com previsão de lançamento em 2011), o filme é ultra violento (a cena de vingança com o tiroteio é memorável), sangrento ao extremo (o líquido vermelho banha a tela em demasia), e explora um tema original (depois de ver o filme o espectador refletirá sobre o real significado de “mártir”), através de elementos interessantes que nos remetem a outros filmes como o americano “O Albergue” (Hostel), de Eli Roth, na idéia de uma sociedade secreta com objetivos sinistros, e as películas orientais com fantasmas atormentados, nas cenas de alucinação de uma das personagens. E ainda temos um desfecho adequado, tão perturbador quanto toda a bizarra história que é apresentada. É interessante também notar como os cineastas franceses procuram colocar mulheres como protagonistas (reparem nos filmes citados no início desse texto), fazendo-as sofrer na carne dores e torturas inimagináveis, transformando-as em mártires literalmente. Altamente recomendável, “Martyrs” é cinema de horror puro, que merece e deve ser respeitado e reverenciado.

Obs.: Em 05/05/16 estreou nos cinemas brasileiros uma refimagem americana produzida em 2015, com direção dos irmãos Kevin e Michael Goetz, e que recebeu por aqui o mesmo título original. De uma forma geral é inferior ao filme francês, mas ainda assim passa a sua mensagem com boas cenas de violência e um final também perturbador. 

“Martyrs” (França / Canadá, 2008) # 521 – datas: 23/04/09 - 14/05/16
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(postado em 23/04/09)

Pânico e Morte na Cidade (The Night Stalker, EUA, 1972)

A cultuada e popular série de TV “Arquivo X” (The X-Files), criada por Chris Carter e que durou entre 1993 e 2002, explorando em seus roteiros temas conspiratórios repletos de elementos de horror, mistério e ficção científica, escondendo a verdade sobre casos bizarros da opinião pública, teve inspiração numa outra série de TV dos anos 70 do século passado, “Kolchak: The Night Stalker”, que no Brasil recebeu o nome “Kolchak e os Demônios da Noite”. A série teve apenas uma temporada com episódios de sessenta minutos entre 1974 e 75, estrelando Darren McGavin (1922 / 2006) como o destemido repórter investigativo Carl Kolchak, que testemunha e documenta casos estranhos e misteriosos com desfechos envoltos em situações sobrenaturais com presença de vampiros, demônios, zumbis, alienígenas e lendas urbanas. Seu chefe no jornal, Tony Vincenzo (Simon Oakland), representa o outro lado da moeda, sempre desacreditando as reportagens de Kolchak e impedindo de torná-las públicas.
A série teve dois filmes pilotos produzidos especialmente para a televisão: “Pânico e Morte na Cidade” (The Night Stalker, 1972) e “A Noite do Estrangulador” (The Night Strangler, 1973), ambos produzidos por Dan Curtis, o diretor de “Drácula – O Demônio das Trevas” (1973), com Jack Palance. Com o sucesso e boa receptividade dos filmes, a ideia de uma série de TV foi colocada em prática e Kolchak protagonizou mais vinte histórias com elementos fantásticos.

Em “Pânico e Morte na Cidade”, escrito por Richard Matheson a partir de livro de Jeffrey Grant Rice, o jornalista Kolchak se depara com uma série de assassinatos misteriosos na cidade de Las Vegas, onde as vítimas apresentam uma característica comum: falta de sangue e dois pequenos orifícios no pescoço. Após intensa investigação, coletando dados de seus informantes da noite, não faltando perigosas correrias, perseguições e confrontos, não demora para ele descobrir que o responsável pelas mortes de mulheres e o desaparecimento de sangue dos estoques dos hospitais deve-se à ação de um vampiro imigrante do leste europeu. Mas, apesar de registros concretos sua reportagem é censurada e ele é obrigado a sair da cidade, ameaçado pelas autoridades policiais.

Um dos destaques do filme é a presença de um ótimo elenco, tanto principal na figura de Darren McGavin, como de apoio, com atores de prestígio na televisão como Claude Akins (no papel do xerife Warren A. Butcher), Ralph Meeker (como Bernie Jenkins), Kent Smith (como o prefeito Tom Paine) e Carol Linley (de “O Destino do Poseidon”, 72), interpretando a namorada de Kolchak, a belíssima Gail Foster. Tem ainda a rápida participação do veterano Elisha Cook Jr., como o informante Mickey Crawford. O vampiro Janos Skorzeny é interpretado por Barry Atwater, também numa performance convincente, sem dizer uma única palavra e utilizando apenas expressões faciais com os olhos vermelhos e pele pálida de uma criatura da noite sedenta por sangue. O diretor é o argentino John Llewellyn Moxey, o mesmo de “Horror Hotel” (1960), com Christopher Lee.
Nesse episódio piloto percebemos algumas características que iriam povoar a série como o uso de efeitos especiais discretos, típicos de uma produção de baixo orçamento, além do argumento central apresentando uma origem sempre fora do comum para a condução dos eventos, com Kolchak investigando e descobrindo a realidade dos fatos, por mais absurdos que pareçam, mas sempre sendo censurado e tido como um jornalista de reputação duvidosa, deixando a “verdade lá fora”, longe do alcance das pessoas.

“Pânico e Morte na Cidade” (The Night Stalker, EUA, 1972) # 520 – data: 21/04/09
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(postado em 21/04/09)