O Humanoide (L´umanoide / The Humanoid, Itália, 1979)

 


“Metrópolis, um planeta da galáxia de Eraklon, agora enfrenta seu momento mais grave. Lord Graal escapou do satélite prisão para onde fora exiliado por seu irmão, o chefe da pacífica Metrópolis. Graal, mal e sedento de poder, tem planos de vingança que podem alterar para sempre o destino da democracia galáctica.”

 

O Humanoide” (L´umanoide / The Humanoid, 1979) é uma space-opera italiana copiada de “Star Wars” (1977), mas com orçamento menor e produção mais bagaceira. Com direção de Aldo Lado (com o pseudônimo George B. Lewis para uma distribuição internacional), o filme é estrelado pelo ator grandalhão Richard Kiel (1939 / 2014) no papel do humanoide do título, ele que é mais conhecido como o vilão “Dentes de Aço” em dois filmes da franquia "007" com Roger Moore.

Foi exibido na televisão brasileira e está disponível no Youtube na versão dublada pela BKS, porém com algumas cenas sem dublagem e com legendas em português.

 

O tirano Lord Graal (Ivan Rassimov) fugiu da prisão e quer tomar o poder no planeta Metrópolis, governado pacificamente por seu irmão (Massimo Serato), que tem o apoio e proteção do líder da Segurança Nick (Leonard Mann).

Para o sucesso de seu plano maquiavélico de conquista, o vilão conta com o apoio de Lady Agatha (Barbara Bach), que quer governar ao seu lado e que para se manter jovem e bela ingere um soro com o sangue de outras mulheres assassinadas (algo similar à histórica Condessa Bathory, que se banhava em sangue para rejuvenescer). E também conta com os serviços do “cientista louco” Dr. Kraspin (Arthur Kennedy), que inventou uma forma de alterar a estrutura celular das pessoas transformando-as em autômatos sem mente e com força descomunal, através de um dispositivo chamado “Kappatron”.

A primeira cobaia de suas experiências é o piloto inspetor de colônia Golob (Richard Kiel), que se transforma num humanoide que faz caretas e solta grunhidos espalhando o caos e destruição em Metrópolis, com um grupo se unindo para combater a ameaça, formado por Nick, a cientista Barbara Gibson (Corinne Clery), que era a assistente do Dr. Kraspin antes dele se alinhar com o Mal, e seu aluno Tom Tom (Marco Yeh), um menino misterioso com feições orientais e poderes mentais.

 

A história de “O Humanoide” explora a tradicional batalha entre o Bem e O Mal, entre os mocinhos que defendem a paz e harmonia, e os bandidos conquistadores que querem o poder com tirania. O filme é um "rip-off" assumido e sem receios de “Star Wars”, com muitas similaridades e paralelos com o filme de George Lucas, desde as naves espaciais, as armas de raios, as vestimentas, as filmagens no deserto, o robô cão (com a missão de ser engraçado) inspirado em R2D2, o menino tibetano com o poder de controle mental copiando seu similar Obi-Wan Kenobi, passando pelo piloto Nick e a cientista Barbara Gibson que lembram Luke Skywalker e a Princesa Léia, culminando com o vilão Lord Graal, que é um Darth Vader menos imponente e cruel. Ainda tem também o mesmo tipo de introdução com um letreiro no estilo de “Star Wars” (reproduzido acima do original italiano, pois na dublagem brasileira preferiram mudar algumas palavras referindo-se a Metrópolis como o planeta Terra num futuro distante e trocando o destino da democracia galáctica pela humanidade).

Independente da história e personagens reciclados, o filme tem efeitos especiais práticos que certamente impressionaram as plateias da época e são muito divertidos até hoje pelo saudosismo e magia do cinema de quase meio século atrás, com as naves espaciais, estruturas arquitetônicas futuristas e computadores repletos de botões e luzes piscando. Vale a pena também enaltecer que mesmo sendo um filme escapista com ausência de sangue e violência, tivemos um longo ataque das forças militares de Lord Graal contra um instituto de pesquisas em Metrópolis, num massacre com muitas mortes dos cientistas.    

A trilha sonora é do compositor italiano Ennio Morricone (1928 / 2020), que tem um currículo imenso. Apreciar a música é algo muito subjetivo e em “O Humanoide” ela parece estranha e meio fora de contexto.

A supervisão dos efeitos especiais é de Antonio Margueriti (1930 / 2002), utilizando o pseudônimo Antony M. Dawson. Ele que é mais conhecido como um diretor italiano de diversas tranqueiras divertidas de ficção científica e horror, principalmente nos anos 60 do século passado, como “Destino: Espaço Sideral” (1960), “O Planeta dos Desaparecidos” (1961), “A Mansão do Homem Sem Alma” (1963), “A Máscara do Demônio” (1964), “Dança Macabra” (1964), “O Choque de Planetas” (1966), entre outros.

Curiosamente, outro filme italiano do mesmo período, “O Choque das Estrelas” (Starcrash, 1978), de Luigi Cozzi e estrelado por Christopher Plummer, David Hasselhoff e Caroline Munro, também se inspirou ou “copiou” elementos de “Star Wars”.

 

(RR – 28/01/26)




Despertar do Demônio / A Cidade das Bruxas (Bay Cove, EUA, 1987)

 


O mercado brasileiro de vídeo VHS foi bastante movimentado entre os anos 80 e 90 do século passado, com muitos lançamentos de filmes de horror. “Despertar do Demônio” (Bay Cove) é de 1987 e foi lançado por aqui pela “Globo Vídeo”, sendo uma produção especialmente para a televisão dirigida por Carl Schenkel, e com a curiosidade da participação no elenco de um jovem Woody Harrelson, em início de carreira. Dentre uma infinidade de atores e atrizes que aparecem em centenas de filmes de todos os estilos e para todos os lados, apenas alguns poucos conseguem sucesso efetivo na carreira. Harrelson é um deles, sempre atuante e participando de grandes projetos como a franquia “Jogos Vorazes”. 

