Despertar do Demônio / A Cidade das Bruxas (Bay Cove, EUA, 1987)
Dia das Mães Macabro (Mother´s Day, EUA, 1980)
A Criatura do Cemitério (Graveyard Shift, EUA / Japão, 1990)
Interzone (Itália, 1989)
“Interzone”
(1989) é uma cópia bagaceira italiana com orçamento paupérrimo, de filmes com
temática pós-apocalíptica no estilo de “Mad Max”. Foi dirigido pelo
norte-americano Deran Sarafian, produzido pelo italiano Joe D´Amato (sob o
pseudônimo David Hills) e teve como um dos roteiristas o também italiano
Claudio Fragasso, mais conhecido pela direção de tranqueiras como “Predadores
Assassinos” (1980), “Ratos: A Noite do Terror” (1984) e “A Terceira Porta do
Inferno” (1989), entre outros.
O
filme é estrelado por Bruce Abbott, ator reconhecido como o estudante de
medicina Dan Cain em “Re-Animator” (1985), de Stuart Gordon, e está disponível
no “Youtube” numa versão dublada, além também de ter sido lançado no Brasil em
vídeo VHS pela “Alvorada”.
Num
futuro com a Terra devastada por uma guerra nuclear e com regiões contaminadas
por radiação, uma gangue de guerreiros liderada pela tirana Mantis (Teagan
Clive, de “Alienator – A Exterminadora Indestrutível”, 1990), conhecida como um
diabo em forma de mulher, e o segundo em comando, o cruel Balzakan (John
Armstead), tenta invadir um mosteiro que guarda um suposto tesouro e é
protegido por um grupo de monges com poderes de controle mental.
Panasonic
(Kiro Wehara) é o monge responsável e guardião do mosteiro, um santuário também
conhecido como “Interzone”, com riquezas que despertam a cobiça dos ladrões.
Ele se une ao forasteiro Swan (Bruce Abbott) e Tera (Beatrice Ring), uma bela
escrava resgatada de um mercenário extravagante chamado Rat (Franco
Diogene).
Após
diversas lutas e perseguições com motos e carros modificados, e com o herói
Swan se destacando pela coragem e bravura, ocorre um confronto final entre a
gangue de Mantis e os monges resistentes, pelo destino da “Interzone” e sua
importância como legado do passado da humanidade antes do holocausto.
O
filme é obscuro e ruim, mas não daquele tipo de cinema bagaceiro que consegue
divertir justamente pela precariedade de recursos. Apesar de Bruce Abbott
tentar salvar o projeto com seu nome vinculado ao popular e bem-sucedido
“Re-Animator”, seu personagem não possui carisma suficiente para despertar
algum interesse.
As
cenas de lutas são extremamente patéticas e não convincentes, e ainda existem
muitos elementos propositais de humor que não funcionam, com tentativas de
piadas que somente contribuem para um inevitável tédio.
A
única boa chance de mostrar um monstro disforme pelos efeitos da radiação foi
desperdiçada num momento muito rápido que deveria ter sido melhor explorado,
quando prisioneiros eram obrigados a entrar num buraco para divertir a tirana
Mantis, tendo que lutar por suas vidas contra uma criatura humanoide deformada.
Era uma boa oportunidade de mostrar os efeitos toscos e divertidos da maquiagem
do monstro, porém ele quase não apareceu no filme.
Por
outro lado, até que teve uma cena bastante ousada no assassinato violento de
uma mulher grávida, com a vítima sendo interpretada por Laura Gemser (uma ponta
não creditada), a musa da extensa franquia “Emanuelle”.
(RR – 19/01/26)
Continente Perdido (Lost Continent, EUA, 1951, PB)
Histórias sobre mundos
perdidos, terras esquecidas pelo tempo e regiões selvagens inexploradas e desconhecidas
pela humanidade, são sempre interessantes e divertidas exercendo um fascínio
que instiga nossa imaginação. Felizmente para nós, apreciadores do cinema
fantástico bagaceiro e espectadores ávidos por filmes antigos com roteiros exagerados
no escapismo e efeitos práticos toscos, a oferta de títulos é imensa, como por
exemplo “Continente Perdido” (Lost
Continent, EUA, 1951), que tem fotografia em preto e branco, produção de baixo
orçamento da “Lippert Pictures”, direção de Sam Newfield e elenco liderado por
Cesar Romero.
