segunda-feira, maio 25, 2026

Um Anjo Para Satã (An Angel For Satan / Un Angelo Per Satana, Itália, 1966, PB)

 


A atriz inglesa Barbara Steele é uma musa do cinema de horror, especialmente o gótico italiano dos anos 60 do século passado, deixando seu nome e legado na história do gênero em filmes como “A Máscara de Satã” (1960), “Dança Macabra” (1964), “A Máscara do Demônio” (1964), “Terror no Cemitério” (1965), “Amor de Vampiros” (1965) e “Um Anjo Para Satã” (An Angel For Satan / Un Angelo Per Satana, 1966), sendo este último dirigido por Camillo Mastrocinque, com fotografia em preto e branco, e que está disponível no “Youtube” numa versão dublada em inglês com a opção de legendas automáticas em português. Foi lançado também em mídia física DVD no Brasil pela “Versátil” em 2019 no box “Obras-Primas do Terror – Gótico Italiano”.

Ela também esteve em outras preciosidades como “A Mansão do Terror” (1961), ao lado de Vincent Price e com direção de Roger Corman numa história inspirada em Edgar Allan Poe, “A Maldição do Altar Escarlate” (1968), com Boris Karloff e Christopher Lee, e “Calafrios” (1975), de David Cronenberg.

 

A história é ambientada num vilarejo italiano no final do século XIX, onde o escultor Roberto Merigi (Anthony Steffen) é contratado pelo Conde Montebruno (Claudio Gora), que vive numa mansão à beira de um lago, para restaurar uma estátua de mármore de 200 anos, recuperada do fundo das águas, e que é considerada amaldiçoada pelos aldeões supersticiosos.

Na mansão trabalha um grupo de serviçais, a governanta Ilda (Marina Berti), que possui uma relação misteriosa com o Conde, o mordomo Guglielmo (Antonio Corevi), o jardineiro estranho Vittorio (Aldo Berti), a empregada doméstica Rita (Ursula Davis) e o zelador Sargento (Antonio Acqua), e no vilarejo temos o jovem professor da pequena escola local Dario Morelli (Vassili Karis), apaixonado por Rita, e o grandalhão encrenqueiro Carlo Lionesi (Mario Brega).

Depois que a bela sobrinha do Conde, Harriet Montebruno (Barbara Steele), chega ao vilarejo após estudar música na Inglaterra por quinze anos, para assumir a herança do pai falecido, fatos misteriosos começam a ocorrer, com assassinatos na região despertando medo entre os aldeões e trazendo à tona lendas e maldições antigas sobre Belinda, uma mulher amargurada pelo sentimento de rejeição e que morreu afogada num acidente com a estátua do fundo do lago.     

 

“Um Anjo Para Satã” tem toda aquela ambientação gótica tradicional com um vilarejo assustado com uma suposta maldição envolvendo uma escultura e aquele clima característico de desconforto com a ocorrência de mortes misteriosas, investindo mais num horror sutil, sem violência ou sangue, apostando na sugestão e atmosfera, com uma reviravolta no desfecho. 

O grande destaque certamente é a atriz Barbara Steele, fazendo aqui o papel duplo da gentil Harriet e da malévola Belinda, que tenta de todas as formas desestabilizar os aldeões supersticiosos instaurando discórdia e desconfiança, incitando ações de violência e mortes trágicas.

Curiosamente, ela já tinha feito algo similar anteriormente em “A Máscara de Satã” (também conhecido por aqui como “A Maldição do Demônio”), de Mario Bava, quando interpretou a bruxa Asa Vajda, condenada à morte na fogueira e sua descendente, a princesa Katia Vajda. E também em “Amor de Vampiros”, fazendo o papel duplo de Muriel e Jenny Arrowsmith.

 

(RR – 25/05/26)



sexta-feira, maio 22, 2026

The Night of the Scorpion (La Casa de las Muertas Vivientes, Espanha / Itália, 1972)

 


Quando pensamos num típico filme com elementos de horror, suspense e mistério cujos vários títulos alternativos e principalmente os cartazes de divulgação são bem mais interessantes que o próprio roteiro e produção, então “The Night of the Scorpion” (1972) pode ser esse filme.

Um giallo espanhol e italiano, com o tradicional “assassino com luvas pretas” e algumas mortes sangrentas, conhecido pelos nomes sonoros e chamativos “La Casa de las Muertas Vivientes” na Espanha e “Una Tumba Aperta... Una Bara Vuota” na Itália. Dirigido por Alfonso Balcázar utilizando o pseudônimo Al Bagran, o filme está disponível no “Youtube” numa versão dublada em inglês e com opção de legendas em português.

 

Oliver Bromfield (José Antonio Amor) é um milionário viúvo, alcoólatra e instável emocionalmente, traumatizado pela morte trágica de sua primeira esposa Helen (Gioia Desideri) num misterioso acidente caseiro. Ele está retornando após um ano afastado para a mansão isolada de sua família, localizada no alto de uma colina, trazendo a nova esposa, Ruth (Daniela Giordano).

Ao chegarem são recepcionados com frieza pela irmã de Oliver, Jenny (Teresa Gimpera) e pela madrasta e viúva Sara (Nuria Torray), únicos moradores da mansão, além dos empregados, a jovem arrumadeira Clara (Alicia Tomás) e o estranho jardineiro Peter (ator não creditado e cujo nome nem aparece na ficha do filme no IMDB).

A recém-chegada Ruth acaba se sentindo desconfortável num ambiente sinistro de uma casa imensa que esconde segredos obscuros da família, como o fato de Sara ser apaixonada por Oliver e um relacionamento amoroso entre Jenny e Helen. E o ambiente torna-se ainda mais tenso com a ocorrência de mortes violentas com as ações de um assassino agindo entre eles nas sombras, com todos sendo suspeitos.      