Um jovem casal sem filhos, Jerry Lebon (Tim Matheson) e a esposa Linda (Pamela Sue Martin), decide se mudar e sair do aluguel, comprando uma casa afastada da cidade, localizada num pequeno vilarejo de uma ilha pouco habitada. O lugar é chamado de “Bay Cove” (do título original) e a comunidade local tem mais de 300 anos de história. Eles primeiramente são recebidos com entusiasmo e cordialidade pelos novos vizinhos, como a idosa Beatrice Gower (Barbara Billingsley), antiga proprietária da casa vendida para eles, e pelos casais Josh (Jeff Conaway) e Debbi McGwin (Susan Ruttan), e os misteriosos Nicholas (James Sikking) e Matty Kline (Inga Swanson).
Porém, uma série de acontecimentos bizarros e sinistros transforma seus novos vizinhos em pessoas extremamente estranhas. Como a ocorrência de acidentes misteriosos e trágicos envolvendo um amigo de Linda, Slater (Woody Harrelson), que veio à ilha para visitá-la, e também o cachorro de estimação da moça, passando pelo comportamento nada infantil das poucas crianças do lugar, e pelos avisos de alerta para o perigo de um velho recluso numa cadeira sempre observando os movimentos de uma janela num sótão. Além de um cântico assustador ecoando pela ilha e a descoberta de uma caverna escondendo um ambiente preparado para a realização de cultos demoníacos, com um enorme pentagrama no chão e iluminação por tochas de fogo.  

O nome nacional “Despertar do Demônio” é oportunista e já entrega a temática do roteiro com uma conspiração satânica, e o filme também foi exibido na televisão com o título "A Cidade das Bruxas". Uma vez sendo uma produção para a televisão, quase não há violência e sangue, e o foco está na construção de uma atmosfera de suspense e mistério que lembra situação similar do clássico “O Bebê de Rosemary” (1968, de Roman Polanski). Apesar dos velhos clichês de filmes com seitas demoníacas e covil de feiticeiros, e da presença inevitável de previsibilidade nos eventos, temos aqui uma história que ainda consegue envolver o espectador com um clima de tensão crescente. Que ocorre na medida em que Linda desconfia do comportamento estranho dos habitantes da ilha, e decide investigar a história sinistra do lugar, descobrindo aos poucos a obscura verdade e reais intenções de seus moradores envolvidos com bruxaria.

Se um mortal vir o local, deve ser sacrificado na primeira noite de lua cheia. Se o sacrifício não ocorrer à meia-noite, então qualquer pacto com Satanás será destruído.

(RR –22/05/17)

Dia das Mães Macabro (Mother´s Day, EUA, 1980)

 


Bagaceira divertida dos anos 80 da cultuada produtora Troma, com torturas, perseguições na floresta, sangue e perversão

A produtora “Troma”, especializada em filmes bagaceiros de horror, lançou em 1980 a divertida tranqueira “Dia das Mães Macabro” (Mother´s Day), dirigida por Charles Kaufman, irmão do fundador da produtora, Lloyd Kaufman.
Três amigas da época da escola, unidas por uma irmandade, se encontram para um passeio de diversão descompromissada. Jackie (Deborah Luce), Abbey (Nancy Hendrickson) e Trina (Tiana Pierce) decidem ir para um local isolado numa floresta, aproveitando um final de semana para sair de suas rotinas diárias e se afastar dos problemas, relembrando os bons momentos do passado na escola. Porém, logo a diversão se transforma em tensão e medo depois que são surpreendidas por dois irmãos psicopatas, Ike (Frederick Coffin, creditado como Holden McGuire) e Addley (Michael McCleery, creditado como Billy Ray McQuade). Eles moram com sua mãe insana e autoritária, interpretada por Beatrice Pons (creditada como Rose Ross), numa cabana no meio do mato.
Os irmãos lunáticos sequestram as garotas e iniciam uma série de torturas físicas e psicológicas, carregadas de violência e perversidade, para satisfazer, além de seus próprios desejos pessoais, também a mãe maluca, que se diverte com o sofrimento das moças capturadas.
É verdade que os primeiros 30 minutos do filme são arrastados, perdendo muito tempo com futilidades envolvendo as três moças, mas depois que elas são capturadas pelos psicopatas assassinos, as ações ganham intensidade com as torturas e violência, espalhando sangue. Além também do plano de fuga e vingança das moças contra seus algozes, que apesar dos inevitáveis clichês, gerou um ritmo tenso com as perseguições e confrontos sangrentos.
Tanto os atores que interpretaram os irmãos sádicos, quanto principalmente a veterana Rose Ross (na verdade, Beatrice Pons), como a mãe perversa, tiveram ótimas atuações, convencendo com seus personagens insanos e ameaçadores, contribuindo significativamente para tornar “Dia das Mães Macabro” mais um exemplo de filme divertido de horror bagaceiro.   
Curiosamente, a primeira vez que vi o filme foi em 1985 através de uma fita “alternativa” de vídeo VHS, um nome diferente na época para “pirata”, e a experiência registrou algumas cenas definitivamente em minha memória, como a decapitação do início e as mãos severamente dilaceradas de uma das garotas, por causa do atrito de uma corda.
Em 2010 tivemos uma refilmagem com o título nacional “Dominados Pelo Ódio”, dirigido por Darren Lynn Bousman e com Rebecca De Mornay no papel da mãe perversa.