Disponível no “Youtube” com a
opção de legendas em português geradas automaticamente, a história lembra
elementos já apresentados antes como no livro “O Mundo Perdido”, de Sir Arthur
Conan Doyle, também adaptado no cinema várias vezes.
Durante o tenso período da
guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, os militares
norte-americanos estão testando a propulsão de um foguete atômico sobrevoando o
Pacífico Sul, e após atingir uma grande velocidade o míssil não consegue
retornar à base de lançamento, ficando fora de controle e caindo numa região
desconhecida.
Temendo que o foguete secreto pudesse ser descoberto por inimigos, uma expedição de resgate parte imediatamente de avião à sua procura, formada por três militares, o piloto Major Joe Nolan (Cesar Romero), o co-piloto Tenente Danny Wilson (Chick Chandler) e o mecânico Sargento Willie Tatlow (Sid Melton), o responsável pelo alívio cômico com tentativas de piadas. Completam o grupo mais três cientistas especialistas no foguete, o russo Dr. Michael Rostov (John Hoyt), o Dr. Stanley Briggs (Whit Bissell) e o Dr. Robert Phillips (Hugh Beaumont).
Após uma forte turbulência desestabilizar o avião ao sobrevoar uma região radioativa, falhas nos controles elétricos e magnéticos obrigam um pouso forçado numa ilha com mata fechada. Sem sinais de rádio, lá eles encontram alguns nativos supersticiosos que informam que um “pássaro de fogo” cruzou o céu em direção à “montanha sagrada”. O grupo decide escalar a montanha que tem um imenso platô no topo, onde estaria o foguete acidentado, para cumprir a missão de recuperar os dados registrados no teste de voo.
Porém, eles não imaginavam que
encontrariam um ambiente hostil de um “continente perdido”, uma região selvagem
pré-histórica com gases venenosos e minas de urânio, além de ser habitada por
criaturas enormes e ameaçadoras supostamente extintas.
Como um filme de orçamento
reduzido, infelizmente os dinossauros aparecem pouco e para preencher a metragem
de 83 minutos, o roteiro desperdiçou muito tempo na escalada da montanha pela
expedição de resgate do foguete, com um excesso de cenas cansativas num convite
ao tédio.
Os destaques obviamente são os
animais pré-históricos que somente entraram em cena no terço final, com
divertidos efeitos práticos em “stop motion”, que certamente deviam encantar os
espectadores daquele período sem o auxílio da computação gráfica, com direito a
um duelo mortal entre dois triceratops, um ataque de brontossauro e uma
aparição de um pterodáctilo.
Entre as diversas curiosidades,
as cenas com os dinossauros foram filmadas num tom verde e foram reaproveitadas
na tranqueira “O Robô Alienígena” (Robot Monster, 1953).
O ator Whit Bissell (1909 /
1996), que fez o papel do cientista Dr. Briggs, é um rosto conhecido pelos fãs
do cinema fantástico de baixo orçamento, presente em vários filmes e séries
como “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), “Invasão do Mundo” (1954), “Vampiros de
Almas” (1956), “I Was a Teenage Werewolf” (1957), “I Was a Teenage
Frankenstein” (1957), “O Monstro Sanguinário” (1958), “A Máquina do Tempo”
(1960), “No Mundo de 2020” (1973) e “O Túnel do Tempo” (1966).
Um dos cartazes principais de
divulgação estampa um tiranossauro, o mais temível e predador dos animais
pré-históricos, mas que não aparece no filme. A produtora inglesa “Hammer”
também lançou a sua versão de “mundo perdido” em 1968 com “O Continente
Esquecido” (The Lost Continent).
(RR
– 13/01/26)
Força Diabólica (The Tingler, EUA, 1959, PB)
“Lembre-se: gritar na hora certa pode salvar sua vida.”
– William Castle
Imagine
num mesmo filme a parceria de dois nomes com grande relevância e associação com
o gênero horror, o produtor e diretor William Castle e o ator Vincent Price
(ícone eterno ao lado de Bela Lugosi, Boris Karloff, Christopher Lee e Peter Cushing).