 

O filme tem uma narrativa excessivamente arrastada e poderia ter uma duração reduzida entre quinze a vinte minutos do total de uma hora e meia. Como tem poucos personagens dispersos numa mansão sinistra, a história precisaria ser mais dinâmica ao apresentar seus dramas, conflitos internos e problemas psicológicos, e deveria investir mais numa sempre bem-vinda e esperada atmosfera sombria de mistério envolvendo um assassino determinado a diminuir a quantidade de moradores.

 

(RR – 22/05/26)




terça-feira, maio 12, 2026

Banho de Sangue na Casa da Morte (Bloodbath at the House of Death, Inglaterra, 1984)

 


"Oh, ouça-me, poderoso governante do poder das trevas. Todo-poderoso Lúcifer, uma vez derrotado, mas agora prestes a ascender ao poder sobre nós, seus súditos leais. A hora está próxima, oh Diablos, e nós, seus humildes servos, estamos preparando o terreno para o seu retorno à Casa da Morte."

 

Com um título sonoro e chamativo e a presença sempre ilustre do ícone Vincent Price (1911 / 1993), um dos mais expressivos atores do Cinema de Horror ao lado de Christopher Lee, Peter Cushing, Bela Lugosi e Boris Karloff, “Banho de Sangue na Casa da Morte” (Bloodbath at the House of Death, Inglaterra, 1984), é uma paródia divertida de humor negro, que pode ser considerada uma espécie de precursora mais sutil e menos exagerada de “Todo Mundo em Pânico” (Scary Movie, 2000), que virou uma extensa franquia popular.

Dirigido por Ray Cameron, que também escreveu o roteiro em parceria com Barry Cryer, o filme apresenta elementos de horror com mortes sangrentas, mas com alívios cômicos que funcionam bem, principalmente com a atuação impagável de Vincent Price, e brinca com vários filmes importantes, servindo como homenagens merecidas, indo de “Um Lobisomem Americano em Londres”, “Carrie, a Estranha” e “O Iluminado”, passando por “Tubarão”, “Star Wars”, “Alien, o Oitavo Passageiro”, “Poltergeist, o Fenômeno” e “Psicose”, culminando com “E.T. – o Extraterrestre”.

Foi lançado no Brasil em mídia física na saudosa época das fitas de vídeo “VHS” pela “Hunter Video”, e está disponível no “Youtube” numa versão original com opção de legendas em português.

 

Após o massacre com o assassinato brutal de dezoito pessoas em 1975 numa mansão do interior da Inglaterra chamada “Headstone Manor”, o “Banho de Sangue na Casa da Morte” do título, promovido por monges encapuzados de uma seita satânica, um grupo de cientistas é contratado secretamente pelo governo para investigar supostos fenômenos paranormais e leituras de radioatividade no local dos crimes sangrentos.

O grupo é formado por quatro duplas. A primeira delas tem o Dr. Lukas Mandeville (o comediante inglês Kenny Everett), que tem uma perna mecânica e foi no passado um cirurgião alemão (Dr. Ludwig Mannheim) desacreditado por seus colegas de profissão, com a bela parceira de investigação, Barbara Coyle (Pamela Stephenson). Depois tem Dr. John Harrison (John Fortune) e a histérica Srta. Sheila Finch (Sheila Steafel), que foi reprimida na infância pela mãe extremamente rígida e religiosa (Davilia David). Em seguida tem o casal homossexual Elliot Broome (Gareth Hunt) e Stephen Wilson (Don Warrington). E a última dupla é formada pelo americano Henry Noland (John Stephen Hill) e Deborah Kedding (Cleo Rocos).

Ao se reunirem para a pesquisa paranormal, os investigadores enfrentam a oposição de um grupo de moradores locais, membros de uma misteriosa seita satânica liderada pelo “Homem Sinistro” (Vincent Price), que coloca em prática uma conspiração para tentar expulsá-los da mansão, contando com o apoio do chefe da polícia local, Inspetor Goule (David Lodge) e um atrapalhado homem cego (Graham Stark), membros do culto demoníaco, que estão preparando a vinda de Lúcifer na Terra.  

 

Particularmente confesso que não sou muito fã de paródias de horror, exceto por preciosidades como “O Jovem Frankenstein” (1974), dirigido por Mel Brooks e estrelado por Gene Wilder, mas “Banho de Sangue na Casa da Morte” é muito divertido, com uma história clichê de mansão macabra e seita satânica, ótimas cenas de assassinatos violentos com os típicos efeitos práticos dos anos 80 do século passado, e piadas sutis que funcionam muito bem como a cena da cirurgia que deu errado com tripas espalhadas para todos os lados. Ou ainda a brincadeira que até virou cantiga sobre o destino dos dezoito moradores da mansão no massacre da introdução do filme, com a dificuldade na contagem dos cadáveres e a forma das mortes, catalogadas por eletrocussão através de raios de tempestade, gargantas cortadas, enforcamento, machadadas na cabeça, empalamentos, combustão espontânea e ferimentos com projéteis de armas de fogo (com os corpos congelados num freezer).

A presença de Vincent Price agrega um valor inestimável, como sempre, e aqui ele é um morto-vivo de mais de 700 anos, líder de uma seita que está preparando a chegada do Diabo na Terra, e que rouba todas as atenções quando aparece, com seus discursos sarcásticos de horror e humor ácido, sendo apenas uma pena que aparece pouco e somente após quase meia hora de filme.

Curiosamente, a cena de sexo da investigadora paranormal Barbara Coyle com um fantasma foi copiada em “Todo Mundo em Pânico 2” (Scary Movie 2, 2001).