(RR – 05/04/18)

A Criatura do Cemitério (Graveyard Shift, EUA / Japão, 1990)

 



Típico filme bagaceiro divertido, com monstro gosmento e o diferencial de ser baseado em conto de Stephen King

O escritor Stephen King é recordista em histórias adaptadas para o cinema, num trabalho difícil de catalogação pela grande e variada quantidade. Infelizmente, muitas delas tiveram resultados ruins, mas por outro lado, também tivemos filmes bem divertidos como é o caso de “A Criatura do Cemitério” (Graveyard Shift, 1990), baseado em conto que foi publicado na antologia “Sombras da Noite”.
Com direção de Ralph S. Singleton (em seu único trabalho no cinema, sendo mais conhecido como produtor), a história se passa numa pequena cidade americana que tem uma importante atividade comercial com a produção de tecidos num moinho, supervisionada pelo arrogante Sr. Warwick (Stephen Macht), que contrata o recém-chegado John Hall (David Andrews), um pacato viúvo à procura de trabalho.
O que ele não sabe é que o moinho é uma fábrica velha infestada de ratos, vizinha de um cemitério macabro, e que esconde um porão cheio de ambientes abandonados. E as coisas se complicam quando ele e outros funcionários como seu par romântico, a mocinha Jane Wisconsky (Kelly Wolf), e os colegas Danson (Andrew Divoff), Brogan (Vic Polizos), Carmichael (Jimmy Woodard) e Ippeston (Robert Alan Beuth), são convidados para fazer um trabalho especial de limpeza no porão para ativar uma nova produção, e precisam enfrentar além dos ratos famintos, uma imensa criatura assassina que quer provar o sabor de suas carnes e sangue.
“A Criatura do Cemitério” é o exemplo típico de um filme bagaceiro divertido, com produção de baixo orçamento, e com um monstro mutante gosmento concebido pelos antigos efeitos especiais dos anos 80- 90 do século passado, sem a artificialidade da moderna computação gráfica. Em seu roteiro temos as esperadas mortes sangrentas, perseguições, claustrofobia, situações de tensão e confrontos, aliados com uma infestação de ratos, esqueletos e cadáveres de um cemitério. E, de brinde, a sua história básica é inspirada num conto do mestre Stephen King.
O cultuado ator Brad Dourif, conhecido pela voz do boneco assassino Chucky, além de diversos outros filmes de horror, faz o papel de Cleveland, um insano exterminador de ratos, obcecado com sua tarefa de eliminar os roedores. Sua atuação é ótima, sendo um dos destaques do elenco, juntamente com Stephen Macht, que faz o chefe Warwick, um sujeito desonesto e carrasco com os funcionários.
Os cenários são ótimos, mostrando de forma convincente uma fábrica têxtil suja, cheia de bagunça, equipamentos velhos e com dezenas de ratos se movimentando livremente pelos corredores, tubulações e orifícios, além de um porão úmido, depressivo, evidenciando abandono e sujeira, escondendo passagens ocultas para outros ambientes ainda mais obscuros.
Não faltam mortes violentas, brutais, dolorosas, com sangue, mutilações e vísceras espalhadas, em ataques ferozes de uma “criatura do cemitério” ávida em experimentar a carne humana dos invasores de seu território. Recomendado como um filme de horror simples e de diversão garantida.

(RR – 28/03/18)

Interzone (Itália, 1989)

 

Interzone” (1989) é uma cópia bagaceira italiana com orçamento paupérrimo, de filmes com temática pós-apocalíptica no estilo de “Mad Max”. Foi dirigido pelo norte-americano Deran Sarafian, produzido pelo italiano Joe D´Amato (sob o pseudônimo David Hills) e teve como um dos roteiristas o também italiano Claudio Fragasso, mais conhecido pela direção de tranqueiras como “Predadores Assassinos” (1980), “Ratos: A Noite do Terror” (1984) e “A Terceira Porta do Inferno” (1989), entre outros.

O filme é estrelado por Bruce Abbott, ator reconhecido como o estudante de medicina Dan Cain em “Re-Animator” (1985), de Stuart Gordon, e está disponível no “Youtube” numa versão dublada, além também de ter sido lançado no Brasil em vídeo VHS pela “Alvorada”.

 

Num futuro com a Terra devastada por uma guerra nuclear e com regiões contaminadas por radiação, uma gangue de guerreiros liderada pela tirana Mantis (Teagan Clive, de “Alienator – A Exterminadora Indestrutível”, 1990), conhecida como um diabo em forma de mulher, e o segundo em comando, o cruel Balzakan (John Armstead), tenta invadir um mosteiro que guarda um suposto tesouro e é protegido por um grupo de monges com poderes de controle mental.

Panasonic (Kiro Wehara) é o monge responsável e guardião do mosteiro, um santuário também conhecido como “Interzone”, com riquezas que despertam a cobiça dos ladrões. Ele se une ao forasteiro Swan (Bruce Abbott) e Tera (Beatrice Ring), uma bela escrava resgatada de um mercenário extravagante chamado Rat (Franco Diogene). 

Após diversas lutas e perseguições com motos e carros modificados, e com o herói Swan se destacando pela coragem e bravura, ocorre um confronto final entre a gangue de Mantis e os monges resistentes, pelo destino da “Interzone” e sua importância como legado do passado da humanidade antes do holocausto.  

 

O filme é obscuro e ruim, mas não daquele tipo de cinema bagaceiro que consegue divertir justamente pela precariedade de recursos. Apesar de Bruce Abbott tentar salvar o projeto com seu nome vinculado ao popular e bem-sucedido “Re-Animator”, seu personagem não possui carisma suficiente para despertar algum interesse.

As cenas de lutas são extremamente patéticas e não convincentes, e ainda existem muitos elementos propositais de humor que não funcionam, com tentativas de piadas que somente contribuem para um inevitável tédio.

