Silk - O Primeiro Espírito Capturado (Silk, Taiwan, 2006)


Aumentando ainda mais as estatísticas de filmes orientais de horror que estão sendo exibidos nos cinemas brasileiros em circuito comercial (depois de “Visões”, “Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado”, “Assombração” e “Almas Reencarnadas”, além de vários outros que foram lançados diretamente no mercado de vídeo), no dia 19/01/07 foi a vez de “Silk – O Primeiro Espírito Capturado” (Silk / Guisi, 2006), escrito e dirigido por Chao-Bin Su, vindo diretamente de Taiwan para as nossas telas gigantes, um fato que deve ser prestigiado pelo apreciador de cinema de horror em geral e principalmente aquele produzido na Ásia.
E é claro que os responsáveis pela escolha dos títulos nacionais não poderiam perder a oportunidade de mostrarem sua incrível incompetência colocando um enorme e completamente desnecessário subtítulo no filme, que na verdade faz parte de uma tagline promocional.

Na história, um grupo de pesquisadores, liderado por Hashimoto (Yosuke Eguchi), um cientista diabético que tem deficiência em uma das pernas, está trabalhando num projeto secreto financiado pelo governo de Taiwan. Eles descobriram um poderoso dispositivo (chamado de “Esponja de Menger”) capaz de eliminar o efeito da gravidade, um objeto misterioso que conseguiu capturar a energia de um fantasma de uma criança, e que também num formato líquido e pulverizado nos olhos, permite a visualização de espectros.
O espírito do garoto, isolado num apartamento vazio, fala algumas frases incompreensíveis, obrigando os pesquisadores a convocar o policial Tung (Chen Chang), especialista na leitura de lábios, para monitorar suas ações e tentar descobrir a mensagem do garoto, investigando sua origem, os motivos de sua morte trágica, o local onde foi enterrado e todos os mistérios que envolvem sua existência como um fantasma errante.

“Silk” traz todos aqueles elementos característicos dos filmes orientais com fantasmas perturbados, não faltando as tradicionais cenas macabras de sustos e mortes, os fantasmas ameaçadores de um garoto e uma mulher com longos cabelos negros, e as vítimas com expressões faciais de horror em estado absoluto. O destaque maior fica com o suspense crescente na investigação do policial sobre as origens do menino fantasma, com a revelação progressiva de detalhes surpreendentes, e da proposta de estabelecer teorias sobre a existência de fantasmas. Apesar de uma suposta saturação com histórias muito similares entre si em incontáveis filmes com espíritos atormentados produzidos no Oriente (Japão, China, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Coréia do Sul), ainda assim é inegável constatar que esses filmes conseguem manter um interesse especial em suas tramas, como é o caso novamente de “Silk”, que mesmo podendo ser considerado um filme sem grandes novidades, garante quase duas horas de diversão e bons momentos de tensão em frente à tela de exibição.

“Silk – O Primeiro Espírito Capturado” (Silk / Guisi, Taiwan, 2006) # 415 – data: 22/01/07 – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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(postado em 23/01/07)

A Névoa (The Fog, EUA /Canadá, 2005)

John Carpenter é um daqueles cineastas cultuados por sua filmografia de horror, que inclui preciosidades como “Halloween – A Noite do Terror” (Halloween, 1978) e “O Enigma do Outro Mundo” (The Thing, 1982), ao lado de outros nomes igualmente conhecidos como George Romero, Tobe Hooper, David Cronenberg, Sam Raimi, Wes Craven, John Landis, Joe Dante, Dan O´Bannon, Peter Jackson, etc. Em 1980 ele dirigiu “A Bruma Assassina” (The Fog), uma história de horror sugerido sem a exibição de sangue, com fantasmas vingativos que atacam uma cidade litorânea, escondidos num sinistro nevoeiro. O filme traz no elenco Jamie Lee Curtis (de “Halloween”) e Janet Leigh (de “Psicose”), curiosamente filha e mãe na vida real, e foi lançado em DVD no Brasil pela “Universal” e “Studio Canal” (sem materiais extras).
A onda de refilmagens parece não ter fim, numa constatação óbvia da falta de criatividade dos roteiristas, que preferem não trabalhar em histórias novas e mais atraentes, optando apenas em reciclar idéias antigas. É fato que existem casos de refilmagens tão boas quanto os originais, mas na maioria das vezes os resultados são inferiores, como é o exemplo de “A Névoa” (The Fog, 2005), de Rupert Wainwright (de “Stigmata”), e baseado em “A Bruma Assassina”. Mesmo com a presença de Carpenter na equipe de produção, não foi possível impedir a realização de um filme infinitamente abaixo do original, que por sua vez, também era apenas um bom filme de horror com fantasmas vingativos, e não um clássico moderno ou algo parecido.