Pois essa dupla esteve em dois projetos divertidos do final doa anos 50 do
século passado: “A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, EUA, 1958),
explorando o tema de casas assombradas, e “Força Diabólica” (The
Tingler), lançado no ano seguinte e com uma história de “cientista louco” em
experiências com uma criatura bizarra que se materializava na espinha dorsal das
pessoas quando em estado de medo extremo.
No roteiro de Robb White, o patologista Dr. Warren Chapin (Vincent
Price) trabalha numa penitenciária realizando autópsias nos presidiários com
pena de morte. Ele tem um interesse especial em experiências com os cadáveres
para estudar uma teoria onde todas as pessoas possuem um pequeno monstro
internamente nas vértebras atrás do pescoço, que se desenvolve pelo medo e
pavor, podendo ser combatido apenas com a reação de gritos desesperados como
único mecanismo de defesa.
Seu assistente é o jovem David Morris (Darryl Hickman), namorado
de Lucy Stevens (Pamela Lincoln), que é a irmã da esposa infiel do cientista,
Isabel Stevens Chapin (Patricia Cutts), em crise de relacionamento conjugal
repleta de ameaças e ironias recíprocas.
Depois que o Dr. Chapin conhece Oliver Higgins (Philip Coolidge) e
sua esposa surda e muda Martha (Judith Evelyn), proprietários de uma pequena sala
de cinema, ele aproveita a oportunidade de fazer experiências com a mulher
incapaz de gritar. Ele também utiliza drogas em si mesmo como o LSD, para
ajudar com efeitos alucinógenos. Sua teoria é comprovada, confirmando a existência
da criatura bizarra, uma espécie de centopeia mutante, batizada como “The
Tingler” (algo como “Formigador” ou “Arrepio”). O monstro é extraído da coluna
vertebral da mulher, mas consegue escapar e invade a sala de cinema causando
pânico e espalhando o horror nos espectadores, que precisam gritar para salvar
suas vidas (conforme as sábias palavras de William Castle, que apareceu no
início do filme com uma narração de alerta do perigo mortal).
Além
do lendário Vincent Price, cuja presença sempre marcante já agrega grande valor
para qualquer filme, graças ao carisma e associação principalmente com o cinema
bagaceiro de horror e ficção científica, os destaques de “Força Diabólica” são
os divertidos efeitos práticos com o monstro tosco e suas movimentações hilárias
com “fios invisíveis”. Tem também uma cena memorável e colorida (a única em
contraste com o restante produzido com fotografia em preto e branco) envolvendo
uma banheira cheia de sangue.
William
Castle (1914 / 1977) ficou conhecido pela criatividade em campanhas de
marketing de seus filmes com orçamentos pequenos, apresentando surpresas para o
público nas salas de exibição. Em “Macabro” (Macabre, 1958), ele ofereceu
apólices de seguro de vida para quem morresse de medo no cinema. Já em “A Casa
dos Maus Espíritos”, utilizou um dispositivo especial para assustar o público,
um sistema batizado de “Emergo” que consistia num esqueleto humano iluminado
movimentado por um complexo mecanismo de polias, cordas e correias, que era
arremessado por cima das pessoas. Em “Treze Fantasmas” (13 Ghosts, 1960), o
efeito utilizado, conhecido por “Illusion-O”, era uns óculos de papel com uma
das lentes na cor azul e a outra vermelha, que permitia ao espectador
visualizar os espectros do filme. E em “Força Diabólica”, o truque recebeu o
nome “Percepto”, com dispositivos instalados nas cadeiras, que vibravam liberando
pequenos choques elétricos.
Curiosamente,
em 1993, o diretor Joe Dante homenageou William Castle em “Matinee – Uma Sessão
Muito Louca” (Matinee), que contava a história de um cineasta nos anos 1950 que
inovava o gênero horror com filmes baratos e sistemas de interação com o
público nas salas de cinema.
“Força Diabólica” foi exibido na televisão e lançado em DVD no
Brasil, sendo que uma das versões foi pela “Versátil Home Vídeo” no box “Mestres
do Terror: William Castle”, além também de ser encontrado no “Youtube” com a
opção de legendas em português.