 

(RR – 12/05/26)




quinta-feira, maio 07, 2026

Vingança Eterna / Múmia Vive, A (The Mummy Lives, EUA, 1993)

 


Apenas mais um filme sobre maldição de múmia egípcia, com o ator Tony Curtis em final de carreira

A “múmia” é um dos monstros clássicos do Horror, ao lado do vampiro “Drácula”, “criatura de Frankenstein”, “lobisomem” e outros, e regularmente tem inspirado a produção de grande quantidade de filmes ao longo da história do gênero. “Vingança Eterna” (The Mummy Lives, 1993) foi lançado por aqui em vídeo VHS pela Warner e também recebeu o título “A Múmia Vive” (tradução literal do original) quando foi exibido na televisão (TV Globo). Foi dirigido por Gerry O´Hara e é apenas mais um filme com o mesmo tema de maldição de múmia egípcia. E talvez os únicos diferenciais para a infinidade de filmes similares sejam a presença do ator Tony Curtis (1925 / 2010) no papel principal, e o nome do cultuado escritor Edgar Allan Poe, creditado por um conto que inspirou o roteiro. Mas não é o suficiente para impedir de situar o filme no limbo das produções sem importância sobre múmias.

Um grupo de arqueólogos formado, entre outros, pelo Prof. Alexatos (Mohammed Bakri) e pelo Sr. Kroll (Mosko Alkalai), financiados pelo magnata inglês Lord Maxton (Jack Cohen), está realizando escavações nas proximidades de Cairo, a capital do Egito, e encontra uma sala oculta com a tumba de uma múmia de 3000 anos. Trata-se de Aziru (Tony Curtis), que foi condenado pelo amor proibido com Kia (Leslie Hardy), uma das concubinas preferidas de Zoth, o Deus da Vingança. Pelo delito foi punido e transformado em múmia pela eternidade, lacrado vivo num sarcófago, tornando-se protetor dos mortos e guardião dos tesouros do seu mestre, lançando maldições contra os profanadores do túmulo sagrado.
Após despertada da inatividade, a múmia retorna para o mundo dos vivos como o Dr. Mohassid (também Tony Curtis), um estudioso da cultura egípcia e especialista em antiguidades. Ele encontra na bela Sandra Barnes (também Leslie Hardy) a reencarnação de sua amada Kia, planejando a união deles num ritual de sacrifício num evento astronômico com uma rara conjunção planetária. Sandra sofre com constantes pesadelos e conta com a ajuda do médico Dr. Carey Williams (Greg Wrangler), apaixonado por ela, para lutar pela vida e impedir um trágico destino no plano maquiavélico da múmia.

“Vingança Eterna” é um filme cansativo, que não consegue criar uma empatia com o espectador ao apresentar e explorar os mesmos velhos clichês sobre múmias, o imperialismo inglês no Egito, as escavações à procura de tesouros perdidos no tempo, as profanações dos túmulos sagrados, os roubos de artefatos preciosos para museus e patrimônios particulares, as maldições lançadas contra quem invadisse seus territórios proibidos e a manjada vingança de retaliação com poucas e previsíveis mortes discretas. Ou seja, mais do mesmo, sem novidades, numa produção comum com quase nada de violência ou sangue, e que nem Tony Curtis conseguiu evitar que tenha seu lugar garantido no esquecimento.

(RR – 24/09/17)

Superman and the Mole-Men (EUA, 1951, PB)

 


Primeiro filme de aventura do Superman é bem ruim, com uma história ingênua e efeitos toscos

Há muitos anos atrás, quando o planeta Krypton, lar de uma raça de super homens, explodiu no espaço, o único sobrevivente foi um menino que veio para a Terra, com poderes e habilidades muito superiores a dos homens mortais. Hoje o menino é um adulto conhecido como Super Homem. Para ajuda-lo em sua batalha sem fim contra as forças do mal, ele se disfarça de Clark Kent, um discreto repórter de um grande jornal de Metrópolis. Ninguém sabe que Kent é o Super Homem, corajoso defensor da verdade, da justiça e da América.

Com essa introdução narrada inicia-se o filme de aventura com elementos de fantasia e ficção científica “Superman and the Mole-Men”, produção em preto e branco de 1951 que numa tradução literal seria “Super Homem e os Homens-Toupeira”. Curto, com apenas 58 minutos de duração, o filme é bem ruim, principalmente pela história ingênua e previsível demais, cheia de clichês óbvios e cansativos (mesmo para aquela distante época), e pelos efeitos hilários de tão bagaceiros.

Com direção de Lee Sholem, a história mostra a pequena cidade de Silsby, que é conhecida pelo poço de petróleo mais profundo do mundo. Os repórteres do jornal “Planeta Diário”, Lois Lane (Phyllis Coates) e Clark Kent (George Reeves, que morreu com apenas 45 anos), foram escalados para viajar até a cidade e fazer uma matéria sobre o assunto. Porém, eles são mal recebidos pelo supervisor do campo de petróleo, Bill Corrigan (Walter Reed), que informa que o poço está fechado, contrariando até o responsável pelas relações públicas da empresa, John Craig (Ray Walker), que não sabia desse fato e acompanhava os jornalistas na visita monitorada.
Entretanto, os repórteres ainda ganhariam um assunto interessante e no mínimo incomum para sua matéria, depois que dois pequenos seres estranhos parecidos com toupeiras (daí a motivação para o título original “mole-men”), decidiram sair de suas tocas num mundo subterrâneo através de uma escotilha no poço de petróleo, e investigar por curiosidade o mundo dos humanos acima do solo.
As criaturas são mal recebidas pelos moradores da cidade, e liderados pelo prepotente Luke Benson (Jeff Corey), começam a caçar mortalmente os invasores com a ajuda de cães farejadores. Resta ao herói Super Homem a tarefa de impedir a chacina e salvar os homens toupeira, restabelecendo a ordem e justiça na cidade.