A única boa chance de mostrar um monstro disforme pelos efeitos da radiação foi desperdiçada num momento muito rápido que deveria ter sido melhor explorado, quando prisioneiros eram obrigados a entrar num buraco para divertir a tirana Mantis, tendo que lutar por suas vidas contra uma criatura humanoide deformada. Era uma boa oportunidade de mostrar os efeitos toscos e divertidos da maquiagem do monstro, porém ele quase não apareceu no filme.

Por outro lado, até que teve uma cena bastante ousada no assassinato violento de uma mulher grávida, com a vítima sendo interpretada por Laura Gemser (uma ponta não creditada), a musa da extensa franquia “Emanuelle”.

 

(RR – 19/01/26)



Continente Perdido (Lost Continent, EUA, 1951, PB)

 


Histórias sobre mundos perdidos, terras esquecidas pelo tempo e regiões selvagens inexploradas e desconhecidas pela humanidade, são sempre interessantes e divertidas exercendo um fascínio que instiga nossa imaginação. Felizmente para nós, apreciadores do cinema fantástico bagaceiro e espectadores ávidos por filmes antigos com roteiros exagerados no escapismo e efeitos práticos toscos, a oferta de títulos é imensa, como por exemplo “Continente Perdido” (Lost Continent, EUA, 1951), que tem fotografia em preto e branco, produção de baixo orçamento da “Lippert Pictures”, direção de Sam Newfield e elenco liderado por Cesar Romero.

Disponível no “Youtube” com a opção de legendas em português geradas automaticamente, a história lembra elementos já apresentados antes como no livro “O Mundo Perdido”, de Sir Arthur Conan Doyle, também adaptado no cinema várias vezes.

 

Durante o tenso período da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, os militares norte-americanos estão testando a propulsão de um foguete atômico sobrevoando o Pacífico Sul, e após atingir uma grande velocidade o míssil não consegue retornar à base de lançamento, ficando fora de controle e caindo numa região desconhecida.

Temendo que o foguete secreto pudesse ser descoberto por inimigos, uma expedição de resgate parte imediatamente de avião à sua procura, formada por três militares, o piloto Major Joe Nolan (Cesar Romero), o co-piloto Tenente Danny Wilson (Chick Chandler) e o mecânico Sargento Willie Tatlow (Sid Melton), o responsável pelo alívio cômico com tentativas de piadas. Completam o grupo mais três cientistas especialistas no foguete, o russo Dr. Michael Rostov (John Hoyt), o Dr. Stanley Briggs (Whit Bissell) e o Dr. Robert Phillips (Hugh Beaumont). 

Após uma forte turbulência desestabilizar o avião ao sobrevoar uma região radioativa, falhas nos controles elétricos e magnéticos obrigam um pouso forçado numa ilha com mata fechada. Sem sinais de rádio, lá eles encontram alguns nativos supersticiosos que informam que um “pássaro de fogo” cruzou o céu em direção à “montanha sagrada”. O grupo decide escalar a montanha que tem um imenso platô no topo, onde estaria o foguete acidentado, para cumprir a missão de recuperar os dados registrados no teste de voo.

Porém, eles não imaginavam que encontrariam um ambiente hostil de um “continente perdido”, uma região selvagem pré-histórica com gases venenosos e minas de urânio, além de ser habitada por criaturas enormes e ameaçadoras supostamente extintas.   

 

Como um filme de orçamento reduzido, infelizmente os dinossauros aparecem pouco e para preencher a metragem de 83 minutos, o roteiro desperdiçou muito tempo na escalada da montanha pela expedição de resgate do foguete, com um excesso de cenas cansativas num convite ao tédio.

Os destaques obviamente são os animais pré-históricos que somente entraram em cena no terço final, com divertidos efeitos práticos em “stop motion”, que certamente deviam encantar os espectadores daquele período sem o auxílio da computação gráfica, com direito a um duelo mortal entre dois triceratops, um ataque de brontossauro e uma aparição de um pterodáctilo. 

Entre as diversas curiosidades, as cenas com os dinossauros foram filmadas num tom verde e foram reaproveitadas na tranqueira “O Robô Alienígena” (Robot Monster, 1953).

O ator Whit Bissell (1909 / 1996), que fez o papel do cientista Dr. Briggs, é um rosto conhecido pelos fãs do cinema fantástico de baixo orçamento, presente em vários filmes e séries como “O Monstro da Lagoa Negra” (1954), “Invasão do Mundo” (1954), “Vampiros de Almas” (1956), “I Was a Teenage Werewolf” (1957), “I Was a Teenage Frankenstein” (1957), “O Monstro Sanguinário” (1958), “A Máquina do Tempo” (1960), “No Mundo de 2020” (1973) e “O Túnel do Tempo” (1966).

Um dos cartazes principais de divulgação estampa um tiranossauro, o mais temível e predador dos animais pré-históricos, mas que não aparece no filme. A produtora inglesa “Hammer” também lançou a sua versão de “mundo perdido” em 1968 com “O Continente Esquecido” (The Lost Continent).


(RR – 13/01/26)




Força Diabólica (The Tingler, EUA, 1959, PB)

 


“Lembre-se: gritar na hora certa pode salvar sua vida.”

– William Castle

 

Imagine num mesmo filme a parceria de dois nomes com grande relevância e associação com o gênero horror, o produtor e diretor William Castle e o ator Vincent Price (ícone eterno ao lado de Bela Lugosi, Boris Karloff, Christopher Lee e Peter Cushing). Pois essa dupla esteve em dois projetos divertidos do final doa anos 50 do século passado: “A Casa dos Maus Espíritos” (House on Haunted Hill, EUA, 1958), explorando o tema de casas assombradas, e “Força Diabólica” (The Tingler), lançado no ano seguinte e com uma história de “cientista louco” em experiências com uma criatura bizarra que se materializava na espinha dorsal das pessoas quando em estado de medo extremo.