A história básica é ambientada numa ilha, onde os moradores são atormentados pelos fantasmas de um grupo de leprosos que foram enganados e brutalmente assassinados cem anos antes, queimados e afundados em seu navio antes de desembarcarem em terra firme, num acordo desrespeitado que garantia um pedaço de chão para estabelecerem uma comunidade e viverem em paz. Em busca de vingança, os fantasmas reaparecem carregados de ódio e ocultos numa espessa e misteriosa neblina que envolve toda a ilha, causando pânico e mortes violentas entre os residentes.

Como a maioria das refilmagens, “A Névoa” exagera nas doses de liberdade de criação, se afastando do roteiro original de “A Bruma Assassina”. Em alguns casos, isso poderia até funcionar, mas aqui o resultado somente piorou com o roteirista Cooper Layne perdendo tempo demais em “flashbacks” cansativos explicando o passado (no original isso é apenas sugerido, instigando a imaginação do espectador), além de desconsiderar uma seqüência inteira e bastante tensa do filme de 1980 envolvendo uma locutora de rádio num farol invadido pelos fantasmas vingativos, e um desfecho descartável e muito inferior. O mais estranho é que John Carpenter permitiu essas mudanças que apenas depreciaram a refilmagem. Por outro lado, a disponibilidade de efeitos especiais mais modernos possibilitou uma nova releitura dos ataques da névoa sobrenatural e na concepção dos fantasmas, permitindo uma avaliação comparativa pelo público. Após fazer essa avaliação, ainda prefiro os fantasmas do primeiro filme, mais grotescos, imponentes e ameaçadores, constituindo-se num destaque nesse filme de Carpenter, claramente mais voltado para um horror sugerido.
E é impossível deixar de comentar a incrível falta de competência dos responsáveis pela escolha do título nacional, pois nesse caso específico o trabalho seria muito fácil: bastava chamar a refilmagem com o mesmo nome adotado para o original na época, ou seja “A Bruma Assassina”. Porém, para confundir ainda mais os colecionadores e dificultar um trabalho de catalogação, o “remake” ganhou um novo e diferente nome, que apesar de ser coerente (“A Névoa”), não é a decisão mais acertada. O mesmo aconteceu com outros exemplos como “Despertar dos Mortos” (Dawn of the Dead, 1978) e “Madrugada dos Mortos” (2004), “Quadrilha de Sádicos” (The Hills Have Eyes, 1977) e “Viagem Maldita” (2006), e “O Homem de Palha” (The Wicker Man, 1973) e “O Sacrifício” (2006, sendo que nesse último caso, o nome escolhido é até um grande “spoiler”).
“A Névoa” seria inicialmente exibido nos cinemas brasileiros (posters de divulgação estavam expostos e um trailer chegou a circular pelas salas de exibição), porém a idéia foi cancelada e o filme foi lançado diretamente no mercado de vídeo pela “Columbia Pictures”. O DVD traz como materiais extras os comentários do filme pelo diretor Rupert Wainwright, cenas excluídas, trailers de outros filmes, além de três documentários curtos (de cerca de 10 minutos cada), com entrevistas da equipe de produção revelando detalhes de bastidores, tudo devidamente legendado em português.