O filme especula que o centro da Terra é oco e que o profundo poço de petróleo permitiu a entrada de uma raça de criaturas parecidas com toupeiras radioativas na superfície do planeta. Elas são inofensivas, mas são confundidas como seres hostis, ameaçadores e perigosos, validando a ideia extremamente explorada no cinema fantástico sobre a intolerância da humanidade contra tudo que desconhece, sempre adotando reações ofensivas antes de avaliar a situação com mais inteligência. As criaturas inevitavelmente tornaram-se vítimas dos homens da superfície, sendo perseguidas e caçadas violentamente.
A história é tão ingênua e recheada de situações óbvias e previsíveis, que fica difícil despertar algum interesse no espectador. E os efeitos bagaceiros ao extremo, típicos de uma produção de baixíssimo orçamento e com as dificuldades técnicas da época, apenas ajudaram a tornar o filme ainda mais ruim. Normalmente, para os apreciadores de filmes bagaceiros, os efeitos toscos fazem parte da diversão junto com as histórias exageradas no escapismo e fantasia, mas no caso de “Superman and the Mole-Men”, o roteiro banal de super herói junto com os efeitos ruins tornaram o resultado final bem decepcionante.
As criaturas do centro da Terra são anões fantasiados de forma hilária, usando uma espécie de touca na cabeça para simular a falta de cabelos na parte central, e com sobrancelhas grossas e mãos peludas, tentando passar a ideia de seres com corpo de marmota e rostos humanoides. Entre os “efeitos especiais”, vale destacar uma cena que provavelmente está entre as mais toscas que já vi no cinema fantástico bagaceiro, e posso garantir que já vi muita porcaria do gênero: o resgate de um homem toupeira baleado, caindo do alto de uma barragem e sendo salvo no ar pelo super homem.
Para completar, ainda temos um xerife extremamente incompetente, interpretado por Stanley Andrews, que não tem autoridade na pequena cidade e é facilmente dominado pelos habitantes revoltosos contra as criaturas do subterrâneo. Aliás, os homenzinhos tentam se vingar da má receptividade dos humanos utilizando uma enorme arma de raios que quase não conseguem carregar, que é risível de tão bizarra.

(RR – 21/09/17)

Narco Satanico (México, 1968)

 



Sonhar com uma mulher vestida de noiva significa morte, mas se o noivo é Satã, a morte é provocada por forças do além.

Narco Satanico” é uma produção obscura mexicana de 1968 dirigida por Rafael Portillo, que traz uma história que mistura elementos de magia negra e satanismo com crimes passionais e zumbis vingativos.

Vicki (Ana Luisa Peluffo) é uma dançarina apaixonada pelo arquiteto Ricardo Santamaria (Gonzalo Aiza, creditado como Carluis Saval), um homem rico e bem sucedido que é casado com Barbara (Barbara Wells). Para conseguir a atenção dele, a inescrupulosa Vicki apela para os serviços de magia negra de uma bruxa (Norma Somarriba) e num ritual de satanismo ela faz um pacto com o demônio, oferecendo seu corpo e alma em troca de juventude, beleza e poder sobre os homens.
Ela consegue seus objetivos usando forças sobrenaturais para prejudicar Barbara e seus familiares. Porém, depois que Vicki mata violentamente seu amante Ricardo depois de receber uma orientação em sua mente do próprio diabo, ela passa a sentir na pele a fúria vingativa do morto, cujo espírito se apossa do corpo de seu irmão Carlos (também interpretado pelo mesmo ator).

O filme é uma tranqueira extremamente ruim que somente diverte um pouco os fãs de cinema bagaceiro de horror por causa das várias cenas de pesadelos de Carlos sendo atormentado num cemitério tosco, entre túmulos sinistros e criaturas bizarras. Os efeitos de maquiagem são tão precários que passam a ser inevitavelmente risíveis. Além da utilização artificial e forçada de gargalhadas tétricas e uivos de lobo retirados de algum efeito sonoro padrão. Tem também o zumbi Ricardo saindo apodrecido de sua cova e retornando para o mundo dos vivos, arrancando literalmente as tripas de quem cruzasse seu caminho, à procura de vingança e para cumprir uma promessa macabra que fez para sua esposa.
A história é uma salada indigesta com tantos elementos de horror misturados que o resultado final virou uma bagunça com a tendência de desviar a atenção do espectador. Os vários cortes bruscos de edição e uma parte irritante da trilha sonora contribuem ainda mais para afastar o interesse, exceto apenas pelas mortes sangrentas e a atmosfera fantasmagórica dos devaneios e cenas oníricas.

(RR – 22/09/17)

Mistério no Bosque / Olhos na Floresta (The Watcher in the Woods, EUA, 1980)

 


É uma incomum produção da Walt Disney com elementos sutis de horror e suspense sobrenatural

A produtora “Walt Disney”, conhecida pelas animações e filmes com humor e histórias voltadas para a família, também tem a sua contribuição para o gênero fantástico, representado por “Mistério no Bosque” (1980), uma mistura de horror, assombração, suspense, mistério e até ficção científica. A direção é do inglês John Hough, que tem em seu currículo “As Filhas de Drácula” (1971), da “Hammer” e com o ícone Peter Cushing, e o clássico de casa assombrada “A Casa da Noite Eterna” (1973), com Roddy McDowall.