(RR – 04/01/26)
Guerra no Espaço (The War in Space, Japão, 1977)
Ficção Científica bagaceira japonesa da Toho e clone
pobre de Star Wars
“Guerra no Espaço” (The War in
Space) é o título americano dessa bagaceira de FC japonesa produzida pela
“Toho” em 1977, aproveitando o lançamento de “Star Wars” para tentar lucrar com
as histórias de guerras no espaço. O filme também é conhecido como “Battle in
Outer Space 2”, numa referência como algum tipo de sequência para “Os Bárbaros
Invadem a Terra” (The Mysterians, 1957) e “Mundos em Guerra” (Battle in Outer
Space, 1959), ambos dirigidos por Ishirô Honda.
A história é ambientada em 1988, um futuro
para a época da produção e um passado já distante para os tempos atuais, 30
anos depois. A Terra está sendo atacada por alienígenas de um planeta muito
distante que está em processo de extinção, e que procuram outro lugar para
viverem, um dos clichês mais saturados desse sub-gênero da FC. Eles estabelecem
uma base em Vênus e promovem um ataque destrutivo nas principais cidades do
nosso mundo. Para combatê-los, um renomado cientista japonês, Professor
Takigawa (Ryô Ikebe, que esteve também no anterior “Mundos em Guerra”),
projetou a nave de guerra “Gothen”, que é utilizada como representante da
humanidade e da “Federação Espacial das Nações Unidas” para deter a invasão
alienígena.
A “Gothen” tem uma broca perfuradora
gigante localizada na parte frontal e com suas armas de raios laser e um
sistema de lançamento de aviões similar ao disparo de projéteis de um revólver,
vai até Vênus para destruir a base inimiga. A bela filha do cientista, June (Yûko
Asano), é sequestrada pelo líder dos vilões e seu antigo namorado, Miyoshi (Kensaku
Morita), tenta resgatá-la, respondendo um pedido do atual noivo da moça, o
piloto Morrei (Masaya Oki), formando um tradicional e clichê triângulo amoroso.
Trava-se então uma guerra no espaço longínquo, no distante planeta Vênus, entre
os humanos e os alienígenas invasores, com sua imensa nave na forma de um
galeão típico de navegação em nossos oceanos, com suas esferas voadoras que
soltam raios laser.
“Guerra no Espaço” ou “Wakusei Daisenso” (no
original japonês) é um filme bagaceiro de ficção científica dirigido por Jun
Fukuda, com uma história típica das exageradas batalhas espaciais entre os
humanos e invasores alienígenas, pela defesa de nosso planeta tão cobiçado. A
única característica realmente interessante, para os apreciadores do cinema
fantástico bagaceiro, são as esperadas maquetes e miniaturas de naves e aviões
de guerra, os cenários coloridos tanto das bases terrestre como a alienígena, os
computadores gigantes imaginados pelas mentes dos roteiristas da época, e o
vilão estranho, aqui representado pelo líder tirano Comandante Supremo do
Império da Galáxia, de pele verde e usando um capacete e vestuário hilários. As
naves são barulhentas e a “Gohten” até solta fumaça, “poluindo” o espaço.
Porém, de resto, o filme é muito ruim. A
interpretação dos atores é sofrível, sendo impossível estabelecer alguma
empatia com os personagens e seus destinos. O inexpressivo ator David Perin,
que faz o papel do piloto Jimmy, tem uma cena patética onde tenta esboçar alguma
emoção ao saber da morte da família num ataque alienígena. Mas, ele falha de
forma desastrosa na tentativa. O roteiro é extremamente superficial, explorando
os mesmos elementos de dezenas de filmes similares sobre invasão alienígena
pela posse da Terra.
Curiosamente, em outra cena patética,
temos um clone pobre do “Chewbacca”,o “Wookiee” que se tornou um ícone popular pela
cultuada saga “Star Wars”. Só que a cópia japonesa tem chifres bizarros e é um
simples guarda que aterroriza a mocinha presa pelo vilão. Porém, ao contrário
do famoso guerreiro original, esse é tão incompetente que dá pena.
(RR
– 26/07/18)
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