“A Névoa” (The Fog, Estados Unidos / Canadá, 2005) # 414 – data: 20/01/07 – avaliação: 3,5 (de 0 a 10)
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(postado em 22/01/07)

Uma Noite no Museu (Night at the Museum, EUA, 2006)

Em 05/01/07 ocorreu a pré-estréia nos cinemas de “Uma Noite no Museu” (Night at the Museum, 2006), comédia com elementos de fantasia, estrelada por Ben Stiller e Robin Williams, e com estréia oficial prevista para 12/01. Trata-se de um típico “filme pipoca”, daqueles que são produzidos de forma totalmente despretensiosa com o único objetivo de entretenimento para todas as idades, sem a preocupação com um roteiro mais coerente, com explicações mais plausíveis, nem evitar a ocorrência de furos e situações exageradas demais. A idéia é apenas divertir com bastante humor e efeitos especiais.

Na história, Larry Daley (o comediante Ben Stiller), é um homem divorciado que tem um filho de 10 anos de idade, Nick (Jake Cherry), e que não consegue manter uma vida estável, mudando sempre de casa e emprego, decepcionando o filho e transmitindo insegurança para a ex-esposa, Erica (Kim Raver). Bastante pressionado e ao tentar uma reviravolta, ele aceita um emprego no “Museu de História Natural” de New York como vigia noturno, onde conhece a guia Rebecca (Carla Gugino), que ensina-lhe algumas coisas sobre as figuras expostas.
Porém, Larry não imaginava que já há 54 anos, depois da chegada ao museu de uma placa egípcia com poderes mágicos, que pertencia ao faraó Ahkmenrah (Rami Malek), todas as coisas ganham vida à noite (como sugere uma das taglines), fazendo com que as estátuas de cera de personalidades importantes como o Presidente americano Theodore Roosevelt (Robin Williams), a índia guia Sacajawea (Mizuo Peck), Cristóvão Colombo (Pierfrancesco Favino), o huno tirano Attila (Patrick Gallagher), homens de Neanderthal, soldados da guerra civil americana, miniaturas de maias, romanos (chefiados por Octavius / Steve Coogan) e pioneiros do velho oeste americano (liderados por Jedadiah / Owen Wilson), além de animais como leões, macacos, zebras, elefantes e até a ossada de um tiranossauro, andassem normalmente entre os corredores do museu.
O grande desafio de Larry como o novo guarda noturno passa a ser justamente manter as coisas em ordem, evitar que nenhuma figura de exposição saia do museu (pois com a chegada do dia seguinte e de acordo com as regras da placa mágica, seria transformado em pó), e principalmente tentar restabelecer a ordem depois do caos gerado pelos três antigos e idosos vigias noturnos, Cecil (Dick Van Dyke), Gus (Mickey Rooney) e Reginald (Bill Cobbs), que após serem demitidos de seus cargos, roubaram a placa e outros objetos valiosos do museu, para garantir uma aposentadoria mais tranqüila financeiramente.

Como mencionado no início dessa breve resenha, “Uma Noite no Museu” é um filme exclusivamente voltado para entreter o público com bastante humor, ação, aventura, bons efeitos especiais, numa história simples e despretensiosa, convidando o espectador a relaxar e entrar no clima de brincadeira por pouco mais de uma hora e meia de projeção. Nesse quesito, o filme atinge seu objetivo de divertir, pois não é cansativo, e ao contrário, possui um ritmo intenso que mantém a atenção o tempo todo. Para isso, basta não se importar com o roteiro superficial, as situações previsíveis e os vários furos (como por exemplo o fato de um homem das cavernas ter escapado do museu e virado pó ao nascer o dia seguinte, e sua falta não ser notada; ou a engraçada, porém totalmente inverossímil, cena de tentativa de entendimento entre Larry e os violentos hunos, onde em determinado momento a diferença de idiomas não tinha a menor importância; ou quando várias figuras expostas escaparam do museu, principalmente animais selvagens, não tendo quase nenhum efeito sobre o mundo externo, facilitando o trabalho do roteirista nos possíveis problemas causados pela fuga).

Observação: O filme foi exibido pela primeira vez na televisão aberta em 04/05/09 (Segunda-Feira), pela TV Globo, na sessão “Tela Quente” às 22:00 horas. Em 22/05/09 estreou nos cinemas brasileiros a seqüência “Uma Noite no Museu 2” (Night at the Museum: Battle of the Smithsonian, EUA / Canadá, 2009), novamente com Ben Stiller, Robin Williams e Owen Wilson.