Uma família se muda para um antigo casarão no interior da Inglaterra, isolado e cercado por uma floresta. Temos o pai músico Paul Curtis (o escocês David McCallum, rosto conhecido pela série de TV dos anos 70 “O Homem Invisível”), a mãe escritora Helen (Carroll Baker) e as duas filhas, a adolescente Jan (Lynn-Holly Johnson) e a pequena Ellie (Kyle Richards). A mansão pertence à idosa mal humorada Sra. Aylwood, interpretada por Bette Davis (1908 / 1989), veterana com vários filmes de horror na carreira como o clássico “O Que Aconteceu Com Baby Jane?” (1962). 
Porém, um mistério ronda a região, com o desaparecimento 30 anos atrás da adolescente Karen (Katharine Levy), filha da Sra. Aylwood, em circunstâncias estranhas durante um raro eclipse solar, e que nunca foram solucionadas. Um segredo obscuro também envolve outros moradores das redondezas como o sinistro John Keller (Ian Bannen), o ermitão Tom Colley (Richard Pasco), e Mary Fleming (Frances Cuka), mãe do adolescente Mike (Benedict Taylor), amigo de Jan, e vizinho que trabalha com frutas e legumes.
Para complicar ainda mais as coisas, a família recém chegada precisa lidar com a ocorrência de constantes situações perturbadoras como ruídos, vozes e visões fantasmagóricas de uma menina com os olhos vendados, desesperada pedindo ajuda. Além de sensações desconfortáveis como se os novos moradores estivessem sendo observados à espreita (daí o título original), tanto no interior da enorme casa quanto principalmente no bosque sinistro, em relatos das filhas que revelam habilidades sensitivas. 

“Mistério no Bosque” é um filme comum sobre casas e florestas assombradas, com todos os velhos clichês e elementos do estilo, que ainda assim continuam funcionando sem muita exigência. Uma diferença notável que lhe confere certo destaque é a sempre bem vinda presença de Bette Davis no elenco, mesmo numa participação menor, e o fato de ser uma produção da “Walt Disney”, cujo nome está sempre associado às animações e filmes infanto-juvenis de aventura, comédia e dramas familiares, sem ligação com o horror.
Entre as diversas curiosidades interessantes, vale destacar que o final original do filme lançado em 1980 foi considerado muito sombrio e não foi bem recebido na época. Então os realizadores optaram por relançar o filme um ano depois em 1981, com outro final mais leve e explicativo, que teve a direção não creditada de Vincent McEveety. Particularmente, o final original e depois censurado é muito melhor e mais interessante, com ótimos efeitos especiais típicos daquele período e com uma associação mais efetiva com os elementos de ficção científica da história.
O filme foi baseado no livro “A Watcher in the Woods” (na tradição literal, “Um Observador na Floresta”, publicado em 1976 e escrito por Florence Engel Randall. A película recebeu dois nomes no Brasil, “Mistério no Bosque” na exibição nos cinemas e “Olhos na Floresta” no lançamento em vídeo VHS. Em 2017, ganhou uma refilmagem dirigida por Melissa Joan Hart e com Anjelica Houston liderando o elenco.
Boa parte das locações são as mesmas do clássico “Desafio ao Além” (The Haunting, 1963), de Robert Wise, um dos principais filmes de casas assombradas da história do cinema de horror.

(RR – 17/09/17)

O Endereço do Medo (The House That Mary Bought, Inglaterra, 1995)

 


Dessa vez foi com a casa de Mary. Na próxima, poderia ser a sua. 

O Endereço do Medo” (The House That Mary Bought, 1995) é uma produção inglesa para a televisão que foi lançada em DVD no Brasil. Trata-se de uma história típica de suspense e mistério, dirigida por Simon MacCorkindale (1952 / 2010), a partir de um roteiro dele em parceria com Chris Bryant, baseado numa novela de Tim Wynne-Jones.

Mary Close (Susan George) pinta quadros e é casada com Malcolm (Ben Cross), um arquiteto que também gosta de escrever. Eles vivem num belo casarão à beira mar, afastado da cidade. Sozinhos depois da morte do filho, o casal conta apenas com a ajuda parcial de uma empregada doméstica, Odette Callot (Chantal Gresset). Porém, as coisas começam a se complicar depois que diversos eventos misteriosos e estranhos passam a acontecer na enorme casa isolada, transformando o local no “endereço do medo” do título nacional. E a “casa que Mary comprou”, do título original, torna-se o palco de um mistério que poderia ser associado a assombrações ou loucura dos moradores.
Os acontecimentos bizarros geram um clima de tensão constante e crescente envolvendo o casal e também amigos próximos como Alex Fischer |(Maurice Thorogood), o agente para exposição dos quadros de Mary, ou a jovem Claire Benoit (Charlotte Valandrey), secretária de Malcolm. Culminando com as investigações da polícia local, sob o comando do Inspetor Jarrier (Jean-Paul Muel), que tenta em vão descobrir alguma coisa.

O filme é uma típica produção para a televisão, sem elementos de violência ou cenas sangrentas, num trabalho mais voltado para o suspense psicológico sobre o mistério da casa, com um resultado final mediano, o que não deixa de ser interessante, uma vez que a grande maioria dos filmes similares é descartável. Apesar de longo, com 104 minutos, sua história desperta uma empatia com o espectador na construção relativamente bem sucedida de uma atmosfera de mistério que prende a atenção na tentativa de descoberta da origem e motivação dos acontecimentos estranhos na casa, com a inevitável influência no relacionamento do casal, progressivamente mais conturbado.