 

No roteiro de Robb White, o patologista Dr. Warren Chapin (Vincent Price) trabalha numa penitenciária realizando autópsias nos presidiários com pena de morte. Ele tem um interesse especial em experiências com os cadáveres para estudar uma teoria onde todas as pessoas possuem um pequeno monstro internamente nas vértebras atrás do pescoço, que se desenvolve pelo medo e pavor, podendo ser combatido apenas com a reação de gritos desesperados como único mecanismo de defesa.

Seu assistente é o jovem David Morris (Darryl Hickman), namorado de Lucy Stevens (Pamela Lincoln), que é a irmã da esposa infiel do cientista, Isabel Stevens Chapin (Patricia Cutts), em crise de relacionamento conjugal repleta de ameaças e ironias recíprocas.

Depois que o Dr. Chapin conhece Oliver Higgins (Philip Coolidge) e sua esposa surda e muda Martha (Judith Evelyn), proprietários de uma pequena sala de cinema, ele aproveita a oportunidade de fazer experiências com a mulher incapaz de gritar. Ele também utiliza drogas em si mesmo como o LSD, para ajudar com efeitos alucinógenos. Sua teoria é comprovada, confirmando a existência da criatura bizarra, uma espécie de centopeia mutante, batizada como “The Tingler” (algo como “Formigador” ou “Arrepio”). O monstro é extraído da coluna vertebral da mulher, mas consegue escapar e invade a sala de cinema causando pânico e espalhando o horror nos espectadores, que precisam gritar para salvar suas vidas (conforme as sábias palavras de William Castle, que apareceu no início do filme com uma narração de alerta do perigo mortal).     

 

Além do lendário Vincent Price, cuja presença sempre marcante já agrega grande valor para qualquer filme, graças ao carisma e associação principalmente com o cinema bagaceiro de horror e ficção científica, os destaques de “Força Diabólica” são os divertidos efeitos práticos com o monstro tosco e suas movimentações hilárias com “fios invisíveis”. Tem também uma cena memorável e colorida (a única em contraste com o restante produzido com fotografia em preto e branco) envolvendo uma banheira cheia de sangue.      

William Castle (1914 / 1977) ficou conhecido pela criatividade em campanhas de marketing de seus filmes com orçamentos pequenos, apresentando surpresas para o público nas salas de exibição. Em “Macabro” (Macabre, 1958), ele ofereceu apólices de seguro de vida para quem morresse de medo no cinema. Já em “A Casa dos Maus Espíritos”, utilizou um dispositivo especial para assustar o público, um sistema batizado de “Emergo” que consistia num esqueleto humano iluminado movimentado por um complexo mecanismo de polias, cordas e correias, que era arremessado por cima das pessoas. Em “Treze Fantasmas” (13 Ghosts, 1960), o efeito utilizado, conhecido por “Illusion-O”, era uns óculos de papel com uma das lentes na cor azul e a outra vermelha, que permitia ao espectador visualizar os espectros do filme. E em “Força Diabólica”, o truque recebeu o nome “Percepto”, com dispositivos instalados nas cadeiras, que vibravam liberando pequenos choques elétricos.

Curiosamente, em 1993, o diretor Joe Dante homenageou William Castle em “Matinee – Uma Sessão Muito Louca” (Matinee), que contava a história de um cineasta nos anos 1950 que inovava o gênero horror com filmes baratos e sistemas de interação com o público nas salas de cinema.

“Força Diabólica” foi exibido na televisão e lançado em DVD no Brasil, sendo que uma das versões foi pela “Versátil Home Vídeo” no box “Mestres do Terror: William Castle”, além também de ser encontrado no “Youtube” com a opção de legendas em português.

      

(RR – 04/01/26)






Guerra no Espaço (The War in Space, Japão, 1977)

 


Ficção Científica bagaceira japonesa da Toho e clone pobre de Star Wars

 

Guerra no Espaço” (The War in Space) é o título americano dessa bagaceira de FC japonesa produzida pela “Toho” em 1977, aproveitando o lançamento de “Star Wars” para tentar lucrar com as histórias de guerras no espaço. O filme também é conhecido como “Battle in Outer Space 2”, numa referência como algum tipo de sequência para “Os Bárbaros Invadem a Terra” (The Mysterians, 1957) e “Mundos em Guerra” (Battle in Outer Space, 1959), ambos dirigidos por Ishirô Honda.

 

A história é ambientada em 1988, um futuro para a época da produção e um passado já distante para os tempos atuais, 30 anos depois. A Terra está sendo atacada por alienígenas de um planeta muito distante que está em processo de extinção, e que procuram outro lugar para viverem, um dos clichês mais saturados desse sub-gênero da FC. Eles estabelecem uma base em Vênus e promovem um ataque destrutivo nas principais cidades do nosso mundo. Para combatê-los, um renomado cientista japonês, Professor Takigawa (Ryô Ikebe, que esteve também no anterior “Mundos em Guerra”), projetou a nave de guerra “Gothen”, que é utilizada como representante da humanidade e da “Federação Espacial das Nações Unidas” para deter a invasão alienígena.

A “Gothen” tem uma broca perfuradora gigante localizada na parte frontal e com suas armas de raios laser e um sistema de lançamento de aviões similar ao disparo de projéteis de um revólver, vai até Vênus para destruir a base inimiga. A bela filha do cientista, June (Yûko Asano), é sequestrada pelo líder dos vilões e seu antigo namorado, Miyoshi (Kensaku Morita), tenta resgatá-la, respondendo um pedido do atual noivo da moça, o piloto Morrei (Masaya Oki), formando um tradicional e clichê triângulo amoroso. Trava-se então uma guerra no espaço longínquo, no distante planeta Vênus, entre os humanos e os alienígenas invasores, com sua imensa nave na forma de um galeão típico de navegação em nossos oceanos, com suas esferas voadoras que soltam raios laser.