“Uma Noite no Museu” (Night at the Museum, 2006) # 413 – data: 07/01/07 – avaliação: 7 (de 0 a 10)
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(postado em 08/01/07)

Império Submarino (Undersea Kingdom, EUA, 1936, PB)

Para concorrer com a audiência do público por causa do seriado “Flash Gordon”, produzido pela “Universal”, o estúdio “Republic” logo tratou de fazer o seu próprio seriado com características similares. Daí nasceu “Império Submarino” (Undersea Kingdom, 1936), uma aventura de ficção científica em 12 capítulos semanais em preto e branco. Ambos os seriados são parecidos entre si, trazendo elementos comuns em suas histórias, alterando a ambientação do espaço sideral de “Flash Gordon” para o fundo do mar, em torno da lendária civilização perdida de “Atlântida”.

Em “Império Submarino”, a ocorrência misteriosa de terremotos nos Estados Unidos está chamando a atenção do cientista e inventor Prof. Norton (C. Montague Shaw), que está sugerindo que a origem vem do fundo do mar. Ele reúne uma equipe para uma expedição viajando num submarino atômico construído com seu projeto. O grupo de exploradores é formado ainda pelo atleta e oficial da Marinha Ray Corrigan (Crash Corrigan) e por uma jornalista à procura de uma boa reportagem, Diana Compton (Lois Wilde). Completa a equipe o pequeno Billy (Lee Van Atta), filho do Prof. Norton, e que entrou no submarino escondido.
Uma vez submersos, eles são atraídos por um raio invisível e chegam ao continente perdido de Atlântida, que está protegido do oceano por um teto formado por um misterioso elemento químico. Lá, eles navegam por um mar interior e desembarcam numa terra em guerra, dividida entre dois grupos opositores: os “capas brancas”, homens liderados pelo alto sacerdote Sharad (William Farnum), e os “capas negras”, que vivem numa torre metálica na base de uma montanha, governados pelo ditador Unga Khan (Monte Blue), que deseja subir ao mundo superior e conquistar os povos da superfície à força, destruindo-os se necessário.
O grupo de viajantes, liderado pelo herói Crash Corrigan, passa a enfrentar uma série de aventuras, participando ativamente do conflito em Atlântida e tentando evitar que o tirano Unga Khan possa chegar à superfície do planeta e dominar as cidades com destruição em massa, uma vez que ele está amparado por uma tecnologia bélica que inclui robôs armados e veículos especiais de guerra, e ainda conta com a ajuda forçada do Prof. Norton (pois sua mente foi manipulada numa máquina de transformação), para criar foguetes capazes de transportar sua torre até o mundo superior.

O seriado é até divertido desde que sejam observados alguns detalhes:
Primeiro, a história é exageradamente ingênua e previsível, cheia de clichês, onde temos os “bons” e “maus” muito bem definidos. Não falta o mocinho (Crah Corrigan), o vilão (Unga Khan), o pacificador (Sharad), o cientista (Prof. Norton), a mocinha (a repórter Diana, a única mulher de todo o elenco, pois em Atlântida estranhamente não apareceu nenhuma outra), e o menino corajoso (Billy, para representar a audiência infanto-juvenil). Temos as tão tradicionais cenas de lutas corporais, perseguições a cavalo e confrontos de espadas.
Segundo, as situações absurdas e inverossímeis são muitas e acontecem durante todo o seriado, com os roteiristas apenas interessados em facilitar seu próprio trabalho, não gastando energia em explicações lógicas ou mais próximas da realidade.
Terceiro, os efeitos especiais são bastante toscos. Naquela época poderiam ser até impressionantes, mas é curioso notarmos como hoje são hilários. Porém, valem por representarem um período onde os recursos ainda eram muito limitados.
Relevando tudo isso, e ainda procurando valorizar alguns pontos positivos de um cinema fantástico produzido há 70 anos atrás, “Império Submarino” pode garantir algum entretenimento. Temos os “modernos” (para a época) equipamentos apresentados, como o submarino nuclear, o carro blindado, os robôs (chamados de “volkites” e que acabam sendo engraçados por parecem homens de lata), o avião bala, as armas atômicas, a placa refletora (uma tela precursora da televisão), a torre metálica (uma estrutura voadora similar a um foguete, repleta de equipamentos científicos que poderiam conquistar os povos da superfície), o propulsor lançador de bombas, a máquina transformadora de mentes, o campo magnético que serve como um escudo protetor da torre, os painéis e controles remotos repletos de alavancas, botões, instrumentos e luzes piscando, etc.
Curiosamente, o ator Lon Chaney Jr., que aqui interpretou o Capitão Hakur, um oficial da cavalaria dos “capas negras”, pouco tempo depois ficaria famoso pelo papel da fera no clássico “O Lobisomem” (The Wolf Man, 41), da “Universal”, além de ser muito lembrado pelos fãs como o filho do lendário ator do cinema mudo de horror Lon Chaney, e por sua participação em diversos outros filmes do gênero fantástico e western.