(RR – 08/09/17)

Amor Satânico (Deadly Love, EUA, 1987)

 


Bagaceira oitentista obscura tão ruim que é difícil de assistir

É curioso notar que alguns filmes extremamente ruins e obscuros, que são completamente ignorados em seu próprio país de origem, receberam a lembrança de serem lançados no Brasil, independente do tipo de mídia. “Amor Satânico” (Deadly Love, 1987) é um deles, lançado por aqui em vídeo VHS pela “Poletel”, com direção e roteiro de Michael O´Rourke, sendo uma tranqueira tão ruim que é difícil de assistir, num imenso exercício de paciência do espectador em acompanhar o filme até seu desfecho.

Nos anos 60 um casal de namorados formado por Annie Butler (Cassie Brown) e o motoqueiro Buddy (Mark Oglesby) vive numa pequena cidade americana. Porém, o pai rico de Annie não aceita o namoro e durante um confronto com o rapaz, ele é morto pelo capataz de sua fazenda, Clint (Jim Alves), que também nutre um amor platônico pela moça.
Vinte anos depois, Annie vive sozinha na fazenda após a morte de seu pai, e continua sofrendo por amor, tornando-se reclusa e conhecida pelos jovens locais como maluca, sendo atormentada por eles. Ela apela para os ensinamentos sobre um feitiço de um espelho mágico, consultando um livro de ocultisrmo, e após aprender como fazer um ritual de magia negra, seu antigo namorado retorna dos mortos para visitá-la. Ainda assim, ela se suicida e uma sobrinha herda a propriedade, Hillie (Eileen Hart), que faz amizade com um jovem da cidade, Skip (Buddy Reynolds), e não imaginam que uma figura sombria vestida como motoqueiro está rondando o local ao mesmo tempo em que corpos de jovens mortos começam a surgir.

“Amor Satânico” é bem datado, lembrando os anos 80, época de fitas cassete e discos de vinis tocados em vitrolas. A história é bem patética, com uma narrativa arrastada que afasta o filme de qualquer tipo de diversão, exceto talvez por alguns poucos momentos de violência com mortes sangrentas. O elenco é sofrível, com interpretações ruins e amadoras contribuindo para o desinteresse geral. O roteiro tenta criar alguma tensão com reviravoltas, mas não impede um resultado que apenas coloque o filme num merecido lugar no limbo das produções que ninguém viu, se lembra ou faz questão de se lembrar.

(RR – 24/09/17)

quarta-feira, maio 06, 2026

O Tormento Negro (The Black Torment, Inglaterra, 1964)

 


"Se não me mandarem para a forca como assassino, vão me enforcar como feiticeiro, é isso?" – Sir Richard Fordyke

 

O Tormento Negro” (The Black Torment, Inglaterra, 1964), também conhecido pelo título alternativo “Estate of Insanity”, é um filme de horror gótico com elementos de mistério, fantasmagoria, conspiração e maldição familiar, pouco lembrado e geralmente ofuscado pelos filmes similares do mesmo período, produzidos pelos cultuados estúdios “Hammer” e “Amicus”.

Com direção e produção de Robert Hartford-Davies, foi lançado em mídia física DVD pela “Versátil” no box “Obras-Primas do Terror” Volume 26. E também está disponível no “Youtube” numa versão com dublagem em português de péssima qualidade, estragando a experiência do espectador. Porém, o que interessa mesmo, independente dos problemas com a dublagem, é que o filme vale a pena ser conhecido pelos admiradores do cinema mais antigo de horror gótico. 

 

Na Inglaterra do século 18 o rico dono de terras Sir Richard Fordyke (John Turner) retorna para a mansão rural de sua família, vindo de Londres, trazendo a nova esposa, Lady Elizabeth Fordyke (Heather Sears), quatro anos depois da morte misteriosa e suspeita de sua primeira esposa Anne. Chegando ao vilarejo ele é mal recebido pelo ferreiro Black John (Francis de Wolff) e desconfiado de alguma conspiração contra ele, decide investigar descobrindo rumores entre os aldeões e seus inquilinos, que dizem que ele já havia voltado antes e cometido assassinatos brutais, causando grande alvoroço e instabilidade na região.

No retorno ele reencontra seu pai doente cadeirante após um derrame, Sir Giles Fordyke (Joseph Tomelty), a antiga cunhada Diane (Ann Lynn) e empregados da mansão como o mordomo Harris (Norman Bird) e o amigo Seymour (Peter Arne), responsável pela contabilidade dos negócios bem-sucedidos da família.

Mas, devido à insatisfação dos moradores da aldeia e a ocorrência de novas mortes com o suposto envolvimento do recém-chegado Sir Richard e a presença sinistra de uma mulher que poderia ser sua esposa falecida, ele terá que comprovar sua sanidade e inocência, contando com a ajuda do amigo da família Coronel John Wentworth (Raymond Huntley), chefe da força policial local.

 

“O Tormento Negro” deverá despertar o interesse dos fãs do estilo, mesmo sem novidades e com os mesmos clichês tradicionais com a atmosfera sombria de uma mansão que esconde segredos nos cantos escuros, e acontecimentos macabros como aparições de uma mulher fantasmagórica, janelas batendo sozinhas e mortes violentas de mulheres nos arredores, como a bela Lucy Judd (Edina Ronay), perseguida numa floresta.

Com belos cenários e figurinos da época, a história consegue sutilmente manter o clima de mistério sobre os eventos trágicos até o desfecho revelador. Mesmo sendo mais um filme igual a tantos outros com elementos góticos, tem uma história honesta com uma proposta de ambientação da Inglaterra rural de 1780, com assassinatos brutais de jovens mulheres, mistérios sobre a autoria das mortes e um vilarejo com aldeões supersticiosos com lendas de bruxaria.    