 

“Guerra no Espaço” ou “Wakusei Daisenso” (no original japonês) é um filme bagaceiro de ficção científica dirigido por Jun Fukuda, com uma história típica das exageradas batalhas espaciais entre os humanos e invasores alienígenas, pela defesa de nosso planeta tão cobiçado. A única característica realmente interessante, para os apreciadores do cinema fantástico bagaceiro, são as esperadas maquetes e miniaturas de naves e aviões de guerra, os cenários coloridos tanto das bases terrestre como a alienígena, os computadores gigantes imaginados pelas mentes dos roteiristas da época, e o vilão estranho, aqui representado pelo líder tirano Comandante Supremo do Império da Galáxia, de pele verde e usando um capacete e vestuário hilários. As naves são barulhentas e a “Gohten” até solta fumaça, “poluindo” o espaço.

Porém, de resto, o filme é muito ruim. A interpretação dos atores é sofrível, sendo impossível estabelecer alguma empatia com os personagens e seus destinos. O inexpressivo ator David Perin, que faz o papel do piloto Jimmy, tem uma cena patética onde tenta esboçar alguma emoção ao saber da morte da família num ataque alienígena. Mas, ele falha de forma desastrosa na tentativa. O roteiro é extremamente superficial, explorando os mesmos elementos de dezenas de filmes similares sobre invasão alienígena pela posse da Terra.

Curiosamente, em outra cena patética, temos um clone pobre do “Chewbacca”,o “Wookiee” que se tornou um ícone popular pela cultuada saga “Star Wars”. Só que a cópia japonesa tem chifres bizarros e é um simples guarda que aterroriza a mocinha presa pelo vilão. Porém, ao contrário do famoso guerreiro original, esse é tão incompetente que dá pena.

 

(RR – 26/07/18)


Os Monstros Invasores (Invasion of the Saucer Men, EUA, 1957, PB)

 


FC bagaceira divertida dos anos 50 com discos voadores e pequenos alienígenas cabeçudos com olhos esbugalhados

 

Para os apreciadores dos antigos filmes bagaceiros de ficção científica e horror da década de 1950 (principalmente), um filme que sempre é lembrado por suas características que moldaram o sub-gênero de invasão alienígena é “Os Monstros Invasores” (Invasion of the Saucer Men). Tem o tradicional disco voador pousando numa floresta perto de uma pequena cidade americana, os alienígenas pequenos com cabeças enormes e olhos esbugalhados, ameaçadores e hostis para a humanidade, e as ações (nesse caso, incompetentes) da polícia local e principalmente do exército em ocultar as evidências para não criar pânico.

O filme foi distribuído em 1957 pela cultuada “American International”, da dupla de especialistas James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff. Com fotografia em preto e branco, a direção é de Edward L. Cahn, que também foi o responsável por diversas outras tosquices divertidas do período como “O Cadáver Atômico” (55), “O Fantasma de Mora Tau” (57) e “Invasores Invisíveis” (59). Curto com apenas 69 minutos, seu roteiro tem muitos elementos de humor interagindo com os momentos de horror e sua ideia básica de FC fuleira, baseado na história “The Cosmic Frame”, de Paul W. Fairman.

 

Um jovem casal de namorados, Johnny Carter (Steven Terrell) e Joan Hayden (Gloria Castillo), vão de carro para um local conhecido como parada tradicional para namorar e beber cerveja, localizado dentro da propriedade do fazendeiro Larkin (Raymond Hatton), que não gosta da invasão dos intrusos e dos restos de cerveja jogados no campo e que são consumidos depois por seu touro de estimação. Quando os jovens decidem retornar para a cidade, atropelam acidentalmente um pequeno alienígena que acabara de chegar com sua nave espacial em forma de disco voador.

A partir daí, inicia-se uma série de confusões depois que dois sócios oportunistas e interessados em ganhar dinheiro de qualquer forma, Joe Gruen (Frank Gorshin) e Artie Burns (Lyn Osborn), se envolvem com a descoberta da nave e seus ocupantes cabeçudos, que emitem ruídos estranhos e possuem garras nas mãos que injetam álcool nas suas vítimas. Para aumentar o tumulto, ainda tem o exército atrapalhado, que tenta esconder a nave e ocultar a invasão, em ações lideradas pelo Coronel Ambrose (Sam Buffington) e o Tenente Wilkins (Douglas Henderson).

 

“Os Monstros Invasores” é o exemplo típico do cinema bagaceiro de ficção científica que diverte com suas inúmeras bobagens, em histórias ingênuas e exageradas na fantasia, representando o período conturbado da década de 1950, com a paranoia de invasão alienígena depois do famoso incidente ufológico em 1947 na cidade americana Roswell.

O disco voador é uma maquete tosca (numa época sem computação gráfica), os alienígenas invasores são interpretados por atores anões vestindo roupas e máscaras de borracha, com imensas cabeças e olhos esbugalhados, encarnando o típico estereótipo criado pelo cinema para esses seres hostis vindos de outros mundos. A história é simples e sem profundidade, não há explicações sobre o disco voador e os extraterrestres, eles apenas vieram e são ameaçadores. Tudo é tratado de forma superficial e conveniente para os baixos custos da produção, com diálogos rasos e situações previsíveis. Mas, o resultado final é pura diversão para quem aprecia o cinema fantástico bagaceiro.     