A “Works Editora”, especializada na distribuição de filmes antigos de horror em DVD no Brasil, lançou o seriado “Império Submarino” em 12 capítulos divididos em 2 discos, num total de quase quatro horas de filme. No primeiro disco temos os capítulos 1 a 5: “No Fundo do Mar” (Beneath the Ocean Floor); “A Cidade Submarina” (The Undersea City); “Arena da Morte” (Arena of Death); “A Vingança dos Volkites” (Revenge of the Volkites); “Prisioneiros de Atlântida” (Prisoners of Atlantis). Já o segundo disco traz os episódios 6 a 12: “O Carro Blindado Ataca” (The Juggernaut Strikes); “A Armadilha Submarina” (The Submarine Trap); “Dentro da Torre Metálica” (Into the Metal Tower); “Morte no Ar” (Death in the Air); “Atlântida Destruída” (Atlantis Destroyed); “Morte Flamejante” (Flaming Death) e “Subida ao Mundo Superior” (Ascent to the Upperworld). Sendo que o primeiro capítulo tem 30 minutos, e todos os demais variam entre 16 e 20 minutos cada.

“Império Submarino” (Undersea Kingdom, 1936) # 412 – data: 10/12/06 – avaliação: 6,5 (de 0 a 10)
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(postado em 11/12/06)

“Império Submarino” (Undersea Kingdom, Estados Unidos, 1936). Republic Pictures. Preto e Branco. Direção: B. Reeves Eason e Joseph Kane. Roteiro: Oliver Drake, Maurice Geraghty, John Rathmell. Produção: Nat Levine. Elenco: Ray Corrigan, Lois Wilde, Monte Blue, William Farnum, Booth Howard, Raymond Hatton, C. Montague Shaw, Lee Van Atta, Smiley Burnette, Lon Chaney Jr.

Hellraiser - O Retorno dos Mortos (Hellraiser: Deader, EUA, 2005)


“Não pense nem por um segundo que você não está em perigo!” – Pinhead

Em Outubro de 2005, a “Europa Filmes” lançou em DVD no Brasil o sétimo filme da franquia “Hellraiser”, com o subtítulo de “O Retorno dos Mortos” (“Deader” no original, que significa algo como “Zumbi”). Esse episódio tem direção de Rick Bota (que também fez as partes 6 e 8), o roteiro é de Neal Marshall Stevens e Tim Day, e traz novamente Doug Bradley no papel que o imortalizou na galeria dos monstros modernos do Horror, o cenobita “Pinhead”, além da bela Kari Wuhrer (de “Malditas Aranhas!”), como uma jornalista investigativa que se infiltra num submundo perigoso, cercado de eventos sobrenaturais.

Ela é Amy Klein, jornalista bem sucedida na Inglaterra, conhecida por trabalhar em matérias onde enfrenta situações de risco como uma investigação com um grupo de jovens viciados em crack. Seu chefe Charles (Simon Kunz), convida-a a viajar para Bucareste, a capital da Romênia, para investigar a origem de uma fita de vídeo VHS enviada à redação do jornal por Marla (Georgina Rylance), que mostra cenas de uma seita de jovens liderada por Winter (Paul Rhys). Eles praticam o suicídio e retornam misteriosamente da morte. A repórter aceita o desafio e entra em contato com um universo de horror que lhe traz lembranças de um passado traumatizante na infância, e descobre segredos que abrem portas para uma dimensão de dor, de onde pode não retornar mais.