 

(RR – 05/05/26)





Ataque Alienígena (Alien Attack, Inglaterra, 1976)

 



Telefilme formado pela compilação de 2 episódios da série de TV Espaço 1999

“Espaço 1999” (1975 / 1977) é uma série de TV de ficção científica com produção inglesa de Gerry e Sylvia Anderson, e que teve duas temporadas com 48 episódios de 50 minutos. Alguns episódios foram compilados e transformados em telefilmes de longa metragem nos anos seguintes. Um desses filmes para a televisão é “Ataque Alienígena” (Alien Attack, 1976), dirigido por Charles Crichton, Lee H. Katzin e Bill Lenny, numa reunião dos episódios número 1 “Breakaway” e número 4 “War Games”.

“Desde o início dos tempos quando o Homem olhou para o Universo, nossa galáxia foi dominada pela Lua, o grande satélite natural da Terra. Essa obsessão levou às explorações em meados do século XX, culminando na base lunar de hoje. Um instrumento complexo e adiantado, auto-suficiente em todos os aspectos. O centro de comando, Base Lunar Alfa, é uma estação bem colonizada, monitorada regularmente e funcionando bem. Sua existência foi possível pela alimentação com lixo nuclear da Terra. Desta base as fronteiras podem se estender e a busca por outras formas de vida tornou-se possível. Recebemos agora sinais do planeta Meta, que podem ser seres inteligentes. A missão: sondagem com homens. A nave está pronta, a tripulação completa o seu treinamento. O ano: 2100.”

Com essa introdução narrada, tem início “Ataque Alienígena”, com a curiosidade de alterar o ano de 1999 (da série de TV) para 2100, numa tentativa dos produtores em dar mais credibilidade para os avanços tecnológicos. Na Terra, o Comissário Gerald Simmonds (Roy Dotrice), nomeia o Comandante John Koenig (Martin Landau, 1928 / 2017) para chefiar uma base científica na Lua com 300 homens e mulheres, e tentar descobrir a causa misteriosa da morte de vários astronautas, com danos cerebrais graves sem recuperação, causando surtos seguidos de morte, podendo ter alguma relação com o lixo tóxico vindo da Terra e armazenado na Lua. Seu objetivo também é liderar uma equipe de sondagem do planeta Meta. Para ajudá-lo, ele conta com o apoio da responsável pela equipe médica, a Dra. Helena Russell (Barbara Bain), e também o cientista Prof. Victor Bergman (Barry Morse).
Porém, ocorre uma explosão nuclear de grandes proporções com os resíduos tóxicos estocados no lado oculto do satélite, tirando-o da órbita da Terra rumando para o espaço infinito, carregando a base Alfa e impossibilitando alguma ação de resgate, sendo considerada perdida. Uma vez viajando sem destino, eles entram em contato com um planeta misterioso e um confronto bélico é inevitável. De um lado, os humanos procurando um novo lar, e do outro, os alienígenas bem mais avançados, representados por um humanoide macho (Anthony Valentine) e uma fêmea (Isla Blair), que não querem ser importunados pelos intrusos da Terra.

A primeira parte de “Ataque Alienígena” é mais arrastada, com o foco na investigação do Comandante Koenig sobre o mistério da radiação magnética que está levando os astronautas da base lunar à loucura e depois morte, até a ocorrência da explosão que lançou a Lua sem rumo no espaço. Depois, na segunda metade, com as ações de batalha espacial entre os humanos e os alienígenas o ritmo narrativo ganhou intensidade com tiroteios, explosões de bombas, naves destruídas e incêndios nas instalações de ambos os lados da guerra. 
Os efeitos especiais são datados dos anos 1970 e considerados ótimos para os padrões da época, com naves espaciais e instalações da base lunar em miniaturas, além de cenários e figurinos futuristas, tudo sem o apoio da computação gráfica que auxilia na concepção dos efeitos do cinema moderno do século XXI.
Curiosamente, “Ataque Alienígena” foi distribuído no Brasil em vídeo VHS pela “Office” e outros filmes de longa metragem também foram lançados com compilações de episódios da série “Espaço 1999”, como “Journey Through the Black Sun” (1976), “Destination Moonbase-Alpha” (1978) e “A Princesa Cósmica” (1982).

(RR – 30/09/17)

A Maldição de Zachary (Slime City, EUA, 1988)

 


Sangue, tripas e gosmas do cinema bagaceiro de horror dos anos 80

Lançado em vídeo VHS no Brasil pela “Lamy Filmes”, “A Maldição de Zachary” (Slime City, 1988), com direção e roteiro de Gregory Lamberson, é o típico filme bagaceiro de horror dos anos 80, nitidamente datado, com as trilhas sonoras da época e efeitos especiais sem as facilidades da computação gráfica, com várias cenas de mortes sangrentas, tripas expostas e gosmas coloridas para todos os lados.

Na história, Alex Carmichel (Craig Sabin) é um estudante e aspirante a pintor que se muda para um apartamento na tentativa de ficar ainda mais próximo da namorada e colega de escola Lori (Mary Huner). No mesmo prédio moram outros jovens estranhos como Roman (Dennis Embry) e a bela Nicole (também Mary Huner), além das idosas Ruby (Bunny Levine), que convenceu Alex a alugar o apartamento, e Lizzy (Jane Doniger Reibel), a proprietária do prédio. Roman logo oferece ao novo inquilino um misterioso caldo gosmento para se comer como iogurte, e a bela Nicole, que está sempre pouco vestida com roupas de couro, logo utiliza seu charme e sensualidade para seduzir Alex.
 A Sra. Lizzy é filha de Zachary Devon, um antigo feiticeiro conhecedor de alquimia e ocultismo, que liderava uma seita satânica onde todos os seguidores se suicidaram e tentavam retornar do mundo dos mortos se apossando do corpo dos jovens que moravam no prédio. O bruxo deixou como legado um misterioso líquido verde, armazenado em garrafas no porão, mantido por Lizzy e oferecido como um elixir para Alex beber. O rapaz então se transforma numa criatura deformada e gosmenta, ávida por matar, derretendo um líquido viscoso de seu corpo. E com o desaparecimento de suas vítimas, entre mendigos, prostitutas e até os próprios amigos como Jerry (T. J. Merrick), ele acaba despertando a atenção da polícia incompetente, através da investigação do detetive Irish (Dick Biel), incapaz de descobrir qualquer coisa e impedir as ações do assassino.

