O cinema de Horror e Ficção Científica dos anos 80
do século passado é muito divertido. Tem os filmes marcantes e extremamente
significativos como “O Iluminado”, “The Evil Dead”, “Um Lobisomem Americano em
Londres”, “O Enigma do Outro Mundo”, “Poltergeist, o Fenômeno”, “Re-Animator” e
“Hellraiser”, só para citar alguns, e tem uma infinidade de filmes com
histórias escapistas com toda aquela estética característica do período e os
extremamente divertidos efeitos práticos com monstros e animatrônicos numa
época sem a facilidade das telas verdes e CGI.
Filmes como “O Portão”, “A Volta dos Mortos-Vivos”,
“O Dia dos Mortos”, “A Coisa”, “A Hora do Espanto”, “A Hora do Lobisomem”, “Brinquedo
Assassino”, os vários capítulos de “Sexta-Feira 13”, “A Hora do Pesadelo” e
“Halloween”, e tantos outros, estão eternamente na memória afetiva de quem teve
a sorte de assistir esses filmes nas telas grandes das salas de cinema na
época, ou no conforto de casa alugando as mídias físicas nas locadoras de
bairro (ou “paraísos”), inicialmente as fitas VHS e um pouco mais tarde os
discos DVD.
Particularmente, tive o privilégio de ver “A
Passagem” (Waxwork, EUA, 1988) em VHS
nessa saudosa época, e de rever quase 40 anos depois no “Youtube” numa versão
original em inglês com a opção de legendas automáticas em português.
Dirigido e escrito por Anthony Hickox (do sangrento “Hellraiser
III”) em sua estreia no ofício, a história é mirabolante e exagerada na
fantasia, mas vale principalmente pela homenagem aos diversos monstros
clássicos do Horror e pelos efeitos práticos.
O misterioso Sr. David Lincoln (David Warner) é o
proprietário de um museu de cera que tem diversas exposições retratando
monstros lendários e eventos históricos mórbidos, com a intenção de colocar em
prática um plano maquiavélico de espalhar o Mal na Terra. Utilizando-se de
magia vodu e sacrifício humano, a ideia é libertar os diversos monstros de uma
dimensão paralela para o mundo real, instaurando o caos e a desordem.
Para conseguir suas vítimas, ele convida um grupo de
jovens estudantes para uma suposta festa no museu sinistro, formado pelo
entediado Mark, de família rica (Zach Galligan, de “Gremlins”), Sarah (Deborah
Foreman), Tony (Dana Ashbrooke), China (Michelle Johnson), James (Eric Brown) e
Gemma (Clare Carey).
Enquanto alguns deles desaparecem sendo sugados
através de uma “passagem” para o mundo das criaturas de cera, e com a
incapacidade de ajuda da polícia através do Inspetor Roberts (Charles
McCaughan), resta para Mark e Sarah a missão de tentar salvar o mundo, contando
com a ajuda do padrinho de Mark, Sr. Wilfred (Patrick Mcnee), que lidera um
grupo improvável de vigilantes idosos.
O filme é uma produção de baixo orçamento que homenageia
os monstros do Horror que já fazem parte da Cultura Pop, com várias atrações do
museu de cera retratando segmentos específicos com o Lobisomem, o vampiro Conde
Drácula, a Múmia e o sádico Marques de Sade. Além também de aparições do
monstro de Frankenstein, Fantasma da Ópera, Jack o Estripador, vários zumbis putrefatos,
um bebê demoníaco, diversos monstros alienígenas e até o Homem Invisível.
O roteiro também tem várias tentativas de humor que devem
funcionar para aqueles espectadores que apreciam e esperam por essas inclusões
como alívio cômico em meio aos momentos mais tensos com cenas sangrentas.
Mas, o grande destaque mesmo são os efeitos
especiais práticos típicos dos saudosos anos 80, com muitas cenas envolvendo os
monstros, com overdose de gosmas e sangue (principalmente no segmento com os
vampiros, ambientado num castelo gótico), além de mortes violentas com direito
à cabeça esmagada pela Múmia ou o corpo de uma vítima destroçado pelo
Lobisomem.
“A Passagem” teve uma sequência em 1992 que ganhou o
nome por aqui de “Perdidos no Tempo” (Waxwork II: Lost in Time), também lançado
em VHS e igualmente dirigido e escrito por Anthony Hickox, com o mesmo casal de
personagens Mark (novamente Zach Galligan) e Sarah (dessa vez interpretada por
outra atriz, Monika Schnarre), e que também tem Bruce Campbell no elenco (o Ash
de “The Evil Dead”), e David Carradine (de “Kill Bill” e filho do lendário John
Carradine).
Curiosamente, o monstro de Frankenstein foi
interpretado por Kane Hodder (não creditado), mais lembrado pelo papel do
popular psicopata Jason Voorhees nos filmes 7 a 10 da franquia “Sexta-Feira 13”.
E o ator John Rhys-Davies, que interpretou o Lobisomem, ficou mais conhecido
pelo público como o anão Gimli da trilogia “O Senhor dos Anéis”.
O ator David Warner (1941 / 2022), o misterioso
proprietário do museu de cera, teve uma carreira imensa com mais de 250
créditos, e esteve em filmes significativos de horror como “A Profecia” (1976),
“A Companhia dos Lobos” (1984), “Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos”
(1993) e “À Beira da Loucura” (1994), entre outros.
(RR
– 02/06/26)

.jpeg)
.jpeg)