Entre as várias e enormes franquias do cinema de horror (“Halloween”, “Sexta-Feira 13”, “A Hora do Pesadelo”, “Grito de Horror”, “Brinquedo Assassino”, etc), a que mais aprecio é “Hellraiser”, e os motivos são basicamente por causa do escritor Clive Barker (autor da história original e criador dos personagens), das fortes cenas de violência, com torturas sangrentas com ganchos e correntes rasgando a carne das vítimas, e pelos cenobitas liderados por Pinhead, seres infernais que habitam uma dimensão paralela que venera a dor sem limites e o sofrimento eterno. E os quatro primeiros filmes da série formam um ciclo interessante que procura amarrar toda a história, revelando detalhes desde a origem da misteriosa caixa que permite entrar nessa dimensão caótica até quem são realmente os cenobitas.
Em “O Retorno dos Mortos”, parece que não existe mais potencial a ser explorado nesse universo ficcional, e os executivos da indústria de cinema deixam evidente a intenção em insistir na franquia para faturar com a marca já consagrada. Esse sétimo episódio é confuso, numa mistura exagerada de ilusão e realidade e os interesses maiores ficam resumidos quase que exclusivamente à presença maligna e sempre imponente de Pinhead, que ainda assim aparece pouco em cena (sua primeira aparição só acontece com vinte e cinco minutos de projeção), e pelas cenas sangrentas, que são uma característica da série e que aqui continuam, apesar de menor quantidade quando comparado aos filmes 2 e 3, por exemplo. Temos cabeça estourada à bala, corpo despedaçado por correntes, facadas e sangue espalhado para todos os lados. Fora isso, é apenas outro filme convencional em meio a tantos que são produzidos anualmente, do qual esperava-se mais por se tratar de um episódio de “Hellraiser”. E é justamente nesse ponto a falha maior do filme, pois ele originalmente não foi escrito para fazer parte da mitologia da série, sendo depois adaptado pelos roteiristas através de uma relação de parentesco entre o líder da seita Winter e o fabricante de brinquedos que construiu a misteriosa caixa que permite abrir as portas do inferno.

“Hellraiser” (1987) é o primeiro filme de uma extensa franquia com mais sete episódios: “Hellbound – Hellraiser II” (88), de Tony Randel; “Hellraiser III – Hell on Earth” (92), de Anthony Hickox; “Hellraiser IV – Bloodline” (96), de Alan Smithee (Kevin Yagher) e Joe Chappelle (não creditado); “Hellraiser V – Inferno” (2000), de Scott Derrickson; e os últimos três com direção de Rick Bota, “Hellraiser VI – Hellseeker” (2002), “Hellraiser VII – Deader” e “Hellraiser VIII – Hellworld” (ambos de 2005). Todos os filmes foram estrelados por Doug Bradley como o líder dos cenobitas “Pinhead”.

“Hellraiser: O Retorno dos Mortos” (Hellraiser: Deader, Estados Unidos / Romênia, 2005) # 411 – data: 02/12/06 – avaliação: 5 (de 0 a 10)
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Horror Hotel (Horror Hotel / The City of the Dead, Inglaterra, 1960)


O filme tem Christopher Lee, fotografia em preto e branco, produção inglesa de 1960, e uma constante atmosfera sinistra numa história de bruxaria. A combinação desses elementos só poderia ter como resultado mais um item indispensável para os apreciadores do cinema de horror: “Horror Hotel” (The City of the Dead), dirigido por John Llwellyn Moxey e com roteiro de George Baxt, a partir de uma história de Milton Subotsky.