Se por um lado o filme tem a tradicional história clichê do homem transformado em monstro assassino, com atuações inexpressivas do elenco, podemos enaltecer os efeitos especiais, mesmo numa produção de baixo orçamento. Eles são muito divertidos, principalmente nas cenas violentas no desfecho do filme, com banhos de sangue, tripas dilaceradas e cérebro rastejante sem CGI. Temos até cabeça separada do corpo e membros decepados que continuam vivos e ansiosos para sangrar a mocinha.    
Curiosamente, percebemos influências de outros filmes divertidos do horror bagaceiro como “O Incrível Homem Que Derreteu” (1977), “A Coisa” (1985) e “Street Trash” (1987), entre outros. Teve uma continuação em 2010, “Slime City Massacre”, também do diretor e roteirista Gregory Lamberson e com o mesmo ator Craig Sabin. 

(RR – 13/10/17)

La Maldición de la Bestia (Night of the Howling Beast, Espanha, 1975)

 



Oitavo filme de Paul Naschy como o lobisomen Waldemar Daninsky mistura diversos clichês do gênero

Dono de uma carreira voltada para o divertido cinema fantástico bagaceiro, o multifuncional espanhol Paul Naschy (1934 / 2009) é um dos cultuados nomes do gênero e criador do lobisomem Waldemar Daninsky, atuando como esse personagem em 13 filmes entre 1968 e 2004. O oitavo da série recebeu vários nomes diferentes, desde o original espanhol “La Maldición de la Bestia” até alguns títulos ingleses como o estranho “The Werewolf vs. the Yeti” e o sonoro “Night of the Howling Beast”. Dirigido por Miguel Iglesias (creditado como M. I. Bonns) em 1975, o roteiro também é de Paul Naschy (creditado como Jacinto Molina), numa mistura com vários clichês do gênero, abordando licantropia, vampirismo, canibalismo e até o folclórico “Yeti”, mais conhecido na cultura pop como o “abominável homem das neves”.

O aventureiro Waldemar Daninsky (Paul Naschy) se encontra com o Prof. Lacombe (Josep Castillo Escalona) e sua bela filha Sylvia (Mercedes Molina, creditada como Grace Mills), para formar uma expedição científica nas montanhas do Himalaia, Tibet, para tentar localizar o lendário homem das neves, também conhecido como “Yeti”. Faz parte também do grupo, entre outros, o jovem Larry Talbot (Gil Vidal). Daninsky encontra uma misteriosa caverna nas montanhas geladas, com um antigo santuário budista em seu interior, protegida por duas belas guardiãs que se revelam vampiras demoníacas e canibais.
Elas aprisionam Daninsky como escravo sexual e através de uma mordida ele é transformado em lobisomem nas noites de lua cheia. Após conseguir escapar do cativeiro, ele ainda tem que enfrentar um tirano sádico, Sekkar Khan (Luis Induni), que lidera um grupo de bandidos violentos, juntamente com a perversa feiticeira Wandesa (Silvia Solar), e que seqüestraram os membros da expedição científica do Prof. Lacombe. Seu objetivo agora é lutar para salvar a bela Sylvia das garras do vilão, mas seus problemas se intensificam ainda mais ao cruzar o caminho do “Yeti” e confrontá-lo numa luta mortal.

Os efeitos de trucagem na transformação de Daninsky em lobisomem são muito interessantes, e a maquiagem tosca tanto do lobisomem quanto do “Yeti” são bem divertidas, analisando dentro do contexto do cinema bagaceiro de horror. O filme tem muitas mortes sangrentas, apesar de pouco gráficas. E um destaque certamente é uma cena de tortura de uma mulher que tem parte da pele das costas arrancada brutalmente para servir de tentativa de alívio num tratamento alternativo das terríveis dores causadas por feridas nas costas do vilão Sekkar Khan.
Curiosamente, o nome do personagem Larry Talbot é o mesmo do filme “O Lobisomem” (The Wolfman, 1941), da produtora americana “Universal”, com Lon Chaney Jr. interpretando o papel do homem que se transformaria em lobisomem.
A opção de enfatizarem a criatura mítica “Yeti” em títulos alternativos do filme parece nitidamente oportunista para chamar a atenção do público, pois o homem das neves aparece pouco, apenas rapidamente no início do filme, e depois no desfecho, na luta com o lobisomem.
Uma das taglines promocionais, que numa tradução literal seria algo como “duas feras sanguinárias num combate mortal” é bem sensacionalista, uma vez que o tal confronto só acontece no final e de uma forma que pode ser considerada discreta e decepcionante.  “La Maldición de La Bestia” é basicamente um filme tosco de lobisomem com quase nada de “Yeti”.
É evidente a boa tentativa de horror dos realizadores, mas mesmo com resultados apenas medianos, o filme ainda fez parte da lista de produções banidas na Inglaterra (os chamados “vídeos nasty”) na década de 1980, pelo conteúdo de violência.

(RR – 06/10/17)