O cultuado diretor Lucio Fulci (1927 /
1996) tem um currículo repleto de filmes conhecidos pela violência gráfica com
cenas sangrentas memoráveis como em “Zombie – A Volta dos Mortos” (1979),
“Pavor na Cidade dos Zumbis” (1980), “Terror nas Trevas” (1981), “A Casa do
Cemitério” (1981), “O Estripador de Nova York” (1982), e outros.
“O Bebê de Manhattan” (Manhattan
Baby, Itália, 1982) é geralmente lembrado quando o assunto são as antigas
locadoras de vídeo VHS. Porém, é uma obra “mais calma e menos inspirada” dentro
da filmografia de Fulci quando comparada com os demais citados. Mas, ainda
assim, até temos algumas cenas “gore”, principalmente no desfecho, além do tradicional
“close” nos olhos dos personagens, um recurso muito utilizado pelo cineasta
italiano.
O filme foi lançado em vídeo VHS no Brasil
pela “Video Ban” com o título original “Manhattan Baby”, e também está
disponível no “Youtube” numa versão dublada.
O arqueólogo Prof. George Hacker
(Christopher Connelly) está no Egito fazendo escavações e ao explorar um antigo
templo sinistro, fica temporariamente cego, enquanto sua filha adolescente,
Susie (Brigitta Boccoli), recebe um amuleto de uma misteriosa idosa cega.
Ao retornar para casa nos Estados Unidos, em
Nova York, a menina começa a sofrer com visões perturbadoras, preocupando sua
mãe, a jornalista Emily (Laura Lenzi, creditada como Martha Taylor) e
assustando seu irmão pequeno, Tommy (Giovanni Frezza). Susie passa a ter um
comportamento estranho e uma vez possuída por um espírito maligno, ganha
poderes sobrenaturais que abrem portais dimensionais ao inferno, através da
energia do medalhão (“O Olho do Mal”).
A partir daí, ocorrem mortes violentas com
pessoas próximas como a babá Jamie Lee (Cinzia de Ponti), o colega de trabalho
de Emily, Luke Anderson (Carlo de Mejo), e o colega de George, Wiler (Enzo
Marino Bellanich, creditado como Vincenzo Bellanich). Para ajudar a combater as
forças do Mal, a família entra em contato com o antiquário Adrian Mercato
(Cosimo Cinieri, creditado como Laurence Welles), culminando num desfecho
sangrento com o ataque de pássaros empalhados zumbis.
Como mencionado logo no início desse
texto, “O Bebê de Manhattan” é um trabalho menos inspirado de Lucio Fulci, que
é conhecido pelos roteiros mirabolantes de seus filmes. Aqui temos elementos
vistos em outros similares como “Os Pássaros” (1963) e “O Exorcista” (1973),
com uma narrativa arrastada e perdida no meio de várias situações improváveis e
exageradas na fantasia, e com apenas algumas cenas sangrentas que pelo menos
foram produzidas com divertidos efeitos práticos bagaceiros. A propósito, a
violência gráfica é um dos destaques em seus filmes de horror, compensando a falta
de lógica das histórias.
Fulci gostava de fazer pequenas
participações especiais (“cameo”) em seus filmes, e aqui ele fez uma ponta como
o médico Dr. Forrester, que examinou a menina Susie no hospital. Por ser um
filme dos anos 1980, é curioso notar que os jornalistas trabalhavam com
máquinas de datilografia, numa época de acesso restrito para computadores e os
telefones celulares eram raros e primitivos. Outra curiosidade é que existe uma
banda italiana de metal extremo chamada “Fulci”, em homenagem ao mestre do
horror sangrento, com músicas agressivas explorando a temática de zumbis e
histórias com sangue em profusão nas letras.
(RR
– 11/02/26)
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