O prólogo é ambientado em 3 de Março de 1692, na pequena cidade americana de Whitewood, Massachusetts, onde uma feiticeira, Elizabeth Selwyn (Patricia Jessel), é condenada a morrer dolorosamente na fogueira, queimando viva na estaca e sentindo sua carne crepitar no fogo purificador. Seu cúmplice na magia negra, Jethrow Keane (Valentine Dyall), consegue escapar da sentença dos inquisidores apenas alegando inocência, mas secretamente ele revela sua identidade ao solicitar a ajuda de Lucifer para salvar a alma da bruxa.
A ação passa para centenas de anos depois, onde o sinistro historiador e professor Alan Driscoll (Christopher Lee) está ministrando uma palestra sobre bruxaria, e consegue convencer uma de suas alunas, Nan Barlow (Venetia Stevenson), a utilizar suas férias numa viagem de pesquisas sobre o assunto, sugerindo para ela ir até a cidade de Whitewood, e se hospedar no único hotel existente, o “Ravens Inn”, de propriedade da misteriosa Sra. Newless (também interpretada por Patrícia Jessel).
Uma vez hospedada na cidade, a jovem estudante decide explorar o local e ao tentar visitar uma igreja, recebe um aviso assustador de um padre cego, Reverendo Russell (Norman Macowan) para partir imediatamente, pois sua vida corre perigo. Após ela desaparecer misteriosamente, a neta do padre, Patrícia Russell (Betta St. John), que administrava um antiquário, decide procurar o irmão da moça, o professor de ciências Richard Barlow (Dennis Lotis), que juntamente com o namorado de Nan, Bill Maitland (Tom Naylor), partem para a cidade.
Lá, eles descobrem as atividades de uma seita de satanistas que fazem sacrifícios de jovens garotas em duas datas por ano, em eventos conhecidos como “Candleman Eve” e “Witch Sabbath”, onde eles ridicularizam os rituais da igreja e reforçam o pacto com o demônio para se manterem eternos.

A seqüência inicial de “Horror Hotel” é certamente um dos destaques do filme, reproduzindo uma cena comum no século XVII, onde mulheres eram impiedosamente queimadas vivas na estaca, acusadas de bruxaria por fanáticos religiosos. Na época, a maioria absoluta era formada por pessoas inocentes que sofriam na carne a dor do fogo imposta por inquisidores equivocados. Mas, no filme a vítima revelou sua identidade e jurou vingança com a ajuda do demônio.
Outro destaque também é o incessante clima sinistro que envolve a pequena cidade de Whitewood, sempre coberta por uma névoa fantasmagórica, parecendo ocultar um mal opressor, somando-se aos misteriosos habitantes encarando de forma hostil os forasteiros que chegam.
Christopher Lee está jovem (na época tinha 38 anos), em um de seus primeiros filmes depois de ser descoberto no final da década de 1950 como um ator de grande potencial e carisma para personagens tiranos e vilões, fazendo aqui um enigmático historiador de ocultismo. Ele que ficou eternamente associado ao papel do lendário conde vampiro “Drácula”, numa infinidade de filmes, principalmente da “Hammer”.

“Horror Hotel” é um filme com fotografia em preto e branco, curto (apenas 76 minutos), tem Christopher Lee na liderança do elenco e foi a primeira produção do estúdio inglês “Amicus”, que na época tinha o nome de “Vulcan Productions”. Criado por Milton Subotsky e Max J. Rosenberg, a “Amicus” tornou-se a maior rival da poderosa e cultuada produtora “Hammer”, fazendo filmes como “Grite, Grite Outra Vez” (Scream, Scream Again, 69), “O Soro Maldito” (I, Monster, 72), “A Fera Deve Morrer” (The Beast Must Die, 74), e as antologias de contos “As Torturas do Dr. Diabolo” (Torture Garden, 67), “A Casa Que Pingava Sangue” (The House That Dripped Blood, 70), “Contos do Além (Tales From the Crypt, 72), “Asilo Sinistro” (Asylum, 72), “A Cripta dos Sonhos” (Vault of Horror, 73), “Vozes do Além” (From Beyond the Grave, 73), entre outros.
Na Inglaterra, o filme é conhecido pelo nome original “The City of the Dead”, e nos Estados Unidos ele recebeu o título alternativo de “Horror Hotel”. E para a satisfação dos colecionadores e fãs de filmes antigos, essa preciosidade foi lançada em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, sem materiais extras.