Curiosamente, tanto a nave espacial quanto a maquiagem dos alienígenas foram confeccionados pelo técnico em efeitos especiais Paul Blaisdell (1927 / 1983), que trabalhou para vários outros filmes similares na época, marcando seu nome no gênero. E foi lançada uma refilmagem em 1965 com o título “The Eye Creatures”, dirigido por Larry Buchanan.

 

(RR – 29/04/18)


O Mundo Perdido (The Lost World, EUA, 1960)

 



O Mundo Perdido (The Lost World, EUA, 1960) foi baseado em livro homônimo de Arthur Conan Doyle e com direção de Irwin Allen, o criador de nostálgicas e memoráveis séries de TV dos anos 60 do século passado, como “Perdidos no Espaço”, “Viagem ao Fundo do Mar”, “Terra de Gigantes” e “O Túnel do Tempo”. E também produtor de clássicos do subgênero “catástrofe”, como “O Destino do Poseidon” (1972) e “Inferno na Torre” (1974). Além dessas ótimas credenciais, “O Mundo Perdido” tem em seu elenco Claude Rains (“O Homem Invisível”, 1933 e “O Fantasma da Ópera”, 1943), Michael Rennie (“O Dia Em Que a Terra Parou”, 1951) e David Hedison, o capitão Crane da série “Viagem ao Fundo do Mar” e o “cientista louco” de “A Mosca da Cabeça Branca” (1958).


O excêntrico Prof. George Edward Challenger (Claude Rains) consegue reunir uma expedição científica com destino à Amazônia, para localizar e explorar um imenso platô onde supostamente ainda existem dinossauros gigantes. O grupo ainda conta com um famoso aventureiro, Lord John Roxton (Michael Rennie), um jornalista, Ed Malone (David Hedison), outro cientista, o Prof. Summerlee (Richard Haydn), a filha de um investidor da expedição, Jennifer Holmes (Jill St. John), o jovem irmão dela, David (Ray Stricklyn), e dois homens da região do Amazonas, Costa (Jay Novello) e o piloto de helicóptero Manuel Gomez (Fernando Lamas). Chegando à região misteriosa, eles encontram dinossauros e índios nativos hostis, e depois que o helicóptero é destruído, o desafio é conseguir encontrar um meio de sair do “mundo perdido”, retornar para a civilização com vida e se possível, trazendo alguma prova da existência dos monstros pré-históricos.


Clássico da saudosa “Sessão da Tarde” da TV Globo, da época quando ainda eram exibidos filmes antigos e divertidos. “O Mundo Perdido” é uma aventura com elementos de ficção científica e humor, onde o destaque é a forma como são mostrados os dinossauros. Numa época sem a tecnologia de computação gráfica para a criação dos monstros, Irwin Allem preferiu não utilizar os tradicionais bonecos em “stop motion” e optou por filmar animais vivos (lagartos maquiados com chifres) caminhando sobre cenários em miniatura, com a perspectiva de filmagem por baixo, dando a sensação de serem monstros gigantescos. Curiosamente, vale citar que o livro de Conan Doyle teve várias outras adaptações para o cinema, sendo a primeira em 1925, na época do cinema mudo. Teve também um telefilme em 1999 que originou uma série de TV produzida até 2002. 

(RR – 01/01/14)



A Maldição da Chorona (La Maldición de la Llorona / The Curse of the Crying Woman, México, 1963, PB)

 


O cinema antigo de horror mexicano tem algumas preciosidades que não podem ficar esquecidas. “A Maldição da Chorona” (La Maldición de la Llorona / The Curse of the Crying Woman, 1963) é uma produção de 1961, porém lançada dois anos depois, com fotografia em preto e branco, dirigida e escrita por Rafael Baledón, a partir de uma história de Fernando Galiana, que por sua vez utilizou elementos de uma lenda popular sobre uma mulher fantasma que chora de forma assustadora.

 

Na história do filme, a jovem Amelia (a venezuelana Rosita Arenas, de “La Momia Azteca Contra el Robot Humano” ou “The Robot vs. The Aztec Mummy”, 1958), recém casada com Jaime (Abel Salazar, de “El Barón del Terror” ou “The Brainiac”, 1962), recebe o convite para visitar sua tia Selma (Rita Macedo), que não vê há 15 anos e que mora solitária num casarão afastado no meio de uma floresta. A casa de aspecto sombrio é conhecida na região por ser assombrada e temida pelos moradores das aldeias próximas por causa da ocorrência misteriosa de assassinatos noturnos na estrada em seus arredores, cuja autoria é investigada sem sucesso pelo capitão da polícia local (Mario Sevilla), e onde as vítimas são encontradas sem sangue.

Chegando ao destino, o casal é recebido pelo rude serviçal Juan (Carlos López Moctezuma), manco e com o rosto desfigurado. No encontro da jovem Amelia com sua tia Selma, logo é informada a real intenção do convite, com a revelação da existência de uma maldição familiar envolvendo a antiga bruxa maléfica Marina, que renegou todos os seus bens e adquiriu um poder sobrenatural das trevas. Ela foi executada com uma lança no peito, e ficou conhecida como “a mulher chorona”, devido seus gritos aterrorizantes de agonia (daí o título original). Seu cadáver apodrecido está escondido no porão da casa, aguardando apenas a oportunidade de ressurgir entre os vivos. E como elas eram suas únicas descendentes, a ideia seria reviver a feiticeira num ritual de magia negra, no aniversário de 25 anos de Amelia, cujo presente seria o seu sacrifício, dando a vida para trazer a antiga bruxa de volta.

