terça-feira, junho 02, 2026

A Passagem (Waxwork, EUA, 1988)

 


O cinema de Horror e Ficção Científica dos anos 80 do século passado é muito divertido. Tem os filmes marcantes e extremamente significativos como “O Iluminado”, “The Evil Dead”, “Um Lobisomem Americano em Londres”, “O Enigma do Outro Mundo”, “Poltergeist, o Fenômeno”, “Re-Animator” e “Hellraiser”, só para citar alguns, e tem uma infinidade de filmes com histórias escapistas com toda aquela estética característica do período e os extremamente divertidos efeitos práticos com monstros e animatrônicos numa época sem a facilidade das telas verdes e CGI.

Filmes como “O Portão”, “A Volta dos Mortos-Vivos”, “O Dia dos Mortos”, “A Coisa”, “A Hora do Espanto”, “A Hora do Lobisomem”, “Brinquedo Assassino”, os vários capítulos de “Sexta-Feira 13”, “A Hora do Pesadelo” e “Halloween”, e tantos outros, estão eternamente na memória afetiva de quem teve a sorte de assistir esses filmes nas telas grandes das salas de cinema na época, ou no conforto de casa alugando as mídias físicas nas locadoras de bairro (ou “paraísos”), inicialmente as fitas VHS e um pouco mais tarde os discos DVD.

Particularmente, tive o privilégio de ver “A Passagem” (Waxwork, EUA, 1988) em VHS nessa saudosa época, e de rever quase 40 anos depois no “Youtube” numa versão original em inglês com a opção de legendas automáticas em português.

Dirigido e escrito por Anthony Hickox (do sangrento “Hellraiser III”) em sua estreia no ofício, a história é mirabolante e exagerada na fantasia, mas vale principalmente pela homenagem aos diversos monstros clássicos do Horror e pelos efeitos práticos.

 

O misterioso Sr. David Lincoln (David Warner) é o proprietário de um museu de cera que tem diversas exposições retratando monstros lendários e eventos históricos mórbidos, com a intenção de colocar em prática um plano maquiavélico de espalhar o Mal na Terra. Utilizando-se de magia vodu e sacrifício humano, a ideia é libertar os diversos monstros de uma dimensão paralela para o mundo real, instaurando o caos e a desordem.

Para conseguir suas vítimas, ele convida um grupo de jovens estudantes para uma suposta festa no museu sinistro, formado pelo entediado Mark, de família rica (Zach Galligan, de “Gremlins”), Sarah (Deborah Foreman), Tony (Dana Ashbrooke), China (Michelle Johnson), James (Eric Brown) e Gemma (Clare Carey).

Enquanto alguns deles desaparecem sendo sugados através de uma “passagem” para o mundo das criaturas de cera, e com a incapacidade de ajuda da polícia através do Inspetor Roberts (Charles McCaughan), resta para Mark e Sarah a missão de tentar salvar o mundo, contando com a ajuda do padrinho de Mark, Sr. Wilfred (Patrick Mcnee), que lidera um grupo improvável de vigilantes idosos.  

 

O filme é uma produção de baixo orçamento que homenageia os monstros do Horror que já fazem parte da Cultura Pop, com várias atrações do museu de cera retratando segmentos específicos com o Lobisomem, o vampiro Conde Drácula, a Múmia e o sádico Marques de Sade. Além também de aparições do monstro de Frankenstein, Fantasma da Ópera, Jack o Estripador, vários zumbis putrefatos, um bebê demoníaco, diversos monstros alienígenas e até o Homem Invisível.

O roteiro também tem várias tentativas de humor que devem funcionar para aqueles espectadores que apreciam e esperam por essas inclusões como alívio cômico em meio aos momentos mais tensos com cenas sangrentas.

Mas, o grande destaque mesmo são os efeitos especiais práticos típicos dos saudosos anos 80, com muitas cenas envolvendo os monstros, com overdose de gosmas e sangue (principalmente no segmento com os vampiros, ambientado num castelo gótico), além de mortes violentas com direito à cabeça esmagada pela Múmia ou o corpo de uma vítima destroçado pelo Lobisomem.      

“A Passagem” teve uma sequência em 1992 que ganhou o nome por aqui de “Perdidos no Tempo” (Waxwork II: Lost in Time), também lançado em VHS e igualmente dirigido e escrito por Anthony Hickox, com o mesmo casal de personagens Mark (novamente Zach Galligan) e Sarah (dessa vez interpretada por outra atriz, Monika Schnarre), e que também tem Bruce Campbell no elenco (o Ash de “The Evil Dead”), e David Carradine (de “Kill Bill” e filho do lendário John Carradine).

Curiosamente, o monstro de Frankenstein foi interpretado por Kane Hodder (não creditado), mais lembrado pelo papel do popular psicopata Jason Voorhees nos filmes 7 a 10 da franquia “Sexta-Feira 13”. E o ator John Rhys-Davies, que interpretou o Lobisomem, ficou mais conhecido pelo público como o anão Gimli da trilogia “O Senhor dos Anéis”.

O ator David Warner (1941 / 2022), o misterioso proprietário do museu de cera, teve uma carreira imensa com mais de 250 créditos, e esteve em filmes significativos de horror como “A Profecia” (1976), “A Companhia dos Lobos” (1984), “Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos” (1993) e “À Beira da Loucura” (1994), entre outros.      

 

(RR – 02/06/26)