“Horror Hotel” (Horror Hotel / The City of the Dead, Inglaterra, 1960) # 410
data: 12/11/06 – avaliação: 8 (de 0 a 10)
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(postado em 13/11/06)






O Lobisomem no Quarto das Garotas (Lycanthropus / Werewolf in a Girl´s Dormitory, Itália / Áustria, 1962, PB)

Aviso! Esse filme é apenas para pessoas com nervos de aço!” – frase de efeito, reproduzida do trailer

O misterioso Dr. Julian Olcott (o austríaco Carl Schell) é um médico com um passado misterioso que é contratado para trabalhar como professor de ciências numa escola reformatória somente para moças. Porém, ele não imaginava os problemas que iriam surgir e abalar a reputação da instituição quando durante certa noite de lua cheia, uma das garotas, Mary Smith (Mary McNeeran), que mantinha um romance secreto com um outro professor, Sir. Alfred Whiteman (Maurice Marsac), é encontrada morta com os olhos arregalados de pavor e com o pescoço violentamente dilacerado. A investigação policial sugere um ataque de lobo, já que esses animais habitam a floresta que circunda a escola, enquanto uma amiga da vítima, a jovem Priscilla (a polonesa Barbara Lass), alega que ela não foi assassinada por animais, despertando o medo entre as estudantes e criando uma lista de suspeitos na escola.

Confesso que depois de ver o apelativo nome do filme, “O Lobisomem no Quarto das Garotas” (Lycanthropus / Werewolf in a Girl´s Dormitory, 1962), imaginei se tratar de uma bomba daquelas totalmente descartáveis. Porém, para minha surpresa, o filme, com todas as suas falhas, pode ainda assim ser classificado naquele grupo de bagaceiras divertidas, procuradas apenas pelos colecionadores de filmes que sejam os mais bizarros e desconhecidos possíveis, ou seja, com produção paupérrima, elenco amador, roteiro despretensioso e efeitos toscos (nesse caso, a maquiagem do lobisomem).
Com direção do italiano Paolo Heusch (creditado com o pseudônimo de Richard Benson), o roteiro de Ernesto Gastaldi (sob o pseudônimo de Julian Berry), procura contar uma história de mistério, assassinatos e suspense, tentando estabelecer uma interação com o público para descobrir a identidade do autor dos crimes. Porém, falha em não explorar devidamente uma investigação policial (a participação do detetive é inexpressiva), deixando esse trabalho praticamente nas mãos dos próprios suspeitos, cuja lista vai desde professor recém chegado à escola, Julian Olcott, que no passado trabalhou na pesquisa de um antídoto para reverter o processo de transformação do lobisomem, seu companheiro de ofício, o adúltero Sir. Alfred Whiteman, passando pelo respeitável diretor do reformatório, Sr. Swift (o polonês Curt Lowens), e indo até o esquisito zelador Walter Jeoffrey (Luciano Pigozzi, creditado como Alan Collins), e o silencioso porteiro Tommy (Joseph Mercer).
O roteiro superficial também não explora as possíveis origens e motivos que levaram um homem a se transformar numa fera assassina, passando a idéia que um lobisomem não seria algo extraordinário, pelo contrário, seria algo comum que faz parte do cotidiano e que não surpreenderia ninguém (fato comprovado quando o assunto é abordado pela primeira vez, com uma naturalidade que deveria ser inexistente). Outro ponto fraco na história é que um espectador um pouco mais atento logo desconfia qual a identidade da fera, tornando o desfecho previsível. Mas, a despeito disso tudo, o filme é até recomendável a título de curiosidade e principalmente por apresentar todas as características de uma produção “B” despretensiosa. Eu prefiro bagaceiras como essa em vez de bombas dispensáveis como “Amaldiçoados” (Cursed, 2005), de Wes Craven, um lixo produzido com muito dinheiro e uma tecnologia moderna à disposição, mas que não evitaram o péssimo resultado final.

“O Lobisomem no Quarto das Garotas” foi filmado em preto e branco, tem apenas 83 minutos, e foi lançado em DVD no Brasil pela “Fantasy Music” em Setembro de 2006, na coleção “Sessão da Meia-Noite”, trazendo no mesmo DVD o filme “Criatura Sangrenta” (Blood Creature / Terror is a Man, 1959), com história baseada em “A Ilha do Dr. Moreau”, de H. G. Wells (não creditado).

“O Lobisomem no Quarto das Garotas” (Lycanthropus / Werewolf in a Girl´s Dormitory, Itália / Áustria, 1962) # 409 – data: 05/11/06 – avaliação: 5,5 (de 0 a 10)
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(postado em 06/11/06)