 

“A Maldição da Chorona” é uma pérola do cinema gótico com todas as suas tradicionais características de um horror sutil, mas extremamente eficiente na elaboração de uma atmosfera sombria e sinistra. Temos a carruagem como meio de transporte da época, tornando sempre árdua e demorada a tarefa de se locomover; a floresta com árvores secas e aspecto fantasmagórico envoltas numa tenebrosa névoa espessa; e o casarão frio e deprimente de pedra, repleto de passagens secretas e ambientes tétricos, decorado por teias de aranha, habitado por ratos e morcegos e protegido por imensos cães assassinos, que mais parecem guardiões dos portais do inferno. Estão também presentes aqueles esperados clichês que contribuem de forma decisiva para a construção de um clima mórbido como o serviçal demente com o rosto desfigurado; o porão sinistro que esconde um segredo aterrador; e a música tétrica de um órgão tocando acordes de gelar a espinha.

Além de um espelho mágico que reflete a personalidade sombria escondida na jovem Amelia, que é vítima de uma maldição familiar; um alçapão que serve de inesperada armadilha; e os gritos estridentes de uma mulher chorona ecoando pelos corredores do casarão. Sem contar a presença de um homem preso no sótão, deformado pela loucura (no caso, é o marido de Selma, o Dr. Daniel Jaramillo, interpretado por Enrique Lucero, e que perdeu a sanidade nos anos forçados de reclusão, vivendo como um animal).

A maquiagem da maléfica Selma, quando transformada em bruxa, com o rosto modificado simulando a região dos olhos como escuras cavidades vazias, é um dos pontos fortes do filme, passando a sensação do Mal absoluto.

Curto, com apenas uma hora e quinze minutos de duração, e com uma constante atmosfera de tensão e horror sugerido, “A Maldição da Chorona” é recomendável para apreciadores do cinema gótico e história de bruxas e maldição familiar, e para quem procura por produções antigas (nesse caso, da década de 60 do século passado) fora do tradicional mercado americano ou europeu.

 

(RR – 29/03/15)



O Monstro Que Desafiou o Mundo (The Monster That Challenged the World, EUA, 1957)


“Eu percebo que as pessoas sempre tiram conclusões precipitadas sobre reações nucleares. Fato científico e ficção científica não são a mesma coisa, absolutamente nada a ver.”

– cientista Dr. Jess Rogers, sobre a especulação da relação entre testes nucleares e a criação de monstros mutantes

 

Os anos 50 do século passado foram os mais significativos para os filmes com monstros toscos e elementos de horror e ficção científica, com histórias explorando a tensão mundial naquela época com a possibilidade real de um apocalipse nuclear por causa da guerra fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética. A tensão perturbadora instigava a exploração da energia atômica e a radiação nociva com testes nucleares de bombas de destruição em massa. Essa ideia básica aliada aos monstros gigantes e ameaçadores para a humanidade, gerados pelas consequências desconhecidas desses testes atômicos, incentivou a imaginação dos roteiristas para a criação de uma infinidade de filmes bagaceiros divertidos pelos exageros científicos e escapismo. “O Monstro Que Desafiou o Mundo” (The Monster That Challenged the World, EUA, 1957) é mais um desses filmes, com moluscos pré-históricos gigantes saindo das profundezas do oceano por uma fenda aberta num terremoto.

 

Com direção de Arnold Laven, roteiro de David Duncan e Pat Fielder, e fotografia original em preto e branco, o filme mostra uma série de testes militares com armas nucleares realizados no mar, próximo de uma base da Marinha na costa da Califórnia, Estados Unidos. Depois de um tremor sísmico abrir uma rachadura, enormes monstros invadem a superfície matando pessoas e deixando um rastro com uma gosma pegajosa branca e radioativa, instaurando o caos na região. Um oficial militar é o responsável pelas investigações, o Tenente John Twillinger (Tim Holt), auxiliado pelo cientista Dr. Jess Rogers (Hans Conried), chefe do laboratório de pesquisas da Marinha, que por sua vez tem Gail MacKenzie (Audrey Dalton) como secretária. O objetivo é encontrar uma solução para a crise, tentando localizar e destruir os ovos das criaturas e impedir o domínio e ameaça dos “monstros que desafiaram o mundo”.

 

O filme tem todas aquelas características conhecidas pela infinidade de similares do mesmo período, como o título sonoro e sensacionalista (longe de desafiar o mundo, o monstro apenas atacou uma parte da Califórnia); os cartazes promocionais com artes bem elaboradas, coloridas e chamativas, instigando a curiosidade do público; e os monstros toscos e assassinos com efeitos práticos bagaceiros, sem computação gráfica que torna tudo muito artificial (felizmente indisponível na época), e com a imensa dificuldade de produção com orçamentos reduzidos, na tentativa de simular situações convincentes com grande carga dramática de horror para os espectadores assustados daquela época.

Como os monstros apareciam pouco em cena, justamente pelas dificuldades técnicas e poucos recursos, para ocupar o tempo de projeção do filme (nesse caso 84 minutos) as histórias arrastadas se perdiam em muita enrolação com um tradicional par romântico (aqui formado pelo herói Tenente Twillinger e a mocinha Gail, uma jovem mãe e viúva), além das cansativas investigações criminais da polícia sobre as mortes violentas das vítimas e perseguição dos monstros e seus ovos, além das investigações científicas da Marinha com os estudos sobre as origens e desenvolvimento das criaturas gosmentas radioativas.

Curiosamente, apesar dos monstros serem chamados de moluscos gigantes no filme, na verdade pareciam mais como algum tipo de larva mutante, com seus corpos e mandíbulas sendo diferentes dos moluscos.

Para a sorte de todos que apreciam essas bagaceiras divertidas de um passado cada vez mais distante, o filme foi lançado em DVD no Brasil pela “Versátil Home Vídeo” no box “Clássicos Sci Fi: Anos 50 – Volume 3”, e também está disponível no “Youtube” numa versão colorizada por computador e com a opção de legendas em português.

 

(RR – 02/01/26)